Libido pós-parto

Hoje, o assunto aqui no blog é daqueles delicados, que ninguém gosta muito de tocar: libido. Mas como eu sou uma pessoa sem papas na língua, vou abrir o jogo e conversar sem meias palavras com vocês sobre isso.

Quando o Leo nasceu, assim como acontece em todas as casas que eu já tive conhecimento, a libido foi para o beleléu. No início, achei que era por conta do cansaço, noites em claro, excesso de cuidado e preocupação com o bebê, mas conforme o tempo foi passando e nada da querida libido voltar, comecei a estranhar. E aí, fui atrás de informações sobre isso.

Nas minhas pesquisas, na época, descobri que é normal, muito, muito normal a gente sentir alterações no desejo sexual logo depois que o bebê nasce. E motivo é o que não falta, tem desde questões práticas, de adaptações a uma nova rotina, psicológicas e físicas mesmo. Alguém aí pensou em hormônios? Sim, pensou certinho. Vejam o que descobri e espero que essas informações ajudem vocês a ficarem mais tranquilas com relação a esta fase. Inclusive uma diquinha: passa, viu?

libido pos parto

Photo Credit: S.Tore via Compfight cc

Normalmente, os médicos pedem que se espere 40 dias para voltar a atividade sexual. Chamado de resguardo, esse período é importante fisicamente, pois é o tempo que leva para o útero se regenerar, voltar um pouco ao seu estado antes da gravidez. Do contrário, o sexo pode machucar e também causar outros problemas, como infecções. É possível voltar antes, caso você se sinta bem e o médico libere. Mas de verdade acontece mais é o inverso, de o tempo do resguardo passar e algumas mulheres ainda não sentirem vontade de novo.

Vamos começar falando das questões físicas que envolvem essa queda na libido: durante a gravidez e após o parto, uma série de mudanças hormonais ocorrem no nosso corpo. Uma delas é o aumento de uma substância chamada prolactina, que auxilia na amamentação e que combinada com a diminuição do estrogênio, que é um dos responsáveis por gerar libido. Também por conta dos hormônios é possível que se sinta dor durante a penetração, pois a vagina fica naturalmente menos lubrificada enquanto amamentamos. Solução para isso, além de esperar o tempo dos hormônios se ajustarem, é investir mais no sexo oral, nas preliminares e usar lubrificantes íntimos.

Mas claro que não é só uma questão física. Tem toda uma adaptação psicológica ao novo corpo, com seios maiores, a barriga que ainda não voltou para o lugar – e que demora mesmo – as bobagens que se ouve em relação à vagina caso o parto tenha sido normal (gente, não tem absolutamente nada a ver quando dizem que a vagina fica flácida ou coisas do tipo. Posso garantir isso para vocês, pois tive um parto normal e um parto natural e está tudo no lugar por aqui) – celulites ou estrias que podem ser novidade no corpo. A mulher pode não estar se sentindo desejável e isso atrapalha sempre, em qualquer idade, seja mãe ou não, não é mesmo? É preciso se dar um pouco de tempo para se entender consigo mesma e está tudo bem.

O chamado baby blues, aquela tristeza logo após o parto que dura umas semanas, também pode ajudar você a não ver graça nenhuma no sexo. E a depressão pós-parto também, por isso é importante que seu médico a acompanhe se existe a suspeita de que você esteja com depressão. É uma condição real que precisa de tratamento e quanto antes for percebida, melhor.

Além disso, pense na questão prática: agora existe um bebê que depende de você para mamar, ser trocado, dormir e que, principalmente se é o primeiro filho, você não entende direito. Precisa aprender a ser mãe e isso só acontece na prática e na raça. Além disso, você provavelmente vai estar dormindo pouco, ou de um jeito pouco restaurador e é tanta coisa para pensar que definitivamente sexo não é a mais importante delas. Certamente você prefere dormir.

Normal. As coisas vivem se reorganizando na lista de prioridades da nossa vida. Além do respeito aos seus limites e de brincar com as carícias e do uso de lubrificantes, uma outra coisa que pode ajudar é vocês conseguirem um tempinho para ficar a sós. Pode ser bem difícil no início, mas depois, quando o bebê já estiver comendo papinha, por exemplo, tente combinar de deixar o bebê com alguém de confiança para passar algumas horas como casal de novo. Uma ida ao cinema, um jantar caprichado, tudo isso pode ajudar para recuperar a intimidade. E por aqui, o que ajudou bastante foi eu voltar a cuidar de mim. Quando voltei a praticar exercícios físicos e a cuidar a minha alimentação, além de perder um pouco de peso, passei a me sentir melhor (viva a serotonina!), a me gostar mais e isso reflete diretamente na libido também.

Uma das únicas coisas que é muito difícil responder é quando isso volta ao normal. Não tem muito tempo certo, pois depende de um milhão de fatores, inclusive de como é o seu relacionamento com seu parceiro, por isso uma das coisas que é bacana tentar fazer é conversar. E, se for preciso, explique para ele o que você leu por aqui!

3 comentários

  1. Renata

    Você toca num ponto muito importante neste post de hoje, Shirley! A falta de conhecimento sobre esta questão da libido, acredito que afete muito a autoestima de muitas mulheres, porque o assunto ainda é tabu e poucas sabem que isso é normal. No meu caso, eu abri o jogo com minha gineco, que felizmente me esclareceu essas questões que vc, como sempre, aborda muito bem em seu post. E mesmo quando a gente sabe que vai passar, não é tarefa das mais fáceis superar essa fase, acredito que é muito importante que o parceiro conheça esta realidade, como vc sugeriu, e seja compreensivo, senão…tudo se complica mais ainda: nossa autoestima já está em baixa por conta dessas questões todas, inclusive da baixa libido e lidar da com a incompreensão do marido, deve agravar a situação e nos fragilizar ainda mais, emocionalmente! Obrigada pelos esclarecimentos, por abordar essas questões que infelizmente, permanecem ainda escondidas como se fosse vergonhoso expor esta realidade!

  2. Gabriela

    Estou passando por isso ainda. Meu bebê já tem 5 meses! Fico preocupada e me sinto mal pq meu marido me cobra realmente não sei o que fazer.

  3. Maju Oliveira

    Comigo aconteceu o inverso… após 15 dias do nascimento do meu pequeno já estava com desejo total. Antes disso já sentia falta de sexo, mas fiquei um tempo na casa de meus pais em outra cidade, e meu marido ficava indo e voltando. Aí n tínhamos muito tempo, nem energia. Até o resguardo acabar, avisamos das carícias . No inicio, me sentia culpada, pq achava q deveria me dedicar 100% a meu filho e não podia ter desejo. Depois percebi que o q me deixava com esse desejo todo era ver q meu marido se tornou um paizão… fico encantada vendo a transformação dele. E parece que o contrário tb aconteceu. Hj digo que o maior afrodisíaco que conheço é a admiração pelo companheiro que virou um bom pai.

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