Técnica de BLW na introdução alimentar

Muitas leitoras me escrevem pedindo que eu aborde um tema que é ainda novidade aqui no Brasil, mas que vem conquistando cada vez mais adeptas: a introdução alimentar através da técnica de BLW.

Para quem nunca tinha ouvido falar disso, o BLW é a sigla em inglês para Baby-led Weaning, que traduzido bem ao pé da letra é o “desmame que o bebê lidera”. É um movimento que incentiva que a introdução de alimentos sólidos além do leite materno na dieta do bebê deve começar, após os seis meses de idade, com a mesma comida que os adultos ou crianças mais velha comem, ou seja, em pedaços, na textura original e não batidos em papinhas.

tecnica de blw

Photo Credit: Scott SM via Compfight cc

Além disso, a ideia é que o bebê escolha o que ele quer comer pela sua própria curiosidade, sentando na mesa com os pais durante as refeições e pegando os alimentos com as mãos, levando-os à boca, experimentando, no sentido mais literal da palavra. Dessa maneira, o bebê aceitaria mais facilmente todos os alimentos, pois se acostumaria com o sabor e a textura específica de cada um e os pais não precisariam se preocupar em fazer e levar papinhas para restaurantes e outros locais, já que o bebê come de tudo. Além disso, aproveitaria mais as fibras que são destruídas quando amassadas ou batidas no liquidificador e se acostumaria com o sabor de cada alimento, não de misturas de ingredientes.

O conceito e o movimento foram criados por uma consultora em saúde, a britânica Gill Rapley, que escreveu um livro sobre o assunto em 2008 e já tem bastante adeptos na Europa e nos EUA, mas está começando a ser mais falado por aqui. Tanto que não encontrei muitas reportagens sobre o tema ou médicos falando sobre o assunto. Também não encontrei ninguém falando que é perigoso ou que não se deve fazer, então reuni alguns pontos importantes que você deve pensar antes de se decidir por esta técnica.

  • A experiência sensorial – uma das vantagens do BLW é que a criança não está apenas se alimentando, mas conhecendo os alimentos e exercitando o tato, a visão, o olfato, já que ela pode escolher o que quer, pegar, sentir o cheiro, mastigar
  • Paciência – em casa, durante as refeições da família, os pais devem colocar o bebê no cadeirão e não usar pratos, potes ou talheres, mas deixar que o bebê coma direto na bandeja. Isso vai fazer mais sujeira e vocês precisam estar preparados para isso. Uma das dicas é forrar o chão com plástico ou jornal
  • Tranquilidade – fica mais difícil controlar o quê e quanto o seu filho está comendo, isso pode deixar muitas mães e pais em pânico com relação a nutrição mesmo, se ele está comendo o suficiente. Os adeptos do movimento dizem que o próprio bebê vai saber ingerir o que precisa, nem mais nem menos, e isso serve inclusive para que ele aprenda a ter hábitos saudáveis de se alimentar, o que é útil no combate à obesidade infantil. Na dúvida, seu pediatra pode ajudar você a saber se seu filho está ganhando peso e altura dentro da curva de crescimento esperada e se está faltando algum nutriente
  • E se ele se engasgar? – é o maior medo de quem pensa sobre essa técnica. Afinal, aqueles pedaços não serão “demais” para o pequeno? A primeira coisa é que os alimentos devem estar cortados em palitos e cubos de tamanhos menores, você não vai dar logo de cara uma coxona de frango para seu filho. E pode ser que ele dê umas engasgadinhas no começo, mas o que se observa é que eles mesmos aprendem a controlar esse engasgo, a não pegar pedaços grandes e a não tentar engolir o que ainda não está pronto para isso. Mas a recomendação é a mesma: o bebê NUNCA deve ficar sozinho comendo, assim, caso ele se engasgue, terá alguém por perto para acudi-lo
  • Ter a ver com você – toda essa proposta pode parecer muito legal, mas de nada adianta se os hábitos da sua família não encaixarem com isso. Se vocês nunca fazem refeições juntos, não comem muitos alimentos saudáveis (afinal, não adianta dar lasanha congelada ou nuggets para o bebê, né?), e não têm uma rotina em que o tempo e a paciência exigidos pelo BLW, é melhor seguir no método que mais encaixa com o seu perfil e que deixe seu filho com saúde e feliz!

Com o Leo eu optei pela introdução tradicional de sólidos, ou seja, comecei com as papinhas de frutas e depois segui com as papinhas salgadas, sempre oferecendo um alimento por vez, escolhido por mim, e bem batidinho (não tinha pedaços no início). Leo comeu sempre comeu super bem, assim, posso dizer que a o método traidiconal funcionou bem por aqui e não haveria por que mudar.

Por outro lado, vejo também algumas vantagens na técnica BLW então, com o Caê, quem sabe, eu não tente algo diferente? Ou pense em fazer um mix das duas técnicas? Vamos ver. Mas já estou dando uma olhada nas coisas para me informar e pensar melhor sobre o assunto.

 

9 comentários

  1. Aline

    Eu optei pelo mix, no começo fiz sim papinhase mas sempre oferecia, frutas principalmente, de maneira mais sólida para que ele fosse se adaptando pois pensei no começo em como o organismo dele não estava preparado para alimentos sólidos afinal era só leite materno e com 8 meses meu filho comia de tudoo que eu comia, foi um sucesso.

  2. Monica França

    Acho que vou tentar as duas técnicas. Só para garantir que minha filha esteja comendo a quantidade necessária.

  3. Amanda

    Acho que o mix das duas técnicas é bem interessante. Frutas e gelatinas já foram oferecidas desta maneira e foram um sucesso!

  4. Juliana

    Aqui em casa tentamos um mix das duas coisas, no começo até funcionou, frutas eram oferecidas em pedaços e raladas ou amassadas e a comida de sal em sopinhas somente amassadas com o garfo. Porém, mais ou menos um mês depois da introdução da papa salgada, os dentinhos de cima da minha filha começaram a nascer, e ela passou a se recusar a ser alimentada com a colher. Resultado: BLW a valer aqui em casa. O estranho era que algumas frutas ela aceitava com a colher (como mamão, que ela só come se misturado com suco de laranja), mas todo o resto ela comia com suas próprias mãozinhas.

    E deu certo. Hoje ela está com 1 aninho, come de tudo e às vezes aceita que a gente dê a comida a ela, outras ela mesma quer pegar o garfinho e se alimentar.

    Faz sujeira sim, é uma refeição sem pressa mesmo, mas dá muito orgulho ver eles comendo sozinhos.
    No início eu ficava nervosa quando ela enchia a boquinha de comida, com medo dela se engasgar, mas tem que confiar no bebê. Minha Catarina nunca se engasgou com comida, ela colocava para fora o que estava demais na boquinha (um babeiro com bolso é essencial nessa jornada), e algumas vezes pegava de volta a comida que havia cuspido… hahahaha

    Hoje os pedaços estão menores, e ela não cospe mais (quando com fome, porque se ela começa com esse comportamento, é porque não quer mais).

    No final, achei libertador poder chegar em um restaurante e pedir carne e legumes para ela, sem ter que me preocupar em levar a papinha e pedir para esquentar.

    A única coisa que me preocupei sempre, foi em pedir os alimentos sem sal, até ela completar um ano, e até me acostumei a comer assim (porque eu comia a mesma coisa que ela, sempre).

    1. Macetes de Mãe

      Que bacana seu depoimento, Juliana!
      Obrigada por compartilhar :)
      Bjss

  5. Alyne

    Meu filho já vai fazer 6 meses e ainda não sei direito o que da

  6. Luciana

    Li que é para cortar em palitos ou cubos, mas qual o tamanho dos alimentos? Uma conhecida diz que o bebê dela sempre se engasga com os alimentos em pedaços e ela tem que intervir. Essa técnica é muito boa, porém difícil de ser praticada por quem trabalha e deixa o bebê em berçário ou com cuidadoras, mesmo conversando e solicitando que seja feita não temos garantia que vão fazer a nossa vontade.

  7. Paula

    Luciana, o tamanho do alimento deve ser cortado do tamanho do pulso do bebê. Vou super aderir, acho q o bebê sabe a quantidade ideal que deve comer, assim como na amamentação.

  8. Shirley

    Meu bebe ainda nem nasceu ,mais achei super top a dica , e com certeza fareisim após os 6 meses !! Posto novidades quando começar!😂😂😍😍😘😘

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