Carreira x Maternidade: qual é a hora certa de voltar ao trabalho?

Tem hora certa para voltar a trabalhar depois que se tem um filho? Alguns especialistas (psicólogos, pediatras, etc…) costumam dizer que é super importante a mãe se dedicar integralmente ao bebê até ele ter, pelo menos, um ano. Já outros, afirmam que o ideal é esse prazo ser estendido até dois. Entretanto, todas nós, meras mortais, sabemos que nem sempre isso é possível.

Muitas mães se vêem obrigadas a voltar a trabalhar porque a licença maternidade acabou, outras, porque as economias estão chegando ao fim e o só salário do marido não banca as despesas da casa e, ainda, há aquelas que sentem que chegou a hora de retomarem uma parte importante de suas vidas que foi deixada de lado com o nascimento do serzinho mais importante do planeta.

Eu me encaixo nesse terceiro grupo. Estou entre as mulheres que sentiram que é o momento de cortar um pedacinho do cordão umbilical que as prende tão fortemente aos seus pequenos para tentar encontrar de novo o equilíbrio entre o EU, a FAMÍLIA e a PROFISSÃO.

Para mim, essa decisão aconteceu mais ou menos da seguinte forma: o Léo nasceu, e com ele aquele amor imenso, indescritível, interminável, e junto com os dois, Léo e Amor, aquela dedicação também imensa, indescritível, interminável. Pouco a pouco, fui percebendo que me entreguei tanto que comecei a sentir falta de mim (tema também já tratado aqui no blog) e que tentar recuperar uma parte da minha vida que foi deixada para trás seria importante, ou mais do que isso, necessário.

Assim, decidi voltar a trabalhar. Esperei o Léo completar oito meses (feitos ontem) e agora me sinto mais segura para deixá-lo a cargo de outras pessoas durante metade do dia. Na outra metade, continuare me dedicando de corpo e alma a ele, como tenho feito desde o seu nascimento.

Para mim, essa dinâmica, de cuidar do Léo metade do dia e voltar a exercer a minha profissão na outra metade, é a ideal nesse momento. Sei que, dessa forma, vou recarregar as minhas energias para quando estiver com ele poder dar o que há de melhor em mim.

Essa coisa de recarregar as energias é algo vital quando se exerce a maternidade. Somente quem é mãe sabe a rotina estafante que é cuidar de uma criança. É uma dedicação viceral, que consome não somente o nosso tempo como também o nosso fôlego. Corremos tanto, de um lado para outro, por horas a fio, que quando vemos, o dia acabou e não fizemos simplesmente nada que não tenha sido cuidar do(s) nosso(s) pequeno(s).

Enfim, EU senti que essa era a MINHA hora de voltar ao trabalho, e senti que esse modelo, de 50% mãe e 50% profissional, é um modelo que serve super bem para MIM. Entretando, acredito que cada mãe sabe qual é a SUA hora de fazer essa separação ou se essa hora tem que realmente chegar um dia.

Há muitas mães que optam por não voltar a trabalhar jamais e decidem se dedicar integralmente aos filhos. E quer saber? Eu tiro o chapéu para essas mulheres. Eu realmente admiro quem toma essa decisão, pois ser mãe é uma tarefa recompesadora, mas também extremamente árdua (e aqui eu presto a minha singela homenagem a minha mãe, que sempre exerceu a sua função de mãe em tempo integral com extrema maestria).

Enfim, encontrei no modelo mãe E profissional o meu modelo ideal. Ainda irei experimentá-lo na prática, a partir do próximo mês, mas acredito que é dessa forma que irá funcionar para mim.

Estou com o coração em paz, também, porque tenho certeza que o Léo ficará em boas mãos no tempo que não estiver comigo. Decidir quem cuidaria do meu pequeno no período que eu nao estivesse com ele também não foi uma tarefa fácil, mas essa experiência eu conto para vocês em outro post.

Hoje, sinto, cada vez mais, que É ME DIVIDINDO QUE ME FAÇO INTEIRA. Preciso me separar em duas (ou mais) para me sentir completa. Essa sou eu!

Encerro esse post com o sensível e muito sensato depoimento de uma grande amiga. Ela é integrante do grupo de discussão Macetes de Mãe e essas foram as suas palavras para outra mãe que questionou se, no grupo, havia alguma mamãe que havia abandonado a carreira para se dedicar integralmente aos filhos. Várias mamães, responderam que sim, e falaram da sua realizaçãom essa decisão, entretanto a Camila, assim como eu, decidiu seguir outro caminho. Faço minhas as palavras da Camila:’

“Não fazer da maternidade um estilo de vida” um dos melhores conselhos que recebi. Sei que é difícil, na verdade, dificílimo, mas necessário, pelo menos pra mim. Sou professora e tenho certa flexibilidade de horários, só preciso estar na faculdade três dias por semana, o resto do trabalho posso fazer em casa, mas mesmo se fosse diferente acho que não abriria mão da minha carreira. Essa questão é muito pessoal, mas pelo menos pra mim, o que eu faço também me define, me renova, me faz melhor e, consequentemente, uma pessoa mais realizada e uma mãe melhor. Ao mesmo tempo acho que a maternidade também me transformou como profissional, estou mais paciente, principalmente comigo mesma, e hierarquizo melhor as questões que realmente tem relevância e merecem minha energia. Claro que também abri mão de algumas coisas. O doutorado, por exemplo, está adiado até que consiga voltar a ler sem me sentir tentada a dançar com a minha filha no meio dia. Mas cedo as essas tentações sem culpa, sei que um dia conseguirei voltar ao meu antigo ritmo de estudo e espero por ele com calma, sem ansiedade, afinal, a grande lição dos últimos 15 meses é que as coisas acontecem quando tem que acontecer.
Camila Morales, professora, de Porto Alegre

No fim, queridas amigas, todas nós, voltando mais cedo, mais tarde, ou nunca voltando a trabalhar, estamos apenas sendo a melhor mãe que podemos ser. E é isso que importa!

15 comentários

  1. Angélica Lorrane

    Meu bb tem 2 meses e retornaria ao trabalho quando ele estiver com 7. Sou bancária e já estou bem preocupada com a jornada diária de 8h na empresa… No entanto, me identifico com este post… Sinto falta da independência da vida profissional e acho tb q ela me define. Agora, pensar q ficarei todo o dia sem meu pequeno e o pior saber que ninguém tem a paciência e o carinho da mãe, por melhor que seja, me angustia… E vamos em frente!

    1. By Shirley Hilgert

      Angélica, realmente não deve ser fácil deixar nossos pequenos aos cuidados dos outros, principalmente nesse início. Eu estou super segura da minha decisão, mas quero só ver como será quando tudo for acontecer na prática. Como você diz, vamos em frente e vamos aguardar o que o futuro nos reserva. Abraços!!

  2. Gisa

    Voltei a trabalhar qdo meu filho ainda tinha 4 meses. Naquela ocasião não consegui vaga na escolinha por ser mês de Setembro, então agora com 8 meses ele irá à escola à partir da próxima segunda-feira.

    Também senti necessidade de retomar a vida, voltar a compartilhar bons momentos com as amigas, vida social, afinal é isso que realmente me torna inteira. Amo demais meu pequeno, é um amor indescritível como vocês sabem, porém preciso de algo mais para ser ainda mais feliz. Hoje começo um curso profissionalizante de foto, mais uma das minhas paixões, e estou super feliz por voltar a estudar. Quero voltar a fazer atividade física, Yoga…claro que agora teremos horário pra tudo, revezamento de dias com o marido, mas acredito que todos nos adaptaremos e seremos mais felizes dessa forma.

    Enfim, a vida continua…

    1. By Shirley Hilgert

      Que delícia! Um curso profissionalizante de foto! Eu adoraria fazer. Também vou voltar a estudar, já que preciso concluir a minha pós graduação. E como você disse, eu também preciso desse outro lado da vida para me sentir inteira. Beijos! Obrigada por deixar seu depoimento aqui.

  3. Lucia

    Eu retornei esse mes, com ela com 5 meses, retornei apenas meio periodo (o q diminuiu meu salario pela metade), ficaremos apertados mas optei e aceitei assim, pois não abro mão de ficar com ela pela manhã, de tarde fica com minha mãe, pessoa da qual eu tenho total confiança em deixar minha filha. Pensei q eu fosse ficar pior por retornar, mas está sendo bom esse momento EU, apenas eu, e não MAE INTEGRAL q eu tava vivendo….

    bjo

    1. By Shirley Hilgert

      Lúcia, também sinto falta desse momento EU e também optei por ficar com o meu pequeno pela manhã. Acho que isso trará um bom equilíbrio e , no fim das contas, será melhor para todo mundo aqui em casa. Beijos e obrigada por deixar seu depoimento.

  4. Paola

    Você sempre escreve com muita leveza, todas as angustias que a maternidade da mulher moderna traz… Quando tive minha primeira filha há quase 5 anos atras, ao final da minha licença estava completamente aflita, angustiada e culpada. Meu marido com muita delicadeza disse que me apoiaria em qualquer decisão que tomasse e, que se fosse necessário, mudaríamos nosso padrão de vida caso optasse a não voltar a trabalhar. Decidi, com muita dificuldade, então, retornar. Confesso, que meu primeiro dia de retorno ao trabalho foi angustiante, as horas não passavam… o segundo um pouco menos e assim foram passando os dias.
    com o tempo percebi que havia decidido pelo caminho da tentativa de equilibrio dos meus papeis. Ainda falta muito, pois esqueço do “EU” com muita facilidade, mas sei que tenho que me esforçar.

    No segundo filho, este retorno foi bem mais sereno, porque percebi que assim como eu, outras pessoas também darão amor, carinho e atenção aos meus filhos. quando estou em casa, me dedico integralmente a eles e me sinto acima de tudo feliz. abraços, Paola

    1. By Shirley Hilgert

      Paola, adorei seu depoimento. E muito obrigada pelos elogios que você fez aos meus texos. Fico lisonjeada! Abraços!

  5. Carol e Marcel

    Shirley, só tenho a agradecer pelo seu post. Estou em uma situação parecida, angustiada pela volta ao trabalho, com minha filhota tendo apenas 7 meses, mas já me sentindo plena, por voltar ao trabalho e ter alguém tão importante na minha vida!
    Parabéns pela coragem de escrever sobre as suas angústias!

    1. Carol, você falou algo muito certo e verdadeiro: quando temos um filho e voltamos ao trabalho, nos sentimos plenas. Eu não era completa quando não tinha aina o Léo. E depois de tê-lo e só ficar com ele, também sentia que algo faltava. Estou feliz de agora poder conciliar as duas coisas. Logo, logo voltarei à ativa e acho que será ótimo para todo mundo. Obrigada por deixar seu comentário aqui! Beijos!

  6. Tatiana Cali

    Mais uma vez quero deixar minha contribuicao. Quando meu filho mais velho (hoje com 5 anos) fez 4 meses eu tive q voltar pro trabalho. Na epoca eu era militar, com carga horaria de ate 90h na semana. Ele ficava com minha mae e eu me sentia culpada. Cada plantao de 24h q era imendado com rotina de 6 a 12h eu chorava de me acabar. Mas nao tinha jeito! Foi assim ate os dois anos. Embora ele tenha ido pra creche com 8 meses, era ela q ficava com ele. Ele chegou a passar a dizer q a Vovo’ era mamae dele. Quase morri, pois ele preferia ela a mim. PEDI PRA SAIR !!! Nao aguentava mais, eu precisava resgatar minha relacao com meu filho. Ha um ano e meio veio a Clara e junto com meu marido resolvi q seria diferente. Eu precisava ser MAE por inteiro! Ela nasceu com um probleminha no coracao e a pediatra recomendou nao ir para a creche ate pelo menos um ano. Nao pensei duas vezes e pedi demissao de tudo. Fui MAE EM TEMPO INTEGRAL por um ano. Foi MARAVILHOSO, mas confesso q no final eu ja estava PRECISANDO respirar! Quando o cardiologista liberou, ela foi pra creche e voltei a trabalhar. Foi a melhor coisa q nos aconteceu. Minha relacao com meu marido e com as criancas melhorou absurdamente! O q EU ACHO e’ q ser MAE e’ a melhor coisa do mundo … Mas pra ser completa, eu precisei ter vida um pouco longe deles. O “social” so vale se eles podem estar juntos, mas enquanto eles “estudam” a mamae trabalha e estuda (estou fazendo outra pos). Parabens pelo blog. Estou ficando fa! Tatiana.

    1. Tatiana, eu que agradeço você compartilhar aqui sua experiência e sentimentos. Adoro quando as leitoras participam, pois me sinto batendo papo com amigas.
      Ah! E fiquei super feliz de você dizer que está virando fã do blog! Orgulho! :-)
      Beijos!

  7. Blog da Marcieli

    Shirley, depois que as mulheres começaram a trabalhar fora e conquistaram sua independência algumas perceberam que existem outras opções além daquelas impostas pela sociedade de que a mulher tem que casa, cuidar da casa, do marido, ter filhos. E nós mulheres nos saimos muito bem mostrando ao mundo que não precisamos cozinhar, lavar e passar. Que podemos trabalhar fora e destinar essas tarefas a outras pessoas. Porém, a cobrança de se ter filhos ainda não foi superada. Se uma mulher diz que não quer ter filhos é praticamente apedrejada em praça pública. As pessoas não aceitam essa decisão. Então muitas tão independentes profissionalmente optam por ter filhos porque dizem querer, mas na verdade elas não têm é coragem de encarar o mundo e dizer que não querem ser mães. Daí, com os filhos nos braços, ficam em casa durante a licença maternidade e logo retornam ao trabalho. Quando se PRECISA trabalhar para o sustento é uma coisa. Mas quando se escolhe voltar é outra. Me parece muito fácil ter um um filho e deixá-lo aos cuidados de uma babá ou de uma escolinha. É como você ter uma casa linda e não precisar cuidar da manutenção, paga outra pessoa pra ver. Você fica só com a parte boa, de mostrar a sua casa bonita, grande, sempre limpa. Mas se livra da parte difícil. E pra mim criança é a mesma coisa. É fácil dizer que é mãe, mas deixar o pequeno no início do dia na escola e buscá-lo no final da tarde. Chega em casa a criança já tomou banho, já está casanda, é só dar o jantar e colocar dormir. Eu estou grávida do meu primeiro filho e hoje penso assim. Vou parar de trabalhar para cuidar do meu filho, assim como minha mãe cuidou de mim. Posso mudar de ideia? Posso!! Claro!! Falar de fora é fácil, quero ver quando tiver o meu filho lá. Mas tenho muitas amigas que deixam o filho na escola porque não aguentam ficar com ele o dia todo. E essas mesmas amigas eram as que sempre me cobravam por não ter filhos (tenho 29 anos), por ter dado prioridade na minha carreira, por ter viajado muito com meu marido. Eu preferi esperar, ter mais tarde, mas poder parar tudo agora pra ser mãe, do que ter tido antes só porque a sociedade cobrava e deixá-lo “jogado” nas mãos de outras pessoas, transferindo a educação dele para terceiros.

  8. Jessy Maia

    Olá!Eu sou empregada pública e voltei quando minha filha estava com 6 meses e em seguida tirei férias, na empresa ao qual eu trabalho tem creche e transporte e minha pequena vai comigo, sendo q nós saimos de casa 6:00 da manhã e a empresa fica muito longe, muitas vezes ela pegar um vento muito gelado e fica doente, minha mãe está morando comigo dese q minha filha nasceu, sou filha única e minha mãe é sozinha, então fiquei muito feliz quando ela foi morar com a gente, pois ela me ajuda bastante, mas ela trabalha num hospital e nem sempre pode ficar com a Rebecca, quando ela está doente, esses dias Bequinha pegou um vento muito gelado e ficou tossindo muito, então no dia seguinte ela ficou com minha mãe até meu esposo chegar do trabalho, mas no dia seguinte não tinha ninguém para ficar e eu teria q leva-la comigo, mas como ela acordou tossindo muito e muito cansada eu não fui trabalhar, liguei pra minha chefe e a levei no médico junto com a minha mãe q tinha chegado do trabalho e ganhei o dia para ficar com ela e resolvi meus problemas, chegando em casa meu esposo e eu demos banho nela e minha mãe preparou a comidinha dela, então ela comeu e dormiu, jantei, tomei banho e apaguei no sofá com a minha mãe, mais tarde minha filha acordou e minha mãe me acordou, sendo q estava no sofá, mas eu estava muito cansada, pois estava acordada desde às 5:00 da manhã sem cochilar e toda vez q eu estou com muito sono eu reclamo, pq meu corpo tava muito cansado, sendo q meu marido estava no computador e poderia ter acordado, pois ele não quis ficar com ela de manhã para q eu fosse trabalhar, até pq eu já tinha muitas faltas por causa dela, então minha mãe disse q eu era uma péssima mãe falou muitas coisas q me ofenderam até disse q mãe q é mãe não tem sono, fiquei muito chateada, pois toda vez q minha filha acorda de madrugada ou até se mexe eu acordo, pois ela mama no peito, eu disse pra minha mãe q eu precisa de um tempo pra mim, pois se não eu iria enlouquecer e ela entendeu q eu havia mandado ela embora da minha casa, sendo q ela entedeu td errado, e ficou chateada comigo!Agora a minha pergunta será q eu sou a pior mãe do mundo por me sentir cansada e está com o sono pesado?Eu trabalho fora não deixo faltar nada pra minha fiilha, q tanto amo e sempre estou cuidando dela, tá certo q tem horas q eu quero largar td e ter um tempo pra mim, ficar sozinha!Mas desde q minha filha nasceu eu não maus nada pra mim e nem sei mais o q é ir no médico!Meninas me ajudemBjs a todas

  9. Roberta

    Eu tenho essa angústia. Minha filha já fez um ano e fico de coração na mão para voltar a trabalhar. Sou farmacêutica, e a minha carga horária é implacável: oito horas por dia, fim de semanas e feriados. Não me sinto muito motivada a voltar, ainda mais agora que eu descobri que me realizei como mãe, mas a nossa realidade está indicando que o retorno será inevitável. Por isso, estou aqui, preparando minha pequena e o meu coração aos poucos.

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