A função do objeto de transição

Eu, que li dezenas de livros sobre maternidade enquanto estava grávida (só para depois sofrer por não conseguir colocar nada em prática. risos!), aprendi que existe um coisinha super importante na vida dos bebês que se chama objeto de transição.

O objeto de transição pode ser um bichinho, um travesseirinho, um paninho ou qualquer outro objeto ao qual a criança se apegue e que sirva de conforto em momentos de insegurança, medo, angústia ou tristeza. Ele é aquela coisinha que seu pequeno não larga por nada nesse mundo e que carrega para todo lado que vai.

Os objetos de transição costumam entrar na rotina das crianças ainda no primeiro ano de vida, e são muito usados pelos bebês para compensarem a ausência da mãe (afinal, a mãe se distancia do bebê porque tem que trabalhar, porque está dormindo em outro quarto, porque sai para resolver coisas na rua, enfim, por N motivos). Eles servem como consolo quando a mãe não está por perto ou para acalmar e confortar os bebês em momentos delicados como de insegurança, angústia, sono, cansaço, etc… (eles são ÓTIMOS para ajudar os bebês a dormir).

Sabendo disso, é claro que tentei estimular o Léo a ter um objeto de transição. Logo que ele era bem bebezinho, dei para ele um naninha, que são aqueles bichinhos de pelúcia agarradinhos em um paninho. Mas nada do meu bichinho se apaixonar pelo tal bichano. Depois tentei um travesseirinho delícia que ele tinha ganhado de presente. Macio, cheiroso, gostosinho. Até eu iria querê-lo de objeto de transição. Mas o meu pequeno não. Aí recorri a um hipopótamo de pelúcia que era meu. Isso mesmo! Eu dormia com um hipopótamo de pelúcia que eu amava e aí resolvi tirá-lo do armário, lavá-lo e dar para o Léo. Não, também não rolou.

Mas durante esse tempo todo, junto com todos esses objetos, eu sempre entreguei para o Léo, na hora de dormir, uma fraldinha de pano. Ele nunca deu muita bola para ela, nunca foi agarrado a ela, mas eu colocava lá. Sei lá, achava que um dia ele iria se apaixonar pelo “nana” dele como eu era apaixonada pelos meus (eu dormia com três fraldinhas quando era criança) e que então esse viraria o objeto de transição dele.

E não é que água mole em pedra dura tanto bate até que fura? Isso mesmo. O Léo comprou a minha ideia. Essa semana, depois de meses e meses de fraldinha na hora de dormir, percebi que ele realmente se apegou a ela. Anteontem, tive que passar o dia fora e, quando voltei, ele estava agarradinho no nana. Hoje de manhã, na hora que bateu o soninho, ele puxou o nana para perto dele. Ou seja, está surgindo aí uma relação de amor.

Eu obriguei o Léo a querer a tal fralda? Não, nunca, jamais! (eu não obrigo NADA!). Eu simplesmente sempre a deixei por lá, no berço dele, porque eu sentia que ter uma fraldinha por perto era algo alentador (lembram que eu tinha as minhas?). E aí, pouco a pouco, ele foi tomando gosto pela coisa.

Se você gostaria que seu filho também adotassem um objeto de transição para ajudá-lo nos momentos de angústia, tristeza, sono, cansaço, etc… abaixo estão algumas dicas que poderão dar certo:

  • Ofereça você um objeto de transição. O bebê/criança não irá, por conta própria, escolher um.
  • Se você oferecer algo e, depois de um tempo, parecer que não rolou uma sintonia, troque o objeto. Experimente um bichinho de pelúcia (sempre antialérgicos, para não virar um problema), um travesseirinho, uma fraldinha. E deixe a criança escolher o que mais lhe agrada.
  • Se nada parecer surtir efeito, faça como eu, e insista na fraldinha. Insista no sentido de deixar sempre por lá. Um dia, quem sabe, role.

E, muito importante:

  • Algumas crianças não terão nunca um objeto de transição. Simples assim. Nesse caso, não precisa se desesperar, ela simplesmente não quis ou não precisou. Não insista.
  • Ao escolher um objeto de transição, de preferência por algo que possa ser substituído em caso de perda (fraldinhas só ótimas por isso). Afinal, se seu filho se apaixonar e depois ficar sem, aí sim você terá problemas.
  • E objetos de transição NÃO servem para substituir pessoas (Nada substitui pai e mãe. Estes devem ser sempre presentes, de alguma forma). Os objetos apenas ajudam os pequenos a desenvolverem mecanismos para se acalmarem sozinhos, algo super importante para o seu desenvolvimento e independência.

Gostou do tema e ficou curiosa? Quer ler mais? Indico os seguintes links:
Revista Crescer – Objeto de transição, o brinquedo preferido das crianças
Bebê.com.br – A função das naninhas

11 comentários

  1. Anonymous

    Oieee…O Giovanni sempre usou a naninha e até hoje quando não está perto de mim, e ele já tem 1 ano e 9 meses, ele não larga de jeito nenhum, quantas ele for achando, ele usa e segura, é muito amor, hora do soninho é sagrado, na escolinha as professoras sempre brincam: “Mexe com o Gi, mas não põe a mão na fraldinha!”…Olha só pra rir, ele usa desde quando nasceu, é muito lindo. O Luigi tem 6 meses e também é apaixonado pelas suas naninhas!!
    Beijinho, Mariane Willy
    Mamãe dos príncipes Giovanni e Luigi

  2. Anonymous

    Minha mais velha, hoje com 3 anos não larga o naná (fraldinha de pano), pra onde vamos ela leva consigo.. qual dica você dá para que ensinamos com amor a desapegar desse objeto de transição? Eu acho que já está na hora.. abraços! Mara

  3. natalia

    Adorei o post….. super verdade!
    Com o Chico foi a mesma coisa, tentei muitos objetos, e por fim ele escolheu a nana! uma fraldinha.

  4. Ana Catarina

    Olá Shirley, sei que esse post é antigo, mas espero que possa me tirar uma dúvida…
    Tenho um bebe de 02 meses que tem uma dificuldade enoooooorme de dormir de dia no berço. Quero dar uma naninha pra ele e vi que muita gente fala na fraldinha. Quero tentar uma com Pedro e queria saber se você usou uma fralda de tamanho normal ou uma fraldinha de boca e se sempre usou a mesma fralda ou tinha várias iguais ou se isso não importa e o importante é que fosse uma fralda qualquer tipo ou tamanho.
    Vi que você disse que “deixava ela lá” no berço à disposição, mas era do lado dele, na barriguinha, próximo ao rosto mas não encostando nele. Minha preocupação é deixar lá sem correr o risco de ele se enroscar e (Deus me livre), sufocar.
    Obrigada

    1. Shirley Hilgert

      Ana, era uma fraldinha normal, tecido de fralda mesmo. Eu deixava no berço, próximo ao bebê. Mas acho que o Leo só pegou mais velho, agora nem lembro com que idade. Mas não foi com 2 ou 3 meses. Foi depois disso. bjs

  5. Julliana

    Não estimulei esses objetos de transição, sou contra. Acho muito louco vc tenta introduzir um objeto que depois de 2 /3anos vai ter que lutar para tirar. Mesma teoria da chupetas, não?? Minha filha não teve, sempre dormiu bem. Deu trabalho, mas hj já dorme sozinha no quartinho dela. Ela tem 2 anos. Obrigada

  6. Michele Marques

    Com o nosso Richard foi meio que sem querer querendo rsrsrs, o pai dele uma certa noite colocou a fraudinha próximo dele pra q ele ñ se sentisse tão abandonado, então Richard se agarrou nela e dormiu! Daí endiante só dormiu com ela que hoj é umas toalhinhas, ele apelidou d PENINHO.

  7. Kelly

    Eu gostaria de tirar a naninha… Pq o que ele elegeu como tal, é o meu cabelo… É isso é terrível! Ele fica muito ansioso Qdo eu prendo o cabelo até chora… E não entra em sono profundo Pq tem medo que eu saia do seu lado e a “naninha” vá embora… Como eu poderia fazer uma transição para outro objeto? Alguém tem alguma dica? Está muito complicado… Está com 19 meses.
    Detalhe: ele dorme super bem com o pai. Comigo que é essa dificuldade.

    1. Giulliana

      Kelly, minha bebe tb!!! Vc conseguiu?? O que vc fez? Obrigada!

  8. Carolina

    Shirley! O Leo já largou o paninho? Meu filho tem um ano e oito e se refere à sua fraldinha de pano como “mi pã”. Acalma ele nas piores horas. Escreve sobre como foi a transição para deixar o objeto de transição!

    1. Shirley Hilgert

      Ele ainda usa para dormir. :-)

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