Depressão pós-parto: será que eu tive?

Nos três primeiros meses após o nascimento do Léo eu me perguntava, quase todo santo dia: Será que um dia esse pesadelo irá acabar? E toda vez que esse questionamento passava pela minha cabeça, de bate-pronto também vinha um sentimento enorme de culpa. Afinal, eu tinha acabado de ter um bebê, deveria me sentir a pessoa mais feliz e abençoada da face da terra, mas não era bem assim que as coisas estavam acontecendo.

Algumas poucas vezes, criei coragem, e meio em tom de confissão, aos prantos, também fiz essa pergunta para o meu marido, que numa das situações chegou a chorar junto comigo, o que me fez perceber que algo realmente não ia bem. E era comigo.

Logo que o Léo nasceu, eu tive problemas para amamentá-lo (já comentado aqui), depois ele começou a apresentar os sintomas da sua APLV (também já contado aqui) e tudo isso virou uma enorme bola de neve na minha vida de recém mãe. Assim, em vez de eu curtir a chegada da coisinha mais fofa e mais esperada do mundo, eu só sofria. Primeiro, eu me perguntava dia e noite por que não conseguia amamentar da forma que eu havia planejado e, depois, me questionava, também dia e noite, o que o Léo tinha que ele sofria tanto, chorava tanto e continuava sem conseguir mamar (dentre outras tantas coisas que comentei no post da APLV).
Para completar esse quadro desesperador, o Léo nasceu no início do inverno. Quer dizer, não no início oficial do inverno, mas quando o frio realmente chegou. Assim, meus primeiros dias com ele em casa foram gelados, com pouco sol e sem poder sair. E logo depois, um mês após o nascimento do dele, a minha mãe, que estava aqui me dando uma ajuda, também teve que ir embora (ela mora em outro estado). Bom, me vi sozinha, perdida, insegura, cheia de dúvidas, com minha intuição martelando que havia algo de errado com o Léo (só descobrimos a APLV quando ele já tinha quase 3 meses) e, ainda por cima, em pleno inverno, sem nem conseguir ver o sol direito ou andar na rua para tomar um ar (quando estou para baixo, essas são coisas que PRECISO fazer).
 
No meio dessa situação toda resolvi buscar na internet mais informações sobre depressão pós-parto. Já tinha ouvido falar, já tinha lido algumas coisas a respeito, mas ainda era bem “crua” nesse assunto. Mas se ela existia, se ela podia atingir um número significativo de mães, ela também poderia estar acontecendo comigo. Afinal, ninguém está livre.
 
Lendo sobre esse problema, que não é tão raro, descobri algumas coisas:
  • É comum a mulher apresentar uma certa tristeza e irritabilidade no pós-parto (devido a cansaço, descarga hormonal, etc…). Essa tristeza costuma iniciar três dias após o nascimento do bebê, atingir seu ponto máximo no quinto dia, e, por fim, diminuir e cessar até o décimo ou décimo quinto dia (ou, no máximo, até três semanas). Essa tristeza comum é conhecida por Blues Post Partum ou Baby Blues. Já quando se trata de um quadro que pode vir a ser diagnosticado como depressão, essa tristeza, em vez de diminuir, tende a aumentar com o passar do tempo, durando semanas ou até meses, transformando significativamente a vida dessa mãe e podendo levar até ao descaso com o bebê ou ao suicídio. (Fonte:
  • De acordo com estatísticas americanas, de 10 a 15% das mulheres apresentam quadros de depressão pós parto (e não apenas a tristeza comum que é normal acometer a parturiente).
  • Mulher com história de depressão no passado, seja relacionada ou não com o parto, ou depressão durante a gravidez (quadro menos frequente, mas também possível) está mais sujeita a desenvolver transtornos depressivos. Alguns fatos, por exemplo gravidez não desejada ou não planejada, causam aumento do estresse ao longo da gestação e podem contribuir para o aparecimento do problema. (Fonte: http://drauziovarella.com.br/mulher-2/depressao-pos-parto-3/)
Bom, como a minha tristeza perdurava por mais de duas semanas, resolvi pesquisar mais e ler sobre os sintomas que essa doença poderia apresentar. Encontrei, em diversas fontes, mais ou menos o seguinte:
 
(Obs: 1. Alguns sintomas são completamente opostos, mas é exatamente isso. Em algumas mulheres eles se apresentam de uma forma, em outras de outra. 2. No final de cada frase, entre parênteses, relato o que eu senti.)
  • Sensação de que não vale a pena viver e de que nada de bom vem pela frente (não cheguei a sentir que não valia a pena viver, mas tinha a impressão de que aquele quadro, do mal estar do Léo, não iria passar nunca)
  • Tristeza constante, especialmente na parte da manhã e/ou à noite (me sentia triste várias vezes ao dia)
  • Sensação de culpa e de responsabilidade por tudo (culpa não, responsabilidade sim)
  • Irritabilidade e falta de paciência com parceiro e filhos (tive muitos momentos de irritação)
  • Choro constante (não chegou a ser constante, mas chorei bastante)
  • Exaustão permanente, acompanhada de insônia (exaustão sim, insônia não)
  • Incapacidade de se divertir (sim, eu só tinha o problema do Léo em mente, enquanto ele não melhorasse eu sentia que não iria conseguir fazer nada)
  • Perda do bom humor (sim)
  • Sensação de não conseguir lidar com as circunstâncias da vida (sim)
  • Enorme ansiedade em relação ao bebê e busca constante por garantias, por parte de profissionais de saúde, de que ele está bem (sim)
  • Preocupação com sua própria saúde, possivelmente acompanhada pelo temor de ter alguma doença grave (não)
  • Falta de concentração (sim. Totalmente)
  • Sensação de que o bebê é um estranho e não seu próprio filho (não)
  • Falta de libido (até o terceiro mês)
  • Aumento ou diminuição do apetite (diminuição, no meu caso)
  • Sensação de que chegou ao fim da linha e incapacidade de sair dessa situação (cheguei a sentir isso algumas vezes)
  • Zelo excessivo com o bebê (sim)
  • Incapacidade ou falta de vontade/desejo de cuidar do bebê (definitivamente não)
Hoje, enquanto pesquiso novamente sobre esse assunto e paro para pensar e escrever a respeito, duas coisas passam pela minha cabeça:
 
1. Quando li toda essa lista de sintomas, lá no meio do desespero, vi que eu apresentava vários deles, entretanto, o que para mim parecia ser o mais marcante de todos – incapacidade ou falta de vontade/desejo de cuidar do bebê – eu não apresentava. Assim sendo, na época, pensei que não era nada e não fui atrás de ajuda. Afinal, eu cuidava do meu bebê e então não poderia ser depressão. Mas depois de chegarmos até esse ponto da leitura sabemos que não é bem assim. Quadros de depressão pós-parto podem justamente apresentar o sintoma oposto – zelo em excesso – e esse eu tinha. Vendo por esse ponto de vista, volto a cogitar que sim, talvez eu tenha tido uma depressão pós-parto não identificada.
 
2. Por outro lado, meu quadro de desespero máximo com a situação do Léo e com o que eu vinha vivendo durou exatos três meses. Depois disso, as coisas foram tomando o seu lugar. Com quase três meses descobrimos o seu problema, que era a grande fonte do me desespero (APLV) e pudemos tratá-lo. Aos poucos, ele foi melhorando e eu fui voltando a viver. Quando o Léo fez seis meses, outro marco na sua vida, com introdução de sólidos e mais melhora no seu quadro, eu também fui me libertando mais daquela tensão. Hoje, apesar dele ainda apresentar alguns altos e baixos, vivemos uma situação absolutamente normal, sem grandes desesperos. Vendo dessa forma, posso dizer que não cheguei a ter uma depressão pós-parto, mas apenas uma tristeza aguda, consequência de ver meu bebê, semana após semana, sofrendo com um problema que não era identificado nem tratado.
 
Onde eu quero chegar com tudo isso? Quero chegar ao ponto que depressão pós-parto existe, faz sofrer e pode levar à morte (sim, alguns casos chegam à suicídio). Assim, se você tem alguns ou vários dos sintomas que eu apresentei acima, e nenhuma situação real que possa justificar esse quadro, é melhor você procurar ajuda.
 
Em suma, até hoje, não sei se tive ou não tive depressão pós-parto. E, sinceramente, nem me importa saber. Depressão pós-parto não é algo que se deva ter vergonha, esconder, ocultar. Não é uma fraqueza e nem um erro. Não é uma falha. É simplesmente algo que acontece e que precisa de tratamento (caso não regrida naturalmente dentro de algumas semanas ou poucos meses).
 
Então, se você está lendo esse post e está com dúvidas se você está ou não com depressão pós-parto, convese com algum profissional que possa orientá-la: seu ginecologista, um terapeuta, um psicólogo,… Porque a resposta não importa mais no meu caso, que já estou ótima, vivendo a minha vida normalmente, mas para quem ainda está vivendo essa tristeza, qualquer ajuda é muito bem vinda. Mais do que isso, NECESSÁRIA.
 
Leia mais a respeito desse tema, esses links podem ajudá-la:

Site Dr. DráuzioVarela – Depressão Pós-parto: entrevista com  Dr. Frederico Navas Demétrio é médico psiquiatra, supervisor do Ambulatório de Doenças Afetivas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo 

SiteBabyCenter – Informações Gerais sobre Depressão Pós-parto
Site daFolha de São Paulo – Poucas mulheres assumem a depressão pós-parto

Sempre Materna / UOL – Depressão pós-parto precisa ser tratada com psicoterapia

20 comentários

  1. Tatiana Cali

    Nossa Shirley, que importante seu post de hoje !!! Sabe, as pessoas tem muito preconceito com a Depressao pos-parto. Ou pensam que e’ coisa de gente maluca ou de mae preguicosa que nao quer cuidar do bebe. Ate mesmo porque na midia so sao divulgados os casos de desgraca. A sensacao de tristeza, como voce bem colocou, e’ algo fisiologico por causa dos hormonios e do cansaco mesmo. Mas a depressao pode ocorrer de imediato e muitas vezes e’ confundida com esta tristeza natural e as proprias maes tentam esconder isso pois sabem que se for necessario o uso de medicamentos a amamentacao tera que ser suspendida. Nos meus 12 anos de formada, gracas a Deus, so presenciei dois casos que precisaram de medicamento. Com os outros, apenas um suporte psicologico foi suficiente, ou seja, quadros bastante leves que nao foram agravados devido ao apoio desde o inicio. No seu caso, assim como no meu com meu filho mais velho, os problemas alimentares nos desestruturaram. Havia um ‘motivo palpavel’ para tal. Claro que um suporte terapeutico teria ajudado, mas com a resolucao do problema gerador, tudo foi resolvido. E’ muito, muito importante mesmo, que o PRECONCEITO seja vencido, afinal, nao ha nada no mundo melhor do que curtir a presenca do rebento desde o inicio! Entao, quem achar que a barra esta muito pesada deve procurar ajuda o quanto antes, SEM MEDO E SEM PRECONCEITO ! Nao pensei que fosse possivel, mas estou ainda mais fa sua depois deste post. Bjs, Tatiana.

    1. By Shirley Hilgert

      Tatiana, você é um amor! Minha leitora mais assídua e participativa. Me tire uma dúvida… qual é a sua especialidade? Sei que você é médica, mas nunca cheguei a perguntar no que trabalha. Se quiser, me responda por e-mail. Beijos!

    2. Tatiana Cali

      Oi Shirley, acabei de enviar um email pra vc. Mas vc esta certa, eu ADORO o seu blog. Ja faz parte da minha rotina quase diaria. Vc fala das duas coisas que eu mais adoro conversar: filhos e saude da mulher! Nao teria como nao me tornar fa! Bjs, Tatiana

  2. Kátia Malta

    Oi Shirley, tudo bem?! Tenho acompanhado o seu blog a uns 2 meses e estou adorando !! Parabéns viu !! Meu nome é Kátia, tenho 32 anos, sou de Santo André – SP e mamãe da Maria Clara de 3 meses. Como estou de licença, tenho tempo para me dedicar em tempo integral a maternidade e para ler blogs tão bacanas quanto o seu !!! Sobre a depressão pós parto é muito sério mesmo!! Durante a gestação eu tinha muito medo que fosse ter, mas graças a Deus tudo ocorreu bem, quer dizer, rs, fiquei um pouco anti-social, meio com um pânico de muitas pessoas ao redor da neném, fui super restrita e zelosa com relação as visitas, muitas pessoas até torceram o nariz. Agora estou mais tranquila, menos ciumenta, mas não sei se foi depressão, até por que estava muuuito feliz, mas enfim, acredito que o marido, e as pessoas que estão próximas da mamãe devem observar a mamãe e tomar providências se necessário, pelo seu bem e do neném !!! Um grande beijo, Kátia Malta.

    1. By Shirley Hilgert

      POis é, Kátia, depressão pós parto é um assunto muito sério, que não pode ser levado na brincadeira. Acho que se as mulheres tiverem mais acesso à informação antes de terem um filho, ajuda muito! E não tem jeito, no início somos muito ciumentas mesmo. No primeiro mês, eu não gostava que ninguém pegasse o Léo. Tenho certeza que com o segundo filho será muito diferente. Beijos e obrigada por deixar seu depoimento aqui.
      Shi

  3. SOL

    Eu li esse post e me senti escrevendo ele! Senti absolutamente as mesmas coisas, meu filhos teve os MESMOS problemas, foi um periodo dificil!
    Me senti pessima, a pior pessoa do mundo, por não “amar” meu filho de primeira, posso dizer que levamos uns belos meses nos estranhando, e muito tempo depois soube que isso é muito mais comum do que eu imaginei, mas sei que não estava preparada pra tudo isso, sonhei com o conto de fadas que raramente existe, até porque acordar de 2 em 2 horas pra “tentar” dar o peito que nunca deu certo, foi altamente frustante.
    Fiquei feliz de ter tocado no assunto, e ter razões pra isso, porque muita gente acha que é exagero ou frescura, e é sério! Gostaria tanto de ter tido esse tipo de informação antes! Tenho certeza de que você está ajudando muitas futuras mamães neste momento! Adoro seu blog!

    1. By Shirley Hilgert

      Sol, uma das coisas que eu mais pensei depois que o Léo nasceu foi: porque nunca me disseram isso antes? Pelo menos eu estaria mais preparada. Todo mundo só fala do lado lindo, colorido, belo e encantador da maternidade. Pouca gente toca na ferida, fala do lado difícil ou menos prazeroso e isso, com certeza, existe.
      Bom, eu sempre serei sincera e vou falar sobre as partes não tão bacanas, pq isso faz parte da vida. E isso não muda em nada nossos sentimentos por nossos filhos.
      Beijos e obrigada por ter deixado seu depoimento aqui.
      Shi

  4. Musa Magalhães

    Oi, Shi! Engraçado que fui visitar uma amiga com bebê de poucos dias e ela me contou dessa sensação. E como no seu post de hj sobre o lado B, ela comentou que ninguém conta, e perguntou se eu também havia sentido. Eu respondi que sim e era normal mas, como vc falou, acredito que muitas pessoas mentem por acharem que serão menos mães. Apesar de acompanhar seu blog, nunca havia comentado, mas esse post me vai fazer até copiá-lo no meu blog (citando a fonte, claro) porque parecia que você estava contando o meu período puerperal! Muito choro, muito desespero, muita vontade de não ver ninguém com todos aqueles comentários e piadinhas, até a descoberta da APLV. O excesso de zelo também foi algo muito, muito presente! Por isso, mais uma vez, me identifiquei muito com o que você escreveu. Enfim, que possamos mostrar às mamães que é normal sentir isso tudo, que a vida muda, sim, que passamos esses períodos de estresses, mas, como vc falou, que tudo vale a pena pelo sorriso do lado A. Parabéns pelo trabalho!

    Beijos,

    Mamãe Musa.

  5. Anonymous

    Passei exatamente pela maioria destes sintomas. E a questão do excesso de zelo é muito interessante porque era meu sintoma mais presente, isso também não me deixava dormir e me provocava exaustão, irritabilidade e por ai vai. Outro detalhe importante é que ninguém acreditava que eu estava com DPP já que cuidava super bem do bebê, isso é fruto da mídia que divulga casos de DPP sempre associados ao abandono do bebê. Meu filho nasceu no início de novembro e fui diagnosticada com DPP no inicio de janeiro, período esse em que desenvolvi certa amnésia, ou seja não lembro bem dos fatos do inicio de 2011. Isso tudo depois de muito sofrimento e falta de compreensão de meu esposo e familiares, muitos até hoje duvidam do meu diagnóstico de DPP, mesmo eu tendo sido diagnosticada tanto pelo meu Obstetra quanto pela minha Terapeuta. Na época eu ouvi de uma pessoa muito próxima que eu era desequilibrada (doida), que não estava fisicamente doente, tudo era minha real personalidade aflorando e que eu devia ir a um psiquiatra. Graças a Deus tive personalidade e humildade para procurar meu médico Obstetra, que cuidou de mim de forma adequada até meu bebê completar 1 ano. Fiz uso de medicamentos anti-depressivos e com o apoio muito especial de minha terapeuta pude me recuperar da situação. Na época mesmo estando praticamente separada do meu esposo eu o intimei a ir aos médicos comigo e graças aos médicos ele pode participar e entender o que estava acontecendo comigo. Hoje estamos muito felizes com nosso filho de 2 anos. Amigas este é meu depoimento de DPP moderado, então nunca se deixem levar pelas dificuldades, procurem seu médico Obstetra e cuidem-se!

  6. Cristiane Kaveski

    Oi Shirley, gostaria de parabenizá-la pelo site. Suas dicas, vivências são preciosas e me identifico muito com suas histórias. Tenho uma filha de 2 anos e 5 meses, realmente quando eles nascem ficamos fragilizadas. Quem sabe com o segundo não tiramos de letra? Espero que sim,rs… Abraços…

    1. Shirley Hilgert

      Vamos torcer. kkk! bjs

  7. Amanda

    Parabéns. .. estou com depressão pós parto…em tratamento e me sinto super bem…feliz. ..

  8. Sirlei

    será que pode durar mais do que três meses? minha filha já tem 1 ano, e me identifico com vários sintomas acima…triste

    1. Shirley Hilgert

      Sirlei, sim, pode durar bastante tempo. Se você não está se sentindo bem e com dúvidas, fale com seu ginecologista/obstetra e peça uma orientação. bjs

  9. Ana Paula Pillmann

    Oi Shi!

    Realmente esse é um assunto bem polêmico, porque a grande maioria das pessoas pensa que depressão é frescura!!
    Eu tive e ainda tenho vários desses sintomas, demorei um pouco a perceber que estava com depressão pós parto, porque o Arthur já estava com mais de 1 ano quando comecei a ter crises de ansiedade, quase crises de pânico.
    Felizmente pedi ajuda e consegui encontrar bons profissionais que tem me auxiliado muito no processo de recuperação. Hoje estou bem melhor, mas ainda estou muito longe de estar bem.
    Faço terapia, uso medicação (e ao contrário do que as pessoas pensam, eu tomo remédio e ainda amamento, faço tudo com orientação médica pra garantir a saúde do meu filho).
    O apoio da família é extremamente importante, até porque, logo no início eu tinha vergonha de contar que estava passando por problemas e meu marido também tinha vergonha da situação.
    Ainda estou lutando pra conscientizar meu marido que depressão é uma doença e que como todas as outras doenças “fisiológicas”, tem uma série de sintomas e etapas para a recuperação.
    Não é nada fácil, mas o importante é procurarmos ajuda, ter paciência, porque as coisas não melhoram do dia pra noite e principalmente, comemorar cada pequena vitória que tivermos.

    Adoro seu blog!!

    Bjos!

  10. Naná

    Olá…..muito bom ler esse texto, obrigada!
    Estou com um bebê que vai completar 2 meses em 2 dias…
    não foi nada fácil os primeiros dias….foram terríveis na verdade…. tudo correu bem…o neném saudável, tive ajuda e apoio da família, meu marido está feliz e me ajuda….nada nos faltou. Mas eu fiquei profundamente deprimida, ansiosa, e com vontade de chorar….nas madrugadas ao amamentar eu chorava e falava sozinha, falava de coisas do passado, de amigos que tinha saudade, de momentos que vivi, e chorava, como se a partir de agora tudo tivesse acabado….passaram-se os dias e melhorou um pouco, mas ainda me sinto deprimida, desanimada. Confesso que sinto desânimo para cuidar do bebê várias vezes….mas cuido… e faço. Me senti muito culpada em muitos momentos…muitos mesmo… agora ele está dormindo um pouco melhor…4 ou 5 horas seguidas por noite, e isso tem me ajudado a descansar um pouco, pensei que o problema fosse a privação do sono apenas, mas vejo que não….o desanimo prevalece. Sinto falta de liberdade, me sinto nostálgica, ao mesmo tempo me sinto só. Sei que muitas mamães sentem tudo isso….mas isso tem me abalado bastante…e me deixado sempre triste….e cansada. Enfim, esse é o meu desabafo…e depois de ler o seu texto, me senti reconfortada, pois talvez a culpa não seja minha, e sim de uma possível DPP. Abraços…

    1. Nina

      Naná , me identifiquei com seu relato , meu Bb tem 42 dias e estou passando por isso tb, a sensação de nostalgia que vc comentou eu sinto e choro muitoooo Eu penso que vou dormir e ter a minha “velha” vida de volta , aí me sinto culpada por achar que meu Bb é o ” culpado ” de tudo isso :/ enfim não tem sido fácil , porém dia após dia as coisas estão melhorando ! Como vc tb, tb tenho família que me apoia , marido super presente e mesmo assim sinto uma tristeza enorme e mais culpa por não ser ” agradecida” digamos assim. No momento estou com uma psicóloga e apesar de não amamentar não estou tomando medicação , espero que não precise , tenho melhorado mas ainda não é fácil , e junto a tudo isso tenho a minha fé /religião que é o meu sustento emocional e gravas a Deus tem me ajudado bastante !
      No mais , sorte e melhoras para nós

      1. Michele Rizzzardi

        Oi Nina e Nana ai em cima, gurias vou contar minha situação para vcs apenas como experiência ok?! Tive uma gravidez planejada, condições financeiras tranquilas, família apoiando muito etc…sou espiritualizada, possuo um auto conhecimento grande, parto programado, confiança no médico, no pediatra, bebe saudável, corpo voltou ao normal rapidinho, li muito, me preparei muito para ser mae, sempre fui muito independente, segura, decidida, ou seja, tudo para ser maravilhoso, mas não foi. Me senti diferente assim que vi o Lorenzo saindo da barriga, chegou junto com ele uma tristeza muito grande, vim para casa com ele, tinha ajuda da minha mãe principalmente, a tristeza só aumentava, eu tinha vontade de sair e nunca mais voltar, tinha uma ansiedade muito grande com relação ao bebe e a nova situação, consegui amamentar, o Lorenzo nao teve cólicas, tudo foi tranquilo…conversava com as pessoas e tds me diziam que essa melancolia era normal, mas a minha só aumentava, eu chorava incontrolavelmente, sofria mesmo, queria minha vida de antes, não sentia prazer em nada, cuidava do Lo, mas em momento algum sentia prazer ao lado dele, não tinha fome, só pensava em ficar deitada, escondida, por mais que me dissessem que era normal eu como me conheço bem demais sabia que aquilo não era normal, procurei ajuda da minha psicologa, ela achou prudente aguardarmos até completar 30 dias do pós parto, ai sim só piorou, pensei muito em suicídio, pensei até mesmo que se eu e o Lorenzo morressemos tudo estaria solucionado, pensei em pedir a minha mae que cuidasse para sempre dele, chorava dia e noite estava muito infeliz, não tinha energia alguma, me cobrava por me sentir daquele jeito, acordava dia após dia pensando: e hoje estou melhor? até que um dia entrei em colapso fiquei algumas horas sozinha com o Lorenzo e tive que ligar pedindo ajuda pq não conseguia parar de chorar, graças a Deus nunca perdi a paciencia com o Lorenzo, nunca fui agressiva ou negligente, fazia o que precisava ser feito, mas me sentia muito mal, e sentia sim um inicio de rejeição…com uns 40 dias pós parto eu mesmo decidi procurar um psiquiatra, ele quis dar medicação e aceitei imediatamente, tive que parar de amamentar, mas pensei que o beneficio que a medicação traria para mim e para o Lorenzo seria melhor que amamentar do jeito que eu me encontrava, cerca de 15 dias após o inicio da medicação já estava quase normal, assumi todos os cuidados, decisoes, voltei a ser eu mesma, comecei a curtir a maternidade, o bebe e tudo mais…se soubesse teria ido ao psiquiatra antes, na segunda semana. Provavelmente continuarei com medicação por mais 1 ano ou até mais do que isso, me sinto muito bem agora. Foi terrível, só quem passa sabe o qt é grave, eu conto sempre que posso, pois acho que minha historia pode auxiliar outras mulheres. Espero que vcs melhorem logo, vou rezar muito para vcs e se acham que precisam procurem um médico, ele me informou que de todos os casos da psiquiatria o caso mais quimico que há é o pós parto, por isso se fazendo necessário em alguns casos a entrada com medicação para equilibrar a quimica cerebral, podendo o problema demorar até 12 meses para voltar ao normal sem medicação.Boa sorte, melhoras e AMOR PRA SEMPRE na vida de vcs.

  11. Michele Rizzzardi

    Oi, comecei a olhar seu blog ontem, sou mãe de um bebê de 8 meses. Tive depressão pós parto, foi a coisa mais triste que me aconteceu na vida, precisei de medicação,cheguei a pensar em suicídio, foi terrível…após 40 dias do parto entrei com medicação e uns 20 dias depois estava bem melhor, hj estou normal, mas sigo com o tratamento, muitas pessoas não admitem, eu conto sempre que posso, pois isso pode ajudar outras mães, na minha opinião o benefício da medicação, o benefício de estar bem para cuidar e curtir meu filho se sobrepôs ao beneficio de amamentar, hoje sinto tristeza só de pensar no que passei, foi muito difícil. Procurem ajuda mães!! Quanto antes melhor! Parabéns por tratar desse assunto, tão pouco falado e tão importante.

    1. Macetes de Mãe

      Olá, Michele!
      Obrigada por comentar! Seu comentário pode ajudar muitas mamães :)
      E que bom que tudo está bem.
      Bjs

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