Sobre castigo e educação

Semana passada eu li uma matéria muito boa da revista Pais & Filhos sobre o tema castigo. Gostei tanto que resolvi vir aqui, compartilhar com você os principais pontos abordados.

Depois que temos filhos, uma das nossas principais preocupações é como iremos criá-los, educá-los, ensiná-los. Como iremos impor limites, dizer não, proibir essa ou aquela atitude. E nesse cenário é que entra a questão do castigo.

Muito comum e divulgada mundo afora está a teoria da famosa Super Nanny, na qual a criança deve ser colocada no “cantinho do pensar” sempre que fizer algo errado. Segundo ela, com esses minutinhos “fora de circulação” a criança  entenderá que fez algo errado e irá parar para pensar antes de fazer de novo.

Mas será mesmo? Depois de ler a matéria da Pais & Filhos uma outra realidade me foi apresentada, a de que esse tal cantinho do pensar não funciona para nada, pelo menos até a criança ter em média seis ou sete anos, pois crianças até essa idade não tem maturidade suficiente para pensar sobre o que fizeram. E além do mais, e até mais importante que isso, essa atitude pode levar as crianças a associarem o ato de “pensar” a algo negativo, o que eu imagino que ninguém aqui vá querer.

De acordo com a psicóloga e pedagoga Elizabeth Monteiro, “Botar uma criança para pensar sobre o que fez só serve para dar uns minutos de descanso para a mãe, não tem função educativa, porque a criança só consegue pensar sobre o que fez e só compreende o sentido moral das regras e dos valores a partir de seis ou sete anos”.

Mas então, o que fazer nessas situações? Como agir se o ideal não é colocar a criança para “pensar”, um tipo de castigo tão popular e empregado atualmente.

A solução é agir de uma forma diferente para cada situação que se apresentar. E respeitar e ajudar a criança a “transpor” as dificuldades que se apresentaram e que a fizeram agir de forma não adequada. Abaixo eu trago uma listinha do que dá para fazer quando a situação começa a sair do controle e precisamos intervir. Tudo, sempre, com muito carinho, amor e respeito. Como deve ser.

Algumas dicas básicas para educar fugindo do tradicional castigo – o cantinho do pensar:

Quando a criança der um piti, um escândalo ou chegar na famosa fase das birras, em vez de brigar e colocar de castigo tente ajudá-la a nomear suas emoções. Ou seja, diga frases como “Você está irritado porque está com sono. Você está triste porque seu brinquedo quebrou.” Isso ajuda a criança a entender o que está sentindo e a superar essa fase de frustração.

Castigo funciona sim e algumas vezes é necessário, mas ele deve ter uma relação direta com aquilo que o desencadeou e não simplesmente privar a criança de algo que ela gosta. Ou seja, se a criança fez uma cena no supermercado não adianta você tirar o vídeo game para castigá-la e evitar que ela repita o ocorrido. Nesse caso, um castigo adequado seria não levá-la nas próximas vezes junto e explicar que isso está acontecendo porque ela não soube se comportar naquele ambiente. Já se o video game é responsável pela baixa no rendimento escolar, aí sim vale privar a criança desse divertimento, pois o castigo tem ligação com o problema que está acontecendo.

Evitar ficar repetindo NÃO a toda hora também ajuda na hora de educar. Tem situações que a criança escuta tantas vezes não por dia que ele se torna banalizado e passa a não ter mais significado para ela. O ideal, quando a criança está fazendo algo que não pode ser feito é desviar o foco da sua atenção ou mudá-la de ambiente. Por exemplo: se ela quer brincar com algo que não pode, pois ela pode se machucar, chame-a para brincar com outro objeto ou em outro espaço. Funciona muito melhor.

Se sujou, limpa! Se a criança fez uma lambança, riscou a parede ou algo assim, chame-a  para ajudar na limpeza. Mesmo que o resultado não fique bom e que você tenha que refazer é importante ela perceber que é responsável pelos seus atos.

Mostre o que pode e o que não pode fazer de forma gentil, mas firme. Por exemplo, se a criança bateu em você, segure as suas mãozinhas, olhe bem nos seus olhos e fale firme, dizendo que você não gostou do que ela fez e que está brava. Fale isso de forma séria, sem que ela pense que você está brincando. Saiba que, desde muito cedo, a criança percebe se um determinado comportamento seu deixa a mãe triste ou feliz e age muitas vezes tendo isso em mente. Importante: mostre que você não gosta do comportamento da criança, mas não a deixe em dúvida sobre seu amor por ela. Essas duas coisas não podem se confundir.

Vocês também podem negociar. Isso costuma funcionar muito bem. Se o seu filho tem que estudar, deixe que ele escolha o horário mais conveniente, desde que você também concorde com o que está sendo proposto e desde que essa alternativa funcione (estudar às 2h da manhã não rola, né?).

Se você sentir que precisa colocar seu filho de castigo, pense bem onde irá fazer isso. Colocar uma criança de castigo no berço só fará com que ela associe o sono a algo ruim.

Outras dicas interessantes da matéria:

  • Não rotule seu filho: crianças e adolescentes acreditam no que ouvem sobre eles.
  • Fique fora: se seus filhos estiverem brigando, não interfira. Eles querem chamar a sua atenção.
  • Não deixe seu filho chorando: nessa situação a criança introjeta uma sensação de abandono. Principalmente o bebê precisa de toque, colo, cheiro e sensação corporal.

Bom, espero que essa versão resumida da matéria da Pais & Filhos tenha sido útil para você.
Super indico ler a matéria na íntegra e você pode fazer isso clicando aqui.

Essa matéria também foi publicada na ediçao N. 519, de junho de 2013, com o título “Castigo pra pensar? Nem pensar”.

24 comentários

  1. Anonymous

    É dificil, mas aqui em casa eu sou meio autoritária, mas o meu filho é educado, pois TEM LIMITES, falo não uma vez se continuar fazendo falo um não enérgico ele já sabe e se controla, ontem estava fazendo coisa errada, o repreendi forte olhando nos olhos e explicando o q ele estava fazendo de errado e q poderia vir machucar alguém, vamos ver se melhora… Acho q a criança tem q saber o q fez de errado e tem q ter limites, se deixar fazer tudo o q quer ninguem segura fora q fica muito mal criada. Muito boa matéria como sempre…

  2. Anonymous

    Olá, quando minhas filha faz manha no supermecado eu saco o meu celular, filmo e depois de tira-la do lugar e quando ela se acalma eu mostro pra ela o que ela fez. Ela fica super envergonhada! Funcionou com a maior e agora está dando efeitos com a menor. Não sei se as psicologas apoiam, mas funciona. Eu pergunto se ela acha que o que ela fez foi legal, se ela acha que é assim que uma mocinha se comporta!! Ela responde que não, e diz que não vai mais fazer!!! A única coisa que eu faço muito errado é quando a minha maior faz manha, ela é muito preguiçosa, mas muito mesmo, chega a ser deprimente!! Eu eu continuo repitindo que ela tem que parar de ser preguiçosa!!! Isso eu tenho que corrigir!! Ótima Matéria!

  3. Anonymous

    Gostei bastante e acho que o tal cantinho do pensar não funciona até uns 10 anos por aí, eu acho que precisamos mostrar o que elas fizeram de errado e não deixá-los sentados para que pensem sozinhos. Aqui em casa o que sempre funcionou foi mostrar que a atitude deles me deixou muito triste. Tenho uma filha de 7 e um filho de 4 anos.

  4. Anonymous

    Pois na minha casa super funciona o cantinho do pensamento. Minha filha tem 2a8m.

    1. Sabe, eu acho que na hora até funciona. O que eles estão querendo mostrar aqui é que não serve pra muita coisa a longo prazo, pois a criança vai continuar repetindo as mesmas coisas. Ela não se conscientiza de que não é mais pra fazer aquilo… pelo menos, eu acho que é isso!

  5. Eu li essa matéria na Pais & filho de junho. Achei super interessante também e vai contra o que as pessoas ou Nannys ensinam.
    Achei muito válidas as dicas e estou colocando algumas em prática, como direcionar a criança para outro foco, abraçar, explicar por que ela está chorando (sono, fome, gripe) e vou dizer que tem ajudado muito, viu?!?
    Bjo.

  6. Susane Marques

    Adorei e veio numa hora perfeita pra mim, pois mãe é assim, erra e acerta nãe é? Rs… Eu tenho uma página no face Mamãe faz assim, posso colocar sua matéria lá? Beijos e obrigada!

    1. Shirley Hilgert

      Claro, Susane, pode colocar sim. Só peço que cite a fonte. Ok? Beijos e sucesso. Depois vou lá espiar a sua página. :-)
      Bjs

  7. Anonymous

    Super adorei a materia! Nunca gostei do metodo supernany

  8. Mariana

    Muito interessante ….. vale tentar aplicar né ?? bjs

  9. Gleysa Lopes

    Achei bem interessante a matéria!!
    Mas o método da supernany funciona, tem horas q estou no limite acho q vou explodir então prefiro utilizar o método dela e dois minutos q coloco ele pra pensar passado isso ele para com os choros sem motivos! Nao sei se isso ira influenciar sobre ele nao querer pensar futuramente mas acho melhor do q eu perder o meu limite e acabar fazendo algo q me arrependa!
    Vou tentar esses métodos, mas se nao funcionar voltarei a da super nany

    Bjs e obrigada por compartilhar!!!

    Gleysa
    http://www.demamaeursa.com
    http://www.mamaesemrede.com

  10. Camila

    Aqui em casa funciona, mas eu não rotulo como cantinho do pensamento. Eu rotulo como ficar no cantinho, apenas. Digo para minha filha de 3 anos que ela vai pro cantinho e o castigo em si não é ficar pensando, mas sim ter a liberdade de ir e vir restringida. Pra minha filha esse é o castigo!
    Se eu tentar abraçar ela pra acalmá-la, ela fica muito mais nervosa! Grita, se joga no chão e etc. Essa teoria é algo que não funciona para ela. Ela só se sente “segura” quando está entendendo o que está acontecendo e num momento em que eu estou brava e chateada com ela, abraçá-la, só a confunde. Então eu me abaixo na altura dela, explico que o que ela está fazendo não é legal e que se ela continuar ela vai pro cantinho até se acalmar. Geralmente nem preciso por no cantinho, mas quando não pára, eu coloco. E ela fica ali por 3 minutos. Então eu digo que ela pode sair. Vou até ela, explico porque ela ficou no cantinho e peço um abraço. Ela me dá um abraço e pronto! Vai brincar!
    Acho estranho quando as pessoas dizem que a criança nao entende. A minha entende super bem e só tem 3 anos! Ela sabe que está ali porque fez algo que não podia. mas enfim, acho que varia de criança pra criança.

    1. Camila

      Concordo com você. A minha filha tem quase 03 anos e sabe que quando está fazendo tolice eu conto até 5 para ela parar . Do contrário vai para o castigo. No 3 ou 4 ela geralmente pára, pede desculpa e pergunta se eu estou triste. Como assim, não entendem?

  11. Anonymous

    Boa reportagem! Mas o que seria indicado fazer com crianças pequenas que sempre fazem muita birra, que choram muito quando é chegada a hora do banho?!

  12. Roberto

    Li a matéria, concordo com os pontos de quanto a dar limites, mas afirmo que o cantinho funciona muito bem sim! Tenho uma filha de 8 anos que cresceu “a base do cantinho” e o meu filho tem 3 anos e apesar de seus perfis serem muito diferentes funciona adequadamente. Quanto a achar que o cantinho pode levar a criança a ligar o pensamento a negatividade é sem noção. Na maioria das brincadeiras que faço peço a meus filhos que pensem em soluções para os problemas apresentados, portanto eles vão assimilar o pensamento a uma ferramenta social útil. Acho que o que ocorre é que muitos pais não conseguem ter rigidez suficiente para utilizar o cantinho da forma correta e desvirtuam o método.

  13. Angelina

    Olha, achei meio sem noção o conselho da revista de não levar o filho ao supermercado por que ele se comportou mau… como é que vc vai privar o seu filho de ir e vir nos lugares com vc por causa do comportamento, ou melhor, uma mãe não pode simplesmente deixar de ir em um lugar ou outro só por que o filho não se comportou. Se for assim a cada piti que o filho tiver e deixarmos de levá-lo em algum lugar não sairemos mais de casa!

  14. Lívia

    Minha filha tem 4 anos e aqui em casa o cantinho do pensamento funciona super bem sim!! Ela é uma moça super comportada e todo mundo até estranha como ela é compreensiva, quando explico a ela que tal dia iremos ao shopping, mas ela não vai brincar no parquinho, ele entende super bem e não faz birras como vejo muitaas crianças por aí fazerem, se jogando no chão, dando escândalos. Acho que essa idéia de associar o pensar a algo ruim muito sem noção!! Sempre ensinei minha filha a pensar, sobre tudo, não só na hora do castigo!!

  15. andreia

    Pessima matéria.. péssimo ponto de vista
    A criança não entende o que faz concordo.. porem ela entende perfeitamente uma atitude errada. Ensinamos no exemplo a eles descarregarem as frustrações sem gritos etc.. pois nessa faze eles ainda não sabem por a raiva pra fora corretamente.
    E ficar falando ô meu filhinho Vc ta c isso ou aquilo permitindo a criança te bater etc.. Va criar filho pra ver no q ele se torna
    Hoje os pais tem medo de serem firmes
    Amor se dá com limites e paciência
    Dizer que a criança ta batendo ou quebrando tudo por que está com sono etc ela tbm não vai entender Affff me poupe

    Meu filho é um anjo
    Ficava de castigo e quando cresceu ele mesmo pedia o abraço e me explicava o por que sozinho fez coisa errada
    Isso do pai n saber a hora do castigo é outra coisa
    Essa psicóloga sem filhos q fale por ela
    Supernany trás disciplina.. e vasta experiência.
    Mas nesse mundo Qqr um tem direito a opinião

  16. Camila

    Muito legal, mas o cantinho do pensamento funciona sim se aplicado da forma correta. Não simplesmente deixar pensando
    ….

  17. Camila Souza

    Olá Shirley!
    Sou mamãe da Ester, ela tem 1 ano e 3 meses. Desde que ela nasceu acompanho seu blog, mas ontem ocorreu uma situação e hoje vim correndo aqui (para procurar tema de educação) e ver onde estou errando, pois sou mãe de primeira viagem e as coisas são bem diferentes da maneira que imaginamos. Infelizmente eu digo muito NÃO a minha pequena, pois ela é super curiosa, que por um lado é bom. Ultimamente, estou tentando me controlar em ficar falando não a todo momento, mas confesso que é algo difícil. Mas voltando a situação de ontem, quando cheguei do trabalho, ela estava super tranquila, tinha acabado de jantar (ela fica com a avó, minha sogra), de repente começou a fazer manha para chamar a atenção, peguei no colo, enchi de beijos (pois morro de saudades dela), aí ela queria mexer na mochila do pai e não deixei, apenas tirei ela de perto e pronto, foi motivo para ela chorar e até se jogar, e pensei que nunca mais ela ia parar com a choradeira (foi me dando aflição, pois não sabia como dominar a situação). Foi então, que peguei e dei a chupeta para ela e ela foi se acalmando. Quando ela se acalmou, a coloquei sentadinha na cama de frente pra mim e comecei a conversar com ela, disse que estava triste com o comportamento dela e fui falando….Shirley, foi aí que vi como esses pequeninos entendem tudo quando estamos conversando com eles, quando eu pedia para ela olhar para mim, ela levantava a cabecinha e olhava nos meu olhos, esperava eu terminar de falar e baixava a cabeça. Quando terminei de falar com ela, disse que eu a amo e pedi um abraço, e nisso ela levantou, nos abraçamos e ela desceu da cama toda tranquila e mais sorridente. Não sei se fiz o certo, mais senti que foi a melhor forma de resolver aquela situação, confesso que quando brigo com ela ou seja quando preciso ser mais firme, quando vou dormir eu choro, pois não queria ser assim…rs. Mas acredito, que a conversa foi o melhor caminho. Qual é sua avaliação sobre isso? Beijos.

    1. Shirley Hilgert

      Menina, sua atitude foi perfeita! Eu até me emocionei imaginando a cena. Lindo! Diálogo funciona melhor que briga. Essa é a verdade. bjs

  18. Marlon

    Na minha casa, sempre deu super certo, duas filhas uma de 10 e outra de 2 anos, e as duas a partir de ano e mieo foram para o cantinho e parece mágico, porque funciona e muito. Mas claro que nem toda criança é assim,

  19. Paloma

    Digo muito não e sou um pouco dura com a educação do meu filho eu reconheço me cobro muito e morro de medo dele ser uma criança mal educada, aqui não ponho muito de castigo não eu geralmente converso dou bronca mesmo ele pede desculpas…mas tem horas que preciso sair de perto pra não perder a paciência e pensar em como vou agir naquela situação…É tão difícil mas gostei das dicas.

  20. Anonymous

    Aqui a minha tem 2a3m e o cantinho funciona com ela sim.
    Serve para ela se acalmar. Depois que ela se acalma, aí sim abaixamos e explicamos pq o que fez é errado. Abraçamos, ela pede desculpas e fica tudo bem. É tiro e queda para birras.
    Funciona tão bem, que hoje em dia ela quase não vai para o castigo. Basta dizermos que se continuar com a coisa feia vai para o cantinho, que já é suficiente para ela se acalmar e pedir desculpas e ficar boazinha.
    Como uma mãe disse acima, não levar no mercado junto às vezes nem é opção. E dê nada adianta tentar conversar alguma coisa quando a criança está no meio da crise.
    Eu faço questão tb sempre de elogiar os comportamentos bons, dizendo que fiquei muito feliz. Ela sempre me pergunta se o que ela fez deixou mamãe brava ou mamãe feliz. Se eu falo que deixou brava, para na hora.

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