Doenças da primavera e como amenizar seus sintomas

Olá, mamães! Quem irá conversar com vocês hoje é a médica Pediatra Dra. Fernanda Freire, mãe de Marcos, 1 ano, e idealizadora do blog Seu Pediatra. Fernanda irá abordar um tema muito comum nessa época do ano – as doenças da primavera – e dará dicas para evitar e tratar seus sintomas. Um texto claro e gostoso de de ser lido. E muita informação relevante para ajudá-las nos próximos meses.

Doenças da primavera e como amenizar o mal estar causado por elas

Por Fernanda Freire

problemas comuns que atingem as criancas na primavera 2

Photo Credit: Philippe Put via Compfight cc

Há poucos dias, demos as boas vindas à primavera e, com ela, chegaram também muitas cores, muitas flores e muita alegria. Entretanto, enquanto para muitos essa estação é só festa, para outros primavera também chega trazendo coceira, espirros e a alergias. E, como essa época é propícia a alguns probleminhas bem característicos (que o digam os alérgicos) eu resolvi escrever esse post, falando um pouco sobre as principais doenças relacionadas à essa estação do ano e dando dicas sobre o que fazer para evitar que você ou os pequenos sofram com ela.

O Brasil é um país de dimensões continentais, predominantemente tropical e por isso as pessoas que vivem mais ao norte não notam tanto a diferença entre às estações do ano. Porém, quanto mais ao sul se vive, mais marcadas são as estações e, por isso, algumas pessoas podem necessitar de cuidados especiais durante a primavera para evitar as doenças típicas desse período do ano.

Mas, afinal qual é o problema com a Primavera?

As flores têm papel na reprodução das plantas, elas produzem o pólen que deve ser transferido de uma flor para outra para gerar frutos e sementes, permitindo assim que nasçam outras plantas. Assim, o problema é que algumas pessoas são alérgicas ao pólen e, geralmente, ele se espalha pelo vento e alcança essas pessoas que vão apresentar alguns sintomas durante a primavera. Essa alergia é conhecida como polinose.

Quais são as doenças que podem ocorrer nessa época?

  • Conjuntivite: olhos vermelhos, coceira, irritação, lacrimejamento.
  • Rinite alérgica: espirros, nariz entupido, secreção clara, irritação e coceira.
  • Asma: falta de ar, tosse, chiado, cansaço.

Isso é frequente no Brasil?

Na verdade, a alergia ao pólen é rara no Brasil e tende a aparecer mais na região sul, pelo seu clima. Além disso, atinge mais adulto que crianças. No entanto, pacientes alérgicos à outros fatores podem ter uma piora de seus sintomas na primavera devido a diferentes causas, como variações de temperatura, maior acúmulo de poeira (onde vivem os ácaros, fungos) e tempo seco. E por isso, mesmo que seu filho não tenha alergia à pólen, ele pode sofrer mais nessa época do ano.

Como evitar que apareçam os sintomas?

A primeira coisa é conhecer o que causa a alergia para poder evitá-la. O diagnóstico de polinose é facilmente feito pelo alergista, e existem exames específicos para auxiliá-lo.

Se o te causa mais alergia é realmente o pólen, o recomendado é:

  • Manter as janelas fechadas nos períodos de maior concentração de pólen e utilizar ar condicionado com filtro específico, trocando quando recomendado.
  • Evitar atividades ao ar livre nos dias e horários de maior polinização (dia quente, seco e com vento).
  • Evitar colocar a roupa para secar no exterior, pois pode coletar pólen.
  • Se os sintomas são mais nos olhos, pode-se usar óculos escuros ao sair de casa. As crianças maiores, que saibam usar os óculos com segurança, podem usá-los desde que esses tenham filtro UV apropriado.

E se a causa da alergia for outra, como evitar e tratar os sintomas?

Há medidas gerais a se seguir para evitar que os sintomas da alergia apareçam:

  • Evitar tocar e coçar os olhos e manter as mãos e unhas das crianças sempre limpas para evitar infecções, porque elas levam às mãos no olho muitas vezes.
  • Evitar o acúmulo de poeira em casa. Fazer a limpeza frequente com aspirador de pó, com filtros específicos, e usar sempre pano úmido para evitar que a poeira fique dispersa no ar. Retirar tapetes, cortinas, bichos de pelúcia do quarto das crianças. E manter o ambiente bem arejado (o contrário de quem tem alergia à pólen).
  • Lavar as roupas guardadas há muito tempo antes de usá-las normalmente.
  • Optar por material antialérgico em travesseiros e colchões.
  • Evitar cheiros fortes e irritantes, como cigarro, perfumes e material de limpeza.
  • Evitar animais dentro de casa.

Se os sintomas já apareceram o que fazer para aliviar o mal-estar?

O principal aliado do alérgico é o soro fisiológico. Tanto para o nariz, quanto para os olhos. Realizar a higiene com soro fisiológico ajuda a prevenir os sintomas e também à tratá-los.

A irritação nos olhos pode ser aliviada colocando, por alguns minutos, uma gaze molhada com soro fisiológico guardado na geladeira. Além disso, há colírios que ajudam a lubrificar os olhos, como lágrimas artificias. Mas lembre-se: todo caso de conjuntivite deve ser avaliado pelo médico, de preferência oftalmologista, pois, nessa época do ano, também aumentam os casos de conjuntivite por vírus e bactérias e que se não forem tratados adequadamente podem trazer prejuízos sérios à visão.

Para a rinite alérgica também há muitos medicamentos que auxiliam no alívio, mas jamais use remédios sem a prescrição do seu pediatra, nem os que sejam só spray nasal, pois a maioria associam substâncias que não podem ser usadas por crianças. E mesmo no adulto, seu uso sem a prescrição do médico pode levar ao que chamamos de efeito rebote, quando ao invés de melhorar o quadro, o uso do remédio causa piora dos sintomas.

Os casos de asma requerem sempre a avaliação do pediatra, pois necessitam de tratamentos específicos, e são situações que podem colocar a vida da criança em risco. Por isso, converse com seu pediatra assim que surgirem os primeiros sintomas, para evitar complicações.

Boa Primavera a todos. E se você e seus filhos não tem alergia à pólen, aproveite para  levá-los aos parques.

fernandafreire-206x300Dra. Fernanda Freire é formada em medicina pela Universidade Fundação Oswaldo Aranha (Volta Redonda-RJ) e tem especialização em Pediatria pela Universidade Federal de São Paulo. Ela é mãe de Marcos, que acabou de completar um aninho, e dá dicas sobre a saúde dos pequenos no blog Seu Pediatra, idealizado e desenvolvido por ela.

 

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