Os desafios de ser mãe e trabalhar fora

Olá mamães! O post de hoje foi escrito por uma convidada, a Raquel Escobar, que já colaborou outras vezes com o blog. Nele, ela fala sobre uma realidade cada vez mais presente em nossa sociedade: mães que voltam ao trabalho após a licença maternidade e sentem o peso dessa nova etapa de suas vidas. No texto, ela discorre sobre as angústias dessa nova fase: mães que não tem mais o tempo que gostariam para se dedicar aos filhos; que, muitas vezes,  deixam de assumir novas e importantes responsabilidades porque a empresa não acredita mais que elas darão conta; que vêem seu dia se dividir entre casa, trabalho e filhos e não se encontram mais no meio dessa loucura toda.

Vale a pena uma espiadinha e uma reflexão a respeito. Boa leitura!

desafios de ser mae e trabalhar fora

Os desafios de ser mãe e trabalhar fora

Por Raquel Vasques Escobar

Ser mulher no século XXI é um grande desafio. Moldadas para o sucesso profissional, as mulheres de hoje, que estão entre os 25 – 40 anos, vivem um grande “batalha”  quando a questão é maternidade. Voltadas a inúmeras cobranças pessoais e até mesmo por parte da sociedade, as mulheres hoje buscam cada vez mais o aperfeiçoamento profissional, ocupam grandes e importantes cargos, são vistas onde há alguns anos atrás eram posições ocupadas somente ou preferencialmente por homens: supervisão, gerencia e cargos executivos de grandes multinacionais são ocupados por mulheres eficientes e eficazes. E, nesse turbilhão de afazeres, metas a cumprir, prazos de entrega e carreiras promissoras, onde encontrar espaço para ter um filho.

Um filho requer tempo, dedicação, preparo físico e emocional. A gestação precisa ser segura e se possível tranquila, precisamos acreditar que o ser gerado recebe tudo o que se passa com essa mulher desde o útero.

 

Photo Credit: <a href=”https://www.flickr.com/photos/57565555@N00/2839333345/”>Big Grey Mare</a> via <a href=”http://compfight.com”>Compfight</a> <a href=”https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/”>cc</a>

Por que estou falando disso? Porque, grande parte das mulheres hoje prorrogam a gestação para concluir essa ou aquela meta, porque estão prestes a receber uma promoção, porque sonham com este ou aquele cargo. Mas, será que isso a deixará completa como um ser que tem questões não apenas profissionais, mas também pessoais?

Ao engravidar, grande parte dessas mulheres evita contar para seus chefes e equipe, como se algo de errado houvesse nessa situação. E por que isso? Talvez pela cobrança do momento certo para a gravidez? E qual seria esse momento? Num local onde grandes e desafiadoras metas necessitam diariamente serem alcançadas, esse dia ideal talvez não existisse nunca.

A mulher precisa estar preparada para vivenciar a maternidade, precisa saber que tudo será diferente, mas, que isso não irá mudar sua capacidade profissional. O grande problema é que a maternidade transforma a mulher e não existe um preparo prévio para que ela saiba encarar de forma equilibrada esse turbilhão de emoções e mudanças que estão por vir.

Antes do nascimento do filho, normalmente, criamos várias teorias que parecem práticas e seguras, muitas delas, com base na experiência de familiares e amigos próximos.  A grande maioria envolvendo o que iremos fazer com nosso filho após a licença maternidade – se vamos deixar com uma babá de confiança, com os avós, em um berçário… Enfim, o grande problema é que toda essa teoria se perde ao nascer a criança e ao nos depararmos com um amor INCONDICIONA (é claro que não falo de 100% das mulheres, existem sim exceções).

O problema agora é que essa mulher, uma profissional altamente competente, que trabalha com metas e vibra a cada conquista profissional, que conversa abertamente com seu parceiro sobre a profissão e recebe apoio até porque em conjunto estão programando a próxima viagem do casal, se vê dentro de casa por meses, 4 ou 6, dependendo da empresa, passando a ter um convívio intenso e dedicando seu tempo praticamente exclusivo ao filho. Reforço, aquela mulher que se arrumava todos os dias, tinha uma sociabilidade fantástica e compartilhava de decisões e alcance de metas, está em casa há 4 ou 6 meses focada em cuidar de seu filho.

E eu pergunto: Como está o preparo dessa mulher para sua reinserção no mercado de trabalho? Como ela é acolhida ao retornar? O cargo dela evidentemente já foi ocupado por alguém nesse período, mas, ela voltará a ocupa-lo?  É possível pensar num reposicionamento? Existem tratativas diferenciadas para que ela se mantenha segura e torne seu trabalho eficaz? Para aquelas que mantém aleitamento materno exclusivo, como lidar com o retorno ao trabalho? E terão que fazer desmame precoce?

Enfim, milhares são os questionamentos e isso gera desconforto, ansiedade, sensação de ameaça e o resultado disso na metade dos casos é o desligamento do ambiente de trabalho, conforme evidenciam diversas pesquisas.

Acredito que precisamos trabalhar essas mulheres muito antes do nascimento do filho, trabalhar em conjunto com a empresa e assegurar equilíbrio para essa gestação, parto, pós-parto e retorno ao trabalho.

A mulher pode e deve manter sua vida profissional após a maternidade, mas, deve entender que as coisas jamais serão como antes. É necessário saber dividir, gerenciar o tempo, ou melhor, otimizar o tempo. Não podemos vestir a todo o momento a capa de mulher-maravilha que faz tudo. É necessário gerenciar, confiar e saber delegar; sim é importante pedir ajuda e aceitar essa ajuda seja da babá, do berçário, da família ou do parceiro.

Mas, o mais importante é lembrar que os filhos crescem e que futuramente você não poderá culpá-los de ter “largado” sua promissora carreira e é preciso compreender que ele irá ocupar espaço em sua vida, mas, não sua vida como um todo.

Precisamos trabalhar melhor a maternidade dentro do ambiente empresarial. É possível ser uma ótima mãe e uma funcionária eficaz!

raquel escobarRaquel Vasques Escobar é mãe de Gabriela, 2 anos e meio e Pedro Henrique, 4 meses. É Fisioterapeuta (CREFITO 78902-F), Pós-graduada em Fisioterapia Respiratória (Universidade Federal de São Paulo) e Pós-graduada em Pneumologia (Universidade Federal de São Paulo), tem MBA em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios pela FGV, trabalha como Fisioterapeuta Home Care e e Fisioterapeuta do Berçário da Instituição de Educação Infantil Habitat e é, ainda, Instrutora da Técnica Shantala para bebês, consultora pré e pós-parto.

 

 

3 comentários

  1. Thaíse Christoni

    Nossa, Shirley!!! Como é bom ler textos como esse! Eu sou uma mãe que trabalha fora muito bem resolvida. Acho que foi o melhor para mim e para meu filho. Escrevi sobre minha experiência no meu blog e mostro para minhas leitoras que é possível sem carregar o peso da culpa. Claro que há prós e contras, mas sempre devemos considerar as vantagens sobre esta decisão! Grande beijo! http://www.muitomaisquemae.com.br/2014/09/visao-de-uma-mae-que-trabalha-fora.html

  2. Elis Regina Vasco

    Amei o texto!
    Curti mto a licença com o meu Rafinha, e minha decisão sempre foi voltar ao trabalho. Racionalmente tudo claro e certo, emocionalmente tô quase pirando… rs não eh fácil esse movimento!

  3. karine

    Ótima matéria!!!
    Eu tive que buscar ajuda com um psiquiatra pois entrei em depressão por não me sentir o suficiente pra dar conta de tudo… A sociedade não acolhe bem mães fora do estereótipo antigo….

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