Incontinência urinária após o parto

Conversando com as minhas amigas que têm filhos, ouvi várias delas contarem que, depois do parto, passaram a ter problemas de incontinência urinária. E já vi muitas reportagens falando sobre o quanto aumenta a nossa vontade de fazer xixi e mesmo os escapes durante a gestação, mas percebi que não é sempre que se fala que essa incontinência pode permanecer depois da gestação.

Fui atrás disso para entender um pouco melhor. Pelo que li, existem duas situações: uma temporária, logo após o parto, que é continuar com aquele “xixi solto” da gravidez por um tempo e que depois volta ao normal. Isso é bem comum e tem a ver com a readaptação de todos os órgãos da região do abdômem, incluindo o útero, que “esvazia” e precisa de um tempo para voltar ao tamanho que deve ser sem um bebê. Todo o corpo, enfim, precisa de uma readaptação.

incontinencia urinaria

Photo Credit: zubrow via Compfight cc

A outra situação é uma incontinência mais complicada, que nem sempre aparece logo após o parto. O que ocorre é que a gravidez e o parto aumentam as chances da mulher ter incontinência urinária no futuro. A explicação melhor que encontrei foi a do site do Dr. Drauzio Varella: “Nas mulheres, a bexiga fica muito perto do útero, órgão com o formato de uma pera, e a uretra desemboca pouco acima da vagina. Por isso, existe uma relação muito importante e direta entre a bexiga e os órgãos do aparelho reprodutor feminino. Controlar a eliminação da urina pressupõe um ato voluntário comandado pelo sistema nervoso central. Comprometimento da musculatura dos esfíncteres ou do assoalho pélvico, gravidez, tumores malignos ou benignos e outras doenças que comprimam a bexiga podem interferir no controle da micção e provocar incontinência urinária, um distúrbio mais frequente nas mulheres do que nos homens. De 15% a 30% das mulheres acima dos 60 anos perdem urina involuntariamente, quando riem tossem ou espirram, o que atrapalha muito a vida dessas pessoas.”

E eu já ouvi por aí que o parto normal aumenta as chances da incontinência, mas pesquisando vi que a ciência ainda não chegou a conclusões definitivas sobre como é a influência exata do tipo parto. O que se sabe é que a gravidez, de fato, faz diferença: o abdome fica maior e também o bebê faz um peso e uma pressão contra o chamado assoalho pélvico, que pode modificar a musculatura dessa região.

Os médicos recomendam um acompanhamento pós-parto mais dedicado a essas questões para poder prevenir ou diminuir os desconfortos causados pela incontinência no futuro. Nas consultas pós-parto, não se esqueça de comentar com o seu médico como está a sua vontade de fazer xixi e se você está com escapes, em que situações e todos os detalhes. Isso vai ajudá-lo a saber quando e se você precisa de algum tratamento.

Além de exercícios específicos para a musculatura da vagina e do assoalho pélvico, que seu médico pode indicar ou receitar, o tratamento da incontinência pode ser feito com remédios e até com cirurgia, dependendo do caso, da causa e da situação do problema.

3 comentários

  1. Juliana

    usei as calcinhas da Retex após o parto pra incontinência urinaria, muito confortáveis, e da pra lavar e usar novamente, super recomendo.

  2. Elisa

    Aqui na Alemanha os planos de saúde pagam ginástica pós-parto (focalizada em exercícios para o assoalho pélvico). Pelo menos depois do 2° filho todos os ginecologistas recomendam.

  3. Elisa

    Ah, no meu grupo achei interessante que das três mulheres do meu grupo de ginástica pós-parto que mais se queixavam duas tinham passado por cesariana. A professora disse que o que “fera” o assoalho pélvico é a gravidez, nao o parto normal.
    Recomendo muito os exercícios. Aliás sinceramente acho que qualquer mulher adulta devia fazer.

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