Crianças também ficam estressadas

Outro dia estava na internet e me deparei com uma dessas muitas pesquisas que saem por aí e que trazem sempre algum alerta para os pais. Dessa vez, os estudos diziam que as crianças estavam mais estressadas que antes. Me chamou a atenção isso e fui ler mais, sabem por quê? Porque, gente, se tem uma coisa que é muito ruim é ficar estressado e eu fiquei realmente perplexa que as crianças estivessem sofrendo com isso tão cedo. Parece coisa só de adulto, né? Mas não é não e é muito bom que a gente saiba disso para ajudar nossos filhos.

Só para contar o que os pesquisadores fizeram, eles perguntaram aos pais como eles categorizavam o próprio nível de estresse em uma escala de zero a 10. E depois pediram para que eles dessem nota para o nível de estresse dos filhos, de 5 a 13 anos. Resultado foi que eles davam notas altas para o próprio sentimento, e superbaixas para o das crianças. Mas quando os pesquisadores foram analisar, perceberam que essa visão dos pais estava distorcida e que 72% das crianças estavam estressadas e que 60% dos pais não conseguiam notar isso.

Estresse

Photo Credit: WindRanch via Compfight cc

É que muitos deles – e, admito, isso acontece um pouco aqui em casa também – acham que a infância é um período da vida calmo, sem grandes responsabilidades ou cobranças. Pode levantar a mão aí se você também tem um pouco essa visão, não tem problema, você está mais do que acompanhada nisso. Só que não é bem assim.

Os psicólogos apontam um monte de coisas que são muito intensas para os pequenos. Além de brincar, pense só no dia da criança: ela precisa assimilar o que aprende na escola, precisa lidar com todos os sentimentos de raiva, frustração, euforia, amizade, rejeição que acontecem em todas as amizades (lembre-se que criança nem sempre sabe-se expressar, ou esconder os sentimentos, ou entender que algo é ou não socialmente aceitável). E tem todas as coisas externas também: se a situação financeira está difícil em casa, se os pais estão brigando ou em desarmonia, se tem alguém doente na família, ou se alguma pessoa próxima morre…

Tudo isso já me pareceu um bom tanto de coisa para deixar alguém que ainda está aprendendo a lidar com o mundo bastante confuso às vezes. Ou seja, motivos para ficarem estressados sim. Só que, ao contrário dos adultos, as crianças ainda não sabem o que é o estresse, o que isso significa e nem conseguem identificar ou dar nome quando se sentem sob pressão ou com coisas demais para administrar (afinal, o estresse nada mais é do que isso).

Por isso, quem convive com crianças precisa aprender a interpretar os outros sinais que elas dão de que estão com lidando com mais do que podem. Elas se comunicam com a gente como sabem: chorando, ficando mais agressivas, irritadas, respondonas. E também o corpo delas pode reagir, com dor de cabeça e de barriga. Qualquer semelhança com aquela cefaleia ou a famosa gastrite nervosa que muitos adultos têm não é mera coincidência. A gente cresce, mas nosso corpo continuar achando as mesmas maneiras de mostrar para gente que precisa de um tempo.

Agora, uma das grandes questões é o que fazer se a gente descobrir que nosso filho está estressado mesmo. E, mais ainda: o que fazer para evitar que ele fique estressado. Do que li por aí, o segredo no primeiro caso é dar apoio, carinho, conversar, estar por perto, acalmá-lo nas suas angústias e dúvidas.

Já para evitar o estresse, bom. Tem coisas que não vão ter jeito mesmo, como quando tem alguém doente ou ocorre uma morte na família, por exemplo. Aí a única coisa a fazer é administrar e dar conforto e segurança. Mas outras coisas tem como evitar, dizem os especialistas. Uma delas é não fazer do dia do seu filho uma sequência insana de tarefas como ir pra escola, pro futebol, pra natação, pro inglês para o judô. É preciso que ele tenha tempo livre para brincar e para fazer nada também. Tome cuidado com as cobranças e expectativas que você coloca no futuro dele! E, por último, mas não menos importante, cuide do seu nível de estresse: quanto menos estressados estiverem os pais, menos problemas desse tipo terão as crianças!

1 comentário

  1. Clarianabarbosa

    Bem interansante o assunto

Deixe seu comentário