Depoimento: Relato de parto e violência obstétrica

Quem acompanha o blog sabe, por alguns posts que já fiz, que eu queria muito ter o Léo de parto normal e que, com sete meses de gestação, mudei de obstetra porque senti que ele estava me encaminhando para uma cesárea (Depois, vim a descobrir que eu não estava errada. Esse obstetra é bastante conhecido por só fazer partos agendados. Sorte que meu feeling falou mais alto).

Não tenho nada contra cesárea assim como não tenho contra parto natural ou parto humanizado. Sou é a favor de todas as mães terem seus filhos da forma que desejam, da forma que se sentem bem e sem nenhuma forma de coação. Para mim, essa forma ideal era o parto normal, coisa que por sorte, acaso do destino, intuição, birra ou sei eu lá o que, consegui ter ao trocar de obstetra quase aos 47 do segundo tempo.

Mas nem todas as mães escapam de serem levadas para uma cesárea não desejada. Uma dessas mães que viveu essa triste, frustrante, indignante e mais uma série de adjetivos nada bacanas foi a leitora Tati Cotrim.

Ela relatou a sua história no seu blog, o “Papai, tá perdido?”, e permitiu que eu a compartilhasse aqui também, como forma de alerta para outras mulheres que sonham com um parto normal.

E quem, depois de ler esse tocante relato da Tati, quiser saber mais sobre o problema da violência obstétrica no Brasil, pode assistir ao Filme O Renascimento do Parto, que está em cartaz nos cinemas de várias cidades do Brasil. Eu ainda não vi, mas está na minha listinha de “to do” da próxima semana, pois estou mega curiosa e não perco por nada! Para mais informações, inclusive locais em que o filme está em cartaz e horários de exibição, vocês podem acessar o site ou a fanpage do filme.

Relato de parto e violência obstétrica – carta aberta à minha obstetra

Por Tati Cotrim

Olá doutora.

Depois de um ano e quatro meses, venho aqui falar de coisas que têm me incomodado muito. Desde o nascimento do meu filho, tenho sofrido em silêncio, passado noites em claro, esperando meu marido e filho dormirem para poder chorar sem que ninguém veja. Nunca consegui ver o vídeo do nascimento do meu filho. Não passei dos primeiros minutos. É insuportável rever e reviver, de forma tão vívida, tanta dor.

Dor que, infelizmente, a senhora contribuiu de forma decisiva para causar.

Por isso, espero que tenha paciência, pois a carta é longa. E com ela, esclareço, o meu objetivo não é ofender a senhora, mas contar o meu lado. Aquilo que você não sabe, porque, pelo pouco que te conheço, você me parece uma pessoa boa e acho que não faria isso se soubesse o tamanho das feridas que causaria na sua paciente, que, aliás, é uma pessoa e tem sentimentos, vontades, desejos e direitos. Tenho esperança e um tanto de fé que essa carta lhe fará repensar algumas atitudes, gestos e conceitos. Espero que a senhora reveja algumas prioridades no seu trabalho, que é tão importante, e veja suas pacientes de uma forma um pouco mais sensível e humana. Que, talvez, a senhora se lembre dos motivos que a levaram para, dentro de tantas áreas da medicina, optar justamente pela obstetrícia. E que não faça, nunca mais, outras mulheres passarem pelo o que eu passei.

Sei que demorei para falar. E por diversos motivos, posso falar alguns. Primeiro, meu filho é a melhor coisa que me aconteceu. Falar que o parto não foi “incrível”, para mim, era mais ou menos como falar que eu me sentia infeliz com a chegada dele. Demorei para entender que não era bem assim, que o parto não tem nada a ver com o amor pelo meu filho. Também demorei para compreender o que aconteceu. Por que raios eu me sentia tão mal quando pensava no parto do meu filho? Por que eu chorava sempre que pensava nisso? Demorei para lidar com a culpa de não lembrar do parto como o dia mais feliz da minha vida. Outro motivo foi a informação. Isso me ajudou a entender o que aconteceu e o que eu poderia ou não fazer a respeito. E demorei para decidir o que eu queria fazer. E, finalmente, falar sobre o assunto. Ele se tornou um tabu na minha família. Magoei pessoas próximas, outras se magoaram porque não souberam compreeender o que houve – e eu também não expliquei para ninguém, nem para minha mãe que, mesmo sem entender nada, me apoiou incondicionalmente. O que aconteceu teve consequências péssimas sobre mim e se refletiu em toda a minha famíla. Por isso, resolvi escrever. Falar é doloroso demais, isso eu ainda não consigo. Mas conseguirei.

Hoje, é tudo muito claro. Você não disse. Mas me deu os sinais. E eu não vi, pelo contrário. Você nunca incentivou o parto normal. Sempre disse que, se não quisesse marcar o parto, poderia esperar a hora e, só então, ver o que iria acontecer. Hoje eu sei que médicos cesaristas fazem isso. Eu disse muitas, muitas vezes, em todas as consultas, que não queria cesárea de forma nenhuma. Você nunca respondeu. Apenas me olhava e assentia com a cabeça. Eu entendi que aquele aceno era de “sim, claro”. Inocência minha. Hoje sei que era algo mais do tipo “aham”. Quando eu já estava mais perto do parto, você apenas dizia: “Vamos ver, na hora a gente vê”. Sei que engordei um pouco na minha gestação. Mas me lembro muito bem de a senhora ter me dito que isso não era impedimento para o parto normal. O meu filhote encaixou direitinho. Você sabia que nem cogitava uma cesárea. E a senhora também não me deu motivos para pensar a respeito. Por isso quero aproveitar e pedir: seja mais clara com suas pacientes. Se você não pensa em fazer um parto normal exceto caso a criança esteja coroando, diga isso para ela. Ofereça o poder de escolha. O poder que eu não tive.

Era um sábado de feriado. Um feriado lindo, ensolarado. Talvez a senhora desejasse viajar, como tanta gente estava fazendo. Talvez desejasse apenas aproveitar o dia com a família, descansar. Talvez houvesse um almoço. Eu não sei, não tenho ideia. Mas sei que a senhora estava com muita pressa. E, bem, o meu filho não estava com pressa nenhuma de chegar ao mundo. As minhas contrações eram espaçadas. Minha dilatação, pouca. Eu tive a primeira contração às 4:27 da manhã. Não sei te dizer como fiquei feliz. Meu filho estava chegando! Eu fiquei radiante. Não senti medo, preocupação, nada. Apenas felicidade. Fiquei um bom tempo no chuveiro, pois a água quente praticamente sumia com a dor das contrações. Quando o meu marido acordou, eu falei para ele: “Amor, nosso filho está chegando! Estou em trabalho de parto”! Ele quis ir logo para o hospital. Eu achei que podia esperar mais, até porque poderia ser um alarme falso. Me troquei, me arrumei. Era o dia mais feliz e importante da minha vida. Arrumei o cabelo, passei um batom e um rímel. Esperamos até depois das 9h para ir ao hospital. Achei que era um bom espaço de tempo. Bem, no meu caso, não era.

Quando chegamos, por volta das 9:40, ainda esperamos um pouco para dar entrada. No exame de toque, a enfermeira me disse com um tom um pouco frustrado: “Você tem apenas um centímetro de dilatação”. Eu respondi, então, com tranquilidade: “Bem, vai demorar um pouco. Será que devo voltar depois”? Ela ligou para você, que pediu a minha internação. Fui para uma sala de pré-parto. Pedi a sala especial para parto natural. Falaram que só autorizariam com um pedido expresso seu. Resolvi, então, entrar no chuveiro para amenizar as dores das contrações. Nem eram tão fortes. Mas como eu sabia que ficariam bem mais fortes, queria preservar minhas energias e estar bem disposta para quando aumentassem. Pouco tempo depois, a senhora chegou.

A enfermeira veio me avisar que você tinha chegado. E pediu que eu não molhasse os cabelos. Eu não sabia, mas você nem tinha me visto e já havia decidido fazer a cesárea. Não dá para fazer cesárea se a pessoa estiver com os cabelos molhados, por causa do bisturi elétrico, não é? Você não tem ideia de como me arrependo profundamente de não ter enfiado a cabeça embaixo do chuveiro.

Deus sabe o quanto fiquei feliz em lhe ver. Em como imaginei que logo você me mandaria para  a tal sala de parto natural, que nem tive a chance de olhar. Em como imaginei que a senhora me acolheria nesse momento, até porque você me contou que seus filhos nasceram por parto natural. A senhora, então, sabia pelo o que eu estava passando, deduzi. E me lembro bem que, saber que seus filhos nasceram de parto natural foi decisivo para que eu decidisse ter o meu filho com a sua ajuda.

E você me cumprimentou. E nem me examinou, em momento nenhum. Apenas me mediu com o olhar. E jogou, na minha cara, o primeiro balde de água fria. Comentou que a minha barriga estava alta, que o parto demoraria. Eu disse que esperaria, sem problemas. Estava tão feliz. Então, você me falou que eu tinha apenas um centímetro de dilatação. Eu disse que, quando o bebê quisesse sair (mesmo), a dilatação aumentaria, que aguardaria. Eu estava tão feliz. Você me disse que a minha bolsa não tinha rompido. E eu disse que ela poderia romper em breve. Afinal, estava apenas no começo do trabalho de parto. Eu estava tão feliz. Você falou, então que era melhor desistir, pois demoraria muito e no final teria que fazer cesárea, pois pela sua experiência, mães com pouca dilatação e com a barriga tão alta não conseguiam parir. Eu titubeei. E você, então deu o golpe de misericórdia: “Vai demorar, o seu nenê pode fazer cocô e morrer. Ele pode ficar em sofrimento fetal. Tem nenês que morrem por conta disso. Você quer correr o risco”? E o meu mundo desabou.

Eu estava até 5 segundos atrás em trabalho de parto, tudo bem, me sentindo feliz, o bebê mexendo, tudo bem. De repente, apenas em me olhar a senhora me diz que o meu filho pode morrer? No parto? NÃO! CLARO QUE NÃO! QUE TIPO DE MÃE DEIXA O FILHO SOFRER OU MORRER NO PARTO POR CAUSA DE UM CAPRICHO COMO UM PARTO NORMAL? Claro que você não disse que o meu bebê morreria. Apenas que “poderia”.Mas também é claro que você disse isso com a intenção de me apavorar. Claro que deu certo. Como você sabia que daria. Deve fazer isso sempre.

Tudo se fechou. Meu marido se desesperou junto comigo, outro inocente e inexperiente, como eu. Em menos de 5 minutos eu tive que lidar com toda a frustração de não “poder” ter o parto normal que eu desejava tanto, de respeitar o meu corpo, o meu filho e o nascimento dele. Poucas vezes tomei injeção. De repente, tinha que lidar com deitar em uma mesa de cirurgia para ter o meu filho, que poderia morrer!

E a senhora pode me falar que não era para esse desespero todo. Mas a senhora sabe muito bem a vulnerabilidade de uma mulher no momento de parir. É o momento mais frágil e vulnerável da vida de uma mulher. O desejo de que o filho fique bem, a qualquer custo. Os homônios trabalhando a mil. O quanto é difícil raciocinar com tranquilidade (coisa que eu não consegui, claro, por motivos óbvios). E a senhora deveria saber que a mulher deve ser encorajada, acreditar que é capaz; que ela deve se sentir acolhida e protegida; que não deve ser apavorada e ameaçada com a morte do filho se não houver um perigo muito real. O que, claro, fui saber depois, não era o meu caso.

Diante disso, claro, abri as pernas. Ou melhor, fechei. Assenti com a cabeça. Disse que queria o meu marido ao meu lado o tempo todo. Mas ninguém ouviu. Ou melhor, todos ignoraram. Logo em seguida, a enfermeira entrou e levou o meu marido para colocar a roupinha cirúrgica. Não me avisaram que o levariam. Simplesmente o levaram. E ele, acreditando que estranhos fariam o melhor por nós (santa inocência), foi sem questionar. Eu olhei em volta e estava sozinha, sendo levada por um corredor, naquela camisola ridícula, tentando me esconder, visto que a minha barriga era enorme e a camisola não me cobria. Rápido. Fui pisando no chão gelado mesmo, nem pude colocar algo para proteger os pés. Precisava caminhar rápido, mesmo com as contrações. Uma enfermeira chegou a me empurrar para ir mais depressa. E eu tentando me cobrir. E perguntando onde estava o meu marido. Para onde eu estava indo? Sem respostas. Logo entrei em uma sala. Gelada. Clara, muito clara. Não tenho ideia de quantas pessoas tinham ali, não tive chance de ver. Não tive muitas chances de muitas coisas, na verdade. Não tive chance de ser gente. De ser humana. De ser mulher.

Me sentaram em uma maca muito estreita. Não sentia que cabia ali, fiquei com medo de cair. A enfermeira, no auge da “gentileza”, falou para eu parar de ser besta, que ninguém caía. Ela me ajudou a subir as pernas e empurrou a minha cabeça em direção aos meus joelhos. Me mandou ficar imóvel. Eu chamava pelo meu marido. Chorava. Soluçava. Gritava, desesperadamente pelo meu marido.

Me mandaram ficar quieta uma, duas, muitas vezes. Eu chorava e soluçava muito. Estava em pânico. Tentava levantar. Gritava pelo meu marido. Não entendia o que estava acontecendo ou o que queriam fazer. Por que a enfermeira me empurrava daquela maneira, e com tanta força? Foi quando o anestesista, com uma voz muito firme e calma me disse: “Se você não parar agora, engolir esse choro e ficar bem quieta, e vou te sedar. E você vai dormir durante o seu parto. Porque se você fizer um único movimento, e eu errar o local da anestesia, você pode ficar paraplégica. Você escolhe”. Ahhhh, queriam me anestesiar? E por quê não me contaram? E já me ameaçaram de novo? E porque não me contaram que meu marido não poderia entrar comigo?

Eu escolho? Que diabos de escolha é essa: calar a boca ou ser sedada ou ficar paraplégica? Cadê o meu marido? Cadê a minha médica? Gritei, então, mais, muito mais, desesperadamente, pelo meu marido. Estava sendo coagida, ameaçada. Estava sozinha, em pânico e vulnerável, tentando proteger a mim e ao meu nenê. Então a senhora entrou. E eu, na minha santa inocência, achei que a senhora me ajudaria. Que me acalmaria, me daria algum tipo de apoio. E a senhora disse, em um tom firme e gentil: “O seu marido não pode e não vai entrar para esse procedimento. É melhor você ficar quieta, senão vão te dar um sedativo. Fique calada. Pare com o soluço. Pare de chorar. Agora”. E eu entendi, apenas tarde, muito tarde, que a senhora não apenas compactuava com aquela situação. Você estava no comando! Horror dos horrores. Você não me deu chance. Eu confiei em você, que fez com que o sistema me engolisse viva. O choque me calou. E me calaria por 1 ano e 4 meses. Mas não vai mais me calar.

Eu não poderia ficar apagada no parto do meu amado filho. Para vocês, um bebê qualquer, de uma mãe qualquer e nervosinha, que deu trabalho. Para mim, o meu parto, o meu filho. Me calei. Engoli o choro. Abaixei a cabeça, literalmente, na direção dos meu joelhos. Não senti mais nada, apenas a humilhação. Minhas contrações sumiram. Minha barriga sumiu. Minhas pernas também. A enfermeira me deitou. Me amarraram os dois braços. Eu disse que não precisariam me amarrar, já que não poderia mais levantar e correr dali. Eu estava resignada. Rendida. Refém. Ficaria quieta. Disse que queria ao menos segurar o meu bebê, já que, pelo visto, eu não teria chance de amamentar depois do parto, outro desejo meu. A enfermeira falou que não, que me amarraria, pois seria melhor assim. Melhor para quem, cara-pálida? Com certeza, não era para mim.

Meu marido chegou e me viu aos prantos. Não entendeu nada. Eu perguntei onde ele esteve e ele disse que o tinham colocado numa sala fechada para se trocar e o tinham orientado a não sair dali. Ele não ouviu meus gritos. Não ouviu meu chamado, quando mais precisei dele. Ainda dói pensar nisso, mas sei que ele também foi vítima. Senti o cheiro de carne queimada. A minha carne. A senhora, doutora, deve estar acostumada com esse cheiro de churrasco. Eu não estou. Ainda mais quando o churrasco sou eu. Ainda mais quando o churrasco é para retirar o meu filho de mim.

Então comecei a balançar. Morta de medo, naquela maca fininha. Você disse: “olha a bolsa aqui, vou romper. Pronto”. Splash. Balancei, balancei. E a senhora disse: “Você não quer ver o seu filho nascer? Ele é cabeludo”! E o meu marido deu uma espiada por trás do paninho azul. Eu, de mãe que estava feliz e parindo 40 minutos atrás, passei a um objeto amarrado e sem movimento em cima de uma maca. E o meu filho, de criança nascendo, foi reduzido a um bebê sendo retirado de dentro da mãe, às 10:48. Tudo isso aconteceu em menos de uma hora depois que cheguei à famosa maternidade que fica em uma avenida famosa de São Paulo, com uma ótima médica da cidade. Definitivamente, a hora mais longa e traumática da minha vida.

E a senhora me disse várias vezes: “Pare de chorar, menina. A moça está filmando, o filme vai ficar feio. Você vai ficar ridícula com esses olhos borrados”. Lembro que, a senhora ainda teve um breve momento gentil. Pediu para uma enfermeira limpar os meus olhos, que estavam pretos de tanto chorar, afinal, não tem rímel no mundo que aguentaria tantas lágrimas. E pediu que deixassem um lenço com o meu marido para que ele continuasse limpando, pois eu não podia fazer isso – lembra que eu estava amarrada?

Doutora, foram apenas as primeiras de muitas. Eu chorei baldes de lágrimas. Fiquei ridícula um sem número de vezes. Não houveram lenços suficientes. E sabe o tal filme que minha mãe pagou uma fortuna para a moça fazer no momento mais frustrante e surreal da minha vida? Nunca vi. E nem quero ver tão cedo. E nunca dei para ninguém ver, apenas ao meu marido, que também se recusou.

Vocês colocaram o meu filho perto de mim para que eu pudesse vê-lo e para a tal da moça filmar, por alguns segundos. E o levaram embora. Eu não pude segurá-lo. Não pude amamentar. Mal dei um beijo nele. Apenas pude falar: “Meu filho, seja bem vindo. Sou sua mãe, esse é o seu pai. Saiba que te amamos muito e que sempre, sempre vamos te amar. Para sempre”. E o levaram. E meu marido me deu um beijo – e ele não sabe como sou grata por isso – e foi atrás do nenê. E vocês começaram, então a conversar banalidades, enquanto me fechavam, enquanto as lágrimas apenas escorriam. E lembro que você ainda chegou a falar para um outro médico – que eu nem vi a cara – que eu era jornalista, e que sei lá quem da família dele também era jornalista. Que, quem sabe, poderia um dia trabalhar com a tal pessoa. Sério mesmo? Jura? Você estava fazendo uma piada? Não acreditei quando ouvi isso. Nem lembro se respondi algo. Como se isso fosse interessante naquele momento. E tudo se apagou. Vocês me sedaram sem avisar e sem o meu consentimento.

Acordei muitas horas depois, já era quase noite. Ainda estava abalada. Uma enfermeira gentil disse para ninguém vir, que eu estava muito cansada. Era verdade. Eu estava simplesmente sem reação. Uma tia que estava lá me deu apoio, viu que eu não estava bem. Só não sabia, até hoje, o motivo. Ninguém sabia, nem a minha mãe. O meu marido, muito pouco (vocês tiraram ele de perto de mim, lembra?). Todo o restante da minha família ficou magoado. Acharam que eu dei uma desculpa porque não queria a presença deles. Talvez agora eles entendam um pouco melhor. Talvez entendam o quanto eu queria e precisava do sorriso e do apoio deles, mesmo que fosse no dia seguinte. Mesmo que fosse um telefonema, pois nem isso recebi. E porque eu fiquei tão sentida na época. Talvez.

Lembro que depois que voltamos para casa, meu marido, mais feliz que pinto no lixo com o filho, comprou uma cesta de produtos de beleza para a senhora. E levamos na primeira consulta, junto com o nenê. E eu, bem, ainda não havia processado tudo o que tinha acontecido, não entendia, simplesmente. Senão, pode ter certeza, a senhora não teria recebido aquela cesta tão linda. E a senhora me recebeu com um sorriso no rosto e disse: “Olha só, a mãe xiliquenta chegou. Que xilique e que trabalho você deu, menina”! Eu não respondi a isso na época e nem vou responder agora. Acho desnecessário e talvez seria mal-educada com a senhora. Deixemos para lá.

E eu tirei os pontos, voltei quando eles inflamaram e depois nunca mais coloquei os pés no seu consultório. E nunca mais pretendo colocar. Mas quero que a senhora saiba que a cicatriz ainda dói. Que ela é grande e feia. E que a cicatriz na minha alma ainda está aberta e pungente, mas estou cuidando bem para que feche em breve. Essa carta é uma parte do processo. E é aberta para alertar outras futuras mamães e ajudá-las a não passarem pelo o que eu passei. Isso tem nome. Se chama violência obstétrica.

Se não quisesse esperar pelo parto natural, que me desse, ao menos, a opção de seguir com um plantonista. De trocar de maternidade. De ir para uma casa de parto. Sei lá, qualquer coisa. Preferiria mil vezes que você dissesse: “Querida, é feriado, eu vou ficar com a minha família. Se quiser esperar o parto normal, faz com o plantonista. Se não, eu faço a sua cesárea”. Ponto. Simples. Direta. Honesta. Possivelmente eu te perguntaria por que raios então você é obstetra, mas não discutiria e certamente não passaria por toda a dor e pelo trauma que sofri.

A senhora roubou o meu parto. Me traiu. Me colocou em uma arapuca. Me jogou no macabro sistema de retirada de bebês para que eu fosse engolida por ele. Pior, você coordenou tudo. E depois debochou de mim. Riu da minha dor. Me tirou as dores do parto para quê? Para me dar as dores da alma e do pós-operatório? Como você, que teve seus filhos por parto natural tem coragem e se sente no direito de fazer o que fez comigo e, bem possivelmente, com outras mulheres? Como você, que também é mulher? A senhora trataria sua filha, sua sobrinha ou cunhada da mesma forma que me tratou? Duvido muito.

Te peço, encarecidamente, que reflita sobre essa carta. Coloque-se do outro lado. Passe a respeitar mais a mulher, suas convicções e desejos. Ela é uma pessoa. O corpo é dela, o parto é dela, o filho é dela. Afinal, você também é mulher! Você está lá para ajudar e orientar. Para socorrer, caso algo dê errado. As estrelas, me desculpe dizer, são a mãe e o bebê. Esse é o momento único deles. Você, doutora, é uma coadjuvante. Talvez esse sentimento de ser um astro-rei seja um mal dos médicos, especialmente os cirurgiões. Mas, certamente, não pode ser do obstetra. Não é você quem faz o parto. É a mãe. E somos pessoas. Humanos. Indivíduos. Temos nome. O meu, eu sei que você sabe. E o meu filho não é apenas “o nenê”, como você sempre referiu a ele. Ele é o Enzo, desde antes de ser concebido.

E tenho orgulho de dizer que passei por tudo isso e estou aqui. Sobrevivi. Estou me reerguendo. Não quero o carimbo de vítima na testa. Não sou uma coitada, e não quero que me vejam assim. E, pode ter certeza, senhora doutora, eu nunca mais vou passar por isso. O meu próximo filho nascerá da forma mais natural possível. Estou contando o meu lado dessa história para que a senhora repense sua conduta e para que outras futuras mães não passem pelo o que passei.

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65 comentários

  1. Jessica Maciel

    eu passei um pouco pelo q ah dra te falou entrei em trabalho de parto 9 hrs da manhã eh fui ganha ele 18:20 da tarde.
    Graças a Deus meu filho está bem, pois ele fez coco na minha barriga ,comeu e aspirou.
    Mas ainda bem q botaram sonda no nariz de pra tirar dai não foi pro pulmão.

  2. Nossa, que dor. Nem sei o que dizer, fico sem palavras, me vi ali.
    Também fiz uma carta para a minha GO, mesmo ela nunca lendo, é bom desabafar e abrir os olhos de outras mães.

    Beijo

    http://pregestante.blogspot.com.br/2013/07/carta-para-minha-go.html

  3. Carina Mantovani

    mãe do Enzo, vc merece toda a felicidade do mundo, e que esse momento de tristeza seja apagado por cada sorriso que seu filho der, é muito triste saber que uma médica agiu assim tive um parto normal e uma cesariana, mas nos dois foi um escolha minha e meus médicos considero anjos… infelizmente existem pessoas que se formam em medicina por que tem dinheiro para pagar a faculdade e não pelo dom de ser um médico

    1. eopapai

      Obrigada, Carina <3 Beijos

  4. Karla e Neto

    Adorei o texto! Lindo! Mas, fiquei curiosa, vc realmente deu essa carta pra médica? O que ela respondeu? Obrigada! Beijos!

    1. eopapai

      Ela simplesmente não respondeu. rss… Beijos

  5. OliviaWP

    Gente, isso é um crime que tem que ser denunciado mesmo! Processe essa médica! Você é muito guerreira de aguentar um trauma desses. Estou abismada. Espero genuinamente que a minha médica não pense nem por um minuto em me enganar desta maneira. Boa sorte e melhoras!

    1. eopapai

      Olivia, informe-se, informe a pessoa que vai te acompanhar no parto. E converse claramente com a sua médica para saber o que ela pensa. Te desejo um parto muito feliz. Bejos!

  6. Anonymous

    Meu nome é Aline, só entrei como anônimo pq pelo google não deu…
    É muito triste, mas é verdade, na minha primeira gravidez eu tinha pesquisado muito pra não ter essa “surpresa”, foi uma cesárea, os médicos(não a maioria), não ligam pra o que a gente diz, nem perguntam se estamos bem ou não, fiz meu pré-natal no posto e vou te dizer que foi bem assim, entra, pesa, vc está engordando toma os exames que vai fazer e tchau….
    Você querida está ajudando muitas mulheres com seu blog, que Deus te ilumine e abençõe muito…
    Tudo isso pode sim contribuir pra mulher ter depressão pós parto, pq só quem faz uma cesárea ruim sabe o que é o pós…
    Sofri muito na primeira, mas na segunda eu bati o pé, foi outra cesárea, mas sem me arrancar a alma e com um médico maravilhoso, me recuperei como se tivesse sido parto normal…

  7. Anonymous

    Depois do parto e da recuperação, eu dava na cara dela!

    No meu caso, se eu tiver um parto normal, posso morrer… Então, como vou ganhar no SUS e eles priorizam o parto normal, tive que procurar uma médica que se prontificasse a fazer a cesárea. Lendo esse relato, me imaginei sendo obrigada a fazer um PN e correndo risco de morte… Fique em Paz… Deus está contigo!

  8. Sandrine

    Este texto, com os devidos ajustes dos detalhes “obstetricos”, poderia perfeitamente ter sido escrita por mim… quanta tristeza senti novamente, apos 4 anos… Saiba, Tati, que infelizmente não és a unica… Mas se Deus quiser, irás realizar teu sonho em breve (só aguarde um pouco, pois se nao a desculpa sera a cesarea previa… afe…). Tratei de uma depressao pós parto (causada por ele…) um ano depois (porque nao estava “passando sozinho”…), remedio e psicoterapia, e o que mais me ajudou foi escrever uma carta a minha obstetra, quase igual a sua, mas que nunca enviei. Isso porque sei que a obstetra alegaria mil motivos e ainda me chamaria de “xiliquenta” ate hj. Elas nao entendem, apesar de serem mulheres… Bola pra frente!
    Bjus pra vc, Tati (parabens pelo desabafo!!!) e pra Shi!

  9. Bianca Santos

    Emocionante!! Cada mãe decide a forma que quer ter seu filho,respeito as que preferem PC, mais eu sempre tive vontade de ter PN e foi assim que minha filha Beatriz nasceu. Realmente é uma dor que nunca senti em minha vida, mais valeu a pena.

    Felicidades a Tati Cotrim e sua familia.

  10. Andressa Isola

    Estou nao so chocada, como mto sensibilizada com a historia toda. Estou gravida de 9 meses e inevitavel pensar, “e se fosse comigo”
    Mas gostaria mto de saber em qual hospital e qual nome da medica, e se quiser continuar mantendo toda indescriçao, pode me enviar por email (deisola@hotmail.com) seria muito util para mim neste momento.
    Obrigada
    Andressa

  11. Michelle

    Infelizmente também não tive meu filho de parto normal, não porque os médicos não tentaram, mas sim porque não tive dilatação e como já havia tentado três dias de indução, finalmente resolveram fazer a cesárea. Já estava fechando 42 semanas, o que mais importava era ver o rostinho do meu filho e mais nada. Fiz cesárea sim, e foi através dela que pude ver meu filho. Não digo que foi incomodativo o pós cesárea, mas naquele momento era o melhor pra mim e pra ele. O importante é a equipe que te atende, que vai te dar o apoio final, são como uma segunda família na sala de parto. É um momento de muita sensações e você precisa ser um pouco forte para lidar com a situação.

  12. Michelle

    Infelizmente também não tive meu filho de parto normal, não porque os médicos não tentaram, mas sim porque não tive dilatação, e como já havia tentado três dias de indução, finalmente resolveram fazer a cesárea. Já estava fechando 42 semanas, o que mais importava era ver o rostinho do meu filho e mais nada. Fiz cesárea sim, e foi através dela que pude ver meu filho. Não digo que foi incomodativo o pós cesárea, mas naquele momento era o melhor pra mim e pra ele. O importante é a equipe que te atende, que vai te dar o apoio final, são como uma segunda família na sala de parto. É um momento de muita sensações e você precisa ser um pouco forte para lidar com a situação.

  13. Nossa to chocada … sem mais palavras .. q Deus te abenoe muito a vc e seu bebe e seu marido .. um Beijo Priscila mãe do Ian e do Natha

  14. Zaira Moraes

    Essa também foi a minha realidade, só que a minha bolsa rompeu as 2 horas da manhã,esperei até as 10 e minha médica não apareceu, não senti contrações e ainda fiquei numa sala de espera por todas essas horas. Como fui ingênua em acreditar que ela iria, e ainda para fazer um parto natural. Ao entrar no centro cirúrgico nem sabia quem seria o médico que faria o meu parto e ele também não se apresentou. Quando eu perguntei quem era o médico, ele disse eu, e foi a única coisa que ouvi da sua boca. A única que tentava me acalmar era a anestesista, que f oi uma fofa e entendeu a minha situação.
    Triste é perceber que esse momento que eu esperei a vida inteira, foi desesperador, de muito medo e choro. O nascimento de um filho é único para cada mãe, independente de quantos filhos ela tenha, e não um comércio, que só visa o dinheiro e não o bem estar dos principais envolvidos.
    Graças à Deus, meu filho nasceu perfeito, com muita saúde, fui na revisão com a minha ex-médica e ela falou, corte perfeito e ele fechou com cola, do mesmo jeito que eu faria. Nunca mais voltei lá…

  15. Mamy Antenada

    Nooossa…coração apertado e chorando agora!
    Como podem fazer isso??
    Não é humano!!
    Chocada! E o pior é que não é um fato isolado!!
    Temos que mudar isso! Urgente!!

  16. Anonymous

    Passei exatamente por isso… mas como a Tati tbm consegui me livrar da médica malvada e me encontrar com anjos que me ajudaram a por a minha filha no mundo de parto normal, sentindo todas as dores e delicias de ver a minha filha nascer e ficar comigo para ser amamentada naquele mesmo momento!

  17. Anita Nunes

    Tati, parabéns pela sua coragem. Obrigada por abri nossos olhos. Estou no meu quarto mês de gravidez e indo para a minha segunda obstetra; o primeiro falou para falarmos de parto apenas no final da gravidez mas através do seu relato, vejo que poderia ser enganação. Obrigada Tati pelo seu relato e obrigada Shirley por manter esse espaço que é um oasis para as mães de primeira viagem como eu. Muito obrigada!

  18. Palloma & Silvio

    Realmente uma falta de respeito !
    Deveria processar TODOS os que participaram do procedimento , te desrespeitaram , e levar essa carta & o ”filme” do parto a um Juíz !

    1. eopapai

      O “filme” do parto é uma coisa toda editada, com uma música lindinha de fundo….rss

  19. Unknown

    Chorei com esse depoimento…

  20. Evelyn

    Ao ler o relato, chorei. Chorei. Chorei muito. Compulsivamente. Pois se essa moça sofreu violência obstétrica, eu sofri praticamente um estupro.

    Vou tentar resumir. A obstetra dela alegou que a barriga estava alta, que não tinha dilatação, que a bolsa não estava rota, que poderia ter mecônio.

    Minha obstetra foi pior. Tive 2 dias de contração em silêncio [pois sabia que meus pais em desespero iam me enfiar na faca achando que estava morrendo]. Minha mãe teve de fazer cesárea de emergência comigo e minha irmã em gestações diferentes e imagine então a aflição que isso trouxe ao meu pai e a minha mãe mesmo em se ver em risco e com as filhas em risco? Voltemos… 2 dias de contração em silêncio, tampão mucoso perdido, barriga baixa e a intuição que falava que seria depois do final de semana. Mãe sente né? Aliás, mãe SABE. E a médica por sms dizendo pra eu ficar calma que SEGUNDA FEIRA ela me examinaria. Ótimo. Depois de me examinar, saber que perdi o tampão mucoso e que estava com dilatação [2 semanas antes de ganhar minha filha já estava com 2 de dilatação devido a uma infecção urinária], ela falou com toda a calma do mundo que eu não estava em trabalho de parto. Que não era o tampão [era!!! quando saiu, analisei e comparei fotos e descrevi para a médica e ela disse que era o tampão por sms]. Que ia demorar muito ainda. E eu repetindo que não, que não ia demorar.

    Lembro que apesar dos 8 meses [estava com 9 por cálculo errado], andei o dia inteiro procurando uma clinica que fizesse uma US pedida. Ás 18h, consegui finalmente e descobri que a gestação tinha 2 semanas a mais. As duas semanas que a médica dizia que teria de esperar.

    Voltei nela, seu consultório fechava sempre bem tarde. Mas ela – colocando medo em minha mãe que me acompanhava – disse que era pra eu esperar pois minha filha sofreria se eu continuasse a pensar que logo nasceria. Minha filha SABIA e tentava era me alertar que queria chegar!!! Fomos embora e já eram 20h.

    Lembro que cheguei em casa frustrada. O cansaço e as contrações [que a médica disse serem coisas da minha cabeça!] não me incomodavam, mas a frustração, essa sim me atormentava. Na gestação, eu já tinha notado que ninguém – exceto o pai da minha filha – aceitava eu ter parto normal. É a cultura do Brasil o parto cesárea, mas sempre tive medo de uma cirurgia desse porte. [E ainda tenho] A médica dava sinais que não queria parto normal. Sempre dava a desculpa que minha filha ia ser grande e eu ia sentir muita dor. Mas a dor nunca me dava medo. Eu queria sentir a dor se transformar na alegria de ver minha filha chegar. Queria começar nossa parceria ali, antes dela abrir seus olhinhos e ver o mundo. E sei que era capaz.

  21. Evelyn

    Depois de um final de semana inteiro sentindo contrações e não falar com ninguém – a não ser a médica – da dor, depois de perder o tampão, depois de andar o dia inteiro atrás de uma US e a médica jogar um balde de água fria na minha intuição de mãe… cheguei em casa. Mas quem disse que Mariana queria ficar lá? [Mariana, minha filha] Apenas sentei-me no sofá para descansar as pernas, pois o inchaço estava gritante, levantei-me 20 minutos depois de chegar em casa e a bolsa rompeu!

    Lembro que apesar da correria, eu dizia a todos: calma, a água está clara, está tudo bem, vai demorar umas 10h ainda. Mas meus pais em aflição completa, me colocaram no carro e me levaram ao hospital.

    Ás 20h, em casa. Ás 22h, de volta ao hospital. E mais uma vez, o desrespeito gritante. Ninguém me perguntou como me sentia. As enfermeiras ao saberem quem era minha obstetra e que o parto seria particular [pois não tinha plano], logo vieram me raspar, me mandaram me despir e nada falaram sobre se eu estava sentindo dor, se queriam me pôr no chuveiro. Me sentia abandonada, sozinha, apesar de estar cercada de pessoas.

    O pai de minha filha chegou e perguntou da médica a alguém. E então, ela chegou. Sorridente, só me disse a distância na porta do quarto que já ia entrar. Entrar? Onde? Espera… eu te disse que estava parindo e vc não acreditou,… espera, posso parir, estou parindo e quero parir. Em vão. Ninguém me ouvia.

    Me levaram ás 23h pro centro cirúrgico. Gritei no corredor pro pai de minha filha que queria que ele visse, que era um direito dele e meu e que não ia aceitar ficar sozinha. Tudo estava muito dificil. Mais ainda quando me falavam pra manter a calma. Calma? Eu estava sendo levada a força para uma cirurgia e ninguém me ouvia. Como manter a calma?

    Na sala de cirurgia [me recuso a dizer sala de parto], a obstetra não estava. Me colocaram no soro e me pediram pra ficar de lado. Não me falaram ‘olha, vou te anestesiar’, nada. Me furaram, me anestesiaram e eu só chorava. Antes de começar a perder a consciência, lembro ter perguntado do pai de minha filha. Só me responderam que ele estava se preparando. A médica entrou, me avisou apenas pela ‘cortina’ que estava começando a tirar minha filha e que queria que eu não falava depois da cirurgia. Eu estava apagando. Na verdade, não lembro de quase nada. Só escutei o choro de minha filha e apaguei. Não lembro do seu rostinho, do que lhe falei [tanto tinha imaginado como seria esse momento], não lembro de nada. Acordei já no quarto e o pai da minha filha do meu lado me dizendo: você me deu uma filha linda! Linda? Eu nem a vi. [Vi sim, mas dopada não lembro de nada] E onde estava ele? Por que não entrou? Ele depois me disse que foi proibido pois segundo a enfermeira o centro cirúrgico ao lado estava com uma cirurgia de alto risco e podia haver contaminação. O que? Pra que mentiram então?

    Fui duramente calada, amordaçada, dopada e mutilada. Pra no fim, sentir dores sozinha [que sinto até hoje!], sentir insegurança para amamentar [pois as dores me deixavam com medo de pontos romperem], entre outras coisas.

    Atualmente descobri-me com uma depressão pós-parto. E o que mais descobri? Que partos cesáreos favorecem o aparecimento da depressão na mulher parturiente.

    Só tenho a agradecer a esse espaço deixar eu desabafar, pois assim como na sala de cirurgia, me sinto sozinha com todas essas lembranças, ou tentando falar, gritar e sendo duramente violentada pelo mundo. Obrigada.

    O que farei? Tratarei minha depressão pelo bem estar da minha filha e o meu mesmo, e posso até colocar meu próximo filho em risco – assim como as obstetras falam – mas tentarei ficar muito mais em casa esperando o bebê coroar. Aí sim. Aí sim.

    E que lutemos pelo fim dessa violência tão grave quanto a doméstica, quanto estupros… mas silenciosa, que é a obstétrica. Isso tem de parar, Brasil. É cruel, é desumano.

    1. priscila

      lindo (pela coragem) emocionante e triste

  22. Evelyn

    Meu nome é Evelyn, tenho 25 anos, mãe da Mariana, 1. Somos de Macaé, RJ.

    1. kelly

      Evelyn quem foica mefica? Sou de rio das ostras. Se n quiser expor aqui me manda um email. Kelinha225@hotmail.com

  23. Tatiana Cali

    Quando vi a chamado no face para este post, quis lê-lo imediatamente … Como médica o nome “violência obstétrica” me agride na alma e muitos dos relatos que costumo ler não passam de muita, mas muita falta de comunicação … Mas o seu relato me envergonhou e muito !!! E por mais triste que seja para mim dizer isso, você não é a única e isso é mais comum do que se possa imaginar.
    Sinto muito Tati Cotrim ! Por você e por todas as mães que passaram por isso !
    Me lembro que eu era recém formada, no dia da comemoração do meu aniversário, uma paciente da minha mãe entrou em trabalho de parto. Eu estava virada de plantão. Havia um almoço na casa dos meus avós para mim. Mas havia também uma criança querendo nascer. Eram quase 8h, eu estava indo dormir um pouco, mas fomos para o hospital. A bolsa havia rompido e as contrações eram esparsas. Resumindo, passamos o dia todo acompanhando o trabalho de parto (teria dado tempo de eu ir comemorar com a família e voltar), mas após 9h de trabalho de parto e apenas 2cm de dilatação a cardiotocografia mostrou que o bebê começava a entrar em sofrimento. Conversamos com a mãe e a cesariana foi indicada. Me lembro de ouvir comentários que este tipo de coisa não se fazia mais, que tinhamos que ter dado um jeito de indicar logo a cesariana … E lembro da minha mãe ter dito que a paciente teria o direito de escolher a forma do neném nascer se isso não significasse risco para mãe e bebê. E que ela somente interferiria nesta vontade nos casos de risco. Senti orgulho dela … Já faz 12 anos que isso aconteceu ! Eu deixei de acompanhar pacientes no consultório pois a família cresceu e eu não teria como dispor das madrugadas … Sim, bebês adoram as madrugadas! Então deixei!
    Um colega me disse que bastava eu dizer que “comigo somente parto de hora marcada”. Ele é contra o parto normal, acha que o sofrimento é desumano … Mas na primeira consulta de suas pacientes ele logo diz: “Parto normal para mim é cesariana. O outro é animal!”. OK! Eu não concordo com ele, mas só fica com ele quem quer e quem concorda com isso !!!
    Acho um absurdo o médico fingir que tudo bem e no final conduzir da forma que aconteceu com você !!! Me envergonha !!! Me envergonha demais !!!
    Espero, Tati Cotrim, que você consiga superar … pelo seu bem e da sua família, supere! E que em uma próxima gestação, você realmente consiga viver o parto dos seus sonhos !!!
    Quem sabe a Shirley possa te passar o contato do médico dela, já que as duas são de São Paulo …
    Que Deus proteja sua família e que te ajude a resolver isso dentro de você. :-)
    Desculpe-me Shi, mas prá variar, escrevi demais …rs. Bjs, Tati.

  24. Anonymous

    Vc é mto guerreira, oq essa “senhora” fez no mundinho dela é normal,força vc é uma super mulher, por sofrer e procurar cura pra isso, como eu desejo de coração q uma parenta dela passe por pior….. nos meus dois partos tbm encontrei pessoas desumanas assim, mas passou, agora é só alegrias! Se cuidem….bjão

  25. Huíla.

    Simplesmente chocada!! Shi, ela nao processou esses ‘ profissionais’??

  26. Faela Cupcakes

    Jesus, você é muito guerreira mesmo, me identifiquei com a sua estória, vi a minha médica no seu relato, e até acho que é da minha GO que você estava falando, se você puder me responder mesmo que seja por email eu agradeço, isso não se faz com mulher nenhuma. Quem sabe se todas nós que passamos por casos como esse fizermos alguma coisa, nós poderemos fazer a diferença.

  27. Dany Menezes

    Estou chocada e com medo, não queria ter lido esse post antes do meu parto, mas tudo bem pelo menos agora eu fico esperta.
    E depois de tanto tempo só posso te dizer parabéns, pela coragem e sinto muito pela sua dor!!

  28. Toda vez que eu leio um relato de violência obstétrica, eu que acho que foi minha (ex)médica que atendeu a pessoa. Parece que as outras mulheres que comentaram aqui também. Esses malditos tem um “modus operandi” característico, né?
    Sinal de que o Brasil precisa mesmo mudar! A gente tem que se mobilizar!
    Meu relato de violência obstétrica e o roubo do parto que eu sempre quis ter:

    http://entaovireimae.blogspot.com.br/2013/04/violencia-obstetrica-voce-sabe-o-que-e.html

  29. nanicoloneze

    Meu Deus… Fiquei com os olhos cheios de lágrimas, nem consigo imaginar o que faria numa situação dessas! Com certeza depois não teria ficado calada, teria feito queixa, processo, o que estivesse ao meu alcance! Parabéns pelo desabafo, que essa ferida se cure logo!

  30. Camila Braga

    Este comentário foi removido pelo autor.

  31. Camila Braga

    Oi, tenho um bebê de 1 ano e meio, e durante toda a gestação senti a pressão por parte do medico, ele dizia frases do tipo ” É não se houve falar em crianças com paralisia celebral decorrentes da cesarea apenas do parto normal”, isto toda vez que eu e meu esposo comentavamos que achavamos mais seguro o parto normal. Por fim acabei não marcando o parto com ele pois sabia que na hora ele nos induziria a cesarea. Então fui a uma maternidade do SUS. Na primeira vez que fui, ainda não estava na hora, mas a medica plantonista tbm quiz me vender uma cesarea, me disse assim ” seu colo é mt alto está bem fechado, teu bebê e mt grande vc não conseguirá te-lo de parto normal” detalhe eu estava apenas de 38 semanas poderia esperar mais 3semanas sem problemas, pois minha saúde estava otima, e ela ainda me disse o quanto cobrava pela cesarea, detalhe cobrança por fora pois como falei antes estava sendo atendida pelo SUS. Fui embora bem assustada com as constatações dela e pensando sereamente na cesarea. Mas graças a Deus meu marido é mt tranquilo e me segurou, disse pra gente esperar mais um pouco, então 2 dias antes de completar 41 sem minha bolsa roupeu, praticamente sem dilatação, fui para o msm hospital mas era outra medica de plantão, e mesma disse que era pra eu aguardar pra ver se iria ter dilatação, e para minha supresa cheguei a 6 dedos em poucas horas sem auxilio de nenhum medicamento e praticamente com colicas leves, pude então terminar o trabalho de parto com soro pra indução, e tive meu filho de parto normal. Uma coisa a segunda medica tinha razão ele era grande o Arthur nasceu com 3910 kg e 52 cm, mas o danado do meu colo até podia ser fechado, mas soube se abrir direitinho quando nescessário. Outra informação importante msm sendo pelo SUS, meu esposo assistiu ao parto, pois isto é lei toda mulher tem direito.

  32. Michelle

    Longe de mim desrespeitar o relato da mamãe, porém achei exagerado e egoísta. Me desculpe, mas o que vale para mim é o bem-estar do bebê e não minha vontade. O que importa é que o bebê nasça bem. Agora virou “moda” falar mal da cesárea, mas de que adianta ter um parto normal e o bebê nascer com Apgar 2, por exemplo, com infecções que pegou ao passar pelo canal ou etc?? Sim, não é só na cesárea que se está sujeito a infecções. O parto vaginal pode ser ótimo para a mãe, porém pode não ser bom para o bebê. Não sou médica e não estou aqui para defender este ou aquele parto, mas sim para defender algo maior que é o bebê. Definitivamente para o bebê não é uma escolha, ele não vai se deprimir porque sua mãe não realizou este ou aquele parto. Concordo que era desnecessária a grosseria da médica e da equipe. O importante e a maior felicidade é que seu bebê nasceu bem e está bem e saudável. O resto é mero detalhe. Lembrando que a tal “violência obstétrica” pode ocorrer mesmo num parto vaginal. Então, que seja feito o melhor para a saúde do bebê sempre e não ao capricho da mãe e médicos. O parto normal é aquele que bebê e mãe estão saudáveis, seja cesárea ou vaginal.

  33. Marília

    Nunca li algo tão exagerado, pois ao invés de pensar na saúde do seu bebê e curtir o parto ficou pensando somente em você. Concordo plenamente com a médica… mãe xiliquenta.

  34. Rochele

    Michelle e Marília, acho que todo ser humano tem direito de escolher o que é melhor pra si, e de forma alguma ser coagido num momento tão delicado como esse. Faltou ética dessa “obstetra” sim, já que ela sequer tocou na paciente pra fazer uma avaliação. Eu larguei minha obstetra de mão pq ela insistia em querer marcar logo uma cesárea, pq acha que não vale o sofrimento, e principalmente pq é muito mais rápido e ela não precisaria ficar horas de plantão pela demora do parto normal.
    Já tive um filho de PN, e fui muito encorajada pelo meu obstetra na época, que hoje, infelizmente não trabalha no Rio Grande do Sul, mas graças a ele eu consegui me defender dessa mocinha apressadinha, que diz que minha filha já atingiu o peso “ideal” e quer marcar a cesárea cada vez que me enxerga.
    O que não pode acontecer, e que, infelizmente é o que mais acontece, é uma mãe chegar numa consulta de pré- natal e ser coagida a marcar uma cesárea com apenas 20 semanas de gestação. O que faz uma pessoa pensar que pode planejar a vida de outra assim, sem nem ter sido consultada? Se o melhor pra criança for cesárea ou normal, saberei na hora que ela resolver dar as caras, mas isso quem decide é o meu corpo e o corpinho dela, sem pressa.
    Algumas pessoas deveriam rever seus conceitos, principalmente quando se trata de decidir pela vida de outros…
    E Tati, felicidades pra ti e pra tua família!! ;)

  35. Emocionante e muito triste!! Parabéns por você conseguir desabafar.
    Entre com processo contra esse obstetra, ele não teve ética profissional.
    Vou levar seu relato ao meu obstetra e mostrar para ele com as suas palavras o meu desejo pelo parto normal, já tenho falado da minha vontade mas quero deixar mais que claro para ele.
    Toda felicidade do mudo para vocês!

  36. Paty

    Eu ainda não tive a sua coragem de escrever, pois toda vez que lembro o que passei pra ter minha filha, ainda me dói e muito, me machuca, me corta a alma, quem sabe um dia eu consiga ao menos escrever para poder aliviar o meu coração e a minha alma.

  37. Melissa

    Faço de todas as suas palavras as minhas palavras. Sua carta aberta me inspirou e hoje, dois anos depois do nascimento da minha filha, vou reunir forças e fazer o mesmo que você. Sei que a senhora minha obstetra também não responderá. Sei que a cicatriz vai continuar presente. Mas fechada. Também quero que a minha história, muito parecida com a sua, sirva de exemplo para que outras mamães não sofram o que eu sofri. Também fui “roubada” mas não permitirei ser novamente. Muito obrigada pelas suas palavras, pela sua história. Parabéns por sua coragem!

  38. Luciana Cruz

    Muito triste as marcas que ficam de um momento que ERA pra ser o mais bonito da vida da gente!
    Por culpa de outras pessoas que não tem sentimentos…
    Lendo o desabafo,ou melhor,os desabafos me senti aliviada,pois estou com sete meses e mesmo tendo um plano de saude que cobre todo o parto,nao encontrei um medico que fizesse meu parto normal!! Ja estava pensando em fazer a “tal” cesariana contra a minha vontade! Essa “carta” me fez entender que meu bebe tem que nascer do jeito que EU quero,do jeito que DEUS quer…e nao é um medico quem vai fazer essa escolha!!!
    Boa Sorte na sua caminhada….e fé em Deus…as dores vao diminuir com o tempo….Grande Beijo!

  39. olha vc e muito forte e guerrreira eu tamben passei por isso mas nen pude reclamar porque tive na epoca o meu bebe pelo sus pois nao podia pagar e nao possuia plano de saude sou ipertensa cronica a minha pressao estava 23 por 14 tinha direito a uma cesarea e eles me induziran ao parto normal com36 semanas diziam q era o melhor p o bb q veio ao mundo depois de 34 horas em trabalho de parto com 4k e100g grande de maispara a induçao ou ate mesmo para oparto normal ele nasceu bem graças a deus mas fiquei dilacerada machucada com 23 pontos pois nao tive odireito deter anestesia depois de mais de um dia com contraçoes fortes eo maldito toque a cada uma hora

  40. Andrea

    Tati, você poderia falar o nome da médica e o hospital? Assim fica de alerta para as gestantes, como eu!!
    bjs!

  41. Raquel

    Lendo relatos como esse que eu sinto mais ainda como fui abençoada com minha obstetra… Desde as primeiras consultas ela sempre falou animada em parto normal, mas nunca se opôs caso minha escolha fosse cesárea. Mas eu queria normal, e ela radiante com minha decisão (porque as vezes ela falava com as pacientes toda animada sobre parto normal pra então elas dizerem “mas eu queria cesárea”…). Meu parto teve que ser induzido pois já estava com 40 semanas e 4 dias e nada do guri querer sair. E mesmo ele não querendo sair por vontade própria, ela decidiu primeiro tentar induzir o parto normal. Claro, se não desse certo iríamos para cesárea, mas ela também queria normal. Foram +- 5 horas até o Artur nascer, e ela ficou todo o tempo no hospital, sempre que possível comigo (ela e o anestesista se revezavam pra não me deixar sozinha), e o meu marido ficou todo o tempo comigo também. O detalhe é que fazia 2 dias que o pai da obstetra tinha baixado na UTI (do parto ela saiu direto pra ver ele), mas mesmo assim ela ficou todo o tempo lá, sem nunca se (e me) apressar.
    O anestesista, que trabalha com ela há mais de 30 anos, também foi uma super pessoa. A todo tempo explicando o que iria fazer, e depois ajudando durante o parto. Como minhas contrações na verdade foram uma dor nas costelas (“dor refletida”, segundo ele), eu não sentia direito quando dava uma contração forte para então fazer força, aí ele que me dizia “vamos lá, tá vindo uma boa agora! Força!!”, e sempre me animando, dizendo que eu estava fazendo um bom trabalho. Enfim, tanto ele quanto a obstetra são pessoas espetaculares.
    Fico triste em saber que aparentemente meu parto foi uma exceção, é duro saber que nesse momento nem todas podem se sentir tão bem e amparada como me senti…

    1. Juliana

      Raquel qual é sua medica? estou fazendo de tudo por meu PN.. de onde vc é?

  42. Mirela

    Nossa, muito triste ler um relato assim. A gente não imagina que isso pode acontecer e que acontece todos os dias… O sentimento humano é deixado de lado por causa da pressa, de meia dúzia de pontos que deixam uma cicatriz eterna no corpo e na alma. Graças à Deus eu encontrei uma obstetra maravilhosa que não me empurrou uma cesárea. Tive um PN há uma ano e quatro meses e estou grávida de 7 meses. Minha filha ainda não virou, mas a médica me disse que isso ainda tem muito tempo para acontecer e que se ela não virar e eu quiser, que ela faz o PN mesmo assim, pois como já tive um, ter um bebê sentado agora não seria problema. Mas como ela mesma disse que ela ainda tem muito tempo para virar (pelo menos umas 10 semanas), vamos aguardar. E espero ter outro PN perfeito como foi o primeiro. Obstetras, nós queremos sim mudar a forma de nascer, mas vcs atrapalham demais!

  43. vanessa

    Mãe do Enzo… só você sabe a dimensão disso tudo; até comparo com filmes que ‘são baseados em fatos reais’ em que sempre digo: se no filme, que é romanceado, foi ruim assim, imagina na realidade!? E é o que penso sobre o que você descreveu e sou solidária a você! Infelizmente, os médicos não são claros e honestos, pois eles não querem mais sair de madrugada de suas casas para ganhar uma merreca do convênio e ajudar mais uma a ter seu filho e fazer parte dos mais de 5 mil partos que eles já fizeram! Ainda existem, claro, os que fazem, mas não mais a sua maioria. Estou gravida de 24 semanas e vou optar pela cesárea por dois motivos: minha filha nascerá no meio da Copa do Mundo e tenho muito muito muito medo de passar perrengue em hospital cheio, sem vaga e etc. e também, por não querer passar por isso nessa hora tão especial. Conversei muito com meu médico e com outros; meu médico, ele não é mais a favor do parto natural, mas sei disso há 13 anos, desde que comecei a me consultar com ele… não estou sendo enganada e até cheguei a pesquisar outros GOs. Mas é o que você disse: você confiou nela! Vc acreditou que ela, mãe de dois filhos por parto natural e mulher, te entenderia e te ajudaria. Que bom que iniciou o processo de limpeza do seu coração e alma e no que puder, estou aqui para ouvi-la!!! Um beijo e um cheirinho no Enzo!!!!!

  44. Darlene

    Tati, li seu relato no trabalho, tive que conter as lágrimas, me vi até certo pondo em você…. Meu médico começou tão bem meu pré-natal, me deixando a vontade, peguei referencias dele e tudo, só não me atentei se ele era cesarista e hoje tenho certeza que sim… Estou com 38 semanas, e não tenho coragem o suficiente de arriscar outro médico a esta altura, pois o meu que adora falar de paralisia cerebral de bb que nasce com circular de cordão, que fala que dorso a direita posterior é um trabalho muito labutoso (para ele?) e que um bebê com 4kg dilacera o períneo, dá incontinência urinária, problemas de infecção e etc, e olha que ele ainda me disse que nasceu de parto natural, em casa, com parteira, que seus filhos foram partos normais e na consulta passada me fala q o filho dele estava dorso a direit a e nasceu de PN mas com forceps e até hoje tem uma marca na testa (pq ele não evitou isso e empurrou a cesaria na mulher dele?), ele está me tocando o terror e eu infelizmente estou caindo na armadilha por me sentir talvez impotente contra tais argumentos e por não ter procurando antes outro médico… Pelo menos uma coisa, ele irá respeitar eu entrar em trabalho de parto, mas disse que provavelmente irei pra cesária, e ele ainda foi rispido em dizer que ele não vai por 20 anos de trabalho dele a risca pq uma mãezinha quer um parto normal mesmo sabendo dos riscos e ainda queria me dar um termo de responsabilidade… semana que vem tenho outra consulta e creio que será a que marcaremos a data da cirurgia… Pelo menos meu filho nascerá mais próximo do que imagino ser a data natural de parto… #desabafo.

  45. Louise

    Simplesmente chocada com o seu depoimento. Eu processaria e representaria ela no Conselho de Medicina, a transparência e o tratamento de forma digna faz parte da ética medica. Infelizmente muitos médicos se esquecem disso depois que formam. Eu mudei de medica agora depois de 5 meses de gestação, pois estava muito insatisfeita com o tratamento recebido, o qual poderia ser qualificado como “sus pago”. Graças a Deus encontrei um medico maravilhoso, só atende particular, mas prefiro mil vezes pagar e ser tratada de forma humana.

  46. Danielle

    Oi! Sinto muito pelo que aconteceu. Uma amiga muito próxima teve depressão pós-parto por passar coisa parecida.
    Mas, fiquei muito curiosa…me deixa saber o nome completo dessa médica?
    Responde pro meu e-mail

  47. Tiago

    Mãe do Enzo, você irá superar tudo isso com cada sorriso que seu filho lhe der. Esse passado triste será superado com toda alegria do mundo que você já recebe de seu filho. Deus te abençoe! Você é uma vencedora!

  48. Lydiane

    Tati, entendo bem sua dor….. Como ficamos sensíveis neste momento, médicos e enfermeiras abusam disso! Saiba q compartilho seu sentimento de frustração. Os argumentos usados pela obstetra que me acompanhava, me deixaram também muito triste, insegura e com medo, assim aconteceu como com vc…..
    Espero de coração que você consiga superar…… Eu ainda tento……

  49. karen

    Sem palavras…tanto pelo que foi relatado aqui como pelo que passei nas minhas duas gestações, ser vilipendiada, desrespeitada e desumanizada pela medicina brasileira. Nunca consegui escrever sobre o que passei, me causa uma tristeza e uma fúria muito grande, mas admiro quem consegue. Tenham fé que superarão a dor mas infelizmente a revolta e a indignação não desaparecerão facilmente.

  50. Samantha

    Nossa essa médica deve ser horrível mesmo, por não te respeitar e por deixar você com uma cicatriz horrorosa,por não deixá-la amamentar, pois tive cesariana e meu marido pôde assistir ao parto todinho, tiramos fotos, filmamos a minha filha nascendo, amamentei no centro cirúrgico, não fiquei com cicatriz, e nem com dor, nem antiinflamatório eu tomei apesar da prescrição dela de tão bem que fiquei, no hospital levantei da cama sozinha, tomei banho e coloquei a cinta sozinha. Para mim a experiência da cesariana foi boa, mas porque nesse caso minha médica me respeitou, na realidade a minha médica era defensora do parto normal mas eu sempre tive pavor, pânico de parto normal, sempre falei que se fosse para ter filho só por cesariana.

  51. Raquel Nunes

    Nossa, impressionante a sua história. Quanta frieza! chega a ser cruel…
    Seu exemplo me inspirou a escrever uma carta ao meu médico também, mas para agradecer por tudo o que ele fez por mim e pelo meu filho (que já está com 5 meses).
    Talvez seja importante para ele esse tipo de retorno, nossa relação nunca foi comercial. Ele conhece suas pacientes pelo nome, e se lembra dos principais casos mesmo sem a ficha médica em mãos. Sempre disponível, 24 horas por dia.

  52. leozina

    Existem certos acontecimentos que marcam nossa memória, outros não ficam apenas na lembrança e sim com muito sofrimento de dor nos acompanham 24 h por dia. Fiz uma cesária há um ano e dois meses e desde de então não sei o que é viver sem dor, não tenho mais vida social e pessoal o pouco de saúde dedico a cuidar do meu filho. Não posso tocar na minha barriga porque doi muuuuito e ainda não descobrir o que há de errado porque tanta dor??? Meu sonho hoje é correr atrás do meu filho sem sentir dor, não sei quando irei e se irei conseguir isso. Mas pelo meu filho, meu príncipe eu estou lutando.

  53. Flavia Botelho

    Triste muito triste, também perdi a chance de ter meu tão sonhado parto normal, mas pelo menos fui tratada com carinho, respeito e dignidade.
    Espero que a sua dor diminua a cada dia, e torço pelo seu próximo parto natural e feliz assim como deseja seu coração.
    Estou com 15 semanas da segunda gravidez e sonhando com o meu parto normal dessa vez.
    Beijo!

  54. Renata

    Conheci o Macetes de Mãe esse ano, qdo me tornei mãe e só hoje vi esse post…
    Penso que o melhor tipo de parto é aquele que a mulher escolhe para ela!!! O “normal” seria vc se sentir segura e amparada no momento mais importante da sua vida… seria!!!
    Minha gestação foi de alto risco ++++ (hipertensão crônica, arritmia, esteatose e idade avançada para primeira gestação/37 anos!!!) e eu escolhi a cesárea… mas não pelo risco, teria escolhido mesmo que minga gestação não tivesse risco algum!!! Só que fiz meu pré natal pelo SUS, ou seja, eles iam insistir no PN!!! Mesmo com todos os riscos eles só fazem cesárea qdo o bebê ou a mãe estão em grave risco!!! E isso eu testemunhei várias vezes durante meu pré natal!!!
    Com 38 semanas fui ao hospital com minha PA em 16×13!!! E me mandaram embora pq “estava tudo bem com o bebê”!!! Como assim?! Nem me examinaram direito, não pediram nenhum exame e me mandam embora?! Fiz um barraco!!! Fiz uma reclamação formal no SAC do hospital!!!
    Com 39 semanas voltei, minha PA 17X10 e… me mandaram embora de novo!!! E a médica aí me disse abertamente que eles esperavam até o último minuto para então fazer a cesárea, mesmo com todos os riscos da minha gravidez eles iam esperar!!! Surtei!!! Entrei em pânico!!! Minha PA subiu ainda mais!!! A médica, muuuuito mal educada, me disse que era assim para todo mundo e que se eu era especial ninguém tinha avisado!!! Não tive duvida, no dia seguinte estava na porta do diretor da GO do hospital… falei um monte!!! Briguei!!! Briguei pelo meu direito ao parto da minha escolha!!!
    Ele marcou a cesárea para o dia seguinte e foi pessoalmente fazê-la!!! Foi a melhor coisa qus fiz na minha vida!!!
    Eu estava absurdamente tranquila, feliz!!! Deitei na maca estreita do centro cirúrgico, ajudei as enfermeirad que estavam me preparando, estava tão relaxada que nem senti a anestesia!!! Não fui amarrada!!! Estava tranquila, serena, feliz!!! Minha cesárea foi ótima!!! Não tive dores, me recuperei muito rápido e muito bem!!! Hoje, 3 meses depois, minha cicatriz já está sumindo!!! Minha filha é linda e saudável!!!
    Valeu a pena toda a briga e todo o stress!!! E meu conselho é esse, BRIGUE!!! LUTE PELO SEU PARTO!!! Eu não me arrependo!!!

  55. Leticia

    Oi, em meio a tantos depoimentos dificeis às mamães, gostaria de dar meu depoimento tbm :)
    Sou de Macae-Rj, meu filhao nasceu em 2009, na epoca eu nao tinha plano de saude e todo meu pre natal e parto foram feito na rede publica da cidade. Graças a Deus aqui é uma cidade abençoada, pois a rede publica nao nos deixa na mão( tem suas dificuldades pois Sus sempre vai ter falta de verba, mas enfim…).
    Durante o pre natal fiz todos os exames e todas consultas certinho, tive direito a todos os remedios e vitaminas, td direitinho e q gravidez correu super bem.
    Mas ja com 38 semanas achei q estava perdendo liquido, chamei meu marido e ele e meu sogro me levaram a maternidade do hospital publico, fui atendida na msm hora e ao fazer o toque o medico viu q estava td bem, q devia ser so xixi msm( fiquei c vergonha, mas ele disse q era normal nao sentir q estava fazendo, por causa do tamanho e peso da barriga, rsrsrss) mas msm assim me encaminharam pra ultra som, q fiz no proprio hospital e na mesma hora, so pra garantir q estava td ok, e estava.
    Na semana seguinte eu tive febre e muita dor no corpo, entao fui de novo pra msm maternidade. Como nao parecia nenhuma infecçao me internaram msm hora pra fazer os exames e descobrir o que era, td indicava dengue. E era msm. Eu fiquei quinze dias internada na maternidade publica da cidade, meu filho saiu de la ja com 9 dias. Ele nasceu perfeito e saudavel, so ficou la me esperando me recuperar.
    Meu caso foi critico devido à dengue e ao forte risco da hemorragia, mas durante todo momento tive todo o cuidado e atençao de TODA a equipe do hospital, obstetras e enfermeiros. Meu parto foi normal, a obstetra foi otima e super competente e me deu toda atençao, me tratou bem e me ajudou a trazer meu filho pro mundo. Ele ainda estava com o cordao enrolado ao redor do pescoço mas ela conseguiu tirar sem machuca-lo, ainda me explicou q ele ficou meio arrocheado devido a isso mas q sumiria com o tempo e q não teve risco a ele.
    Para o meu parto o obstetra responsável pela maternidade ainda fez questao de participar, pois lembro dela comentar com a doutora q tinha ido naquela hora justamente para poder acompanhar meu caso.
    Depois do parto ainda precisei de muitos cuidados por causa da dengue. E fiquei mais algum tempo internada para me recuperar.
    todo o comprometimento e cuidado que recebi jamais vou esquecer, sou totalmente grata a este hospital, que é do Sus e ainda atende toda a região.
    com meu proximo filho, vou fazer o acompanhamento pelo plano de saude, mas sinceramente, espero que eu tenha a sorte de achar tao bons profossionais quanto encontrei no Sus.
    Pelos relatos que li anteriormente e tambem de amigas minhas que tiverem seus bebes na rede privada aqui da cidade, fiquei um pouco apreensiva pois não da pra sentir confiança no discurso e atitudes de alguns medicos daqui.
    Mas tomara q eu tenha sorte☺️

  56. Thamiris de Souza

    oi,eu tive um bebe na maternidade sapopemba,e meu filho caiu ao nascer.
    a infermeira destraida ao conversar com outra infermeira,deixou que ele caisse passando pelo meio de suas pernas e bateu com a testa no chao ficando com um galo roxo e o rosto arranhado pelas unhas da meesma que tentou apanha-lo..ele ficou 3 dias na uti em observaçao mas graças a Deus nao teve nenhuma secuela…mas ja tem 1 ano isso e nunca consegui procesar o hospital…
    hj sofro com sindrome do panico,pq meu medo de perder meu filho foi mto grande..me ajudem tem algo que posso fazer ou realmente nao posso fazer nada…

  57. Jeiciane

    A violência obstétrica existe tanto no parto normal,quanto na cesárea; Estou com 38 semanas,só aguardando o momento da minha filha querer sair,não coloquei na minha cabeça que quero parto normal a todo custo,eu quero o que for melhor pra mim e pra minha bebê. Não me sentirei menos mãe se tiver de ser cesárea,meu pré natal todo foi pelo sus,até agora não tenho do que reclamar,e o parto também será pelos Sus,sei que terei a chance de tentar normal,mais só Deus sabe se terei condiçoes para um parto normal,se terei dilatação suficiente…já vi relatos de mulheres que passaram muito sofrimento por insistir em um parto normal,mesmo após horas sem dilatação,e colocar em risco a própria vida e da criança…
    Acho que temos que ter a mente aberta,e não encanar com um tipo de parto,pois depois a frustração pode ser muito grande!

  58. ÉRICA BONAZZI CARNEIRO

    Merecia expor o nome da Dra. e do hospital para outas mães não caírem na dela.

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