A importância da alimentação nos primeiros mil dias da criança

O post de hoje foi escrito pela Nutricionista Materno Infantil Flávia Montanari e fala sobre a importância de uma alimentação rica, saudável e balanceada nos primeiros 1000 dias do bebê (período que compreende a gestação e os primeiros 2 anos). A Flávia é responsável técnica e diretora administrativa da Pueri Nutri – Consultoria e Assessoria em Nutrição.

Ótimas dicas, vale a pena a leitura!

A importância da alimentação nos primeiros mil dias da criança

Por Flávia Montanari – Nutricionista Materno Infantil

mil dias

Photo Credit: .imelda via Compfight cc

Você já ouviu falar na importância dos primeiros 1000 dias de vida da criança?… A soma do período de gestação (270 dias) com os dois primeiros anos de vida da criança (730 dias) são fundamentais para o seu desenvolvimento físico e mental, e a nutrição adequada é essencial nessa fase, para que possam crescer de forma saudável e desenvolver o seu potencial máximo.

A programação metabólica ou programming é o processo que o estado nutricional e a alimentação da mãe durante a gestação e a amamentação, além da introdução correta de alimentos complementares para o seu filho, exercem efeitos decisivos sobre o metabolismo, composição corporal e sobre a fisiologia do bebê, e para sempre.

Portanto, alimentar-se de forma consciente e responsável, antes mesmo da gravidez até a amamentação e introduzir de forma correta a alimentação do bebê, são os primeiros atos de amor que uma mãe pode dedicar ao seu filho.

Nove meses de muito amor e dedicação:

Chegou a hora de “pegar mais leve”, se exigir menos, se alimentar melhor, por você e pelo seu bebê. Ao engravidar, o organismo da mulher começa um processo de ajustes metabólicos para propiciar condições favoráveis a vida de seu filho, e tudo aquilo que a mulher come durante os nove meses ajuda a determinar o paladar e o olfato do bebê.

Cuidados com a desnutrição ou restrições alimentares, o ganho excessivo de peso, a exposição aos xenobióticos (substâncias encontradas na fumaça do cigarro, poluição, agrotóxicos presentes nos vegetais, nos medicamentos, aditivos alimentares, etc.), e o estresse, é necessário para proteger a vida e a saúde do seu filho, evitando, assim, complicações futuras para o desenvolvimento motor, cognitivo e intelectual do bebê, além de prevenir a predisposição de doenças crônicas não transmissíveis, como obesidade, diabetes, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, dislipidemias, câncer, entre outras.

Se já existia uma dieta equilibrada antes da gravidez provavelmente não é necessário grandes alterações, mas devem-se ter alguns cuidados para assegurar que o bebê obtenha todos os nutrientes e nas proporções corretas.

Amamentar é amar:

A prática do aleitamento materno, além de trazer inúmeros benefícios a mãe, pode prevenir o desenvolvimento de algumas doenças, infecções e alergias, pois além de nutrir adequadamente o bebê, o leite materno confere papel protetor contra algumas doenças na infância e na vida adulta, entre elas a obesidade. Entretanto, seus efeitos positivos estão intimamente ligados ao tempo do aleitamento, sendo assim, é fundamental garantir o mínimo de seis meses de leite materno exclusivamente aos bebês.

O leite humano atende perfeitamente as necessidades dos bebês, sendo considerado muito mais do que um conjunto de nutrientes, pois garante a boa formação do cérebro, uma programação metabólica adequada e o sistema imunológico fortalecido. Além de todos estes benefícios, o leite materno permite também a experiência com sabores variados (influenciada pela alimentação da mãe, facilitando a aceitação posterior de outros alimentos) e a autorregulação do volume ingerido, importante para o desenvolvimento da saciedade.

A saúde do seu bebê depende do que você é e faz antes mesmo dele existir. Durante a gestação e amamentação, tudo o que você come, pensa, sente e respira pode estar definindo o futuro do seu filho.

A importância da correta introdução de alimentos complementares:

A partir dos seis meses, o bebê deve continuar recebendo o aleitamento materno com a complementação de outros alimentos, com preferência para uma alimentação saudável e variada.

O período de introdução da alimentação complementar é de elevado risco para a criança, tanto pela oferta de alimentos não saudáveis, quanto pelo risco de sua contaminação devido a manipulação e ao preparo inadequado, portanto, qualquer cuidado quanto a escolha de alimentos saudáveis, e aos processos adequados de higienização e manipulação de utensílios e alimentos da criança são imprescindíveis.

Os alimentos complementares são preparados especialmente para a criança do 6º a 11º mês, com evolução de quantidades e consistências, até que ela possa receber os alimentos na mesma consistência dos consumidos pela família quando completar um ano de idade. Inicialmente, devem ser oferecidos na forma de papa, evoluindo para pedaços pequenos. A composição da dieta deve ser equilibrada, variada, colorida e fornecer todos os tipos de nutrientes.

Dicas para o lanche da manhã e tarde:

– Oferecer frutas da época, diariamente, evoluindo a consistência de acordo com a faixa etária da criança;

– Os sucos devem ser naturais, uma fruta de cada vez, sem adição de açúcar. Oferecer em copos de transição;

– Oferecer água filtrada e fervida, nos intervalos das refeições;

– Aos sete meses de idade, o consumo de líquidos, (sucos de frutas naturais e água) não deverá ultrapassar 100 ml por dia;

– Nunca oferecer leite de vaca antes de um ano de idade;

– Ofertar à criança um novo alimento em torno de oito a dez vezes, caso a mesma recuse-o em algum momento. Entretanto, não se deve ofertar comida ou insistir para que a criança coma, quando ela não está com fome, caso contrário, estará estimulando uma super alimentação o que contribuirá para problemas futuros da criança.

Atenção!!! Apesar da praticidade, evite a oferta de alimentos industrializados para crianças menores de 2 anos de idade, para não alterar o paladar e prejudicar o hábito alimentar.

Dicas para o almoço e jantar:

– Não é necessário liquidificar e/ou passar na peneira, apenas amassar com o garfo para fortalecer a musculatura facial;

– Não adicionar sal, caldos e temperos industrializados;

– Oferecer alimentos ricos em Omega 3, como os peixes e azeites;

– Incluir nas preparações das papas, o ovo (inteiro), alimento rico em colina, vitamina importante para o desenvolvimento cerebral;

– Ofertar verduras e legumes diariamente, e sempre variar;

– Realizar as refeições em locais tranquilos, ambientes harmoniosos e agradáveis, sem o uso de televisões e computadores, e de preferência com a família;

– Nunca substituir as papas “salgadas” por preparações lácteas ou lanches;

Atenção!!! O peixe e o ovo, quando ofertados nas papas “salgadas” desde o 6º mês, diminui as chances da criança desenvolver alergia a estes alimentos.

 

Flávia Montanari – Nutricionista Materno Infantil (CRN-3: 25.792)

Responsável Técnica e Diretora Administrativa da Pueri Nutri – Consultoria e Assessoria em Nutrição

 

 

5 comentários

  1. Tatiana Cali

    Muito boas as dicas !!
    Gostei !!!
    Bjs,
    Tati

  2. Alessandra

    Adorei. Sempre há uma dúvida sobre o assunto e o texto está ótimo. Bjs

  3. Bruna

    Muito bom, existe a necessidade de quando introduzir um legume novo dar ele por dias seguidos?

    1. Macetes de Mãe

      Olá, Bruna!
      Acredito que isso faça com que a criança se acostume com o alimento, e, dessa forma, aceite melhor.
      Bjs

  4. Camila

    Oi, minha filha já está com 11 meses e sempre coneu super bem desde o primeiro dia da introdução alimentar( papinhas salgadas e frutas) mas de mais ou menos umas duas semanas não está comendo direito almoço e janta e as frutas está aceita do aos poucos, todos os sabores já conhecidos e apreciados ( pois sempre esperoude boquinha aberta…kkk)

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