Um relato sincero sobre depressão pós-parto

Hoje, quem fala com vocês é a leitora Samara, que me enviou um sincero e emocionante relato sobre a depressão pós parto que ela viveu após o nascimento do seu primeiro filho.

Vale a pena ler, entender, e se sensibilizar com essa história. Acho muito importante compartilhar relatos sobre depressão pós-parto porque, primeiramente, esse é um assunto importante, que por muito tempo foi pouco abordado e também porque, muitas mães podem estar vivendo esse problema sem perceber (e assim, não estarem indo atrás do tratamento adequado e necessário).

Em breve o assunto depressão pós parto será abordado novamente aqui no blog. E se vocês quiserem ler o que já foi escrito sobre isso, leia esse e esse post.

depressao pos parto1

Photo Credit: Parker Knight via Compfight cc

Depressão pós-parto – texto escrito por Samara Barros

Em outubro de 2014 eu descobri que estava grávida.

Claro que não foi exatamente uma surpresa, já que virginiana e planejada como sou, eu já tinha feito todos os exames, tomado as vacinas, azucrinado o marido para fazer um espermograma e já cogitava uma histerossalpingografia. Aos 16 anos ouvi de um médico que poderia ter ovários policísticos e desde então eu tinha quase certeza que teria problemas para engravidar (otimismo nunca foi o meu forte).

Pois bem, começamos a tentar e conseguimos depois de…2 meses!

Nesse ponto, é importante descrever como era minha vida até então: trabalhava 10 horas por dia, saía com amigos de diferentes turmas ao menos uma vez por semana, fazia academia (e gostava…muito!), corria no parque (no mínimo, 10km, pra valer a pena), nossa casa recebia amigos todo final de semana, adorava comprar roupas e não saía de casa sem um belo salto alto. Além disso, costumava dizer que era uma vida pautada em planejar a viagem anual de férias (sempre passando por NYC, minha grande paixão).

Depois de descobrir a gravidez, a minha vida permaneceu quase assim. Diminui a corrida para caminhada, parei a academia (o sono não me permitia) e a cerveja passou a ser sem álcool. Mas segui firme e forte no salto alto até 3 dias antes do parto. Nunca tive um enjôo sequer.

Li os livros indicados para “encantar o bebê”, tinha certeza que estava tudo entendido e que eu conseguiria compreendê-lo, afinal bastava “classificá-lo”e seguir as instruçōes.

No dia 17 de junho de 2015, nasceu o João. Ás 2 da manhã, depois de 7 horas de trabalho de parto que resultaram em 0,5 cm de dilatação, ele chegou por uma cesariana tranquila e rápida.

E, a partir daquele momento, a minha vida se resumiu em uma única sensação: medo.

Primeiro o medo de sair da maternidade e voltar para casa, que me levou a uma crise de choro já no estacionamento. Ao olhar para o meu bebê pequeno e indefeso ali na cadeirinha eu queria apenas desaparecer.

Nao tive nem de perto a sensação do “maior amor do mundo”, as lágrimas não foram de emoção, foram de desespero. Eu só pensava que aquela vida que eu tinha antes, jamais voltaria.

Numa sexta-feira fria e chuvosa viemos para casa, nem minha casa que eu adorava tanto parecia me acolher. Eu sequer sabia onde ficar dentro dela.

Nos dois dias que se seguiram, as famílias se revezaram, trazendo comida e nos dando apoio. João pegou o peito já na maternidade direitinho, nunca tive uma fissura sequer, nada. Ele dormia boa parte do tempo, mas obviamente chorava em alguns momentos. Principalmente à noite. É nós simplesmente não fazíamos idéia de como acalmá-lo (isso não vem nos livros). Balançava, acolhia e nada. Fazia o shhhhhh, charutinho e em algum momento ele acabava adormecendo. E eu não dormia, preocupada com a hora em que ele acordaria e eu não saberia o que fazer com ele. Dizia o livro que ele devia comer, depois fazer alguma atividade e depois dormiria, então eu teria um tempo pra mim. Mas que raio de atividade se faz com um bebê de 5 dias????

No 5o dia de vida dele fomos ao pediatra, a avaliação foi: engordou X gramas, está bom. Mas poderia estar melhor.

Pronto! Aquilo basicamente, me destruiu. A amamentação passou a ser um martírio: João ficava uma hora e meia no peito e o médico dizia que ele deveria ficar no máximo 40 min. O mesmo dizia que ele devia sair desmaiado depois de mamar, isso NUNCA aconteceu até hoje…e eu me sentia um ET em forma de mãe. Uma amiga descreveu perfeitamente: foi como um homem ouvir que é brocha.

Depois disso, foi ladeira abaixo. Meu marido perguntava se ele tinha mamado bastante, eu chorava porque não tinha a menor idéia. Minha mãe sugeria a mamadeira, eu chorava porque nunca tinha visto um bebê de um mês ter que tomar fórmula. Tomei e comi absolutamente tudo que diziam aumentar a produção de leite: nada funcionou. E com

isso, parti mesmo para a mamadeira, meu primeiro atestado de incapacidade, como eu pensava na época.

Os dias se passavam, todos iguais. Minha mãe vinha e ficava comigo umas 3 horas, fazia o almoço, arrumava a casa e me dava um tempo para tomar banho e comer.

O resto do dia era uma solidão sem fim, sentada no sofá eu esperava ele acordar, dava de mamar e rezava para ele dormir de novo. Por medo de que ele chorasse, eu não saía de casa. Pelo mesmo motivo, eu não queria receber ninguém.

As noites eram uma tortura: geladas e solitárias, amamentando sozinha no quarto dele e vendo a vida dos outros em plena atividade na internet. As pessoas na academia, no happy hour, nos lugares que faziam parte da minha vida de antes.

Quando meu marido ficava com ele, eu tomava um banho mais demorado e desatava a chorar.

Até hoje tenho escrito num caderninho ao lado da minha cama: 22 dias de medo. Era minha sensação depois de quase um mês.

Eu praticamente não tenho nenhuma lembrança boa desse primeiro mês, infelizmente.

Eu estava em transe e não entendia porque.

Foi então que voltei a fazer terapia e na primeira sessão eu praticamente só chorei,contei a ela da minha tristeza, da minha solidão e, por que não dizer, da minha decepção com tudo aquilo. De como eu queria desaparecer, ir embora e voltar daqui um ano, de como eu queria voltar a ter a minha vida tão boa de antes.

Nesse mesmo momento eu passei a ir para a casa da minha mãe alguns dias da semana. Lá eu me sentia melhor, ela me acompanhava dia e noite, acordava comigo nas madrugadas, cuidava de mim. Sempre voltava pra casa angustiada, cada vez mais.

Aos domingos, sabendo que no dia seguinte estaria sozinha, me faltava o ar, meu coração parecia que estava esmagado. Vieram as cólicas, mais desespero, mais choro. Os finais de tarde eram assustadores, me lembro de um em que ele chorava e eu rezava na varanda, pedia a Deus que me ajudasse, que me tirasse daquela situação.

Depois de quase 2 meses nessa rotina, eu não conseguia  mais respirar, contava os minutos para meu marido chegar do trabalho desde a hora em que ele saía de manhã.

A essa altura, eu estava passando praticamente a semana na casa da minha mãe, só conseguia me sentir melhor lá. Ainda assim, ela saía para ir ao supermercado, eu ficava apavorada.

Praticamente, eu não tinha nenhum momento de felicidade, só conseguia sentir tristeza. Joao crescia bem, saudável e eu não conseguia aproveitar nada.

Me lembro de um domingo, quando fomos a um churrasco da família do meu marido e eu não conseguia sequer conversar. Estava apática, hipnotizada por essa sensação horrorosa de medo. Me preocupava que ele chorasse, que ele estivesse sofrendo por algum motivo e eu sentia que precisava estar com ele o tempo todo para evitar isso.

Na mesma semana minha mãe teve que fazer uma viagem com meu pai e minha irmã e eu tive uma crise, entrei em pânico, passei horas chorando e, de fato, achei que ia morrer. O único pensamento que eu tinha era: se eu sumir, sera que meu marido cuida do meu filho? Talvez seja até melhor para ele pois não teria que conviver com uma mãe assim.

E enfim procurei uma psiquiatra que confirmou o diagnóstico: depressão pós-parto.

Ela me explicou que isso era uma doença e que, como toda doença, precisa ser tratada com remédios. Disse ainda que essa crise foi resultado de uma queda brusca hormonal somada à uma cobraça muito forte comigo mesma e uma expectativa muito alta (e, obviamente, nāo atingida).

Porém, a orientação mais importante que recebi foi: faça apenas o que tem vontade. Analisando hoje, acho que poucas vezes fiz só o que tinha vontade, isso porque o que os outros pensariam era uma preocupação constante na minha vida.

Na semana seguinte,  me mudei para a casa da minha mãe, onde encontrei companhia, apoio e acolhimento. Meu marido me apoiou completamente, ele vivenciou a crise, foi comigo à psiquiatra e entendeu o que se passava. Ele ainda assumiu a responsabilidade de explicar às pessoas o porque de eu deixar a minha casa, o que nem sempre é fácil de entender. Já que uma pessoa que acaba de ganhar um bebê lindo e saudável deveria estar plenamente feliz e satisfeita.

E assim, aos poucos e bem devagar, as coisas foram entrando nos eixos. Eu comecei a reconhecer as pequenas felicidades nas evoluçōes do João, e fui conseguindo me conectar a ele. O medo foi sendo suavizado pelo carinho, pela segurança de que eu não estava só. Reconheci que eu precisava de ajuda, e me deixei ser ajudada, e foi assim que fui deixando o fundo do poço.

Uma vez eu li que estar em depressão é como morrer e continuar vivo, acho que essa é a melhor descrição da doença. O que agrava, no caso da depressāo pós-parto é que além de continuar vivo, você precisa cuidar de um serzinho que depende 100% de você, não dá para simplesmente se trancar num quarto e dormir até passar.

Hoje eu entendo o que se passou comigo: eu sofri a perda e o luto da Samara que deixou de existir, que se foi junto com o parto. Hoje não me sinto mais culpada em assumir que não existe um dia sequer que não sinta falta da academia, da corrida, do cinema e do happy hour.

Ao mesmo tempo, conheci e estou aprendendo a ser feliz sendo a Samara, mãe do João. Vivo hoje uma paixão pelo meu filhote que ilumina meus dias com seu sorriso banguela e com a doçura do seu olhar.

Eu faço questão de contar o que passei, não sou a pessoa que diz que ser mãe é a melhor coisa do mundo porque ainda não atingi esse estágio. E honestamente, nem tenho grandes expectativas quanto a isso. Penso que ser mãe é bom, assim como ser solteira é bom e ser casada também é. Cada coisa no seu tempo.

Essa semana João fez 5 meses, em breve vamos nos separar porque voltarei a trabalhar. Sentirei falta dele a cada minuto, pensarei nele em cada momento do meu dia, mas não nego a alegria de reencontrar mais um pedacinho da Samara de antes. Afinal, eu continuo gostando muito dela e vai ser bom matar um pouco da saudade.

 

35 comentários

  1. Luci

    Parabéns Samara! Texto lindo e corajoso! Bjs

  2. Rosileni

    Lindo e verdadeiro!!!
    Vivemos uma história muito parecida.
    Parabéns pela sinceridade e esteja certa que tudo vai ficar bem!

  3. Que depoimento lindo e verdadeira! Obrigada por compartilhar conosco, Samara.
    Eu não tive depressão pós-parto, mas sinto, sim, muita falta da minha vida antes da maternidade.
    Fiz uma poesia, quando voltei ao trabalho, que fala um pouco disso.
    http://www.somelhora.com.br/index.php/2015/11/12/setimo-mes-do-bebe-retorno-ao-trabalho/

    1. Denise

      Linda sua poesia. O Vinícius está com 4 meses. Sinto falta do meu trabalho, mas tbm seu que ficarei com o coração partido. Amei!

  4. Deborah Lima

    Olá. Fiquei emocionada com o texto. Transmite bem um sentimento tão comum, mas pouco falado. Todo mundo acha maravilhoso a chegada do bb , alem do próprio bb. Mas a mãe fica esquecida. Passamos por muitos momentos de solidão. E de fato pra mim, ser mãe não é tudo. Provavelmente seja a melhor parte de mim. Mas a maternidade por si só não me completa.

  5. Denise

    Adorei o texto! Muita gratidão por compartilhar conosco um momento tão íntimo.

  6. Vanessa

    Me identifiquei muito com sua história. E no meu caso, quando ele fez 1 mês comecei a sentir fortes dores abdominais, então, descobri pedra na vesícula e fiquei 1 mês inteiro sofrendo com minha dor. Quando ele fez 2 meses fiz a cirurgia e fiquei 1 semana internada. Ali chorava com saudade do BB mas tb por não saber o que fazer ao voltar pra casa. Hoje, 1 ano e 10 meses depois digo que meu filho é minha razão de viver e que o amo mais que tudo!

  7. Rafaella

    Samara,
    Obrigada por dividir este momento conosco! Tive a depressão pós parto diagnosticada com 10 meses. Foi um período muito difícil entre choro, medo, desespero, solidão.
    Hoje minha filha de 02 anos e meio, mas ainda continuo o tratamento.
    Seu relato foi um afago na alma, saber que não estou sozinha é o que dá forças.
    Que Deus abençoe sua vida!
    Shirley, amo seu blog! Sigo desde a sua gravidez do Leo e é sempre um bálsamo. Obrigada por dividir experiências reais conosco!
    Um beijo

  8. Suelen

    Lindo seu relato! Chorei ao ler por me encontrar um pouco nele, as vezes, as pessoas acham (assim como eu achei) que é vergonhoso se sentir assim e não procuram ajuda e acaba que a situação fica mais grave. Hoje depois de 11 meses que meu segundo filho nasceu só posso dizer as mamães que estão se sentindo assim é peçam ajuda, diga que está se sentindo só. Doi muito todos esses sentimentos e é necessário compartilha-los.

  9. Juliana

    Muito bom ouvir histórias verdadeiras e pessoais…
    Meu maior problema foi a amamentação.. era o pior momento do dia pra mim e me achava errada por isso… mas quando decidi parar de amamentar, Pietro já estava com quase 2 meses, foi um alívio tão grande, e aos poucos fui começando a gostar de estar com ele… ainda sinto muita falta da vida como era antes.. ele já está com 2 anos e 9 meses… Isso melhora muito.. mas nunca será igual.. ao mesmo tempo o amor cresce.. e não imagino a minha vida sem ele… :) bjss

  10. Alice

    Tenho um bebê de 3 meses e estou vivendo exatamente a mesma situação que vc. Sou psiquiatra e demorei a aceitar que estava doente. Comecei a me tratar e aos poucos estou conseguindo perceber os pequenos prazeres dessa nova vida. Estou ansiosa para voltar ao trabalho pq acho que me ajudará a encarar a maternidade com mais leveza. Obrigada pelo seu depoimento!

  11. Daniela

    Voce me represente Samara! Senti exatamente a mesma coisa que voce. Meu filho hoje tem 2 anos e ainda tenho medo de algumas coisas com relação a ele. Mas é maior amor da monha vida!

  12. Mari

    Me vi na história do começo ao fim!!! O que mais me ajudou foi além do tratamento eu me aceitar e ver que eu não era a única! Muito obrigada! Bjs

  13. Thereza

    Me identifique do início ao fim, passei pelo mesmo martírio. Não tenho boas lembranças dos 3 primeiros meses, olho as fotos e por incrível que pareça eu não lembro das situações em que foram tiradas, como se eu tivesse ficado 3 meses em transe, mas graças a Deus, passou e hoje curto bastante meu filho.

  14. Thais

    Ha 6 anos isso aconteceu comigo. Mas nunca procurei tratamento. E por isso, acho q n me recuperei. Há 2 anos tive outro filho. Por n ter me recuperado do primeiro, vivo na mesma situaçao. As vezes me vejo no fundo do poço. Sem forças. Sem coragem. Sem vontade de fazer nada. Apenas chorar..

    1. Bruna

      Eu também Thais! Não me recuperei do pós parto da minha primeira filha que tem um ano e estou grávida e aterrorizada! Só choro! O pior é que estou sozinha em outro país! Não tenho ninguém por perto pra me ajudar! Não deixe de procurar ajuda psiquiátrica eu vou tentar com todas as manhãs forças encontrar ajuda. Beijos

    2. Winie

      Tem vivi isso é não procurei tratamento pq nem tinha ideia do que fosse. E as pessoas que estavam perto de mim achavam que era frescura. Quando minha filha fez 1 ano e meio tive um surto. E vieram os outros problemas. Tonturas. ..emagrecimento…fraqueza
      . E o diagnóstico de depressão. Não fiz tratamento nenhum pq não tenho plano de saúde e pelo Sus é muito difícil psiquiatra. Mas assim como vc relatou, nunca fiquei bem. Tenho dificuldades pra lidar cm o medo de deixar ela cm outra pessoa pra fazer outras coisas, trabalhar …estudar. Mas tbm não me sinto Feliz totalmente. E assim vou levando. Tem dias que estou bem, outros bem tanto.

  15. Giovanna Furlan

    Que relato emocionante!

  16. Roberta

    Parabéns Samara pelo texto, emocionante, também passei por momentos muito difíceis pós parto, muitas vezes achei que não iria da t conta. As vezes o fracasso tomava conta de mim.

  17. Roberta

    Parabéns Samara pelo texto! Emocionante!

  18. Sheila

    Samara, o que eu posso te dizer, com a minha menininha de 1a e 7m no colo é que ainda vai melhorar muito! Confie, não se culpe, se conecte ao seu bebê e se reconecte com você e com o mundo (acredite, tem espaço para todo mundo). Esse é o meu mantra pessoal. Mas também ainda estou aprendendo. ❤️

  19. Inayara

    Pior foi eu que passei por isso e ainda descobri que meu marido tinha me traído e engravidado outra mulher…

  20. Erica Ikeda

    Samara, que lindo seu relato! Sei o quanto é dificil passar por uma depressão pós-parto, passei pela mesma situação, só não tive muito apoio do meu marido, porque ele achava que eu estava reclamando e chorando demais, foi muito triste. Mas agora o Gui está com 2 anos e as coisas estão entrando nos eixos. Agradeço a Deus e aos meus pais pela força, apoio e amor que tive. Deus abençoe vc e sua família.

  21. Claudia

    Me vi no seu relato e fui às lágrimas lembrando o período que passei após o nascimento da minha filha. Gostaria de enviar o meu relato, pois estou grávida novamente e já estou com medo de passar por tudo isso de novo.

  22. Heather Motta

    Samara- Muita obrigada por sua coragem em compartilhar a sua história dificil. É fundamental que outras saibam que elas não só e de aumentar sensibilização para outras procurarm ajuda. Melhores para o futuro!

  23. Heather Motta

    Muita obrigada por sua coragem em compartilhar a sua história dificil. É fundamental que outras saibam que elas não só e de aumentar sensibilização. Melhores para o futuro!

  24. Marisa

    Incrível…. Acabei de ler o que resume meus últimos 4 meses e meio. Gostaria de dar meu depoimento, Shirlei. Com coragem de falar agora após diagnóstico, remédios e período de dois meses seguidos na casa da minha mãe, a 300km de SP onde moro com meu marido, com todo apoio dele….

    1. Macetes de Mãe

      Olá, Marisa!
      Pode mandar seu depoimento para contato@macetesdemae.com.
      Bjss

  25. Anônimo

    IMPORTANTE:
    Olá, mães… Vou deixar um depoimento aqui.
    Eu já tive mais de uma depressão antes de engravidar, sempre foram tratadas com remédios. Na gravidez suspendi a medicação e bem aos poucos fui deprimindo de novo, sem nem perceber, porque os sintomas estavam muito leves. Quando minha bebê nasceu, ela não tinha nem 1 semana quando veio uma depressão pós-parto terrível em mim. Terrível MESMO. Vocês não imaginam o que eu passei. Foi DEPRESSÃO mesmo, e não “BABY BLUES (baby blues é uma tristeza passageira causada no pós-parto e dura pouquíssimos dias/ semanas.)”.
    A depressão tem vários níveis, de levíssima (praticamente imperceptível, mas suficiente para fazer alguns estragos na vida) à grave. Muitos comentários que eu li de vocês se enquadram perfeitamente em muita coisa que eu senti. E muitas dessas coisas eram apenas fruto da depressão, e não de mim como pessoa.
    Tudo bem que de fato existem muitos casos em que a mãe não tem afinidade alguma com o bebê/ filho, mas a gente não pode confundir isso com um sintoma de depressão pós-parto, entendem? Quero dizer que só depois de tratada a depressão e com o tratamento fazendo o efeito esperado, é que vamos saber se de fato temos afinidade ou não, e se sentimos rejeição ou não a criança.
    No meu caso, quase todas as coisas ruins que eu sentia eram da depressão, não de mim. Com a depressão eu rejeitava a bebê, achava que nunca mais ia ser feliz, que minha vida tinha acabado desde o momento em que ela nasceu. Achava que não tinha mais jeito nem com tratamento, foi terrível. Não quis procurar ajuda médica e no final das contas quem correu atrás pra mim foi a minha família porque eu mesma não acreditava em mais nada. Mas mesmo assim resolvi seguir com a medicação psiquiátrica e com o apoio de um psicólogo. Demorou a fazer efeito, coisa de mais de 2 meses, mas enfim estou melhorando muito, muito mesmo.
    Minha gravidez não foi planejada, eu também não queria ter filhos, mas só depois do tratamento percebi que por mais que eu NÃO QUERIA SER MÃE, não estava havendo rejeição à criança. Foi coisa da depressão, a questão da rejeição. Agora o fato de querer ser mãe, realmente se pudesse voltar atrás teria feito diferente para não engravidar, mas isso não está impedindo que eu volte a ser a pessoa que eu era antes da depressão! E estou até conseguindo me relacionar muito bem com a bebê.
    DEPRESSÃO É ALGO MUITO GRAVE, PODE DURAR ANOS, e precisa ser tratada! Se não for tratada, pode trazer consequências muito piores do que as pessoas imaginam. Sugiro que vocês procurem ajuda de um médico e se possível também de um psicólogo. Com bons profissionais vocês vão descobrir se estão com depressão ou não.
    Assim que se sentirem estranhas, procurem um médico com urgência. Se precisarem, escrevam aqui e eu indico alguns muito bons em São Paulo- SP. Para as que não tem convênio ou dinheiro para um médico particular, procurem um posto de saúde e exponham a situação de vocês, porque aí dependendo da situação da mulher eles encaminham para um psiquiatra.
    As que não estiverem com depressão e que tem mesmo rejeição à criança, imagino que deve ser muito ruim, mas desejo compreensão, paz e amor na vida de vocês :)
    Para as que estão com depressão e não sabem, desejo o mesmo, mas incluindo que vocês consigam um bom médico e psicólogo que possam orientá-las e tratá-las de maneira adequada de forma a sairem desse poço e descobrirem de fato se amam ou não seus filhos :)
    Abraço enorme a todas. Sem exceção de nenhuma, saibam que eu compreendo muito tudo o que todas vocês estão sentindo. Fiquem todas com Deus!

  26. Cassiana

    Coragem te define Samara!! Estamos todas nós junto com vc!!! Parabéns tu é uma grande mae!

  27. Lanna

    Belo texto! Escrito com sinceridade e delicadeza. Realmente só quem passou pra saber.

  28. Roberta

    No meu caso (baby blues) tive o apoio da minha irmã, que teve a neném dela quatro dias antes da minha. Nós conversávamos de madrugada durante as mamadas (que geralmente eram nos mesmo.horários). Contávamos uma pra outra o que sentíamos… Incluindo esses pensamentos de: O que eu fui fazer da minha vida? Que m***a eu fiz? Quero pegar o carro e sumir! Quando falava com mulheres mais velhas ou que tiveram bebê há muito tempo, geralmente ouvia: Ahhhh mas eu não tive isso não! Você deve estar doente!!! Quase acreditei nessas pessoas!!! Mas resolvi conversar com as amigas, aquelas que tiveram bebê recentemente e a conclusão: Absolutamente TODAS tiveram esse sentimento a respeito da maternidade! Todas, em algum momento do comecinho do papel de mãe, tiveram essas mesmas sensações e angústias, se sentindo um monstro psicopata que não ama o filho. Minha dica é: Converse com mães recentes, ouça os relatos delas com o coração aberto, entenda que não estão sozinhas no mundo e que não são a bruxa keka por não se enquadrar no papel mãe-perfeita-comercial-de-margarina. Somos HUMANAS!!! E se perceber que está realmente doente, procure ajuda de profissionais, procure ajuda de quem vai te ouvir e ajudar a sair dessa, não dê ouvidos a pessoas que dizem que você tá fazendo charme pra não cuidar do bebê, não dê ouvidos aquelas mulheres que dizem que no caso delas o “amor foi instantâneo”. Pode até ter sido, mas isso é lá com elas…

  29. Sheila

    Lindo texto. Me identifiquei com cada palavra, cada detalhe. Obrigada por compartilhar.

  30. Nelya

    Amei seu relato. Parece que você contou a minha vida. Somos virginianas e seu filho nasceu exatamente 1 mês depois do meu. O processo de cura foi o mesmo. Eu também tenho um caderno mas é um caderno legado onde conto como se fosse pra meu filho tudo que vivi, como superei e o que venho aprendendo da vida com ele.

  31. Isis

    Maravilhoso o texto, muitas vezes temos depressão e nem somos entendidas e apoiadas, que grande exemplo e a sua família que não só entendeu mas acolheu e ajudou, e muito dificil se mãe…e delicado esse momento pós parto, parabéns pelo relato!

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