Eu era uma mãe perfeita, até ter filhos

Antes de ter filhos, quando eu me imaginava como mãe, eu era perfeita. Eu teria paciência de sobra, nunca perderia a calma, brincaria muito, não daria nada que não fosse absolutamente saudável, conheceria as melhores teorias sobre criação dos filhos, saberia exatamente como agir no caso de um ataque de birra, saberia educar, entender e corrigir, não gritaria, não reclamaria, não deixaria assistir à TV, não deixaria brincar com tablets e afins, priorizaria só brincadeiras lúdicas, seguiria sempre uma rotina organizada, dentre tantas outras coisas que eu julgava ideais na criação de filhos.

Mas aí o bebê nasce, a gente descobre que eles tem uma personalidade própria e única, tem vontades que nem sempre condizem com a nossa e que não podemos controlar tudo. Aí a gente percebe que tudo aquilo que planejamos é completamente diferente na prática e que iremos, muito provavelmente, ser uma mãe muito diferente daquilo que idealizamos.

E assim, acabamos abandonando o caminho planejado, porque percebemos que pegar o atalho é o que nos resta, afinal, a maternidade não é uma equação perfeita e entre o preto e o branco da criação de filhos há uma infinidade de tons de cinza.

E isso nos faz péssimas mães? É claro que não! Na vida, nem tudo precisa ser 8 ou 80. Não é porque não somos perfeitas que somos um verdadeiro fracasso, não é porque não tiramos 10 que seremos reprovadas. A maternidade é uma experiência que nos ensina, dia a dia, e com ela vamos mudando, nos adaptando, fazendo o que de melhor conseguimos diante de uma determinada situação. Crianças são seres únicos, com vontades próprias, e elas demandarão de nós adaptação constante e diante de tantos desafios nós fazemos os nosso melhor, o que nem sempre (ou quase nunca) é aquilo que a gente imaginava antes de colocar um serzinho no mundo.

Eu estou longe, muito longe de ser a mãe que idealizei. Tenho muito menos paciência do que gostaria, muitas e muitas vezes não sei como agir, nunca sei se estou sendo dura de mais ou de menos, tenho dúvidas se estou conseguindo educar adequadamente, dentre tantas outras inseguranças e falhas.

Mas no fim das contas, essa é a melhor mãe que eu consigo ser, pois sei que tento, dia após dia, dar o meu melhor. Posso não ser perfeita (e tenho certeza que nunca serei), mas também sei que busco sempre melhorar e aprender. Como eu já disse, a maternidade não é uma equação perfeita e filhos não são uma variável completamente controlável, assim, o resultado depende de vários fatores e, no fim, se estamos dispostos a melhorar e aprender sempre, dará tudo certo.

Se existe amor, existe compreensão, existe carinho e existe limites, podemos ter certeza de que estamos no caminho certo. Podemos não ser perfeitas, podemos ter nossas falhas, podemos fazer menos do que gostaríamos, mas estamos fazendo o que está ao nosso alcance. E da melhor forma possível.

 

 

7 comentários

  1. Ana Paula

    Obrigada, Shirley
    Isso era exatamente o que eu precisava hoje… Depois de um domingo cheio de birras, manhas, rotinas quebradas, paciência zero, fui dormir chorando e me questionando se era uma boa mãe para minha pequena e se serei para a que está aqui na minha barriga (sim, grávida chora por tudo…)…

    Não sou perfeita. Longe disso. Faço o que posso, da melhor maneira que posso.

    Beijos e boa semana!

  2. GLAUCIA'

    Eu era perfeita tbm! mas como vc disse controlar outra pessoa não e facil, e como as pessoas julgam as maes, parece que ninguem nunca esteve no nosso lugar… Adorei o texto!

  3. Carla Marques

    Eu insisto em ser uma mãe perfeita, mas sabendo que não sou, que vou muitas vezes contra mim própria e contra as minhas próprias convicções. Afinal. além de mãe, sou uma pessoa.
    Mas existem coisas em que insisto muito como eu agir com com a minha filha de acordo com as minha próprias convicções e nunca deixando que me convençam a fazer o contrário.
    Travo uma verdadeira batalha com os avós da minha filha por causa da sua insistência em dar-lhe doces. Dou-lhe bolachas mais saudáveis, pão e até um bolo caseiro de vez em quando mas recuso-me a permitir que dêm à minha filha (que tem menos de dois anos) rebuçados, chocolates, salgadinhos de pacote e comida de plástico. Recuso-me terminantemente a permitir isso. Pelo menos antes dos dois anos.
    Falo mais sobre isso aqui: http://www.vinilepurpurina.com/25/08/19/sim-nao-dou-doces-a-minha-filha/

  4. Vanessa Mendes

    adorei o texto e queria deixar meu ponto de vista tb…
    acho que a coisa toda esta nas (falsas) expectativas que criamos e idealizamos antes mesmo do serzinho vir ao mundo. Ter consciência disto, do que é real, da nossa não perfeição, das incontáveis variáveis que surgem na criação dos filhos pode diminuir e muito este ‘baque’ de perceber que a realidade é ou esta bem diferente daquilo que foi pensado…
    Não sou nenhuma expert, longe disso, mas vejo tanta mulher alienada, falando da maternidade (e só disso) com tanto romantismo, idealizações, julgamentos que vejo que não é este o meu caminho, que sou muito mais pé no chão e consciente que terei que aprender a ser mãe, dia a dia,mas certa de que o amor, o querer fazer e ser o melhor para meu filho e família vai ajudar em tudo, mesmo a gente não tendo qualquer experiencia…

  5. Débora Santos

    Acredito que seja bem assim que muitas mães se sentem. Eu me encaixo perfeitamente nisso, tento de tudo fazer o melhor, mas somos seres humanos e somos falhos. Mas continuamos tentando sempre!! :)

  6. Thais

    Perfeito! Lembro-me quando meu.filho ainda era um bebê e meus pais me disseram que cuidar era a parte mais facil , e educar era dificil…
    Achei que eu era a unica mae que se sentia imperfeita , sem saber o que fazer muitas vezes.

  7. Patricia Augusto

    Como me identifiquei!! Ufa!! Como é difícil essa missão … E como é gratificante sentir o amor dos pequenos!!!
    Me sinto exatamente assim: frágil, insegura, incapaz, fraca mesmo, diante de algumas situações .,. Ter dois filhos com diferença pequena de idade … É muito complicado (não imaginava q seria tanto). Pode ser que melhore (espero) … Todos me dizem isso. Acredito!!! Kkkk
    Mas hoje a situação Ta punk .., Deus que nos capacita… Só ele pra bis ajudar, confortar e nos fortalecer nessa caminhada!! 😘😘

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