Família moderna – relato de uma mãe de coração

Hoje, trago um post diferente, escrito não por uma mãe, mas por uma “boadrasta”. A Miriam, minha amiga do coração e sócia no projeto das Sapatilhas Mãe & Filha Macetes de Mãe, fala da experiência de ser mãe de coração da Duda, sua enteada de 16 anos.

Acho bacana trazer esse tipo de experiência aqui no blog porque hoje encontramos os mais diversos arranjos em se tratando de famílias e esse, em que um cônjuge “adota” o filho do outro, não é nem um pouco incomum.

Bom, com vocês, a visão da Mi sobre essa experiência mais do que especial.

Família Moderna,

Por Miriam Magalhães

Lendo os posts da Shi, com toda a sua lucidez e sinceridade falando sobre a maternidade, fico pensando que se tivesse passado por uma gestação seria igualzinha. Mas a questão é que não passei por essa fase, não tive as dores do parto, não fiquei acordada à noite, não fui ao pediatra, dentre tantas outras coisas, porém, me sinto meio mãe.

Quando conheci o Nando, uma das primeiras coisas que ele me disse foi “tenho uma filha de 14 anos”, como quem diz a “A Melissinha vem com a pochetinha” (Risos). E ele sempre se preocupou muito com o nosso primeiro contato,  em como iria nos apresentar, pois não sabia como seria minha reação e, principalmente, como seria a reação da sua garotinha.

Primeiro ele conversou com a filha sobre mim. Deu voltas e voltas até que ela disse “pai, eu sei que você está namorando” e ele confirmou. Os dois se abraçaram e choraram juntos, pois ele estava muito apreensivo e nervoso com a reação da Duda e ao receber sua “aprovação” pode então tirar o peso enorme que carregava sobre seus ombros.

Foi então que, num final de semana, ele levou a filha ao meu apartamento pra me conhecer. Nunca vou me esquecer daquele dia, a Dudinha me trouxe bombons e fomos apresentadas. Saímos para jantar e o Nando ficava puxando assunto pra cá e pra lá e nós duas só nos analisando.  Hoje percebo como somos parecidas, não chegamos chegando, primeiro reconhecemos o terreno para depois nos expormos. Somos muito parecidas, somos críticas, sinceras e diretas, então não demorou muito pra nos reconhecermos.

Sempre soube de todo o sofrimento e rejeição que minha mãe passou em sua infância, pois minha avó faleceu quando minha mãe tinha apenas 7 anos de idade e meu avô com cinco filhos resolveu se casar de novo. Minha mãe teve uma legítima MÁdrasta. Esta sempre dava preferência à sua prole, deixando de lado os filhos do primeiro casamento do meu avô. Não entrarei em detalhes, mas a situação se parecia com aqueles desenhos onde as madastras nos causam horror. Foi então que tomei todo o exemplo vivido por minha mãe e fiz o contrário.

Nunca na minha vida me imaginei como madrasta. E agora eu era madastra de uma garota de 14 anos. Com o tempo fui aprendendo a me tornar uma stepmother (eu prefiro o termo em Inglês, pois pra mim soa melhor). Aprendi que a Duda não é minha filha, mas ela precisa de mim como se eu fosse sua mãe.

Nando e eu sempre conversamos sobre a ela, trocamos idéias sobre como ajudá-la, ensiná-la e incentivá-la. Ele é muito brincalhão com tudo, então eu com meu jeitinho ariano de ser, ajudo-o a ser um pai ainda mais maravilhoso, pois tem hora de brincar, mas também tem hora de falar sério.

É lindo vê-los juntos. Eles vivem se beijando, abraçando e brincando. Ela pula na nossa cama e amassa ele, principalmente se ele estiver com sono. Ahahaha.

Hoje, com seus 16 anos cheios de vida e expectativas, Duda e eu dividimos não só o amor do Nando, mas muito mais que isso e, com minha experiência, posso ajudá-la em muitas coisas.

Namorar nessa fase é uma delícia e juntas já demos boas risadas conversando sobre “ficar”.

É engraçado como as histórias se repetem. E um exemplo disso é o primeiro amor, que na maioria das vezes é difícil e complicado e passar por essa experiência é necessário e nos fortalece. A gente acha que vai morrer se aquela pessoa não retribuir todo amor que sentimos (ou achamos que sentimos), mas com o passar do tempo aprendemos a valorizar aqueles que nos valorizam. Conversamos bastante sobre isso e, graças a Deus, ela pulou essa fase do jogo. Peço a Deus que Ele coloque uma pessoa maravilhosa no caminho dela e que não demore tanto quanto demorou pra mim, até encontrar o pai dela..

Outro momento em que tento ajudar é na hora das decisões importantes. Gente, escolher a profissão aos 16/17 anos é uma das coisas mais difíceis da vida, por isso, tento aconselhá-la a escolher aquilo que desperte a sua paixão e que lhe dê prazer. Tudo bem, ela já foi de comissária de bordo à educação física, hoje ela pensa em quiropraxia, até terminar o ensino médio terá pensando em mais outras 10 opções, mas seja qual for sua escolha iremos incentivá-la e apoiá-la.

Assim como eu, existem milhares de stepmother por aí e isso faz parte das famílias modernas. No meu caso, somos só nos três, mas em muitas famílias de hoje há a união de casais com filhos de ambos os lados, onde são 2 + 1 meu + 2 seus e por aí vai. Assim, temos que aprender a conviver com as diferenças e nos adaptar ao novo, mas o preceito permanece o mesmo: AMOR é a base de tudo!!!

Resolvi escrever isso para dizer o quanto amo o Nando e Duda. Hoje somos uma família diferente, mas real.

E não é porque não gerei que meu amor seja menor ou maior, simplesmente é diferente. E muito verdadeiro.

 

mi_e_dudaMiriam, 37 anos, é empresária e mãe de coração da Duda, estudante de 16 anos. Por meio do pai da Duda elas se conheceram e se reconheceram e hoje tem uma relação que vai além da de madrasta – enteada. Elas são amigas e companheiras e formam juntas mais um exemplo das já tradicionais famílias modernas.

 

6 comentários

  1. ana maria

    Linda a historia. Tb tenho uma mae de coraçao q me adotou aos 12 anos qdo a minha mae morreu e meu pai se casou de nvo. Somos bem parecidas e tdos os dias agradeço a Deus por ter colocado ela em meu caminho. Ganhei duas irmas que amo mto. E ela ganhou dois netinhos que ela ama de paixao ainda mais qdo chamam ela de vovo. Ela e a minha maezinha de coraçao..amo mto ela.

  2. Ana Carolina

    Tenho 27 anos, e também tenho uma “boadrasta”, por sinal ela faz parte da minha vida desde meu primeiro ano de vida, ela é minha MÃE, tenho contato com minha mãe biológica, mais quem faz parte da minha vida é a BOADRASTA!! kkkk… Hoje depois de ser mãe, penso na nobreza de me tornar sua filha e defender com unhas e dentes! Admiro todas essas mulheres que mesmo não nos gerando, tem um sentimento infinito por nós, filhas postiças!

  3. Aline

    Lundo relato!

  4. Tati Dantas

    Eu também sou BOAdrasta… e me orgulho muito do meu título de nobreza.

    É claro que ninguém sonha em formar uma família assim… com os filhos de outro casamento, mas as vezes… por ironia ou não do destino… acontece.

    Meu enteado, Rodrigo, hoje está com 8 anos e nos aproximamos graças à minha paixão por desenhos animados.

    Brincamos muito sobre o modelo de MÁdrasta dos desenhos animados e nos divertimos com isso… mas também falamos sério quando o assunto é MÁdrasta da vida real, como essas que batem e até matam as crianças.

    Hoje somos muito próximos, trocamos confidências, carinhos e aprendemos juntos a compartilhar o pai dele também.

    Somos uma família bem diferente do modelo tradicional e quando eu paro pra pensar sobre como teria sido se eu tivesse ido pelo caminho normal (engravidar), cada vez mais eu tenho certeza de que Deus existe… e eu, com certeza, não teria feito uma escolha melhor do que a d’Ele pra minha vida.

  5. Ana

    Achei muito bacana o relato, mas gostaria de expor um outro lado: quando a mãe biológica da criança interfere a ponto de talhar toda e qualquer relação no caminho.
    Quando conheci meu “namorido” ele tinha um filho de dois anos de idade. Eu era super nova, e naquela época o instinto maternal aflorou: adotei meu enteado, e como a guarda dele é compartilhada, convivo muito com ele (metade da semana, especificamente). Nos dávamos super bem, a ponto dele preferir ficar com a gente.
    Após um certo tempo, iniciamos nossa família e tivemos filhos. A relação inicialmente foi a mesma coisa: meu enteado amava a irmazinha e eles conviviam super bem. Quando estava grávida do meu segundo filho, parece que caiu a ficha para a mãe dele que a historia minha e de meu marido era sólida: e ali o inferno começou. Desde sempre, quis que o meu enteado tivesse acesso à tudo aquilo que meus filhos teriam: escola, cursos, educação, passeios, atenção. Depois da minha segunda gravidez, ela passou a vetar toda e qualquer iniciativa que viesse de mim: se eu dava um tênis, não prestava, se colocava em um curso depois de um tempo boicotava e tirava o menino, chegou ao ponto dela quase proibir o menino de viajar para a disney com a gente (que era o maior sonho dele) por conta de pirraça.
    Hoje a situação é super delicada: ela usa o menino, que está com 10 anos, para me atingir e me atacar. Apesar dele ser um garoto super doce e educado, tem seus acessos em que ressalta o que a mae dele fala ou faz sobre mim.
    Acho uma benção quando conseguimos equilibrar essa tríade de relações que já tem filhos, mas é necessário uma maturidade grande de todos os lados para levar a coisa numa boa.
    Parabéns pelo seu relato! Admiro a história ainda mais por saber e viver essa relação complexa de novos lares formados!
    Abs

  6. Vanessa Pires

    Adorei esta matéria!!! Sou mãe do coração há 4 anos e eles são como meus filhos.

    Curtam a página BOADRASTA no face, o qual administro. Gostaria muito de compartilharmos nossas experiências.

    https://www.facebook.com/pages/Boadrasta/433648820103703

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