A maternidade e a terapia

Nem contei para vocês ainda, mas voltei a fazer terapia. Eu fiz há alguns anos. Fiz por tempo ao e aí interrompi quando fui morar fora do país. Quando retornei, não retomei as sessões e o tempo passou. Quando tive o Leo e não consegui amamentá-lo como gostaria, entrei em estado de choque, e fiquei tão mal que tive certeza de que um dia teria que tratar esse “trauma”.

Mas nada como um dia após o outro. Aquele meu desespero e tristeza por não ter amamentado meu filho como estava nos planos se dissipou e a necessidade de tratar esse “problema” foi embora.

Mas, de uns meses para cá, comecei a me sentir muito inquieta. Inquieta, irritada, estressada e impaciente. Muitas vezes bem mal humorada. E aí percebi que havia algo errado. Poxa, sou do tipo de pessoa que não tem por que reclamar da vida. E reclamo. Tenho uma família linda e saudável, um marido bacana, uma casa que eu adoro e o trabalho dos meus sonhos (fora amigos especiais, várias realizações pessoais, entre outros) . Nesse contexto todo, o que mais uma pessoa poderia querer da vida? Por que tanta irritação e, muitas vezes, frustração? O que poderia haver de errado?

Resolvi ouvir o conselho de uma amiga e levar a cabo aquilo que eu já vinha pensando há meses: resolvi retornar à terapia.

Voltei à minha antiga psicóloga, que já conhecia todo meu histórico e havia, na minha opinião, conseguido grandes feitos no período de um ano em que me tratou, e assim comecei a minha segunda fase de “tratamento”.

Quando lá cheguei, coloquei a realidade dos fatos. Falei que, na verdade, não havia um problema específico que havia me levado até lá e que o que mais andava me incomodando era o fato de eu ter praticamente tudo que esperava da vida e, mesmo assim, em muitos momentos, me sentir insatisfeita, como se alguma coisa estivesse faltando.

Além disse, falei que queria começar a colocar as coisas no lugar. Eu tinha tido um filho há dois anos, tinha passado pela experiência mais transformadora da minha vida e sentia que, algumas coisas precisavam sim serem colocadas no seu lugar. Sentia que a chegada do Leo, de alguma forma, havia me afastado um pouco de mim mesma (tanta dedicação ao filho, tão pouca a mim), tinha interferido em questões que sempre foram muito importantes para mim (como a questão da liberdade, por exemplo), e, em alguns momentos, tinha botado a minha vida de pernas para o ar e eu não sabia exatamente como organizá-la de novo.

Ah, e além disso, comentei que estava pensando em engravidar novamente e que queria me preparar melhor, psicologicamente, para a chegada desse segundo filho. Que, da primeira vez, passei a gravidez toda trabalhando a parte prática de ser mãe (lendo centenas de livros com milhares de dicas), mas muito pouco para a parte emocional dessa intensa aventura. Disse que, para mim, era muito importante discutir profundamente as mudanças e interferências da maternidade na minha vida, para entender melhor o que estou vivendo e me tornar a melhor mãe que posso ser para os meus filhos.

Enfim, foi mais ou menos isso que falei para a minha terapeuta no nosso primeiro encontro e, já no segundo, uma semana depois, dei a notícia de que estava grávida.

Acho que minha intuição, já mais exacerbada por estar grávida, me fez voltar ao consultório da minha antiga terapeuta. Me fez ter vontade de colocar algumas coisas no lugar antes de eu me tornar mãe pela segunda vez. E agora, aqui estou eu, fazendo terapia para, principalmente, discutir as mudanças que a maternidade trouxe à minha vida e tentar entender de onde vem essa minha tendência tão profunda à insatisfação, a achar que sempre está faltando algo e a não conseguir desacelerar, parar, reduzir o ritmo (dentre outras coisas).

Com certeza, trarei muitos aprendizados dessas sessões para cá, para o blog, e compartilharei com vocês ricos insights. Na verdade, já estou com uma listinha de posts na cabeça, com muitos assuntos prontinhos para sairem do forno e acho que vocês vão curtir.

E aí, quem de vocês também faz terapia, faz análise, tenta se conhecer e se tender um pouco melhor? E isso ajudou-as a se tornarem mães melhores também? Compartilhem as suas experiências que eu e outras leitoras agradecemos de coração a colaboração.

21 comentários

  1. Marcela

    Olá!

    Eu! Nunca achei que a maternidade me afloraria esse lado B tão rapidamente. Logo que minha princesa nasceu, nasceu tb uma infinita culpa por algo que não sei o que é, uma irritabilidade sem tamanho com todos a minha volta e, um sentimento de refém de toda essa situação. Ainda estou na quarta sessão, mas já posso dizer que estou melhorando mto! Boa sorte e parabéns pelo bb!

  2. Ana Carolina

    Olá, Shirley! Ainda não sou mamãe, mas, sobre este assunto, posso colaborar!
    Uns meses depois de decidir engravidar, mas antes de começar a tentar, efetivamente, percebi que precisava de terapia! Rsrs Precisava colocar alguns pingos em alguns “is” antes de me jogar de cabeça na aventura da maternidade… E, vou te falar, está sendo incrível! Estou me descobrindo, entendendo o motivo de tanta angústia… Hoje eu vejo que tenho condições de ser uma mãe melhor do que poderia ter sido caso não tivesse procurado o “tratamento”.
    Também estou me cercando de aprendizados com relação à vida prática de uma mãe, é claro! Acompanhar o teu blog é prova disso! Rsrsrs
    Obrigada por compartilhar tantas experiências!
    PS.: ansiosa pela palestra de hoje!!

  3. Alessandra

    Olá, tudo bem? Sempre leio seu blog e te sigo no Instagram mas nunca comentei. Resolvi comentar hoje porque me identifiquei com seu post de hoje. Sou mãe de primeira viagem, meu bebê completou 3 meses hoje, inclusive, eu também tenho vários momentos de insatisfação e fico reclamando de coisas banais. E é como você disse: tenho um marido muito bom e meu filho é saudável e bonzinho! E sinto também que a falta de liberdade que estou vivendo agora era algo que eu não imaginava. Estou cuidando dele sozinha e ele está numa fase desde o 1o mês que só quer ficar no colo, então não consigo fazer quase nada sem ele. Sou um pouco neurótica com limpeza e minha casa não está limpa do jeito que gosto e isso me incomoda demais! Consigo tomar banho somente a noite quando meu marido chega e o banho tem que ser bem rápido porque meu filho está mamando de hora em hora!
    Fico de mal humor freqüentemente e meu marido sente muito isso! Ele reclama de mim! Fico mal e me perguntando por que estou assim! Será cansaço, exaustão?! Não sei se tenho tempo pra terapia, mas se essa situação piorar, terei que arranjar tempo pra mim. Vou te acompanhar ainda mais agora, porque sei que de uma forma ou de outra pode me ajudar! Beijo!

    1. Shirley Hilgert

      Alessandra, seu bebê ainda é novinho. Três meses é pouco tempo para a gente conseguir colocar as coisas em ordem. Eu digo que levei um ano para conseguir normalizar as coisas um pouco. Mas se sentir que a terapia vai ajudar e se conseguir um tempinho na sua agenda, super indico. É ÓTIMO! BJS

    2. Amanda

      Também passei pela mesma situação!
      Na época, o meu companheiro não me ajudava muito e me cobrava a mesma atenção que eu dava para o bebê, e por conta dessa falta, ele se tornou agressivo. Comecei a fazer terapia quando o meu bebê tinha 3 meses (hoje ele tem 9). Muita coisa mudou e com certeza é incrível como a visão da gente pra muita coisa também muda!
      Sou mãe de primeira viagem, era super insegura (ainda sou), com uma série de coisas, mas a terapia me ajuda a viver a vida a um passo de cada vez e a não querer abraçar o mundo sem antes poensar no bem estar dos meus.

  4. Luciana

    Antes de mesmo de ter filho eu dizia que seria bom engravidar e entrar na terapia. Pode parecer clichê, mas a maternidade é mesmo um turbilhão de emoções. Minha Alice está com 7 meses. Retomei o trabalho agora e estou lutando pra ajeitar a rotina e conseguir um tempinho pra terapia. Me sinto um pouco como você: tão feliz, mas meio desajustada… Precisando me equilibrar, pra poder me doar melhor e conseguir curtir as coisas maravilhosas que a vida me proporciona!
    Muito bacana o seu post! Tantas vezes sentimos que ninguém nos entende, que ninguém entende a proporção do que estamos passando (nem mesmo as pessoas mais próximas) e é muito bom compartilhar isso de alguma forma!
    beijo!

  5. Lígia Coimbra

    Oi Shirley! Admiro sua espontaneidade e a forma de ir direto ao ponto, nos assuntos que aborda!! Me identifico muito! Rsrsrs Como mãe de três, sei e entendo exatamente o que vc disse estar sentindo… um afastamento de si mesma, uma privação da sua liberdade,uma inquietação infundada… Na minha opinião, o que pega é que, a Maternidade é muito intensa, nos traz sentimentos novos e incríveis, mas… nos tira muitas coisas também!! Perdemos “direitos” básicos como privacidade para usar o banheiro, tomar um banho gostoso, comer qdo temos fome, namorar qdo tivermos vontade, unhas e cabelos aceitáveis(rsrsrs)!!E, junto vem uma culpa que nos paralisa!! Demora um tempo até conseguirmos nos encaixar nesse terremoto do primeiro filho!! Vida pessoal, íntima, profissional, familiar… Mas, fique tranquila, com o segundo é tudo muito mais fácil!! São caminhos emocionais tão intensos e maravilhosos qto , mas , não são mais inéditos!!Nos sentimos mais seguras… Eu demorei um pouco mais para procurar a terapia, mas foi uma escolha maravilhosa! Entendi que quanto mais completa e inteira eu estiver, melhor mãe eu serei!! Siga em frente e conte com a gente!!bjo grande

    1. Shirley Hilgert

      LÍGIA! AMEI SUAS PALAVRAS. VC ENTENDEU DIREITINHO O QUE EU QUIS DIZER. QUE BOM! E OBRIGADA PELA FORÇA! BJS

  6. Fabrina Dutra

    Eu tive síndrome do pânico dois meses antes de engravidar. Engravidei e não podia continuar com a medicação, fiquei fazendo acompanhamento psicológico durante a gestação. Depois que minha filha nasceu, queria muito amamentar ela por pelo menos 6 meses, mas não foi possível pq quando ela tinha 5 meses eu tive uma pequena crise e tive que retomar os medicamentos e tive que parar de amamentar. Foi horrível, hoje ela tá com 9 meses e esse assunto não tá resolvido resolvido pra mim. É muito frustante. Como eu moro em uma cidade e minha família em outra não dá pra continuar com as consultas, mas assim que possível pretendo retomar. É muito bom.!!!

  7. Nívea

    Olá Shirley! Adorei seu post. Me identifiquei demais. Me sinto exatamente assim, tenho a “vida perfeita”, mas constantemente irritada e de mau humor. A falta de liberdade me incomoda bastante, mas o que me enlouquece é a exaustão! O trabalho não acaba nunca!!! As cobranças, as culpas, as exigências….
    Tenho 2 filhas, 10 e 3 anos. E tenho que rebolar para dar conta dessa diferença.
    A de 10 agora foi para terapia, mas com certeza quem precisa sou eu. Vou fazer junto para melhorar a todos lá em casa.
    Obrigada por compartilhar as angústias e felicidades da maternidade!
    Parabéns pelo blog!

    1. Shirley Hilgert

      Nívea, que bacana que vc consegue perceber que a terapia é importante para vc também. Eu acho terapia tudo de bom. E não tenho problema nenhum em dizer que faço. Todo mundo deveria ter a oportunidade de fazer. Vale a pena!

  8. Gisa Hangai

    Oi Shirley! Eu já fiz terapia e acho muito, muito bom. Uma forma de nos ajudar a encontrar respostas que estão dentro de nós. E parabéns e sucesso nessa nova fase. Um beijo

  9. Flávia

    Me sinto tãããão representada por ti, Shirley… kkkk. As coisas são tão parecidas comigo… Passei pela depressão quando Arthur tinha poucos meses… Dormir pouco e sentir que minha vida tinha acabado me fez muito mal e triste. Tinha muitos preconceitos e custei a aceitar a ideia de psicólogo e psiquiatra, mas acabei indo, com acompanhamento e medicação minha vida mudou! Aproveitei a força adquirida pra mudar o que estava ruim na vida com o bebê e aplicar tecnicas para fazê-lo dormir a noite inteira. Foi tudo dando certo e hoje seeeempre conto a experiências pras amigas grávidas… Faz pouco tempo que tenho acompanhado seu site e gosto muito! Parabéns pela iniciativa!

  10. Camila

    Oi,Shirlei!!!!Tb sou mãe de uma princesa de 1 ano e 4 meses e amei sua ideia de terapia….e tb acho que estou precisando,mas é tão dificil achar um bom profissional aqui em SP.Será que vc pode me indicar a sua???Ela é boa mesmo???Aguardo o seu contato!!!Por Favor!!Bjs
    Camila

  11. Ana

    Oi Shirley! Primeiramente, quero dizer que adooooro seu blog e suas postagens! Me identifico demais com você! Muitas vezes, me sinto reconfortada lendo seus textos. rsrs.
    Acho essencial fazermos terapia! Nos ajuda a enxergar as coisas com maior clareza, pormos as ideias em ordem, enfim, só acrescenta à maternidade! Que Deus abençoe você, sua família e sua gestação! Te admiro muito!

    1. Macetes de Mãe

      Olá Ana!
      Suas palavras me emocionaram!
      Com certeza acrescenta :)
      Muito obrigada pelo carinho!
      Bjss

  12. Luciana

    Aconteceu assim tambem comigo. Quando me descobri grávida percebi que tinha tantas coisas que eu tinha deixado pra lá sem elaborar que precisava parar um pouco e olhar pra dentro pra ser melhor. Voltei tambem para minha antiga terapeuta e tenho certeza que foi a melhor coisa que fiz. :)

  13. Mari

    Que bom que não estou sozinha nesta. É uma delicia ler o seu blog por isto, sempre temos companhia para nossos medos,angústias,culpas e mais culpas advindas no pós maternidade…. tudo isto se identifica comigo a sobrecarga, a sensação que minha vida parou, o mal humor, as angústias…. estou fazendo terapia também e às vezes me questiono se não preciso de medicações… Também já havia feito durante 8 anos antes. Mas posso dizer que é completamente diferente depois da maternidade. Com certeza a terapia é muito mais intensa! Bjos. Parabéns pelo blog!

  14. Vanessa

    Acho que deveriamos fazer acompmanhemto psicologio da mesmo jeito que fazemi..pre natal, e principalmente do pos parto. e fundamental. so a falta de sono ja te deixa coma fisiologia todo louca. eu trabalhove depressao profudanda e podia ter ido logo, mas deixei a coisa crescer ate 1 ano e meio. Se cuidem.

  15. Maní Wagner Silva

    Oi Shi, acompanho o blog quando ainda começava a pensar em ser mãe. Esse desejo sempre foi latente desde nova, era uma das poucas certezas que tinha na vida que queria ser mãe. Casei e vieram as cobranças de engravidar logo. Mas a vida me fez esperar um pouco pra realizar esse desejo. E antes de engravidar, comecei a fazer terapia. Pq tinha outras necessidades mas durante o processo, a gravidez foi ocupando as sessões, tive que parar por 2 meses e quando voltei pra terapia já estava grávida. Foi muito bacana durante a gravidez ir a terapia e conseguir passar por todo processo de forma tranquila. Estou na reta final da gravidez e parei um pouco para esperar meu pequeno chegar. Tenho a sensação que não terei tantos “problemas” para enfrentar esse novo desafio por causa desse pré preparo psicológico do início até agora os desafios que não são poucos de ser mãe. Enfim, realmente a terapia foi super importante para chegar até aqui. Com a cabeça e coração serenos para essa nova etapa da minha vida!! Bju e obrigada !!

    1. Macetes de Mãe

      Olá, Maní!
      Que bacana seu depoimento. Obrigada pelo carinho!
      Vai dar tudo certo :)
      Bss

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