Como lidar com as crises de medos na infância

Olá mamães, hoje teremos mais um texto da coluna Desenvolvimento Infantil aqui no blog, escrito pela psicóloga Waleska Gatti, da Paedi. A Waleska irá falar sobre um assunto bastante importante, que é a ansiedade e os medos que “assombram” nossos pequenos na infância e também dará dicas para nós, pais, ajudarmos as crianças a superá-los vencê-los. Espero que gostem do texto. Eu adorei as dicas.

Boa leitura!

ansiedade e medos na infancia

Photo Credit: Jack Fussell via Compfight cc

Ansiedade e medos na infância

Por Waleska Gatti

Olá mamães! É um prazer poder contribuir com coluna Desenvolvimento Infantil aqui no Macetes de mãe. Para este post achei interessante falar sobre os medos e as ansiedades das crianças, pois estes podem ter diversas origens e pode não ser uma tarefa simples entender de onde eles surgem.

Para conseguir saber o que se passa no mundo infantil dos nossos filhos é preciso sempre estar atento à rotina da criança, observar suas brincadeiras , a interrelação delas com o meio social e procurar olhar a situação que deflagrou aquele sentimento de medo que a criança está expressando e assim ir investigando caso a caso.

Fato é que o medo e ansiedade fazem parte do desenvolvimento cognitivo e emocional de toda criança. Umas apresentam maior ou menor expressões deste sentimento do que outras, mas é natural que todas passem por suas etapas de desenvolvimento e apresentem, eventualmente, medo e ou ansiedade em relação a algo.

Mas se pudermos pensar que para nossos pequenos quase tudo é novo em suas vidas, pensar na quantidade de eventos novos que eles são expostos diariamente, e sua mente ainda imatura tentando construir o entendimento que faça sentido do acontecido, poderemos compreender que as lacunas desconhecidas os deixam inseguros.

Assim, cada passo que seu filho dá em direção à independência, vem acompanhado do medo em relação ao desconhecido. Isso é uma etapa natural, faz parte do desenvolvimento normal e é esperado no processo de amadurecimento.

À medida que a criança explora o ambiente, ela vai descobrindo que a comida que está quente e queima sua língua, que o cachorro bonitinho late e pode avançar, que o coleguinha pega o brinquedo da sua mão, que os pais demoram a voltar quando saem, etc.. De fato, eles começam se dar conta de que não tem controle sobre os eventos externos e isso causa ansiedade.

Eles também começam a ampliar sua imaginação e desenvolver outras percepções e ou fantasias em relação a objetos conhecidos, como por exemplo, o liquidificador parecer bravo com seu barulho forte, a porta do banheiro que parece esconder ” algo” atrás dela, o que inclui ver supostas ameaças, como o boneco de neve que vira monstro, o polvo do desenho que aparece no sonho e o envolve com seus tentáculos…

Quanto mais as crianças vão se conectando com mundo, mais elas reagem aos supostos perigos, que anteriormente passavam despercebidos.

As crianças, assim como nós, podem também apresentar ansiedades variadas em um determinado momento. Um exemplo disso é, perto dos 8 meses, alguns bebês começarem a temer ir no colo de desconhecidos por terem começado a diferenciar um rosto conhecido de um rosto estranho, ou temerem ficar sozinhos e chorarem quando a mãe se afasta (ansiedade de separação). Ou então, poderem apresentar medo de coisas específicas, como uma aranha, por ser peluda e com muitas pernas que se movem, ou medo do chuveiro, por causa da força do jato de água, e aí acabam dizendo que não querem tomar banho.

Podem surgir também medos repentinos, como no caso de uma criança que, ao iniciar o andar,  adorava escalar tudo, mas ao subir num banco e eventualmente cair, acaba levando um susto muito grande aí pode passar a temer lugares altos.

Na infância também podem surgir os medos imaginários, pois as crianças pequenas tem certa dificuldade de diferenciar a realidade do mundo imaginário. Dessa forma, pode acontecer da criança passar períodos de ansiedade e medos, devido a personagens de alguma história lida na escola ou filmes infantis com seus vilões assustadores.

Claro que se os medos ou crises de ansiedades persistirem demais é sempre bom acompanhar e ajudá-los na elaboração de alguns temas que surgirem, mas no geral, esse tipo de situação é muito comum e natural.

E a melhor notícia de todas é que isso faz parte do processo de desenvolvimento e com o amadurecimento psicoemocional a tendência é eles irem superando e elaborando seus medos.

Para ajudar as crianças e mamães nestes momentos delicados, vão aqui algumas sugestões de atitudes para minimizar o sentimento de medo e ansiedade infantis:

– Regra número 1, de mãe pra mãe: não existe receita de bolo na educação de crianças. Existem sugestões de outras mães, orientações de profissionais, formas usadas pelas avós, etc … Então, a dica de ouro é : siga sua intuição, experimente e teste diversas opções, pois você é quem mais conhece seu filho e só você saberá identificar o que servirá melhor para ajudar no problema dele.

– Segunda regra: jamais desmereça o sentimento de medo de uma criança. Acolher no momento da crise é o caminho indicado, sempre atento para não supervalorizar também os temores. Lembre-se que você é o adulto e que a criança precisa da sua segurança, portanto, o acolhimento com um abraço e, em seguida, palavras calmas e sinceras surtem melhores resultados.

– Terceira regra: converse sobre a situação relatada pela criança, ajude ela verbalizar, ajude-a nomear o sentimento ou a imagem que ela disse ter sentido ameaçadora, ou o personagem que apareceu. Mas cuidado para não usar palavras demais, pois deixa a criança ainda mais confusa.

Dicas importantes e úteis:

1 – Sugira que a criança desenhe o que o assusta, mesmo que seja com um simples rabisco. Toda forma de expressão alivia o tamanho do medo.

2 – Pergunte o que ela acha que pode fazer o medo ir embora.

3 – Construa um amuleto para ajudar a defendê-la do que a amedronta.

4- Leia livros que abordam o assunto de forma lúdica. A literatura infantil tem histórias sobre medo para várias idades. (Ex: “O bicho-medo e seu segredo”; “Vai embora, grande monstro verde!”; “Bruxa, bruxa venha a minha festa”)

5 – Se seu filho fica inseguro ao chegar em lugares com pessoas diferentes, não o obrigue a ficar à vontade lá ou, então, não o obrigue a ir. Vá com calma, faça você amizade para ele ver, vá levando ele em lugares com menor número de pessoas para fazer um processo gradativo, leia histórias infantis ou crie uma história, que contam de pessoas que superaram seus receios e fizeram novos amigos.

6 – Nunca saia sem avisar. Crie o hábito de avisar e de sempre contar que você, quando sai, sempre volta e que ela, a criança, estará segurança com a pessoa que cuida dela.

7 – A criança precisa confiar, então, não minta ou invente algo que não conseguirá fazer. Se acontecer algum imprevisto, explique sempre de forma clara, direta e sem muitas palavras.

8 – Falta de rotina ou trocas bruscas constantes (de babás, casa, escola,…)  deixam as crianças inseguras. E insegurança costuma gerar medos e irritabilidade. Por isso, evite evite esse tipo de situação.

9 – Seu filho aprende observando, assim, a forma como os pais lidam com seus medos (seus e os da criança) acabam refletindo no comportamento delas.

De modo geral, as fobias de uma criança pequena só se tornam preocupantes se elas chegarem a imobilizá-la, se persistirem por tempo excessivo, se atrapalham seu sono ou se a impedem de curtir a companhia de amigos e parentes. Caso você não esteja conseguindo acalmar os medos do seu filho, mesmo fornecendo atenção e apoio, a sugestão é consultar o pediatra.

Waleska Gatti – Equipe PAEDI

Colunistas MdM - desenvolvimento infantil

6 comentários

  1. Francielle

    Olá Waleska, meu filho mais velho tem 6 anos e tem muitos “pensamentos ruins” onde eu ou o irmão mais novo (na maioria das vezes somos nós, com o pai esses pensamentos são mais raros) morremos, ou casos de separação dolorosas, desaparecemos e por aí vai… quando ele relata isso sempre falo para ele fazer uma oração, pensar em coisas que ele goste e coisas bonitas que assim o pensamento ruim vai embora… nessa idade é normal esse tipo de pensamento? E o que poderia ser feito para amenizar?

    1. Tatiana Galvez

      Francielle, assim que minha bebê nasceu, minha mais velha, então com 7 anos tinha muitos pesadelos com relação a isso, em um deles sonhou “que bandidos queriam matar a irmãzinha e que ela fugiu e acabou dando a irmã para um casal entregar a mim e que ela acabou sendo morta, sacrificando assim sua vida pela irmã”… chorei muito (sem ela ver) depois que ela me relatou o sonho. Mas acho que é normal, eles não sabem lidar direito com os medos de perder quem amam. Isso causa ansiedade e no caso da minha se refletiu em forma de pesadelos. Agia como você, fazia oração com ela e a acalmava. Com o tempo ela percebeu que esses receios não tinham motivo e foi acalmando, minha bebê está com 1 ano e a mais velha zela muito pela irmã, mas não tem mais pesadelos.

    2. Olá Franciele, sem dúvida você deve se sentir angustiada com estes sonhos do seu filho, é muito impactante os relatos de pesadelos dos nossos filhos, principalmente em relação a morte .
      Primeiro lembre-se que as crianças expressam seus sentimentos de forma muito intensa, eles não sabem a medida certa e não há diferenciação clara entre o real e o sonho, então acolher e fazê-los acalmar mostrando que na realidade aqui e agora, ele pode ver que a mamãe e o irmão estão vivos e bem.
      Sugiro que na seqüência acolha -o dizendo que deve ser horrível sonhar com mortes, e se você Franciele já teve pesadelos, conte pra ele que tb já teve e sabe que é muito ruim.
      Para mamãe Franciele digo que sonhos e pesadelos fazem parte da vida de todos nós, adultos e crianças, e podem aparecer de uma hora pra outra, podemos olhar e refletir sobre eles, ou decidir que não quer pensar sobre isso. Mas não teremos controle em relação ao aparecer ou deixar de aparecer, eles são expressão do nosso inconsciente somado a ” restos diurnos”, ou seja, coisas que aconteceram ou coisas nos preocupam. Existem outras possibilidades para investigar claro , mas aí o caminho é um processo terapêutico.
      Sonhar com morte também é natural, pois ela faz parte da vida, as possibilidades da origem dos sonhos do seu ” pequenino” precisaríamos conversar e você me contar a história de vcs, isso seria indicado se isso persistir por longo tempo ou estiver causando prejuízos freqüentes na forma de interagir do seu filho.
      Contudo posso te dizer que na infância, cada vez que mais eles estão entrando em contato com as adversidades, incoerências, eventos novos, pessoas novas, televisão, etc …. do mundo dos adultos e as ansiedades podem surgir e se manifestar também em forma de pesadelos por não conseguirem elaborar todas as informações com clareza pela imaturidade inerente a idade.
      Não posso afirmar a origem exata do pesadelo do seu filho, como te falei, pois precisaria conversar com você algumas sessões para investigamos juntas. Mas uma das possibilidades é ele estar com medo de perder vocês.
      Sugira que tem vários jeitos de lidar com pesadelos, e que ele sempre pode contar para você, e dessa forma, vocês podem decidir juntos como resolver para estes pesadelos perderem a força.
      Garantir que vão sumir, pode gerar ansiedade, pois nem você e nem ele terão como garantir que sumam, mas pode afirmar que ele pode sempre contar com você para ajudá-lo no que for preciso.
      Desta forma seguem sugestões que vcs podem fazer coisas juntos para eles perderem a força:
      Dica: negar a morte para criança não o ajudará. Respire fundo com relação as seus medos e procure ter tranqüilidade . Umas das explicações para crianças é que ao morrermos viramos estrelinhas, e que como elas moram lá no céu e podemos sempre conversar com elas, nunca estaremos longe de quem virou estrelinha! Mas os pesadelos não são de verdade, quando acordamos tudo volta ao normal , o pesadelo vai embora.
      1 – Como vc já o orientou, ele pode rezar, mas vocês também podem rezar juntos para o pesadelo perder a força!
      2 – Vocês podem construir um amuleto super poderoso com sucatas, e o que mais quiserem para se defender das coisas ruins!
      3 – Podemos conversar com outras pessoas para elas contarem como fazem para seus pesadelos perderem a força, pois todo mundo pode ter pesadelo, mas sabem que passa.
      Boa sorte mamãe, também sou mamãe e sei o quanto um apoio é necessário nessa tarefa de educar e orientar nossos pequenos! Espero que isso ajude Franciele, fique a vontade para enviar as dúvidas que surgirem, estou a disposição!

  2. Elis Regina Vasco

    Muito bom o post e as dicas são excelentes!

  3. Francieli Campos

    Então, no meu caso é o contrario, meu filho tem 5 anos e não tem medo de nada,ele fala com estranhos como se fosse amigos, se vê um carro ou uma casa com a porta aberta, ele entra, ele sobe em tudo que vê pela frente, tira e coloca os eletrônicos na tomada eu fico apavorada, converso com ele, que é perigoso, mas ele continua fazendo

  4. Marina

    Olá.. minha filha tem 2 anos e 7 meses. Com 2 anos e 3 meses tirei o bico dela, e logo depois disso ela começou a comer unha, não sei se para substituir o bico ou por ansiedade.. o que você me indicaria para ela parar de comer a unha?

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