A fase dos “terrible two”

Até eu ter filhos, eu nunca tinha ouvido falar da famosa expressão “terrible two”, que tem por objetivo identificar a difícil fase de crianças em torno de dois anos de idade.

Mas assim que o Leo nasceu, e que fui lendo a respeito de criação, comportamento e desenvolvimento, já fui me preparando para o que estava por vir.

Na verdade, como o Leo sempre foi temperamental, de não fazer o que não quer, de reclamar e botar a boca no trombone, eu, com toda a inocência que me é peculiar, fui levada a crer que ele já vivia um eterno terrible two e que, assim que chegasse os dois anos de idade, muito pouca coisa mudaria.

terrible two

Photo Credit: Ed from Ohio via Compfight cc

Ledo engano. É claro que o comportamento do Leo piorou. É claro que ele também entrou nos “terrible two” e que as coisas, que já eram trabalhosas, vamos assim dizer, se tornaram um pouquinho mais complicadas.

Não posso dizer que o Leo virou outra criança, como eu disse, ele sempre teve uma personalidade forte, mas ele se tornou mais teimoso e há momentos em que tenho que usar de muita psicologia ou muita paciência para dar conta do recado.

Mas afinal, como está sendo o “terrible two” por aqui?

Leo ainda não deu aqueles shows de se jogar no chão, bater a cabeça, rodar a baiana para valer (e espero, de todo coração, que ele nunca venha a fazer isso), mas já tive que desistir de levá-lo ao shopping e ao supermercado (leia uma história que já contei sobre isso aqui), pois os shows lá foram tão grandes (gritos e choro) que eu jurei que nunca mais me arriscaria nessa aventura (e eu cumpro o que prometo).

Além disso, ele tem brigado mais na hora de trocar fralda (sim, ainda não desfraldamos), tomar remédio, entrar ou sair do banho. Coisas que antes fazia com tranquilidade, agora dá piti quando tem que fazer.

Outro ponto que o bicho pega é quando ele quer algo e é contrariado. Jesus do céu! A casa cai. Ele grita, chora, faz drama, faz birra, e quer por que quer que a sua vontade seja atendida. E claro que, como já disse não, eu não cedo, e aí o negócio complica.

Basicamente, lembro desses três momentos em que o Leo tem mostrado mais forte o seu lado “terrible two” e aí temos nos virado nos 30 para dar conta do recado sem grandes traumas para ambas as partes.

E como temos lidado com tudo isso?

Em cada momento, uso uma estratégia diferente. A primeira delas é baixar à altura do Leo, conversar, explicar o motivo daquilo estar sendo feito ou não estar sendo feito e tentar convencê-lo a se acalmar. Ou então, quando não sei exatamente o motivo da birra, é conversar com ele para entender o que ele quer. Muitas vezes, o piti é porque ele quer algo e não consegue explicar o que quer, e se conseguimos ajudá-lo a se comunicar ele se acalma (como a vez em que ele queria um brinquedo que estava dentro do armário e não conseguia explicar dirieto o que era. Perguntando daqui e perguntando dali entendemos a sua necessidade, ela foi atendida – porque podia ser atendida- e tudo correu bem).

Ou seja, se essas duas estratégias forem testadas e e surtir efeito, ótimo. Problema resolvido. Mas se nada disso der certo (o diálogo), parto para outras duas opções. A primeira delas é mudar o foco. Parar o diálogo (ou monólogo, melhor dizendo) de convencimento e começar outro assunto, mostrar outra coisa, levá-lo pra outro ambiente, sempre mostrando alguma coisa divertida, criativa, que ele curta e atraia mesmo a atenção dele. Se ainda assim o piti e a birra continuarem, aí o jeito é dar um tempo para ele. Como diz uma amiga minha, psicóloga, nessas horas, a gente também não pode dar muito Ibope. Tem que conversar, explicar, tratar com respeito (ou então tentar mudar o foco,) mas se nada disso adiantar, temos que parar de reforçar aquele comportamento negativo. Ou seja, se tudo que fizemos não deu certo, a criança não se acalmou, não adianta ficar insistindo nisso, dando atenção infinda. Tem é que deixá-la um pouco sozinha (deixando claro que toda a explicação já foi dada, aquilo que ela quer não pode ser feito e que o papai e a mamãe estão por perto caso ela precise) para se acalmar por si só.

Nessa hora, em que se deixa a criança sozinha, ela não pode se sentir abandona. Ela tem que perceber que o pai/mãe não vão mais insistir naquele assunto, mas que eles estão por ali, que ela não foi deixada só para lidar com o seu problema. Muitas vezes já recorri a essa última opção, como no caso em que o Leo deu um piti no mercado (história contada aqui) e garanto para vocês que apesar da vergonha que passei, funcionou.

Mas por que a criança dá esses shows na fase do “terrible two”?

Principalmente porque, nessa idade, seu entendimento do mundo e das coisas já está mais desenvolvido, mais complexo, e aí ele percebe que pode ter acesso a algumas coisas, mas não consegue expressar isso ou tem a sua vontade não atendida. Isso, o não, para uma criança que ainda acha que é o centro do universo, que tudo gira em torno dela e tudo ela pode (comum nessa fase, não é só mimo), é o fim! Ela não consegue entender porque ela não pode isso ou aquilo e aí entra em “surto”. Ou surta porque quer algo e não consegue expressar o que quer.

Por isso que o diálogo, ou pelo menos uma tentativa de dialogar, é a melhor opção nessas horas. E aí, se não funcionar, o jeito é recorrer à mudança de foco, seja mostrando alguma outra coisa, mudando de ambiente, ou até deixando a criança um pouco sozinha para se acalmar (com os pais por perto, mas sem ficar todo o tempo perguntando e tentando resolver o problema).

Eu não sou psicóloga, mas li bastante coisa a respeito e tenho conversado sobre o tema com outras psicólogas. Juntando tudo que vi, ouvi e li, cheguei a essas conclusões que coloquei hoje aqui.

Garantia de sucesso em 100% das vezes é claro que não temos, mas, pelo menos, a gente vai sobrevimento sem traumas, sem ter uma mãe/pai sempre gritando, sempre perdendo a paciência, sempre achando que é birra e pronto.

E para fechar esse texto, já beeeem longo, lembro que para essa fase o melhor de tudo é paciência e conversa. E a certeza que, com o tempo, as coisas melhoram.

Leia um texto sobre birras já publicado aqui no blog, na coluna Psicologia. Vale à pena.

18 comentários

  1. Regiane

    Adorei as dicas, estou passando por essa fase com o meu pequeno,
    e vou te falar que nao eh fácil conter as vontades dele.
    Quer porque quer e pronto.
    Mas vou colocar em pratica essas dicas.
    Bjs

  2. Jéssica Salvador

    Alguém sabe se tem o “terrible six” ?? Não passei pelo “terrible two”,
    mas o 6 eu estou passando e ta difícil :(

  3. Glaucia

    Olá, estou terminando de ler “A criança mais feliz do pedaço” pra mim foi tão esclarecedor que indico pra todomundo.
    Estou usando as técnicas ensinadas no livro e melhorou muuuuito o nível das birras aqui em casa… super indico…

  4. Nagela Cardoso

    Shi, amei este post, mas tenho que fazer um desabafo!
    Eu assim como você, leio, compartilho, estudo todas as fazes comportamentais do Gu, lido muito bem com isso e sou muuuuito paciente com ele, porque entendo todas as fazes e dificuldades que acompanha cada pico de crescimento, mas…..maridão, por mais que eu mande textos, explique, brigue, ele não entende, acha que por ser o pai, é autoridade máxima sobre, ele e quando o Gu da um show, ele se “descontrola” junto, perde a paciência, grita mais alto para ele tentar entender e é sabido que não é por este lado que as coisas se ajeitam! Fico bem triste e lamento por esta atitude do meu marido pois, sei que ele faz por amor, mas não é o correto e isso só o afastará do Gu.
    Como é na sua casa? Faz um post sobre Terrible Two x papais! Pra eles, lidar com isso é bem mais difícil, pois compartilhando com outras amigas este fato, vejo que não é só lá em casa. Para as outras leitoras, como é na casa de vcs?

    1. Daniela

      Nagela, agora que eu vi que seu post é do ano passado…. mas só vi agora! Acontece que estou vivendo exatamente esse momento agora – filha de 3 anos tendo crises de birra, e o marido estourando e querendo mostrar autoridade… posso saber o que vc fez? Alguma estratégia, alguma dica??? :)

  5. Gracieli

    Concordo com o terrible six… Rsssss
    Vou enlouquecer! Além de tudo minha filha é super teatral… Até o jeito dela correr com o antebraço colado no rosto é bem caricata… Fico louca!

    Mas aos dois anos ela também deu trabalho… Eu achava que não daria conta… Uma impaciência e irritabilidade que eram inacreditáveis para uma criança tão pequena. Ela nunca imitou “reloginho” numa birra, mas mostrava uma inquietação fora do normal com tudo que queria dizer ou pedir. Eu ligava pra minha mãe em pânico (minha mãe é aquele ser que criou duas filhas, a casa SEMPRE estava arrumada, a roupa jamais acumulou, nunca dirigiu, fazia tudo de ônibus, íamos a qualquer lugar com ela, tinha a paciência de usar ônibus, guarda-chuva, criança e mochila num único passeio, e eu não me lembro de queixas ou irritação da parte dela, o que me faz sentir ainda mais frustração como mae).

    Agora encargo o desafio de um bebê de 9 meses, uma filha de 6 anos, um ex-marido, um marido, uma enteada de 9 anos e ex-mulher… Acho que se eu sobreviver, volto para contar! Kkkkkk

    1. ro

      Gracieli, e como sua mãe lidava com isso? Que dicas ela te dá? Fiquei curiosa…Minha filha faz como a sua fazia..fico quase louca.

  6. Gracieli

    *encaro

  7. Anna Gabriela

    Concordo plenamente essa fase é horrível, não meu caso já tentei de tudo. Já conversei, coloquei de castigo e nada adiantou, o pior é que o Pedro grita quer bater e jogar as coisas no chão. O que tiver na mão dele ou na frente dele ele joga, e pra piorar ele fica muito nervoso isso é visível.. Se joga no chão na rua. Eu já não sei o que fazer e com isso eu me sinto a pior mãe do mundo,como seu eu não soubesse criar e educar meu filho. Me e indicaram um livro : Já tentei de tudo…. Vamos ver se resolve porque é de enlouquecer e realmente na rua as pessoas olham como se a gente fosse um monstro.

  8. Libna Gonçalves

    Estou passando por isso. Meu Leo tb tem a personalidade forte, além de ser super independente. Mas tb procuro sempre o caminho do diálogo. Funciona. E qd a birra está muito braba deixo que ele fique um tempo sozinho pra se acalmar. É difícil, da trabalho mas tenho percebido que nossas conversas surtem efeito. Beijos

  9. Laryssa

    Meu filho passou pelos 2 anos com poucas mudanças, e eu achando que já haviamos superado a fase dos terrible two, com alguns episodios de “birra” bem gerenciados. Porém, agora, com 2 anos e 6 meses, prestes a ganhar uma irmã, ele começou a fazer tudo isso ai.Tarefas corriqueiras do dia a dia coo tomar banho , trocar fralda, trocar de roupas viraram um drama mexicano. Juro, eu achei que meu filho estava com algum problema mental, pq não é possivel, ele sempre foi aqueles bebes bonzinhos, tanto que não demorou muito pra eu engravidar de novo. De repente me senti sem chão,como se estivessemos fazendo algo errado. Meu marido que está tendo que lidar mais no corpo a corpo com ele por causa do fim da gravidez, está esgotado, fisica e psicologicamente. Acho que não esperávamos por isso. O post me ajudou,muito obrigada, mas estou com medo, de não conseguir lidar com isso de uma forma amorosa mas firme. É muito dificil combinar essas duas coisas.

  10. Luciana

    Gente que bom saber que não é só comigo que isso acontece! Tenho uma filha, Isabella de 1 ano e 8 meses! Ela sempre foi mais temperamental… mas agora esta pior! As vezes penso duas vezes antes de levar ela ao mercado ou na feira, mas também penso que ela tem que apreender a se comportar em publico! Alem dela não ficar de jeito nenhum no meu colo, ela corre em disparada que se eu me distraio um minuto, perco minha filha. Fomos a um aniversario esse fim de semana e ela queria porque queria mexer na mesa de doces…quando ia pegar ela, ela saia correndo! Tinha a sensação que todos estavam me olhando e pensando “coitada dessa mãe”. E parecia que todas as outras crianças estavam sentadas comportadas ao lado dos pais. Já pensei ate em não levar mais ela em festa alguma…ate que melhore de comportamento! Para mim a maternidade é algo lindo, amo minha filha mais que tudo mas não tenho vontade de ter outro filho. Acho que idealizei tanto que ela seria calma, comportada e obediente… Alguma mãe que passou por isso e depois de um tempo o filho melhorou?

  11. Sarah Barros

    O diálogo também é minha primeira opção é quando ela está gritando eu falo bem baixinho, aí ela para de gritar pq não está conseguindo me ouvir e eu vou fazendo um discurso de político cheio de rodeios…. Ela vai fazendo cara de hein? E esquece ou desiste do motivo da birra….
    Difícil é não dar risada e manter a pose séria

  12. Alice

    Pior é quando junto de tudo isso, vem uma irmãzinha… Minha filha mais velha tinha 1 ano e 11 meses quando nasceu a irmã.. Hj minha bebê tem 4 meses. Eu tenho me sentido a pior mãe do mundo com a minha mais velha.. Muitas vezes perdi o controle, xinguei, gritei… Acho que só sobrevivi porque meu marido saiu do emprego pra me ajudar.. Ele é bem mais calmo do que eu.. hoje, quando vejo que vou perder o controle, eu chamo meu marido… E desde que eu engravidei da menor, a maior só me quer, não aceita o pai….E ela voltar a acordar no meio da noite, coisa que não fazia desde 1 ano e 4 meses… Mas eu estou sobrevivendo, graças à força do meu marido…

    1. Luana

      Alice estou passando por uma situação muito semelhante à sua. Munha filha sempre foi boazinha, como qualquer outra criança tinha os “momentos” dela… recentemente descobrimos que estamos gravidos, e são gêmeos! Não sei dizer se a Isa está ansiosa, se sente algo em relação à isso… (está com 2 anos). O que acontece é que ela anda respondona, desobediente, grita pra tudo, senão chora para tudo… qdo tem suas crises joga tudo no chão eu sinceramente não sei mais oq fazer! Não sei mais de onde tirar paciência :( vc está conseguindo lidar bem com isso? Já já os bebês chegam O que será de mim???

  13. Carla

    Sempre que posso leio seu blog! No ultimo ano, tive pouco tempo para ler, pq tive q agir mais… Porem acho q nao estou no caminho certo… Meu filho esta com 2 anos e qse 3 meses…. Estou passando pelo Terrible Two desde q fez 2! Mtas vezes preciso que meu filho obedeça na hora, pq td tem sua hora, p comer p sair, ou dormir, tomar o remedio… Nao eh facil… e me sinto desafiada por ele o tempo todo… Eu sei que ele me entende… mas ainda nao fala nada… oq é pior!! Somente silabas (dodo – para pessoas, xixi e coco, papi – para Peppa, Am-Am – para comer, Mam Mam – mamar LM. Vou tentar seguir suas dicas, de conversar a altura, ou distrair, ou me afastar… Qdo me afasto ou deixo de castigo na “cadeirinha” funciona”… Claro que o castigo é por 2 min…

  14. Paloma

    Nossa meu filho fará 2 anos agora dia 8 de Maio, e se comporta exatamente dessa maneira, basta falar: Bryan, não pode ou Bryan sai dai. Que o mundo acaba pra ele, chora que dá até vontade de chorar junto. Sempre mudo o foco e da certo, mas nunca consigo conversa, sempre quando tento ele tenta me bater, se joga no chão…
    Já teve vezes que eu sento e fico, deixo ele. Mas ai que a raiva dele aumenta mais, não sei poq, mas ele começa a jogar as coisas na gente, quer bater, quebrar tudo 😢😢
    Muitas vezes não sei como lidar com isso.

  15. Ariane Laira

    Aqui minha Laura está nessa fase, ela sempre teve temperamento forte mas agora tá tendo mesmo…suas dicas serão colocadas em prática! Obrigada!

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