Eu escapei da violência obstétrica

Muito tem se falado em violência obstétrica em nosso país ultimamente, o que eu acho excelente, pois é um assunto importante, crítico e que está mais do que na hora de vir à tona. E quando se fala ou se pensa nisso, o que primeiro vem em mente são cenas de agressão durante o parto, de médicos e enfermeiras gritando, amarrando pernas e braços e empurrando barrigas.É importante sabermos que isso é sim violência obstétrica, mas que violência obstétrica não é só isso. Todo descaso ou mal atendimento durante a gestação é violência obstétrica, a gestante não ter direito a um acompanhante durante o parto é violência obstétrica, a gestante não ter direito a escolher a forma que seu filho virá ao mundo também é violência obstétrica.

E foi esse último tipo de violência que eu quase sofri. Graças a Deus e ao meu sexto sentido hoje eu digo QUASE, mas essa podia ter sido uma triste realidade para mim.

Vou contar um pouco dessa história para vocês…

Há uns quatro anos atrás eu comecei a consultar com um ginecologista e obstetra bastante conceituado aqui de São Paulo. Cheguei a ele por excelentes recomendações e sempre me senti bem atendida (tudo bem, ele nunca foi um daqueles profissionais super humanos e calorosos, que eu prefiro, mas tecnicamente jamais deixou a desejar). Assim, quando engravidei, logicamente nem pensei em trocá-lo por outro profissional, afinal, ele já me atendia há mais de dois anos, conhecia meu histórico e tudo corria bem até aquele momento.

Mas logo no início da gestação, comecei a perceber que algumas coisinhas não iam bem nessa nossa nova fase. A principal delas era que as consultas eram breves e bem práticas (ele sempre foi assim, mas agora achei que seria diferente, por conta de eu estar grávida e cheia de dúvidas), sem eu receber informações adicionais para me preparar para o que estava por vir. Ele simplesmente me examinava e perguntava se eu tinha alguma dúvida ou questão e as respondia rápida e secamente, com aquela cara de tédio e de “ai, são todas iguais mesmo!” (e olha que não eram consultas de SUS ou de convênio, mas consultas particulares e bem caras). Mas mesmo um pouco desconfortável, segui indo nas consultas, afinal, o tempo ia passando e eu sentia que ele já me conhecia, já conhecia meu histórico e era melhor continuar com ele do que tentar qualquer mudança (como ficamos inseguras e dependentes nesse período, Deus do céu!).

Só que o tempo foi passando mesmo, a gestação foi evoluindo, e eu ficando cada vez mais perdida, desconfortável e pouco satisfeita. Chegava ao ponto de eu sentir dor e desconforto e preferir não ligar para o médico para não incomodá-lo. Desagradável ao extremo. Totalmente sem cabimento. E para completar, toda vez que eu tentava falar sobre o meu parto, conversar, discutir, dizer qual era a minha vontade e como ele iria me ajudar nisso, ele desconversava, dizendo que esse era um assunto que não adiantava falarmos naquele momento, pois só na hora poderíamos saber se o bebê poderia mesmo nascer de parto normal ou não. Ah, tá! Tudo bem que é sim só na hora que vamos ter certeza se um parto normal é realmente possível, mas muito antes disso a gente já poderia falar sobre o assunto, ele poderia responder os meus questionamentos, me ajudar nas minhas inseguranças e por aí afora.

Quando eu estava com sete meses de gestação, em mais uma tentativa de conversar sobre o parto e não obter nada além de desculpas o meu sangue ferveu, a minha paciência acabou a minha clara visão das coisas voltou a existir. Graças a Deus! Eu caí em mim em percebi que eu nunca iria conseguir o parto normal que eu tanto queria se continuasse com aquele médico. Saí da última consulta disposta a nunca mais voltar e foi exatamente o que fiz.

No alto dos meus sete meses de gestação decidi que iria buscar outro obstetra, que iria atrás de alguém que me fizesse sentir confortável nas consultas, à vontade para ligar quando precisasse e que mais do que responder perguntas também me passasse informações adicionais e me ajudasse a passar por essa fase de tantos questionamentos e inseguranças com naturalidade e serenidade.

A louca aqui resolveu fazer isso com SETE meses de gestação! Quem iria aceitar uma gestante a essa altura do campeonato? Eu não sabia, mas precisava fazer isso. Meu coração estava no comando nesse momento e eu iria segui-lo.

Nessa hora, minha sogra sugeriu que eu conversasse com um primo dela, que também é GO e que eu nem sequer sonhava que era médico (apesar de termos algum contato, eu nunca cheguei a saber o que ele fazia da vida). No dia seguinte, liguei para ele, expliquei a situação, e disse que queria trocar de obstetra e que havia pensado nele.

Nesse instante, ele deve ter ficado branco, lívido e quase caído para trás (olha a situação na qual eu o estava envolvendo! 7 meses de gestação!). Ele comentou que eu estava sendo atendida por um excelente profissional e que também já estava bem adiantada na gravidez, que não era padrão esse tipo de mudança mas que se eu quisesse, a gente poderia conversar, sem compromisso.

Quando cheguei no consultório, mais uma vez, ele comentou sobre o excelente profissional que estava me tratando até aquele momento e questionou porque eu não queria mais continuar com ele. Fui clara: disse que eu não me sentia confortável com ele, não ligava quando tinha dúvidas ou até quando estava com algum mal estar e que, acima de tudo, tinha certeza que ele iria me encaminhar para uma cesárea, nem deixaria eu tentar um parto normal. Eu sentia isso. Eu sabia disso.

Bom, foi muita sorte eu ter tido esses 15 minutos de rompante hormonal e ter decidido mudar de médico, pois o novo que encontrei, por obra divina, era super a favor de parto normal, daqueles profissionais que a consulta dura duas horas e que você se sente tão à vontade que quase o chama para tomar um café. E não é porque ele é da família, mas porque ele é assim. É o jeito dele.

Enfim, comecei a me tratar com esse novo obstetra e ele foi tudo que eu precisava naquele fim de gestação. Ele, mais do que responder às minhas dúvidas, me orientava e tranquilizava. Ele me ajudou a acreditar que o Léo iria chegar sim de parto normal quando nem mais eu, que tanto queria isso, confiava nessa possibilidade (ele demorou muito para encaixar).

Enfim, eu consegui fugir de um médico que tem por padrão só fazer parto cesárea a tempo. Só fiquei sabendo disso depois que mudei de GO e contei meu caso para alguns profissionais da área da saúde que conhecem a sua fama (a positiva, de ser um ótimo médico, e a negativa, de só fazer cesárea agendada, devido a sua agenda super lotada).

Assim, depois de contar essa história para vocês, quero aqui deixar um alerta: pensem muito bem no tipo de tratamento que vocês esperam durante a gestação e no tipo de parto que vocês querem ter. Não fiquem achando que só porque o obstetra escolhido é bem conceituado e suas consultas são caras que vocês terão o atendimento e um parto que sempre sonharam (pode acontecer, mas não é regra, comigo, por exemplo, foi bem diferente). E se vocês acharem que o obstetra que as atende até esse momento pode não se encaixar no que vocês buscam, mudem sem medo. Quando a gente escuta falar de violência obstétrica nem imaginamos que nós também podemos ser uma de suas vítimas. Isso porque as informações sobre esse assunto ainda não estão muito claras muitos médicos nos levam a crer que as coisas são como são e que tudo isso é natural, que não temos como escapar. Ledo engano!

Se eu tivesse continuado com o meu antigo obstetra eu não teria tido o Léo de parto normal, ele teria dado a desculpa da demora no encaixe e o teria tirado de mim com 38 ou 39 semanas de gestação. Tudo bem se essa fosse a minha vontade, sem problemas, pois eu não julgo quem opta por cesárea e entendo perfeitamente a decisão. Mas essa não era a MINHA escolha, ele estava indo contra o meu desejo, essa atitude seria uma agressão enorme, um desrespeito e um típico caso de violência obstétrica.

Um apelo: pensem bem no que vocês querem. E comparem o seus desejos com as atitudes dos profissionais que as atendem. Vocês também podem se ajudar.

Para quem quiser saber mais sobre o assunto violência obstétrica eu trouxe abaixo um vídeo e alguns links. Vale a pena se inteirar sobre o tema.

Vídeo: Violência obstétrica, a voz das brasileiras

Sites:

Como fugir da violência obstétrica – Vila Mamífera
Como denunciar a violência obstétrica – Vila Mamífera
Eu fui vítima de violência obstétrica – Carta Capital
Os ventos estarão mudando no cenário obstétrico brasileiro? – Minha Mãe que Disse

36 comentários

  1. Anonymous

    Eu estou de oito meses de gravidez, no inicio da minha gravidez também tive problemas com uma ginecologista/obstetra, na hora que mais precisei, tive um sangramento e tive que ir para o pronto socorro, no pronto socorro o medico que me atendeu disse que eu estava tendo um aborto, quando liguei para minha medica, ela simplesmente disse que não tinha o que fazer, que essas coisas acontecem mesmo, eu tbm ja consultava ela antes de engravidar, e não era pelos sus nem convenio, as consultas eram pagas e não eram baratas, eu estava num desespero tão grande, pois tinha descoberto que estava gravida a duas semanas, estava numa felicidade imensa, e nessa hora a medica me joga um balde de agua fria.. como assim “essas coisas acontecem mesmo”. Foi ai que decidi mudar de ginecologista, hj estou com outra muito melhor..

    1. Shirley Hilgert

      Um horror essa falta de sensibilidade de alguns médicos. É tão triste ver isso. Que bom que você mudou e que ficou tudo bem. Fico feliz. bjs

  2. Daiane Barbosa

    Nossa, só lendo seu post percebi que passei por uma violência obstétrica.
    Tenho 23 anos e moro com meu esposo numa cidade no interior do Rio Grande do Sul, longe de nossas famílias que moram no Rio de Janeiro.
    O médico que fiz o meu pré natal é o mais conhecido na cidade e todas as pessoas que perguntamos super recomendaram ele.
    Achei ele um bom médico durante o pré natal, sempre me atendeu bem e nas vezes que liguei com dores e uma que tive um pequeno sangramento, me atendeu no hospital e nem cobrou por esse atendimento extra (as consultas eram particulares).
    Com 38 semanas de gestação fomos falar sobre o parto que seria cesaria, nesse dia ele informou que não aceitava acompanhante no parto, que se a grávida fizesse questão, que teria q trocar de médico. Na hora não dei muita importância pra isso, porque meu esposo é muito ansioso e no parto seria certo dele ficar tossindo horrores na sala, mas no dia do parto que senti a falta de um acompanhante e hoje quando vejo fotos dos pais com o bebê ainda sujinho na sala de parto, sempre choro porque sei que esse momento nunca terei :(

    1. Shirley Hilgert

      Oi Daiane, tudo bem? De onde vc é? Também sou do interior do RS (agora moro em São Paulo). Uma pena que vc tenha passado por isso. Imagino a sua tristeza. Bjs!

  3. Também teria mudado de médico, mesmo aos 7 meses, 8 se fosse preciso, ou até 9. Nunca é tarde!
    Eu sempre me senti muito à vontade com a minha obstetra. Desde o início falamos sobre o parto e ela me examinava e dizia: você tem a bacia muito dura, mas ainda é cedo pra afirmar que não terá parto normal. Nunca, em momento algum, tendeu pra cesárea.
    No final, com a bacia ainda dura e a nina sentada, marcamos a cesárea.
    Concordo que temos que ter um bom atendimento, termos atenção, orientações para exames e nos sentirmos muito seguras!
    Graças a Deus, eu também escapei da violência obstétrica!
    Bjos!

    1. Shirley Hilgert

      Tivemos sorte, né Bibi! Mas nem sempre é assim. Infelizmente. :-(
      Beijos!

  4. Naty Moraes

    OI Shirley, tudo bem?
    Será que você poderia indicar esse GO que acompanhou seu parto? Ele tem clinica, atende por convênio ou particular?
    Desculpe o tanto de pergunta, mas estou com 15sem de gestação e ainda não encontrei um GO que me “agrade”… :/
    Grata, Natália.

    1. Shirley Hilgert

      Nati, por favor, mande um e-mail para shirley@macetesdemae.com que eu passo o nome dele e contatos via e-mail. Pode ser?
      Bjs

  5. mamae da luiza

    eu tive um problema mas não com o meu obstetra mas sim com o anestesista optei pela cesariaa e no momento de realizar a anestesia fiquei muito nervosa e com dor na costas o anestesista perdeu a paciência e ficou falando que se fosse parto normal eu nunca ia conseguir, ficou tirando sarro falando que era frescura, ficou falando assim para o meu medico “noss cada coisa que vc me traz em” foi horrível fiquei mais nervosa ainda quando a neném nasceu nao quis ver ela eu so queria sair de la minha mãe foi minha acompanante e viu que eu nao tava bem porque eu ficava falando mãe nao me deixa aki por favor, e demoraram para deixar ela entar, entrei em desespero, me senti muito humilhada e fico muito triste de um momento tao bonito ter se tornado uma experiência horrível, foi tudo por convenio essa experiência me deixou traumatizada reclamei no hospital mas não deu em nada, meus pais queriam abrir um processo mas eu fiquei muito chateada e nao quis levar adiante eu so queria curtir meu bebe e me recuperar. noss foi um desabafo estava precisando meu bebe tem 5 meses e sou louca por ela espero que ninguém passe por isso

    1. Shirley Hilgert

      Pois é, a gente às vezes sofre violência e nem sabe que se trata disso. É triste! Temos que começar a falar, escrever, relatar os casos para evitar que outras mães passem pelo mesmo. Uma amiga minha passou coisas horrendas no parto dela, de ficar de cabelo em pé. É muito triste tudo isso.
      Espero que agora você já esteja bem. Beijos e obrigada pelo seu relato.
      Shi

  6. Ai graças a Deus minha GO sempre foi muito atenciosa. Nos primeiros meses tive sangramentos e quando eu falava na forma do parto ela dizia que iríamos conversar quando estivesse de 5 pra 6 meses. Depois do 3º mês pediu que eu fizesse caminhadinhas ou hidroginástica pra facilitar. Mais tive outros problemas, pré-diabetes, pré-eclampsia e teve que ser feita cesárea de urgência com 36 semanas. Mais se eu não estivesse feliz com a GO mudaria mesmo. Coitada da minha médica, trabalho bem perto do consultório e qualquer coisa que sentia ia correndo pra contar pra ela.

    1. Shirley Hilgert

      Aline, graças a Deus alguns médicos realmente fugem à regra e são humanos, respeitam a mulher, suas dúvidas e inseguranças. Que bom que deu tudo certo para você e seu baby. E obrigada por deixar seu comentário aqui.
      Beijos, querida!
      Shi

  7. Anonymous

    Não sabia que tinha esse nome, mas sofri isso do meu GO, decidi trocar no 4º mês de gestação, já consultava com ele, sempre tudo tranquilo, mas como tenho uma outra menina achei estranho as consultas de pré natal, sem pesar, medir barriga coisas normais numa consulta de pré natal que ele não fazia, só verificava pressão e perguntava se estava bem, mas na ultima consulta com ele saiu com uma se tivesse que escolher não seria mais obstetra. Na hora decidi voltar para minha GO que ganhei minha filha a 12 anos atras, a 1 º consulta durou quase duas horas, e depois comentando com outras gestantes descobri que não aconteceu só comigo.

  8. Nunca tinha ouvido o termo “violência obstétrica”, mas lendo o post vi que fui uma grande vítima disso.
    Quando engravidei em 2010, segui o acompanhamento com a médica que já era minha gineco há 15 anos. Ela era super despojada e moderninha, o que eu gostava já que a conheci na minha adolescência. As consultas de ginecologia sempre foram ótimas e tecnicamente ela nunca falhou, mas qdo estava grávida eu sentia falta de um carinho, de uma consulta mais relax, afinal, no início eu tive ameaça de aborto e estava muito tensa com tudo. Era minha primeira gravidez e ela só sabia dizer “tu não pode te estressar”.
    Segui o acompanhamento com ela justamente por esse medo de trocar de médico e pegar alguém que não me conhecesse, e qdo eu estava com 7 meses, descobri em uma eco de rotina que meu filho teria um problema congênito. O ecografista foi super cauteloso e disse que eu conversasse com minha GO para que ela explicasse sobre o problema.
    Quando cheguei ao consultório dela (pedi uma consulta de encaixe) ela já me olhou e disse “lá vem a grávida problema” e quando mostrei o US ela foi categoria ao falar sobre o problema dizendo “isso é uma bucha”. Não me deu detalhes sobre o diagnóstico, só disse que meu filho só tinha 60% de chance de sobreviver e mandou eu ler sobre o problema na internet.
    Fui pra casa desesperada e ao ler sobre o assunto achei que fosse morrer. Então sozinha percebi que teria que correr atrás do melhor cirurgião e melhor hospital para o dia do parto, pois ela sequer me indicou, dizendo que não conhecia nenhum cirurgião pediátrico.
    Consultei vários médicos até que encontrei um perfeito que pediu uma autorização para que minha GO pudesse fazer meu parto no melhor hospital (ela não era credenciada lá). O Hospital liberou o acesso dela sem cobrar nada por isso.
    No consultório, quando falamos sobre o parto, ela disse “ok, vou vestir meu melhor terninho e ir fazer teu parto lá”.
    Eu já estava anojada, mas nessa altura do campeonato, com eu ia trocar de médico. Ninguém me aceitaria, ainda mais com um parto de risco pro bebê.
    Enfim, minha bolsa rompeu na madrugada, bem antes do previsto. Na mesma hora liguei pra ela e ela não atendeu. Deixei recado e ela não retornou. Fui de casa até o hospital ligando e nenhum retorno. No hospital a equipe ligou várias vezes e nada. Ela simplesmente não apareceu para fazer meu parto.
    Foi desesperador, pois no hospital que fui encaminhada, só atendem pacientes com seu próprios médicos. E eu estava lá com a bolsa rompida, um bebê de risco e sem medico.
    O Hospital ligou então para vários médicos credenciados, que atendiam meu plano e um deles resolveu aceitar. Ele fez meu parto, foi muito atencioso e carinhoso comigo e minha família.
    Meu filho acabou falecendo. Pensei em processar a médica que me abandou, mas o obstetra que me atendeu explicou que a situação era de tanto risco que nenhum médico teria impedido e que no final das contas, por tudo que eu relatei, foi até melhor que ela não foi, pois poderia ter me colocado em risco tbm, tamanha era a má vontade que ela estava em me atender.
    Já se passaram 2 anos e meio e eu ainda não digeri bem tudo isso. Nunca mais vi a médica, mas difamei bastante sua reputação na minha cidade e soube até que ela perdeu pacientes e foi demitida do hospital público da nossa cidade.
    Segui com o outro médico como meu GO e hoje tenho uma linda menina que ele tbm fez o parto com muito carinho e dedicação.
    No fim das contas, através da violência obstétrica que sofri, acabei conhecendo um ótimo profissional a quem só tenho a agradecer.
    Tenho dois blogs onde compartilho minha história
    joaopedro-anjoguerreiro.blogspot.com.br – onde conto a luta do meu filho contra a HDC (Hérnia Diafragmática Congênita)
    meusanjoseeu.blogspot.com.br – onde relato como sobrevivi à perda do meu filho e de uma gestação interrompida

  9. Sandrine

    Eu tive que tratar de depressao pos parto tardia depois da minha primeira cesarea… Nunca me passou pela cabeca que um dia faria cesarea, por conta do historico da minha mae (3 partos normais bem normais) e tia (um parto normal apos 2,5h de trabalho de parto com pouca dor), e por conta da minha formacao profissional (sou enfermeira, e considero a cesarea uma agressao). A obstetra que me acompanhava sempre se considerava a favor do parto normal, e por isso continuei com ela. Com 38 semanas e 5 dias tive uma pequena perda de liquido, pouco antes de fazer o ultimo ultra-som de rotina, e esperei pelo resultado deste para ligar para minha obstetra. La mostrou um pequeno oligodramnio (pouco liquido – o indice deu 7,8, e o preocupante eh menos de 5, coisa que soh descobri depois…). Liguei para a obstetra passando essas informacoes, e ela mandou ir imediatamente ao hospital. La chegando, soh 1cm de dilatacao, e bebe alto. Ela me pergunta, “entao, vamos fazer agora?”, e eu, apavorada, “agora??? Cesarea???”, e ela me responde que sim. Eu questiono se nao pode induzir, e ela diz que meu colo nao eh “induzivel”, que iria demorar e que no fim eu iria pra cesarea, e que se esperassemos muito, o bebe estaria em “risco”. Meu marido, ouvindo essa palavra, e que, no fundo, era a favor da cesarea, na hora diz, “entao vamos!”. Naquela hora, me lembrei da minha mae que estava chegando na cidade (estavamos longe de todos) exatamente naquela tarde, e a obstetra nao se sensibilizou, aguardou que resolvessemos a situacao de achar algum conhecido que pudesse busca-la no aeroporto pra dar seguimento ao seu plano. E foi ali que comecou meu desespero. Eu, enfermeira, que nunca tinha sido hospitalizada, estava prestes a receber uma sonda vesical (alto risco de infecccao urinaria), passar por uma anestesia (e se o anestesista errasse? E se a anestesia nao pegasse? Etc) e sofrer uma cirurgia de grande porte. O dia que era pra ser “o mais feliz da minha vida”, soh tenho a lembranca do pavor que senti, e da falta que minha mae fez… Nao me sentia mae do meu filho, afinal nao tinha sentido nada para coloca-lo no mundo, numa posicao totalmente passiva – resumindo, frustracao total!… Alem disso, o atendimento que tive nao era, nem de perto, o que eu esperava, aquele que aprendi como certo. Por exemplo, estava sentindo muita dor ao amamentar, e sabia que nao deveria ser tanto assim (meu filho nao pegava direito, e nao conseguia ajuda-lo a se posicionar). Pedia ajuda, e soh ouvia que eu era sensivel demais. Resultado, sai da maternidade com os mamilos sangrando, e 9 dias depois tive mastite…
    Demorei quase 2 anos pra chamar meu filho de “filho” (soh o chamava pelo nome). Foi extremamente agressivo. Depois da terapia, sei que a obstetra nao queria errar por falta de atendimento, mas ate hoje penso que ela simplesmente aproveitou a tarde de folga dela (que ela confirmou no centro cirurgico) pra fazer a cesarea… Ah! Ela ate reparou no meu desespero, instantes antes da anestesia ela me perguntou se eu queria parar, mas senti vergonha de concordar, afinal toda a equipe do CC estava pronta praquilo…
    A segunda cesarea tbem nao foi planejada (achei que teria minha segunda chance…), mas um risco iminente e efetivo de pre-eclampsia me convenceram do procedimento, e consegui curtir muito mais o nascimento da minha filha, que aconteceu na minha cidade, do jeito que eu imaginava.
    Desabafei! ;o)

    Bjus e obrigada, Shirley, por proporcionar este espaco!

  10. Olá, praticamente me vi na sua história. Estou com 8 meses e mudando de médico, pq só agora descobri que o meu fala que faz parto normal, mas a verdade não é bem essa. Agora não sei como dizer que não vou continuar com ele, fico constrangida com essa situação já que são anos de acompanhamento e sempre fui muito bem atendida, com consultas de no mínimo 40 minutos….

  11. Fernanda Melo

    Oi Shi, adorei o post,realmente é muito complicado hoje em dia achar obstetras realmente comprometidos com a gestante e o bebê, a maioria só pensa na facilidade que a cesária traz pra eles.
    Graças a Deus, tive a sorte de encontrar uma obstetra que também é a favor do meu parto normal, e com fé em Deus dará tudo certo.
    beijos!
    nandamaedeleticia.blogspot.com.br

  12. Graças a Deus meu médico foi ótimo e foi ele que fez meus dois partos. Todos cesariana,mas sou muito magra e tive bebês grandes a Rafaela nasceu com 4 kg.Senti super a vontade apesar de achar parto normal o melhor, não me arrependi.

  13. Maravilhoso post, Shirley! Eu até escrevi sobre isso no meu blog: troquei de obstetra 3 vezes até sentir firmeza em uma que é verdadeira e reconhecidamente a favor do parto normal! E como está dificil isso hoje em dia, não? As outras que fui diziam “tanto faz, hj em dia é a mesma coisa fazer cesarea” e nunca mais eu voltava aoconsultorio!
    Espero sinceramente que meu corpo se prepare para o parto normal que é o meu grande desejo!
    beijos

  14. Érica Costa

    Infelizmente esse é a realidade médica hoje. Li o seu relato e parecia o meu…sendo que no meu caso o meu primeiro médico (depois já ter consultado dois outros antes) pelo menos foi mais honesto e desde a primeira consulta disse que só fazia cesárea. Também troquei com 7 meses, só depois de encontrar por indicações um obstetra que não se opunha ao parto normal.
    Hoje estou com 36 semanas…na expectativa e com todos os medos de uma mãe de primeira viagem! Já até me questionei se fiz bem em mudar…mas o médico atual me passa segurança e é muito atencioso o que me tranquiliza!
    Espero que corra tudo bem! Está nas mãos de Deus… e em breve terei meu pequeno Davi nos braços! :-)

  15. Hellen Gomes

    Fiz cesárea, queria o parto normal e tive a sorte de ter um médico que respeitava isso, esperamos até 42 semanas de gestação e apos nenhum indicio de trabalho de parto aí sim partimos para cesarea, tenho certeza que se fosse outro médico, com 38 /39 semanas teriam já apelado para cesarea, pq qualquer pessoa achava um absurdo eu estar tentando um parto normal.

  16. Iara Costa

    Minha gestação foi complicada, descobri que estava grávida com quase 7 meses (nunca me informei se casos assim acontecem com frequência!). Como foi tudo muito rápido, escolhi o primeiro GO que atendia pelo meu plano, e foi um horror, atendia mal, respondia pouco, sempre muito frio, seco. Eu achava que por estar muito em cima da hora, não poderia mudar de médico. Quando minha bolsa rompeu de madrugada, esperei 4 horas pra ligar pro médico, e ele simplesmente disse que só poderia estar no hospital pela manhã porque estava de plantão em outro hospital. Não aguentava mais de dor, e fui assim mesmo, lá a médica de plantão solicitou outro GO para fazer meu parto. O que me consultava apareceu, disse que eu iria fazer cesárea e foi embora. Graças a Deus, o GO solicitado apareceu e meu parto foi normal, ele ainda me deu um puxão de orelha, dizendo que se fosse ele meu médico nada disse iria ter me acontecido. Hoje ele é meu ginecologista e não troco por nada. Meus pais queriam entrar na justiça, resolvi não brigar, seria um estresse desnecessário para mim e para minha filha. Hoje, penso que se eu tiver outra gestação, não irei ficar calada!

    1. Shirley Hilgert

      Menina, como assim só descobriu com 7 meses!? Conta isso! Que experiência diferente! Você gostaria de fazer um relato sobre isso para eu colocar no blog? Contar tudo como aconteceu, o que vc sentia, o que sentiu quando descobriu? Eu ficaria bastante feliz em ouvir e compartilhar a sua história, se você se sentir à vontade para isso. Beijos! Que bom que no fim deu tudo certo.

    2. Iara Costa

      Sim, com 7 meses. Até hoje me pergunto como foi possivel. Mas faço sim, só me diz como, e tento por em palavras o turbilhão de emoções que foram os 3 meses de gestação que tive!

    3. Shirley Hilgert

      A idéia é você contar a história da sua gravidez, contando como foi, o que você sentiu quando descobriu, porque não descobriu antes, o que mais lhe angustiu. Enfim… um relato do que você viveu nesse período tão importante da nossa vida e que para você foi tão curto (três meses). Pode passar para o meu e-mail shirley@macetesdemae.com. Não esqueça de incluir seu nome completo, idade, ocupação e nome/idade do(a) filhote. Se quiser, me mande uma foto também. Será bem legal para ilustrar a história. Beijos!

  17. Gabi

    Shirley, obrigada por compartilhar o link! O público do Macetes de Mãe é grande e heterogêneo, é excelente que mais e mais mulheres possam se informar e se prevenir.
    Um grande Beijo!!!
    Gabi

    1. Shirley Hilgert

      Oi Gabi, tudo bem? Foi um prazer compartilhar o link. Temos que divulgar mais e mais esse assunto. Abraços! Shirley

  18. Tatiana Cali

    Meu Deus !!! Sei que vou correr o risco de ser execrada com o que vou escrever aqui, mas acho que o outro lado também precisa ser ouvido.
    Me sinto agredida e ofendida quando ouço o termo violência obstétrica … Me sinto culpada, mesmo sem ter culpa, me sinto ofendida na minha essência …
    Que bom que aqui muitos relatos desmistificam um pouco tudo isso.
    Me emocionei com alguns relatos no vídeo acima. INACEITÁVEL o que algumas pacientes passam. Eu sei que é assim. Já presenciei coisas verdadeiramente absurdas. Mas também existe o outro lado da moeda.
    Quando estamos na faculdade, aprendemos que o sofrimento deve ser evitado. Que o bem maior, que é a vida, deve ser preservado … Mas alguns relatos que ouvi e mesmo que já li em outros blogs não compreendem isso. Vou dar alguns exemplos para que eu possa me fazer entender melhor. Li um texto em outro blog chamado “Violência obstétrica, eu sofri”. Não quero aqui menosprezar o sentimento de ninguém, mas … vamos ao outro lado.
    Neste texto a paciente disse que foi obrigada a fazer injeções desnecessárias que deixaram a pele dela manchada e para nada adiantou. Veja, as injeções de ferro (foi o que ela descreveu que usou) são utilizadas quando há uma anemia importante, na tentativa de evitar que no momento do parto a paciente seja submetida a transfusão de sangue. Infelizmente, em algumas pessoas, fica a marca. Ou seja, um bem foi feito a ela, pois evitou uma possível transfusão, mas a única visão que ela teve foi da marca da medicação.
    Ela também disse que durante o parto (normal), a cortaram desnecessariamente e a arrebentaram – Bom, quando eu estava na faculdade e na pós-graduação, meus professores me ensinaram o seguinte. Para o bebê passar a musculatura vai esgarçar e para isso não há recuperação,já que as fibras que romperam não se recuperam. Para isso serve a episiotomia (corte feito na vagina), que evita que a musculatura se rompa, preservando assim a anatomia. Não quero polemizar, pois o assunto é controverso até entre os mestres, mas eu aprendi que fazendo isso eu preservaria a integridade da paciente. Não é uma agressão ! É uma técnica ! E quem a pratica está querendo preservar e não destruir !
    Uma outra relatou que a cesariana foi indicada por sofrimento fetal e que ela ficava lamentando-se de não ter tido parto normal e alguém da equipe disse a ela que a cicatriz não apareceria, que o bebê estava bem e que isso era o que importava. Ora, eu pergunto, e se na insistência do parto normal o bebê não sobrevivesse ? A cesariana não foi bem indicada ? Sim, ela tem todo o direito de ficar triste por não ter conseguido o parto normal, mas correto também que ela deveria comemorar a saúde do filho !!!
    Só coloquei alguns exemplos para que vocês entendam que nem tudo que se sente como violência tem este objetivo. O que acho é que falta diálogo.
    Se estas condutas que coloquei tivessem sido exaustivamente explicadas, muito provavelmente estas mesmas pacientes não teriam sentido-se violentadas.
    Eu mesmo já precisei amarrar as pernas de uma paciente na mesa de parto … Absurdo ?! NÃO ! Ela já havia me dado um chute no rosto que me sangrou a boca. A criança já estava coroando e ela queria se levantar pois não queria que saísse … Estava possuída, então solicitei que a contenção fosse feita ! Em outro caso, em que a contenção NÃO foi feita, a mãe, que não queria o filho, levantou quando a cabeça saiu e sentou em um ferro matando a criança … TERROR !!! SIM !!! Mas isso também acontece nos plantões da vida e confesso que depois deste fato que chocou e traumatizou toda a equipe, qualquer paciente que parecesse mais desorientada, passava a ser contida, pois ninguém mais suportaria outra cena daquelas …
    Shi, me perdoe por colocar coisas tão tristes no seu blog, que eu tanto curto, mas é preciso parar prá pensar que para tudo na vida existe um outro lado e que nenhuma conclusão pode ser tirada ouvindo apenas um lado da história.
    CONTINUO ABOMINANDO TODA E QUALQUER VIOLÊNCIA, PRINCIPALMENTE EM MOMENTO TÃO DELICADO DE NOSSAS VIDAS !!!
    Bjs, Tati.

    1. Shirley Hilgert

      Deus! Quase tive um troço aqui lendo esse relato da mãe que matou o bebê sentando sobre a cabecinha dele. Juro que deu vontade de vomitar. Triste demais! Horripilante. E com relação ao resto, achei interessantíssimo o que você colocou: se tivesse uma maior e melhor explicação dos procedimentos feitos, muitas vezes, a mãe não não se sentiria “violentada”. Acho que você bateu num ponto muito importante. Eu, por exemplo, não tinha opinião formada sobre a episio. Sabia que queria parto normal, mas era leiga no assunto episio. Tomei a decisão de fazê-la, orientada pelo meu GO, depois de ouvir toda uma explicação muito parecida com essa que você está dando. De forma alguma vi esse procedimento como uma violência, porque eu tomei a decisão junto com ele e depois de ouvir os prós e contras e entender o porque de fazê-la. Mas enfim, como você bem disse, Tati, tem os dois lados da moeda e é importante levantarmos todos os pontos para esclarecermos todas as questões. Obrigada pelas suas colocações sempre muito esclarecedoras. Beijos! :-)

    2. Tatiana Cali

      Ah ! Esqueci também de colocar uma observação … Acho que o termo mais correto a ser usado seria “Violência no parto”, pois o nome “Violência obstétrica” remete o fato exclusivamente aos obstetras. E nos relatos que vi no vídeo e em outros blogs, muitos atos eram praticados por enfermeiros, anestesistas … Por que apenas o obstetra leva a fama e é julgado ?!!! Prá pensar …

  19. Boa noite! Achei muito interessante esse texto, orientando e mostrando para as mulheres como é importante a relação medico/paciente. Eu sou do interior de São Paulo e tive meu primeiro filho em 2010. O meu médico, eu o tenho como médico da família. Já me consultava com ele há anos e quando engravidei desde o início eu coloquei para ele o meu desejo do parto normal e ele sempre foi aberto. Sempre que precisei ele me atendia, não importava hora. Bom entrei em trabalho de parto no domingo a noite, eu ligava falando os tempos de contração e ele me dizia, vai caminhar para ajudar. Internei na segunda feira a noite quando as contrações realmente começaram. Quando subi para o quarto e dizia que era parto normal as enfermeiras olhavam boquiabertas. Contudo, meu filho entrou em sofrimento cardiaco, e não podiamos esperar a dilatação total. Meu médico foi uma benção, me acalmou, explicou a situação e subimos rapido para CC. A equipe foi espetacular: as enfermeiras faziam massagem na minha barriga para aliviar as contrações para que o anestesista pudesse aplicar. e rapidamente ouvi o chorinho do meu bebê…Graças a Deus e aos cuidados do meu medico e sua equipe meu filho nasceu bem de 40 semanas. Agora estou grávida novamente e neste tive um descolamento de placenta com 11 semanas, fui para o PS, mas o meu médico por telefone quis conversar com a médica de plantão para ele ficar informado de tudo. e novamente manifestei o desejo do parto normal e ele totalmente aberto, não colocou nenhum empecilho pelo fato do primeiro ter sido cesarea. Nós ficamos muito vulneráveis quando estamos grávidas, mas que estes textos sejam para esclarecer o lado do paciente assim como o lado do médico tb. Comecinho do ano que vem tem bebê novinho no pedaço..beijos

  20. Anonymous

    Olá, meu nome é Fernanda e em primeiro lugar quero dizer q estou apaixonada pelo Blog, não consigo para de ler.. acho q vou ler todinho, cada matéria!! Parabéns Shirley… vc arrasaaa!!!
    Este tópico me tocou muito, porque apesar do meu parto ter sido ótimo ( tenho uma bebê de 8 meses), ainda penso que poderia ter sido diferente…
    Fiz meu pré natal com o meu GO de sempre… que eu sempre amei, que é muito atencioso e muito bem conceituado aqui na região onde moro. Eu não tinha uma opinião formada sobre o parto, queria sim o normal, mas tinha um pouco de medo…. mas desde o inicio ele me desencorajava a ter normal. Dizia q ja havia feito quase 10 mil partos na vida e que mulheres acima de 30 anos não costumavam ter dilatação ( eu tinha 33). Que eu ia sofrer um tempão e ia ter q partir pra cesárea, e além disso eu ia ter que dar pontos na episio tb, que era igual o ponto de cesárea e no futuro ainda teria que refazer meu períneo!!!
    Como eu não tinha aquele grande sonho de ter normal e confiava 100% nele, deixei o barco correr…
    Com 37 semanas marcamos o parto para 10 dias depois… Vim embora do consultório chateada, chorando… meu marido perguntando o que eu tinha e eu disse que não queria q fosse assim… que eu queria q a bebê escolhesse o dia de vir ao mundo e não meu GO…
    Então, em oração, pedi para Deus mandar um sinal do dia certo dela nascer… e uma semana antes da data marcada minha bolsa estourou!
    Demorei quase 2 hs para chegar ao hospital, com sangramento e contrações a cada minuto… Uma dor dilacerante, inexplicavel,.. e também achei que teria a bebê no carro Shirley! Eu achava q na próxima contração ia desmaiar de tanta dor!! Corremos para a sala de parto e qdo o médico fez o toque disse: vc está com dilatação total!! Nossa, fiquei tão feliz.. falei: Dr, então vamos fazer normal!! a dor eu ja estava sentindo mesmo, dilatação total… tinha certeza q daria certo. Mas ele disse: Não vai dar, ela nao está encaixada…Anestesia ela que vamos fazer cesarea…
    Em 5 minutos a bebe nasceu e correu td bem… mas aquilo não me sai da cabeça ha 8 meses. Ainda tem noite que eu perco o sono de madrugada pensando se realmente não dava pra esperar um pouco mais… Me sinto frustrada e fico mto triste quando paro pra pensar…
    Espero que a cesarea tenha sido realmente necessária… caso contrário fui uma vítima dessa violencia…
    Nunca vou saber…. mas foi uma pena. Podia ter sido bem diferente…
    Bjoss e obrigada pelo espaço

  21. Maíra Bonna Lenzi

    Tenho uma história semelhante a tua. Sou do Rio de Janeiro e mudei de obstetra na 37 ª semana. Detalhe: Henrique nasceu com 38 semanas. Tive apenas 1 consulta com o médico que fez o meu parto e como vc disse: valeu a pena o rompante hormonal e ter mudado!!!! Ele foi perfeito comigo e tive o meu parto normal.

  22. Luana

    Esse post já tem algum tempo que foi publicado. Mas sou apaixonada pelo “Macetes de Mãe”. E sempre que tenho um tempinho, vasculho o blog e leio as matérias antigas. Como gostaria de ter descoberto o blog qdo estava grávida…
    Bom, só lendo o post, é que me dei conta de que passei por isso tbem.
    Qdo engravidei, morava numa cidade da grande SP. Eu fazia o pré natal pelo SUS que era perto da minha casa, e tbem fazia pelo convênio. As ultras pelo convênio eu fazia na cidade onde minha família mora. Já que o convênio do meu marido de servidor público estadual, era mto longe da minha casa. Cerca de 4 hrs. Então sempre que tinha ultra eu vinha para o interior. O médico do convênio fez a solicitação da ultra morfológica, lá foi eu para o interior dias depois. Na maior ansiedade. Era a ansiedade de saber o sexo, e principalmente se estava td bem “por dentro”. A médica não conseguia ver o sexo. Mas disse que estava td perfeito, td bem. Que via os ovários e o útero. Mas que precisava ver o órgão por fora e o rostinho. Eu pensei: Ah, que pena não ver o rostinho. Mas no rostinho vai ter oq pra ela ter que ver. É, mas tinha. Com insistência a médica conseguiu ver o sexo por fora. E principalmente o rostinho. Foi onde ela foi a pessoa mais fria e grossa. Já mandou que minha filha teria uma deformação no rosto. Nesse momento o mundo escureceu, me vi sem chão, sem reação. A médica já foi dizendo pra eu procurar meu obstetra, dizendo pra eu levantar. Sai da sala anestesiada. Nisso meu marido que ficou na cidade onde morávamos, me ligou eufórico pra saber o sexo. Eu não consegui atender. Estava com minha mãe. Ela tentando me acalmar, mas estava apavorada até mais que eu.
    Qdo resolvi abrir o laudo. Li: “Llábio leporino do lado esquerdo com provável comprometimento do palato”. Pensei meu Deus, que deformação será essa. Pelas palavras da médica, pensei que minha filha não teria um rosto comum. Sei lá sem olho, nariz, boca. Alguns minutos depois me toquei que lábio e palato são partes da boca. Então pensei é deformação na boca. Mesmo sabendo que era só a boca, isso me deixou louca. Fui me informar no mesmo dia e, descobri que a vários tipos. E que tds são corrigidos. Fiquei mais aliviada. Mas não saber como seria o da minha filha era desesperador. Fui no google ver imagens, pesquisar causas, tratamento… Mas no decorrer de dois meses sem fazer ultra. A imagem na frieza e grosseria daquela médica não saia da minha cabeça. Com 36 semanas fui fazer ultra. E para minha infelicidade, era a tal médica que estava atendendo naquele dia. Que vontade de voltar embora. Marcar com outro médico. Mas eu não podia. Afinal meu convênio só cobria aquela clínica. E as condições financeiras não eram favoráveis para pagar ultra particular.
    Entrei na sala tentando esquecer o acontecido. Pensando que poderia saber como seria o caso da minha filha. Mas não foi assim. Ela além de dizer que não conseguia conseguia ver o rosto, a bebê havia parado de desenvolver a três semanas. Mais uma vez ela foi mandando eu levantar e procurar meu médico. Meu mundo caiu em um buraco sem fim.
    Sai da clínica passando mal. Aos prantos. Pensando que qdo tirasse minha filha, ela não sobreviveria. Por insistência da minha mãe, fui aferir a pressão arterial. Ela estava mto alta. Fui imediatamente para o hospital. Mas só de pensar que minha filha poderia morrer, a pressão subia ainda mais. Acabei fazendo cesariana de emergência. Minha filha nasceu mto bem, saudável. Não ficou se quer um minuto na UTI néo natal. Já eu demorei alguns meses para controlar a pressão. Já que foi emocional esse aumento da pressão. E veio o pós parto, que me fez ter outras emoções. Hj a pressão é controlada sem medicação. E minha filha há 11 meses fez a correção do lábio leporino. Ficou perfeito. Com uma leve cicatriz.
    Ah, na maternidade, descobri uma outra gestante de estava em “pré eclampsia emocional”, pq a mesma médica havia sido fria, grosseria dizendo que o bebê dela tinha um problema congênito.
    Bom, nunca mais soube notícias da médica. Mas se futuramente tiver outro filho, quero distância desse tipo de médico.

  23. Bruna

    Ola Shirley, descobri seu blog quando estava gravida e desde entao acompanho todas as postagens. Eu tambem meio que “troquei” d go, vou contar um pouco. Descobri que estava gravida com 13 semanas ja, em uma consulta com a minha go apos um exame d sangue ter dado negativo e outro positivo algum tempo depois. Na epoca, eu paguei pela consulta pois nao tinha plano e depois d descobrir a gravidez nos ficamos sem saber o que fazer, pois nao teriamos dinheiro pra bancar tudo do nosso bolso e, foi ai que eu fui conhecer e ver como seria pelo sus. A primeira consulta foi tranquila, 5 minutos, nao disse nada dwmais alem do basico do basico, nao indicou qualquer complemento porem, o medico se mostrou simpatico. Na segunda consulta, indaguei sobre o parto pois conhecia o historico da maternidade publica aqui da cidade (sou do interior d sp) e em todos era a regra basica normal+episio+sorinho, o que devo reessaltar que nao queria para mim. Eu juro, ele disse exatamente com esses palavras olhando pra minha cara quando eu disse que preferia cesarea, mas que faria sim normal sem episiotomia (na minha familia nao ha historico d partls normais, dai acabei tendo um certo receio no inicio e sobre a episio, conheço varias pessoas que tiveram problemas por conta desse procedimento, a avo do meu marido operou o perineo apos passar por muito sofrimento), ouvi exatamente isso: “vc nao escolher o parto, eh normal e acabou pq eh assim que eh la, eh melhor vc mudar a sua cabeça pq se nao vc so vai atrapalhar na hora deles fazerem o parto. E a gente corta sim, tem que cortar pq se nao, nao vai sair, nao eh escolha isso”. Nem preciso dizer que nao voltei mais nele, continuei com a minha go e meu marido conseguiu me colocar no plano. Fiquei traumatizada, disse pra ela que nao queria normal, mesmo sabendo que ela faria e ouvindo historias tanto d normais como d cesareas que ela fez e foram otimas. Ela respeitou minha escolha e nao insistiu quando eu mesma disse que queria cesarea, quando fui pro hospital com dor elaconfirmou comigl e dksse que faria a cesarea. Foi tudo tranquilo, eh claro que hoje eu penso que talvez devesse sim ter tentado normal, tenho certeza d que teria ido super bem e confiei muito nela sempre. Mas penso que o mais importante e o meu bebe ter nascido bem e com saude, e torço para que esse medico possa ter mais tato e ser gentil com suas pacientes, pq nos temos o direito a escolha sim, ninguem eh obrigado a aceitar nada.

  24. Lilian

    Ola boa tarde, tive meu filho dia 14/04, menino lindo e saudável, vou deixar o relato do meu parto. Dia 13 por volta das 20:00 hs saiu meu tampão, as 21:30 começaram as contrações já ritimadas de 10 em 10 minutos, avisei meu marido, revisei as malinhas e fui deitar, passei a noite toda com contração, cada vez mais forte, as 09:00 da manhã fomos pro hospital, cheguei lá com 7 cm de dilatação, o dr pediu pra tomar um banho e tentar relaxar, logo meu príncipe nascia. Optei por plantonista, pois teria que pagar pra ter meu médico( no último mês percebi que ele não era assim tão a favor do parto normal), o médico fez o toque as 11:00 disse que a dilatação tava muito lenta, voltou a 13:00 estava só com 8 cm, falou que tava demorando muito e ia trocar o plantão se queria fazer a cesaria, claro que eu não quis, logo veio uma médica super atenciosa, já tinha todos meus dados, me falou que a barriga tava muito alta, bebê na posição mas sem encaixe, perguntei o que podia ser feito pra abaixar logo, disse que logo voltaria e ia ver como tava, as 15:00 ela voltou, barriga não tinha mexido em nada, dilatação igual, colocaram soro pra dilatar mais rápido e baixar a barriga, quase as 17:00 ela voltou e rompeu a bolsa, a barriga nem se moveu, imediatamente ela pediu pra fazer cesaria, estava morrendo de dor, mas optei por continuar e ter meu filho normal, os exames estavam tudo ok, comigo e com ele. Eu tinha me preparado para o normal, fiz curso, estudei pela internet, mas nunca li sobre barriga alta, pois na hora do parto ela abaixa. Com minha negativa da cesaria, a dra logo disse, não adianta, vc vai sofrer, sofrer e vai precisar fazer cesaria, nesse momento meu mundo desabou, chorei demais, olhei pro meu marido, aquilo doeu muito mais que a dor que estava sentindo. Questionei e ela continuou, sua barriga não vai abaixar, se não abaixou quando a bolsa rompeu, não abaixa mais, vc vai sofrer 1…12 hs e não vai adiantar, foi quando disse pra ela já aos prantos, sendo assim que seja logo, meu Deus como isso me dói, como queria voltar nesse momento, em menos de 10 minutos, vieram me buscar, o que era pra ser o dia mais feliz da minha vida, ela acabou com isso, meu filho é lindo, perfeito, mas era pra ser um momento mágico e foi desse jeito, choro todos os dias, não esqueço um segundo. Deus me abençoou pelo meu príncipe e pela a cirurgia, nunca senti absolutamente nada no físico, mas no meu psicológico, sinto a dor na alma. Meu filho nasceu as 17:18, segundo não a dra ele tava encaixado nas costelas, precisou de ajudar pra sair, tiveram que empurar ele, mas não acredito que não nasceria de parto normal, isso não me convenceu, não me conformo com o que passei, queria dividir isso com vcs, ter filho pelo particular é isso, acham algo pra te iludir, naquele momento estamos tão frágeis e se aproveitam disso, acho que os médicos de hoje em dia não sabem mais fazer parto normal. Traumatizei e nunca mais quero ter outro filho, nunca. Muito obrigada!!!

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