Icterícia: o que você precisa saber

Desde a gravidez, a gente já começa a saber que tipo de problemas nossos bebês podem enfrentar ao nascer. Vão desde a dificuldade para pegar o bico do peito, as famosas cólicas, alergia a fralda, peso mais baixo… nossa, é uma infinidade. Depois ainda perguntam por que muitas mães ficam aflitas e inseguras, né, gente? Bom, um desses problemas, que todo mundo fala e que é bem comum, é a icterícia. Quem não conhece um bebê que tenha tido isso? Meus dois pequenos, por exemplo, tiveram.

A icterícia é um problema que aparece nos bebês recém-nascidos e deixa a pele amarelada, tanto que é popularmente conhecida como “amarelão”. Em geral não é nada grave e melhor rápido, mas é preciso estar atenta, pois em alguns casos a situação pode se complicar se não for controlada a tempo.

Icterícia

Photo Credit: Martin McDonald via Compfight cc

Vamos começar do começo: a icterícia ocorre por conta de uma substância chamada bilirrubina, que está presente normalmente no sangue, mais especificamente na hemoglobina, e é resultado do metabolismo dessas células. Ela tem uma coloração amarelada, é tóxica, e está presente em crianças e adultos, mas é normalmente metabolizada pelo fígado. O que acontece é que nos bebês, logo após o nascimento pode acontecer da quantidade ficar muito aumentada por conta da transição da vida de dentro da barriga para a vida de fora da barriga e todas as adaptações que o organismo precisa fazer.

Dentro do útero, como o oxigênio é mais escasso, o bebê precisa de altas concentrações de hemoglobina para aproveitar esse oxigênio da melhor maneira. Já quando vem pro lado de fora, essa necessidade não é tão grande, mas não é como apertar um botão e fazer todo o sangue funcionar de outro jeito de uma hora para outra.

Por conta disso, a bilirrubina acaba ficando excessiva, o fígado não dá conta de processá-la toda, e deixa a pele e os olhos amarelados. Uma icterícia leve é normal e ocorre em cerca de 50% a 70% dos recém-nascidos e é mais frequente ainda nos prematuros. Também é um problema mais comum em bebês de origem asiática do que nos outros e, embora seja comum, ela pode estar associada a algumas outras situações, como a incompatibilidade sanguínea entre mãe e filho (como no caso de mãe Rh negativo e filho Rh positivo) ou por alguma outra doença.

O amarelado na pele aparece logo nos primeiros dias após o nascimento. O pico normalmente é no segundo ou terceiro dia, quando normalmente o bebê ainda está na maternidade, o que facilita muito a identificação e o tratamento do problema. De qualquer maneira, caso o seu bebê nasça em casa, é bom estar atenta aos sinais: a coloração amarelada aparece primeiro na pele do rosto e da cabeça – pode aparecer também no branco dos olhos – depois no tórax, no abdômen e só no final nas pernas. Aos primeiros sinais, consulte seu pediatra para ele determinar a situação e que tipo de tratamento será o mais adequado.

Quando ainda estão na maternidade, os bebês costumam receber o chamado banho de luz artificial, cujo termo correto é fototerapia. Em um berço, ele fica sem roupa, com os olhos cobertos por uma máscara protetora e recebe luz de lâmpadas fluorescentes azuis, que ajudam o organismo a metabolizar a bilirrubina. O tempo e a frequência do tratamento vão variar de criança para criança, conforme o peso, a idade gestacional ao nascer, o nível de gravidade de icterícia.

Agindo da maneira correta e com rapidez, logo ao perceber a icterícia na maternidade ou em casa, o problema é resolvido sem grandes demora e não causa nenhuma consequência. Em casos muito, muito raros, da chamada icterícia patológica, o bebê pode ter sequelas como surdez e até outros danos cerebrais. O resumo da ópera e recado que fica é que se o seu bebê for diagnosticado como tendo icterícia, não é preciso se preocupar demais, nem se desesperar, pois o tratamento é simples, indolor e rápido. Mas nada de deixar passar se você notar a pele dele amarelada. Pergunte mesmo ao seu pediatra, sem vergonha e nem medo de estar sendo exagerada.

10 comentários

  1. maria

    É perigoso nesta idade? Pode ter sequelas?

  2. maria

    Por favor.
    É normal dar em bebês de 7 meses? Ou ela nasceu e não foi diagnosticada com icterícia…?
    A pele toda está amarela o nariz e em volta dos olhinhos estão todos amarelinhos…Por favor me ajude. Deus abençoe

  3. Rosangela Passos

    Hoje lendo sobre o assunto vejo que é simples e tranquilo, mas … quando estamos vivendo é um desespero total, mãe de primeira viajem e saindo de uma cesariana ansiosa para chegar em casa foi muito difícil para mim e meu esposo ver nossa filha tão pequena naquele bercinho foram os dias mas horrível de medo, sono e muito desespero; minha filha fez exames de sangue todos os dias (por conta da nossa incompatibilidade sanguínea) enquanto esteve na maternidade e a noite ela queria colo e eu não podia tira-la do bercinho foi PANK, mas graças ao senhor hoje consigo falar sobre o assunto e toda dor ficou nas lembranças do passado.

  4. Fabi

    O meu filho teve icterícia quando nasceu. Foi logo identificado e tratado, então pra mim foi bem tranquilo…
    Mas isso me fez pensar sobre o parto humanizado. Apesar de ser a favor do parto normal/natural, tenho minhas dúvidas quanto à partos humanizados feitos em casa sem acompanhamento médico.
    Será que por não ter acompanhamento médico 24h nos primeiros dias de vida assim como é feito no hospital, um bebê nascido em casa não estaria mais suscetível a correr algum risco por uma não identificação de uma doença simples como essa, que pode se agravar se não identificada logo?

  5. Cristina

    Vale alertar tb que os bebes que nascem com ictericia tendem a dormir mais do que o normal nos primeiros dias, enquanto o certo eh que devam mamar bastante para ajudar no tratamento fazendo bastante xixi para elimininar a bilirrubina. Minha filha nasceu com ictericia e quem me defa ter sido mais bem informada pelos medicos na epoca!

  6. Cristiane

    Estou neste instante amamentando meu bebê no hospital! Ele ficará 36 horas internado, para fototerapia! Seu post me ajudou, tenho outras 3 crianças que não tiveram esse problema…não é fácil…

    1. Adriene

      Cristiane,

      Fique calma, realmente nao ha com que se preocupar, meus 2 filhos tiveram.
      Sei que é muito difícil para uma mãe ver seu filho recém nascido em uma situação como essa. Meu segundo filho tem 3 meses e ainda está muito recente em minha memória essa dor de ter ficado no hospital.

  7. Nelisa

    Minho filha teve e ficou internada três dias no hospital fazendo fototerapia. Foi muito difícil pois estava no quarto dia pos cesárea… Mas Graças a Deus se recuperou e hoje está linda!!!

  8. Roberta

    Minha filha teve, noite inteira na fototerapia, pense numa mãe pós cesárea, destruída, de pé do lado do berço a noite inteira…. pior noite.

  9. Roberta

    Minha filha teve, pense numa mãe pós cesárea destruída a noite toda segurando a máscara… pior noite da minha vida.

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