A reação do Leo à chegada do Caê

Muita gente me escreve pedindo para contar como está o Leo depois da chegada do irmão por isso, hoje, estou aqui para falar sobre isso.

Bom, como vocês sabem, aqui em casa tentamos “preaparar o terreno” para a chegada do Caê, para que as coisas não fossem tão complicadas e “estranhas” para o Leo quando o irmãozinho nascesse (aqui no blog dei algumas dicas do que estava fazendo nesse sentido. Veja esse e esse post). Entretanto, por mais que a gente tivesse se antevisto ao “estranhamento” do pequeno, é claro que na prática a teoria foi outra.

reacao do leo

Imagem de arquivo pessoal. Todos os direitos reservados. Sua reprodução não está autorizada.

 

A verdade é que o Leo ficou com bastante ciúmes do irmão nos primeiros dias. Lembro que no primeiro encontro deles na maternidade (veja o post sobre isso aqui), de início, o Leo foi super carinhoso com o irmão, mas depois teve uma crise de ciúmes. No dia seguinte, algo bem parecido. Ao mesmo tempo que ele pedia para ver o irmão, que estava tomando banho de luz no berçário, e pegá-lo no colo, ele gritava, chorava e pedia para ir embora dali. Ou seja, sentimentos paradoxais.

Depois que chegamos em casa, seguiu o baile. Leo queria sempre beijar e fazer carinho no irmão, mas quando a gente via, estava puxando ou apertando o pé dele, fazendo carinhos “exagerados” na cabeça, ou tentando abrir o olho do irmão enquanto este dormia.

Leo é uma criança intensa, assim, toda vez que ele se aproximava do Caê, a gente ficava por perto, com medo que no afã de fazer carinho no pequeno ele exagerasse um pouco e o machucasse. Como tinhamos esse receio, acabamos não incentivando muito o contato dos dois, algo que é super indicado para diminuir o ciúmes entre os irmãos.

Por um bom tempo – chegou a quase um mês – as coisas foram bem complicadas por aqui. Leo ficava “surtado” quando estava em casa, tinha crises de birra, de chutar e gritar dizendo que eu não podia amamentar, queria fazer carinho e pegar no colo o irmão, mas acabava, muitas vezes, quase machucando-o sem querer ou até conscientemente. Enfim, foi complicado.

Uma coisa que achamos que iria acontecer, no fim, não aconteceu por aqui. Falo do medo que eu tinha que por conta do ciúmes da minha relação com o Caê, ou da relação do pai com o Caê, Leo começasse a nos “desprezar” e tratar mal, o que é bem comum. Isso não houve. Pelo contrário, Leo está querendo bastante a minha companhia e do pai e nos pede isso. E a gente se desdobra em mil para dar atenção, pois sabemos que é um momento delicado.

As professoras também relataram que lá ele tem demonstrado que está sentindo a chegada do irmão. Uma das coisas que elas falaram que ele faz é reunir todos os brinquedos no meio das pernas na hora de brincar e ficar protegendo-os para nenhuma outra criança brincar. Não sei exatamente o que isso significa, porque acabei não entrando em detalhes na nossa conversa para entender melhor, mas segundo a professora, é algo positivo, pois ele está colocando para fora as suas inseguranças e sentimentos.

Quando o Caê completou um mês, as coisas acalmaram um pouco. Leo ainda tem ciúmes do irmão, claro, mas sua reação está mais amena, mais “leve”, menos escandalosa. Quando ele me vê amamentando ele não tem mais crises de birra (ou raramente acontece), não grita e chuta as coisas. Agora ele olha, diz que quer fazer carinho, faz um pouco e logo sai.

A impressão que dá é que ele está perdendo aquele “interesse” absurdo que tinha pelo irmão até pouco tempo, como se o Caê estivesse perdendo a graça e assumindo a importância e o espaço que realmente tem dentro da casa (e nao aquela coisa enorme que o Leo via). Agora ele está mais sereno, querendo claro a nossa atenção sempre que dá, mas aceitando melhor quando não é possível.

E o que eu tirei de tudo isso:

1. Não é fácil. Por mais que a gente se prepare, vai rolar ciúmes. E se a criança é ciumenta e “intensa”, como é o Leo, as coisas tendem as ser mais complicadas ainda.

2. Mas essas demonstrações públicas de ciúmes do mais velho são positivas. Ele colocar para fora o sentimento é bom, mesmo que seja cansativo para nós, pais. Ouvi isso da professora e também de uma psicóloga.

3. Temo, por mais que tente, não conseguir dar para o Leo a atenção que ele precisa nesse momento. E mais do que isso, temo estar sendo dura demais com ele. Como estou cansada, tendo que dar conta de dois e como ele está bem birrento, a minha paciência está mais curta e, muitas vezes, acho que estou sendo bem dura com o Leo, para tentar colocá-lo na linha (falta tempo, falta paciência, aí já viu né, a gente pede uma vez e se não rola não tem paciência para negociar muito).

4. Diálogo é o caminho que tenho seguido. Sempre que o caldo engrossa por aqui, eu explico para o Leo o que estamos vivendo e como aquela situação é necessária naquele momento. Pergunto se ele entendeu, peço para ele falar também e aí percebo que as coisas vão se acalmando e entrando nos eixos. E se ele não acalmar, não insisto muito no assunto. Deixo-o chorar até passar a raiva. Pois se eu fico falando e falando e falando, parece que só piora.

5. Percebi que ter um pouco de rotina (se isso é possível com um recém nascido) ajuda e muito. No final do dia temos mais rotina que no início da manhã (no resto do tempo Leo está na escola) e percebo que essa rotina ajuda o Leo a ficar mais calmo, a saber o que esperar, a aceitar que naquele momento não vou estar com ele porque estou fazendo outra coisa.

Bom, exercer a maternidade não é viver num comercial de margarina. Bom se as famílias na vida real fossem como essas que a gente vê nos comerciais, mas é claro que não é. Então, assim, a gente vai levando como dá. Tendo uns rompantes de falta de paciência mas, também, por outro lado, dando muito amor e fazendo uso do diálogo na maior parte das vezes.

Assim, uma hora, tudo entra nos eixos. Creio eu.

20 comentários

  1. Luiza

    Adorei Shirley! Tenho um filho de 2a2m e daqui 3 chega a irmãzinha. Tenho preparado bastante o terreno também, levamos ele no ultra e tudo mais.
    Mas a verdade é que sempre vai ter um incômodo deles, afinal a rotina muda e eles deixam de ser o foco da atenção de todos.
    Que tudo fique bem e volte ao normal (não sei ao certo o que é normal…rs) e que aqui também seja algo civilizado.
    Beijos

  2. Luciana

    Já estou me preparando, minha filha tem 4 anos e eu e minha irmã, que é madrinha dela, estamos grávidas. São apenas 3 semaninhas de diferença e nesta semana descobri que estou esperando gêmeos. Será um Deus nos acuda!!!! Coitadinha, não quero que a chegada dos bebês a deixe triste ou insegura, sei que será um pouco complicado!!!

  3. Laura

    Qual a diferença de idade entre os dois?

    1. Shirley Hilgert

      2 anos e 8 meses.

  4. Cassia

    Nossa! Me vi nesse post! Também tenho um filho com quase 3 anos e um bebê de 3 meses. As coisas por aqui não estão fáceis. Ainda rolar ciumes, é muita birra e, ontem mesmo estava me rebaixando no ranking de melhor mãe porque tenho sido muito dura com meu filho mais velho. Mas, de certa forma me conforto em saber que não é meu filho que não está sabendo lidar com a situação ou que eu estou sendo péssima mae. Que tudo oq estou vivendo é normal e vai passar. Adoro seu blog. Super sua fã! Beijos e boa sorte para nos! Rsrsrsrs

  5. Paula

    Aqui em casa está um horror, minha filha de 15 dias e meu filho 1 ano e 10 meses, ele sempre foi carinhoso, obediente, sempre consegui conversar com ele resolver as coisas no diálogo, depois que a irmã nasceu ele mudou, faz pirraças, grita, chora, e tem me ignorado, nossa como é difícil eu fico muito mal, junta tudo o cansaço, o puerpério e ele me ignorando, já tive várias crises de choro sozinha… Ainda tive uma recuperacao pós cesariana bem dolorida, e por conta da cirugia não posso pegar meu filho no colo, só sentada. não vejo a hora de passar esse primeiro mês pra eu retomar minha rotina com ele.

  6. Flávia

    Tenho um filho de 5 anos e um de 1 ano. Quando Samuel nasceu, Davi tinha 4. No começo ele não demonstrou muito ciúme, mas ele queria sim fazer carinhos mais “exagerados” na cabeça do irmão e a gente ficava meio tenso. Mas parecia que ele estava lidando bem com a situação. Quando o Samuel começou a andar e fazer mais gracinhas, o ciúme no Davi aflorou bastante, ele quer chamar a atenção a todo custo, então tem ficado mais rebelde e desobediente. Estamos tentando acalmá-lo com muita conversa, momentos só dele conosco e homeopatia. As vezes me cobro também por não conseguir dar a ele toda atenção que eu gostaria! Mas vamos tentando levar da melhor forma! Boa sorte Angi!

  7. Flávia

    boa sorte Shirley! Me enganei… Desculpe!

  8. Ana

    Aqui em casa não tive grande problemas. Acho que foi porque a diferença entre meus dois filhotes foi pequena. A Catarina chegou e o Ben tinha 1 ano e 5 meses. Ele gostou ter mais um “brinquedinho” em casa. Queria pegar no colo, fazer carinho… agora faz cara de espanto quando a irmã (que já está com 6 meses) pega um brinquedo dele hehehe. Raramente bate, mas temos que tomar cuidado com os carinhos exagerados…

  9. Grasielle

    Nossa, parece que me vi nesse relato !! Estou passando exatamente a mesma coisa, tenho um de 2 anos e 7 meses e um de 4 meses, tb tentei fazer de td pra tornar a chegada do Lucca o mais tranquila possível para o Enrico, mas como sabemos nem td que pensamos na teoria dá certo na prática. Enrico sempre foi carinhosos com o irmão, desde o começo eu sempre incentivei ele a fazer carinho, me ajudar a trocar o irmão, pegar no colo, sempre com supervisão é claro, pois ele tb é intenso nos carinhos com o irmão. Tem dias que faz de td pra chamar a atenção, sobe em td, mexe td, faz td o que não pode, mas sempre quer estar perto do irmão. Não é fácil, mas é recompensador !!

  10. Mônica

    Olá… aqui em casa foi idêntico, minha filha tinha 2anos e 2 meses.
    A personalidade dela mudou totalmente… já melhorou bem nestes 7 meses de convivência, mas bem que eu queria aquela criança boazinha e obediente de volta!

  11. Gabriela

    Aqui em casa também estamos neste barco a minha menina tem 1 ano e 9 meses e o caçulinha tem 22 dias. Mas apesar dos 4 primeiros terem sido extremamente traumáticos agora parece que ela está aceitando e gostando da ideia. Nos primeiros dias ela fez birras e mais birras. Deu um trabalhão pra dormir. Só queria o meu colo, brigou comigo e com o papai. Na escola passava o dia chorando e chamando por mim. Mas agora ela chora pq quer levar ele junto pra escola rs… A manha só aparece na hora de dormir. Mas mesmo com os carinhos “exagerados” temos incentivado o contato entre eles e qdo o papai está por perto eu fico com ela e só pego o nenem nas mamadas. Além de colocarmos ela na natação pra que ela tenha uma atividade semanal só comigo. Até agora tem funcionado bem.

  12. Paula Farias

    Olá !

    Ótimo texto ! Gostaria de sugerir, que fizesse um texto, com dicas sobre a relação com o marido, da família e rotina da casa !

    Beijos

  13. Claudia

    Excelente texto! Estamos juntas nessa…minha filha tem 2a7m e tb tem suas crises. Não quer mais sair pra passear sem a gente (país). Coisa que de costume fazia com os avós…entre outras coisas. Agora 47 dias depois as coisas estão começando a entrar nos eixos. Oremos!!

  14. Cleyds

    Oi, Tudo bem?
    Gostaria de me comunicar diretamente com a autora do texto AS 50 COISAS QUE NINGUÉM ME CONTOU SOBRE A MATERNIDADE. Gostaria de utilizar esse texto (citando a fonte, claro!), mas preciso da autorização da autora. É possível? Fico no aguardo. Muito obrigada!

    1. Shirley Hilgert

      Cleyds, por favor, me contate através do email shirley@macetesdemae.com. Assim a gente pode conversar. abs.

  15. Giseli

    Me expila uma coisa. Em que casa dar acontecendo a msm coisa com a chegada da Sofia. Enzo amplia mil vezes o choro pra quer apenas uma chupeta. Nusss eh cansativo msm. Eu não entendi a parte que eh bom evitar o contato no começo, não ficar forçando. Pq a gente fica.. Medo dele não pegar carinho. Eh bom deixar o momento dele?

    1. Shirley Hilgert

      O ideal é não forçar nada. Deixar a criança à vontade para se aproximar. Se você forçar, ela pode criar resistência. bjs

  16. Poly

    Vc acabou de descrever minha vida neste momento, o mais velho tem 2 anos e 4 meses e o mais novo vai completar um mês semana que vem. Espero que após ele completar um mês, o irmão não seja mais tão novidade e ele não queira ficar tão intensamente em cima do irmão toda hora rsrsrs.

  17. Gabrielle

    tenho 8 anos de diferença com meu irmão, hoje tenho 12 e ele completará 4.
    Não passei pela fase do ciumes com os pais, ate pelo contrario, tinha ciumes com meu irmao e era super protetora! sempre ajudei minha mae com tudo e confesso que realmente minha vida virou de cabeça pra baixo com a chegada do meu irmao e que até hoje sinto falta da maior atenção que antes meus pais tinham comigo.

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