Movimento #poenorotulo

poe no rotuloVocês já devem ter visto por aí, nas redes sociais, a hastag #poenorotulo. Ela está “bombado” no Facebook e agora está também tomando conta do Instagram. Eu mesma, através da fanpage do Macetes de Mãe, já compartilhei postagens do movimento #poenorotulo, justamente por apoiar 100% o objetivo pelo qual ele tem lutado: criar leis que obriguem a indústria alimentícia a identificar claramente em seus rótulos a presença de alimentos ou traços de alimentos alergênicos e alertar a sociedade sobre a importância da existência e leitura desse tipo de informação, para garantir a saúde e bem estar dos nossos filhos.
Eu sou uma das grandes defensoras desse movimento porque senti na pele o sofrimento de ter um filho com alergia alimentar e a dificuldade de encontrar alimentos realmente seguros para oferecer para ele. Ou seja, mais do simplesmente supor que o movimento é válido, eu tenho certeza de que ele se faz necessário, pois as dificuldades enfrentadas por mim e por outras mães na hora de alimentar nossos filhos não podem mais passar despercebidas.
Bom, mas para que o movimento #poenorotulo atinja seus objetivos é necessário que o maior número possível de pessoas tome parte desse “levante” e para isso acontecer nada melhor do que vocês entenderem direitinho do que ele trata, qual a sua importância e de que forma vocês podem colaborar. E para responder essas e outras questões, ninguém melhor do que uma das suas idealizadoras e coordenadoras, a advogada Cecília Cury.
Cecília é mãe de um bebê com APLV – Alergia à Proteína do Leite de Vaca, problema que o Léo também teve – e junto com outras 11 mães criou o movimento #poenorotulo.

1. Como surgiu a ideia do #poenorotulo?

O #poenorotulo é fruto da experiência de uma série de famílias de crianças alérgicas que vivenciam diariamente a dificuldade para comprar um produto no mercado: comida, produto de higiene pessoal… Horas lendo rótulos, ligando em SAC, confirmando com outras mães se a informação que o SAC passou é segura. Sem falar nas reações sem explicação aparente, que foram resultado do consumo de produtos com rotulagem insatisfatória.

2. O que vocês buscam com esse movimento?

Queremos sensibilizar e conscientizar a população para a questão da rotulagem de alérgenos, mostrar que quem tem alergia alimentar vive uma série de desafios na hora de escolher o que comer. Em nossos posts, estamos trazendo lista de ingredientes que indicam a presença de alérgenos, apontando exemplos de rótulos e as dificuldades que surgem pelo uso de nomenclaturas mais técnicas, pela ausência de informações sobre traços, além do risco de acidentes que o erro na escolha do produto pode causar.

Nosso objetivo principal é mostrar que precisamos que os rótulos de alimentos, produtos de higiene pessoal e material escolar sejam mais claros e seguros.

3. Qual a importância dele para a sociedade?

A incidência da alergia alimentar é um dado, sendo certo que os alérgenos mais comuns são: leite, soja, ovo, cereais que contém glúten, amendoim, oleaginosas, peixe e frutos do mar, alimentos típicos da dieta da maioria das pessoas, presentes em muitos dos produtos industrializados.

Em dezembro de 2013, a Organização Mundial de Alergia publicou um estudo mostrando que cerca de 10% das crianças em idade pré-escolar tem alergia alimentar comprovada. Dados indicam que a prevalência na idade adulta está em torno de 3% (se pensarmos na população adulta brasileira, mais de 4 milhões de adultos com alergia alimentar, o que significa 2 vezes a população de Paris, a população de Singapura e quase a população de Santiago do Chile).

A incidência de alergia alimentar tem aumentado ao redor do mundo de maneira acentuada. Para citar como exemplo, em 10 anos, os casos de alergia alimentar nos EUA aumentaram em 18% e os estudos apontam que os casos de alergia alimentar devem aumentar. Por essa razão, a população com alergia alimentar precisa ter informações a respeito da presença de alérgenos, a fim de evitar a ocorrência de reações, que podem, em alguns casos, levar a situações extremas, como anafilaxia.

Com a inclusão de destaque da presença de alérgenos nos rótulos, as pessoas que tem alergia alimentar e suas famílias poderão perder menos tempo lendo rótulos, terão menos medo de comprar produtos, não precisarão ficar ligando para SACs a fim de checar risco da presença de traços de alérgenos e poderão usar esse tempo para algo muito mais prazeroso. Quem vivencia o medo de comprar um produto exposto na prateleira saberá valorizar muito esse tempo!

 4. Onde as leitoras do MdM encontram mais informações a respeito?

Temos uma página no facebook na qual temos trazido algumas informações relevantes sobre a alergia alimentar, especialmente no que se refere aos ingredientes mais alergênicos, no intuito de divulgar a alergia alimentar e os desafios dela decorrentes.

5. De que forma as leitoras do MdM podem ajudar, contribuir, com o movimento?

A força do nosso movimento depende diretamente da ampla divulgação do tema nas redes sociais, na mídia, na fila do banco, na porta da escola… Sabemos que a sensibilização para a relevância de uma rotulagem mais consciente no que se refere aos alérgenos passa pela ampliação do número de pessoas com informações sobre a alergia alimentar.

Saiba mais:
Movimento #poenorotulo no Facebook: https://www.facebook.com/poenorotulo
Movimento #poenorotulo no Instagram: @poenorotulo
Leia mais sobre o movimento na mídia:
Leia mais sobre APLV aqui no blog:

4 comentários

  1. Tatiana Cali

    Muito bom !!! Sou 100% apoiadora do movimento !!!
    É incrível como as pessoas quase não valorizam este problema …. acham que é frescura. Você não imagina que eu briguei, e sério, em quase todos os restaurantes da Barra e Jacarepaguá por causa disso.
    Depois de um certo tempo, amamentando, eu me permitia sair para comer fora. Já tinha na cabeça que ou eu comeria legumes cozidos na água e sal ou apenas saladas cruas que não tivessem qualquer tempero. Levava sempre comigo um vidrinho de azeite extra-virgem para ter um gostinho. Sabe que até nisso eles implicavam !!!
    As saladas tinha que vir pelo menos com azeite !!! Só que azeite que os restaurantes usam é misto com óleo de soja. Eu devolvia o prato e dizia: “Eu quero sem tempero! Eu sou alérgica!”. Achava que era perda de tempo explicar que minha filha que mamava no peito é que era alérgica. Enfim, teve um restaurante, o Johnie Peper do Via Parque, que quando eu solicitei os legumes no vapor sem tempero e a salada sem o queijo ralado, o chefe mandou servir como de costume e quando eu chamei o garçon e disse que estava errado, que não havia sido o que pedi, o garçon me disse que o chefe mandara dizer que ninguém iria interferir no tempero do prato dele. É mole ?!!!
    Mandei devolver todos os pratos e fui embora tamanha falta de respeito. Como assim ?!!! Eu falei que era um questão de alergia. Mas mesmo se não fosse, eu não teria o direito de solicitar mais ou menos de um tempero ?!!! Fala sério !!!
    Há que se ter leis mais duras e mais rigorosas com as rotulagens. Nem mesmo os SACs sabem nos informar adequadamente.
    #POENOROTULO !!!!

  2. Elisa

    Shirley, tá impossível de comentar! Quando a pégina atualiza perco tudo que já escrevi.

  3. Elisa

    Resumidinho (pra página nao atualizar), Meu filho tem APLV com reacao imediata (foi na pele – urticária, mas a próxima pode ser pior). Enfim, moro na Alemanha e aqui tem no rótulo inclusive o “pode conter tracos”. É ótimo!
    No Brasil fico morrendo de medo.

  4. Elisa

    Voltando. Meu filho tem dermatite atópica que provavelmente tem alguma relacao com a APLV e no Brasil sempre piora. Ou seja, mesmo cuidando muito provavelmente ele entra em contato com tracos de leite que, ainda bem, nao sao suficientes para desencadear a reacao imediata, mas pioram a dermatite.
    De qualquer forma andamos sempre com remédio para emergência e ele tem outro na creche.
    Pelo menos dos problemas intestinais fomos poupados.
    Bjs e ando apavorada de fazer o teste (no Hospital) em alguns meses.

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