Equipamentos e acessórios para “treinar” o bebê: precisa?

O post de hoje, aqui na coluna Desenvolvimento Infantil, é sobre um assunto muito pertinente: a real necessidade de se usar equipamentos e acessórios para treinar o bebê a realizar coisas que ele faria dentro do seu próprio ritmo – sentar, ficar em pé, andar.

Muito interessante a visão da colunista Leila Suzuki Saita, que escreveu esse post. Vale a pena ser lido e, inclusive, compartilhado para esclarecimento de outras mães. Espero que gostem! Boa leitura.

andador bebe

Photo Credit: Avec Un via Compfight cc

Equipamentos e acessórios para “treinar” o bebê: precisa?

Por Leila Suzuki Saita

Olá mamães, espero que estejam bem! Nosso assunto hoje são os famosos equipamentos e acessórios que prometem “treinar” bebês a alcançarem mais rapidamente alguns marcos do desenvolvimento.  Mas a pergunta é: bebês precisam mesmo de treinamento?

Desde que o bebê nasce, as mães ficam todas orgulhosas se este já se mostra durinho ou se anda antes do primeiro aniversário. E, constantemente o bebê é comparado (de forma consciente ou não) com outras crianças.

Esta ansiedade, é claro, é explorada pela indústria, que lança uma quantidade cada vez maior de aparelhos e objetos para segurar os bebês, entretê-los, mantê-los em segurança, além de ajudá-los a se desenvolver com mais rapidez (e estes equipamentos, muitas vezes, ainda servem para facilitar a vida de quem desses bebês cuida).

Muito antes da cadeirinha semi-levantada para bebês ser obrigatória nos carros (onde ela é usada com real necessidade), variadas versões dela já faziam parte da lista de enxoval dos sonhos de toda mãe. Outras cadeirinhas, como o bumbo, e almofadas de diversos formatos são indicadas para posicionar o bebê na vertical desde os 4 meses. O andador, felizmente, vem se tornando obsoleto e já está com a venda proibida, porém seu substituto, o “jumper”, esta se popularizando.

Entretanto,  essa ânsia em ajudar acaba atrapalhando o bebê, limitando-o ou distraindo-o de seu principal trabalho, que é o de conhecer seu próprio corpo, aprender a controlar seus movimentos e usá-lo para satisfazer seus desejos.
 Ao restringir o movimento do bebê com equipamentos que sustentam seu corpo, estamos afetando não só o desenvolvimento de uma musculatura saudável, mas também sua percepção do próprio corpo, a qual se forma a partir da movimentação voluntária que o bebê executa nos primeiros anos de vida. Ou seja, o corpo pode demorar mais para se tornar um instrumento que ele domina e que serve aos seus objetivos.

Quando o bebê tem a oportunidade, desde cedo, de deitar-se no chão livremente e seu tempo para explorar o corpo e descobrir os movimentos é respeitado, ele pode se desenvolver com mais iniciativa própria, com melhor equilíbrio e alegria. É entusiasmante testemunhar o prazer do bebê em cada movimento novo que aprende, a perseverança com a qual exercita o movimento aprendido e o cuidado com que experimenta novas posições.

Essa persistência e repetição dos movimentos no chão permitem que o bebê adquira suas primeiras habilidades de locomoção, as quais são o rolar, rastejar e engatinhar. Estas são etapas intermediárias do desenvolvimento psicomotor da criança, que possibilitam que ela mude de posição e de lugar antes mesmo de saber andar. Assim, os deslocamentos no chão ampliam a capacidade de exploração do ambiente e de raciocínio do bebê na fase em que seus neurônios estão mais ávidos por novos aprendizados. Entretanto, nem sempre essas habilidades são valorizadas por alguns pais e profissionais.

Portanto, confiar na capacidade do bebê e acompanhar com interesse cada etapa do seu desenvolvimento, ao invés de limitá-lo em parafernálias modernas e artificiais, parece ser um dos caminhos para formar crianças com iniciativa, perseverança e autoconfiança.

Ft. Leila Suzuki Saita – Equipe PAEDI

5 comentários

  1. Vanessa

    Bom dia!
    Meu bebê irá fazer 1 ano e 2 meses. Não engantinhou, fica de pé se o segurarmos. Há uns 20 dias tem chorado, principalmente à noite, e contraído as perninhas. Tô preocupada. A pediatra disse que ainda está no tempo de andar e como ele tem se desenvolvido bem até agora, não vê motivo para preocupação. Ainda assim agendei uma consulta com fisioterapeuta. Ele se rasteja qdo quer alcançar algo. Fica em pé mas precisamos segurá-lo. Fica sentado de joelhos mas não consegue levantar. Alguém conhece caso parecido?
    Abç. Vanessa

    1. Luciana

      Olá! Minha pequena fará 1 ano e 3 meses depois de amanhã. Ela ainda não anda e quando achei que nem iria engatinhar mais, começou… Com 1 ano e 2 meses ela começou a engatinhar, mas ainda nem se levanta sozinha. No entanto, vejo que cada dia ela está um pouco mais firme, confiante. E o pediatra também diz que está tudo bem com ela. Claro que você deve verificar se acha que seu bebe está com alguma dor, mas, de resto, creio que esteja tudo bem e cada um tem o seu ritmo!

      1. Vanessa

        Oi Luciana, obrigada por compartilhar sua experiência e deixar meu coração mais tranquilo! ;)

    2. Carol

      Oi Vanessa, meu filho com um ano não esta se levantando e se arrastava de bumbum. Enfim, dentro dos padrões normais- que variam mto!! Mas mãe é mãe e insisti com o pediatra, e fomos para uma fisio, e ela descobriu q ele tinha uma hipotonia muscular, ou seja não tinha mta força para sustentar o corpinho. Hj depois de 3 meses de Fisio, ele já esta quase andando. Vá ver uma Fisio sim, confie no seu instinto.

  2. Juliane

    O jumperoo faz mal às articulações do bebê. Uma amiga que é fisioterapeuta disse que sim… mas não achei nada sobre o assunto na Internet. Alguém tem maiores informações?

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