Perda gestacional – relatos das leitoras

Perda gestacional. Pode ser um aborto ou um bebê que nasce muito cedo e não resiste. Independente de como é ou quando é, é, em sombra de dúvidas, uma dor sem fim. Como relata quem viveu por isso, é um buraco que se abre, é uma culpa, um desespero, uma tristeza imensa.

Hoje, resolvi dar voz a algumas mulheres que viveram essa terrível experiência. E por seus relatos, o que percebo claramente é que ainda há muita falta de tato para tratar o problema e que poucos entendem a dor que realmente essa experiência causa.

Trazendo os relatos dessas mães, quero abrir os olhos da sociedade para esse problema, para essa falta de saber o que fazer quando alguém perde um filho durante a gestação, ou pior, para o descaso com que esse tipo de caso é tratado.

Chorei ao ler alguns trechos e admiro a força dessas mães. Mas acima de tudo, celebro a alegria e a vitória que vieram depois que o pior ficou para trás (sim, essas histórias tem finais felizes).

Leiam esses relatos e se emocionem como eu me emocionei. E se possível, compartilhem, para que mais e mais pessoas entendam que um aborto é sim a perda de um filho, mesmo que isso aconteça com apenas 8 semanas de gestação ou até menos. E ainda, que há necessidade de se saber respeitar essa dor e saber tratar adequadamente quem por ela passou.

Mais uma vez, é hora de pedir: mais respeito e mais compreensão, por favor!

perda gestacional

Photo Credit: D.Clow – Maryland via Compfight cc

Relatos de perdas gestacionais (escritos por leitoras do blog Macetes de Mãe):

Há três anos, engravidei e tive um aborto com 7 semanas. Parece pouco, mas esse bebê já era parte da família. Horas antes do aborto ocorrer fiz eco, pois estava com sangramento, e ouvi o coraçãozinho daquele serzinho. Assim que cheguei no hospital, com sangramento, fiquei internada para repouso absoluto. Nesse momento, iniciaram-se as contrações e junto com elas, dores intensas. Tomei medicação para segurar, mas não resolveu mais. Cada vez que jorrava sangue do meu útero, me sentia impotente e culpada, pois meu corpo estava tentando expelir meu próprio filho. A dor era imensa, mas a dor na alma era muito pior: saber que você está perdendo seu filho e não poder fazer nada para evitar é horrível. Fiquei assim até que o médico disse: “Não tem mais jeito, o colo do útero está totalmente dilatado. Você quer fazer a curetagem agora ou prefere fazer eco antes?”. Claro que, no fundo, eu tinha a esperança de que meu bebê ainda estivesse vivo e optei por esperar até o dia seguinte. Fizemos eco e o feto ainda estava grudadinho no útero, como se tivesse lutado para ficar. Meu Deus, que dor na alma. Depois disso, fiz a curetagem e segui a vida. Chorei muito, VIVI meu luto. Algum tempo depois, achei que estivesse grávida novamente. Fiz testes de farmácia e todos deram negativo. Esqueci o assunto e, dois meses depois, voltei a menstruar, então conclui que era coisa da minha cabeça mesmo. Passaram-se mais uns dias e uma dor muito intensa no abdômen me fez desmaiar duas vezes seguidas em uma certa manhã. Somente eu e meu filho de dois anos em casa. Minha irmã chegou para me socorrer, me levou para o hospital e constatou-se que eu estava com gestação ectópica e precisaria operar imediatamente, pois poderia ter uma infecção. Fiz a cirurgia e, para minha sorte,manteve-se preservada a trompa. Só que após um dia de alta, novamente desmaios e necessidade de voltar ao hospital. Na verdade, eu estava entrando em choque por conta de uma hemorragia interna. Precisava operar novamente com urgência, mas eu poderia não resistir porque estava com pouco sangue. Passei a noite em transfusão para ser submetida à cirurgia. Foi retirada a trompa que estava sangrando e, novamente, dor, tristeza, luto. Passaram-se mais dois anos, e tive que fazer tratamento para um cisto hemorrágico no ovário. Após isso, fiquei duas semanas sem tomar anticoncepcional até retornar ao médico e … surpresa… eu estava grávida! Tive alguns contratempos durante essa gestação – bebê teve que nascer duas semanas antes do previsto – mas hoje tenho um novo filho nos braços com três meses. Lindo. Dois filhos lindos! Um de cinco anos outro de três meses. Confesso q não é fácil lidar com a crise de ciúme do mais velho, mas estou realizada, depois de tantas lágrimas.

Luciana, mãe de um menino de 5 anos e de um de 3 meses

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Me casei com 21 anos. Nós já namorávamos há 7 anos e sabíamos muito bem que queríamos uma família. Me casei em dezembro de 2012 e, em março de 2013, recebi a melhor notícia da minha vida: estava grávida. Era muita felicidade, mas depois de alguns dias da descoberta, vieram os momentos de tristeza. Era um dia normal, meu marido tinha saído para correr e eu estava deitada em casa assistindo TV. Fui ao banheiro e percebi uma mancha na calcinha, não era sangue vivo, era meio marrom, mas já fiquei com medo e liguei para meu marido. Ele veio para casa e fomos para o hospital. O plantonista me orientou a fazer repouso e me passou progesterona para ser colocada todos os dias. E assim eu fiz, mas dois dias depois tive um sangramento que não parava e muita, muita cólica. Voltei ao hospital e o médico me passou um medicamento injetável para dor, mas nada melhorava e eu não parava de sangrar, até que ele decidiu me internar e entrar com remédios mais fortes. Fiquei lá, a dor e o sangramento passaram, mas na madrugada, quando fui ao banheiro, apenas sentei e meu bebe caiu. Eu estava dopada e com esperanças, na hora não achava que pudesse ser o meu bebe, achei apenas que fosse um coágulo de sangue, mas na manhã seguinte veio a notícia de que era o meu bebe que tinha ido embora. Choramos muito, sofremos muito e oramos muito. Ele tinha apenas 8 semanas, mas o nosso amor era de uma vida. Depois disso, fui orientada que para engravidar de novo deveria aguardar 3 meses. Eu esperei, os 3 meses passaram, e lá veio meu positivo novamente. E, desta vez, veio com felicidade. 

Kamila, 24 anos, mãe da Valentina

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Em Dezembro de 2009 eu engravidei. Mesmo ainda na faculdade, eu fiquei muito feliz. Fiz o primeira ultrassom com 8 ou 9 semanas e estava tudo ok. Com 12 semanas, fiz outro ultrassom, a pedido da minha nova médica e, lembro-me muito bem, cheguei ao consultório alegre, fazendo planos, sonhando. Iniciamos o exame, o médico falava pouco e, ao terminar, ele me deu a pior notícia que já recebi até hoje: “Calma mãe, calma pai… eu sinto muito em dizer, mas o bebezinho de vocês é anencefalo, infelizmente ele não formou a cabeça”. Foi horrível. Meu bebe foi diagnosticado com a Síndrome de Dandy Walker e outras complicações. Vesti minha roupa amparada pelo meu marido, na época meu namorado. Nos abraçamos e choramos muito. Eu não sentia a minhas pernas. Era uma tarde de muito sol, mas quando chegamos do lado de fora da clinica começou a chover, mesmo com o sol. Eu fiquei na chuva, pedi a meu marido que me deixasse na chuva, eu precisava daquilo. E só me perguntava: Meu Deus o que fiz? Procuramos outros médicos e o diagnóstico era o mesmo: se meu bebe nascesse, teria horas de vida. Fui até um renomado e experiente médico daqui de São Luis/Ma e ele foi um verdadeiro anjo em minha vida. Ele me acompanhou durante todo esse difícil e doloroso processo e, mesmo sabendo de todos os riscos, decidimos ir até onde desse. No sexto mês, eu tive um aborto. Foi o pior dia da minha vida. Dia das Mães de 2010. Assim foi o dia das mães para mim e para minha mae, que não me abandonou um segundo.
Depois disso, retomei minha vida, terminei a faculdade, me casei. Porém vivia amargurada, tomando todos os cuidados para não engravidar novamente. Só que no início de 2014, comecei a tomar ácido fólico. Ainda não tinha certeza se largaria o anticoncepcional, mas pensava que mal não ia fazer. Em abril, decidimos que íamos tentar novamente e, em maio, eu já estava grávida. Passei meu primeiro dia das mães sem saber que ja estava grávida. Neste dia das mães, eu me emocionei muito, vendo um coral de crianças. Caí no choro e fui amparada pela minha mãe. Ela me disse coisas lindas naquele dia e eu já estava grávida. Posso dizer que eu sofri muito durante esse período de 2010 a 2014. era um vazio em mim e uma grande angústia e tristeza me acompanhavam. Eu tinha pesadelos, acordava gritando, dizendo que queria minha filha (era uma menina o bebê que perdi). No final de maio confirmei: estava grávida. Contei para o meu marido no dia seguinte. Ele me disse: “Por que essa cara, você não está feliz?”. Eu respondi dizendo que tinha medo que acontecesse novamente. Ele me deu um abraço forte e disse: “Você será mãe… você já é mãe”. E assim, a cada ultrassom era um misto de medo e ansiedade. Até que passou a fase da formação fetal. Para mim, 2014 foi um ano incrível, curtindo cada minuto da gravidez. Em Janeiro de 2015, Gabriela nasceu e é a luz da minha vida. No dia 23 de janeiro, ela fez um ano. Um ano de muita alegria. Minha filha é muito saudável, esperta, uma dádiva. Ela me renovou… Hoje eu sou muito feliz. Hoje eu sou Mãe.

Rafaela Machado Mendes , São Luis/Ma, mãe da Gabriela, de 1 ano

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Me chamo Isabela, tenho 26 anos sou casada e mãe de três! Uma no céu, e dois nos braços! Engravidei em 2012 da minha tão sonhada princesa, Maria Fernanda! Tudo ia muito bem, até que, na 24ª semana, tive pré-eclâmpsia e síndrome de Hellp e a única solução foi o parto! Fiquei internada e tentamos segurar, mas não dava mais para esperar. 26 de abril de 2013, sexta-feira, 11h, nasceu Maria Fernanda,  com 24 semanas, 30 cm, 385 gr. Ela foi pra uti e eu também. Meu marido acompanhou tudo. Ele esteve ao nosso lado o todo tempo, tirava fotos dela e levava pra mim. No domingo, tive alta da uti, e já comemorava que poderia vê-la! Fui para o quarto e me preparei para o encontro mais esperado! Eu veria a minha pequena princesa! Mas chegando onde ela estava, recebi a notícia de que ela não estava bem e que teria apenas algumas horas de vida. Meu coração despedaçou, mas eu ainda tinha fé! Voltei para quarto e, à noite, a pior notícia da minha vida: ela não resistiu! Desci pra UTI Neonatal, a peguei em meu colo, já sem vida, e me despedi! Quanta dor!!!!!! Dor que ninguém ali poderia entender! Fiquei mais uns dia internada e não pude ir ao enterro, que foi no dia do aniversário do meu marido.
Nesse momento, eu pensava muito na volta pra casa, pensava no quartinho que tínhamos colocado alguns enfeites dias antes, nas roupinhas que o papai comprou. Algumas pessoas queriam tirar tudo antes da minha chegada, mas não, eu não quis. Eu queria tudo ali, eram as  lembranças. Foram dias difíceis, de muita dor, e vivemos esse luto quase que sozinhos, pois poucos souberam lidar com o que tínhamos passado. Vi (e vejo até hoje) pessoas achando que minha dor não era tão grande, que foi bom assim, pois não convivi muito com ela, aí seria fácil esquecer. Como se eu tivesse perdido uma coisa qualquer, facilmente substituível! Diziam: “Ah, fica tranquila! Logo você engravida de novo!” Claro que eu queria engravidar de novo, mas um filho não substitui outro, nunca! Outros evitavam ao máximo falar sobre o assunto e até mesmo conversar comigo, pois não sabiam o que dizer. E sabe o que eu mais queria?! Era falar sobre minha filha. Decidi procurar por quem já havia passado pelo que passei e procurar também saber mais sobre o que causou a complicação na gravidez, a Trombofilia, então entrei num grupo no Facebook que foi essencial no meu momento de luto. Conheci mais sobre esse problema tão comum, mas tão pouco conhecido, e pude encontrar quem me entendesse de verdade! E fui sobrevivendo… Acompanhada por uma médica especialista em alto risco, engravidei 5 meses depois, fiz todo tratamento  e tive acompanhamento rigoroso. Então, veio meu príncipe, Pedro Lucas, uma alegria imensa! E quando ele estava com 10 meses descobri que estava grávida novamente! E já estava de 10 semanas!! Fiz o Mesmo tratamento e veio a Clarissa. Sou cheia de alegria por ter em meus braços o Pedro Lucas e a Clarissa, mas o lugar da Maria Fernanda aqui no meu coração, ninguém nunca vai ocupar. Nunca será esquecida, a dor da saudade do pouco que vivemos juntas e a dor de não viver o que sonhamos com ela nunca vai acabar! Sua vida, mesmo que tenha sido curta, foi de enorme importância. Mesmo tendo vivido pouco tempo, ela foi muita usada por Deus para ajudar outras vidas. Sua vinda, na verdade, me fortaleceu. Busquei conhecimento e ajudei diversas mulheres a buscarem informação e encontrarem médicos especialistas para que evitassem mais perdas, mais dor! Minha fé me fez forte! Eu creio que em todo tempo, seja bom ou mau, Deus está comigo e em tudo há um propósito! Minha princesa, minha estrelinha, te amarei eternamente!

Isabela, 26 anos, mãe de três (uma no céu e dois nos braços)

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Meu nome é Micaela, tenho 26 anos e engravidei pela primeira vez aos 18. Minha Sofia, fruto dessa gravidez, esse ano completa 8 anos e é uma menina muito especial. Quando ela tinha 3 anos, eu e seu pai resolvemos aumentar a família, mas sem pressão. Assim, paramos com os métodos contraceptivos e iríamos esperar a natureza cumprir seu papel. Engravidei dois anos depois e, claro, ficamos todos muito felizes. Lembro-me de, já nas 4 primeiras semanas de gestação, começar a acompanhar os sites que tratam sobre o desenvolvimento do bebê semana a semana. Como eu queria muito aquele bebê, já tinha os nomes escolhidos. E assim, tudo corria bem, eu praticava exercícios leves diariamente e cuidava com todo esmero da minha alimentação. Não sentia enjoos e estava ótima. Num certo domingo, acordei e lá estava a atualização semanal da minha gestação, que completava 12 semanas e já minimizava os riscos de uma perda espontânea. Fiquei toda empolgada, ia começar a comprar enxoval, escolher berço e todos os preparativos que envolvem a espera de um filho. Meu chefe já havia liberado a licença maternidade de 6 meses. Decidi que naquele domingo iria comer moqueca de peixe. Ela ficou deliciosa, passei o restante do dia em casa com meu marido e minha filha e, de noite, quando minha menina já dormia, decidi para assistir a um filme com meu marido. Colocamos o colchão na sala, nos acomodamos, coloquei a mão dele na minha barriga e senti meu ventre gelar. Lembro-me, até hoje, da sensação, que na hora ignorei. Acabamos dormindo durante o filme e, num dado momento,  senti minhas pernas úmidas e achei que tivesse feito xixi nas calças. Olhei para o relógio, que marcava 2:33 da manhã, coloquei minha mão entre as coxas e logo percebi o sangue. Chamei meu marido que me levou pro banho enquanto colocava a nossa filha no carro e pegava os documentos necessários. Eu entrei em desespero, sabia que meu filho estava se esvaindo pelas minhas pernas (sabe aquela sensação de coisas descendo que temos no pós-parto? Era idêntica). Eu já não conseguia pensar em nada, ver todo aquele sangue no banheiro me deixava tonta. Segui até o hospital, onde fui logo atendida pela médica que me disse só poder confirmar o aborto após as 8 da manhã, quando o técnico de ultrassom iniciaria seu plantão e eu poderia passar pelo exame. Ou seja, ficaria ali, internada até segunda ordem. Segui até a porta da ala de maternidade para avisar meu marido que, ao tentar me abraçar, foi impedido pela enfermeira aos gritos de que ele nada podia fazer ali, pois meu filho estava no chão do meu banheiro, que naquela ala não eram permitidos homens e fechou a porta. Nessa hora eu caí no chão, em pânico, a imagem do meu filho morto, no chão do meu banheiro, me tirou o resto de controle que ainda tinhaPassei a madrugada ali, sozinha, sangrando, chorando, sem nenhum suporte ou apoio, com duas mulheres em pleno trabalho de parto ao meu lado, uma delas à espera de gêmeos. Pela manhã, fui fazer o ultrassom e, quando confirmada a perda, eu não consegui mais parar de chorar. Não era possível conter o desespero, era meu filho, o filho que sonhei, e que nunca poderia conhecer. Fui encaminhada para a curetagem e, depois, para o quarto onde fiquei até o dia seguinte, ouvindo choros de bebês e vendo o entra e sai de mulheres lindas, felizes, com seus filhos no colo.  Ainda no hospital, em algum momento enquanto chorava, perguntei ao meu marido porque ele parecia tão calmo. Ele me respondeu que ainda não era filho dele, que ele ainda não se sentia pai, então não estava triste como eu. Ouvir aquilo acabou comigo. Ainda foi preciso contar para minha filha que ela não teria mais um irmão, e comunicar toda familia. Meu mundo desmoronou, despois  de voltar pra casa, não conseguia mais usar o banheiro, via o tempo todo meu filho ali, sozinho, ensanguentado, sem mim, e eu sem ele. Não conseguia mais ouvir minha filha me chamar de mãe, não sentia prazer no trabalho e cheguei a tentar suicídio. Não conseguia mais dormir, sonhava com meu filho todas as noites, com a progressão da gravidez e estava sempre chorando pelos cantos. Precisei e abusei de medicação para dormir. Toda aquela situação acabou culminando no meu divórcio pouco tempo após o aborto. Depois disso, aos poucos, fui voltando a ser um pouquinho eu mesma. Nessa época, reencontrei um namorado de escola que me convidou para passar um fim de semana na sua casa. Como minha filha estava com o pai, a companhia desse antigo conhecido era prazerosa e eu tomava anticoncepcionais injetáveis, e não vi problemas em aceitar o convite. Tivemos relações sexuais naquele fim de semana e, cerca de 15 dias depois, ao fazer exames para tratar de uma gastrite nervosa, descobri que estava grávida. O pai do bebê me deu todo apoio, de fato, estamos juntos até hoje e nossa filha acaba de completar 6 meses. Confesso que, durante a gestação, tive medo a cada dor, chorei por noites sem fim, e foi esse antigo/novo companheiro a primeira pessoa a me deixar chorar e chorar comigo por aquele filho, aquele de quem eu não conheço o sorriso, nem a voz, nem os olhos, nem a maciez da pele. E quando eu pude chorar meu coração foi voltando ao lugar, a indignação diminuindo e pude me ver amando meu novo bebê. Eu ainda choro, ainda lembro, mas sem aquele desespero impiedoso, massacrante. Nunca vi meu filho, mas se ele soubesse o quanto me fez crescer, o quanto sua partida transformou meu ser e minha vida, acho que ele teria orgulho em dizer pros anjos que certamente o cercam que mesmo que só por 12 semanas de gestação, eu fui, eu sou a sua mãe.

Micaela, 26 anos, mãe de um bebê de 6 meses

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Meu nome é Jenifer, tenho 28 anos, e em 2010 passei pelo momento mais triste e doloroso da vida de uma mulher: a perda de um filho. Minha gravidez foi uma surpresa, mas mesmo assim ficamos muito felizes. Descobri que esperava um bebê com 6 semanas, em abril de 2010, e logo comecei o pré natal. Com 12 semanas, fiz a ultra da translucência nucal e ela deu alterada: 2.6. Até aí, tudo ok, não tivemos muitas preocupações a respeito . Então, com 18 semanas, fui fazer o ultrassom para saber o sexo do bebê e descobrimos que era um menino e que tinha artéria umbilical única e derrame pleural (líquido no pulmão). Isso nos causou muito medo e, logo, meu marido foi atrás de um médico especialista porque ,com esse diagnóstico, minha gravidez deixou de ser normal e se tornou de risco. Por sorte, encontramos um que era bem requisitado e bem indicado e logo marcamos uma consulta. De cara gostei dele. Era um médico atencioso, nos tirou muitas dúvidas e nos tranquilizou dizendo que não era para nos preocuparmos, que meu bebezinho não ia morrer dentro da minha barriga. Fizemos outro ultrasson no consultorio dele e ele confirmou a AUU e o Derrame pleural. Também me pediu mais ecografias para o coração e uma, inclusive, com doppler, para averiguar melhor a situação. Com 22 semanas, fiz a morfológica com doppler e o derrame pleural tinha sumido, graças a Deus, e o Miguel estava bem, crescendo e se desenvolvendo perfeitamente. Com 24 semanas, fiz a eco do coração e deu tudo perfeito. Nessa hora, é claro, ficamos felizes e agradecidos que tudo estava correndo bem. Continuei o pré-natal com esse médico, mas pelo sus (E aqui um detalhe: o tratamento pelo SUS era de matar. Ele era muito grosso e não dava a mínima para o que eu falava). Com 28 semanas, fui fazer uma ultra de rotina e foi detectado um problema no coração do bebê, para meu desespero. Minhas consultas eram de 15 em 15 dias, então foi remarcada para 10 dias depois. Levei o laudo do ultrassom e ele me disse que não era nada, que o lugar onde eu havia feito o exame “não prestava” e eu, mãe de primeira viagem, confiei nele. Só que ao ouvir o coração do Miguel, eu percebi que o som estava diferente. Mas como ele, o médico, não falou nada, então eu pensei que era coisa da minha cabeça. Só que depois dessa atitude dele, meu marido foi atrás de outro médico e conseguiu outro particular que aceitou terminar meu pré natal. Cheguei a ir a uma consulta com ele, ouvimos o coração do Miguel – eu estranhei de novo o som, que para mim parecia diferente, mas nem dei muita atenção, porque se ele era o médico e não falou nada, devia estar tudo certo. Só que no dia 08/11/2010, quando a médica ligou o monitor para acompanharmos o exame, eu juro que olhei e, ao ver o Miguel,  fechei os olhos. Nesse momento, com 35 semanas de gestação, ela, com toda calma do mundo, nos disse que Miguel estava morto. Nessa hora, meu chão desabou, meu mundo caiu e eu queria morrer. Como eu não percebi isso? Já fazia dias que ele estava morto um dia antes eu estava comemorando aquela gravidez. Me internaram na mesma hora. O GO particular que eu ia terminar meu pré natal veio e mandou induzir o parto. Foram horas de sofrimento. A família inteira veio nos apoiar. Lembro que NÃO TINHA ESPERANÇA nenhuma daquilo tudo ser mentira. Eu sabia que era verdade. Estava chocada, anestesiada pela dor e fui, ainda por cima, muito mal tratada pelas enfermeiras que me atenderam. Meu marido, comigo no quarto, acompanhou tudo. Minha bolsa estourou e, sem pensar, foi instintivo mesmo, logo comecei a fazer força. Meu marido viu a cabeça do Miguel. Quando estava saindo, eu coloquei o dedo pra ter certeza e meu marido correu e chamou a enfermeira, avisando o que estava acontecendo. Só que ela simplesmente olhou e disse que aquilo era sangue e mandou eu continuar.  As contrações aumentando, eu fazendo força, até que a enfermeira viu que era mesmo o Miguel nascendo e que já era tarde pra me levar p sala de parto. Assim, tive o Miguel ali mesmo, com um plantonista que, com muito carinho, me ajudou a passar por aqueles minutos de dor indescritível.  Por fim, Miguel nasceu morto. Eu fiquei olhando pra ele o tempo que pude, enquanto a enfermeira pegava a tesoura para o médico cortar o cordão. Miguel era LINDO. Tinha covinha no queixo e estava roxinho. E eu, estava tão anestesiada emocionalmente que não tive reação a não ser olhar e olhar pra ele, o que eu fiz o quanto pude, até que o levaram. Quando amanheceu, e escutei os choros dos outros bebês, aí sim eu cai na real. O obstetra me deu alta e fui direto para o velório. No caminho, eu escutava um choro de bebê no meu ouvido. Quando chegamos lá,  meu marido e eu desabamos de novo. É muita dor não tem palavras que descrevam o que vivemos. Preferimos não ver o Miguel no caixão, pois é dor demais. Nunca na minha vida imaginei que passaria por tamanho sofrimento. Tive o meu sonho destruído. Sabia que nunca mais teria o Miguel comigo, não o amamentaria, não iria sentir o seu cheirinho. Eu me sentia morta viva. Quando meu sogro colocou o caixão na cova eu morri junto. Metade de mim não existia mais. E quando voltei pra casa, o quartinho dele estava  trancado.  Foi difícil, doloroso  e ainda é. Sinto falta dele, penso em como ele estaria agora. Mas nunca perdi a fé e a esperança que Deus me mandaria outro. E eu engravidei,  exatamente no mesmo mês que havia engravidado do Miguel. E esse novo bebê nasceria no mesmo mês do querido filho que eu havia perdido.  

Jenifer, 28 anos, mãe do Miguel Vinícius

23 comentários

  1. Valcilene

    Lindos depoimentos, todos me fizeram chorar, e só que já perdeu sabe como é essa dor.
    Eu também tive 3 abortos e um parto pre maturo de 22 semanas, minha anjinha no céu olha por mim e por minha menina de 2 anos que tenho agora. Parabéns Shirley pela reportagem!!!! Adoro seu site!!!

  2. Myllena Vieira

    Bom dia Shirley, sou Myllena, medica, 40 anos. Tenho uma filha linda de 03 anos: a doce Anna. Logo depois q ela nasceu, tive a certeza q queria mais filhos: nasci para ser mãe.
    Em março/15, engravidei, logo no primeiro USG, descobrimos q era uma gravidez anembrionada. Chorei , sofri, mas encarei de frente. Marcamos o procedimento para retirada do saco gestacional: tudo foi tranquilo e me senti acolhida. Tentaria de novo (afinal, tinha q correr contra o relógio biológico).
    Em outubro/15, engravidei novamente, uma alegria imensa: demos a notícia para nossos familiares no Natal!! Dia 01/01/16, tive um sangramento, fui ao PS, consegui fazer nova USG e, ufa, o coraçãozinho batia forte.
    Completamos 12 semanas e fizemos novo exame: translucencia nucal aumentada e higroma cistico: o desespero tomou conta. Biópsia de vilo corial agendada, dor, tristeza..
    Dia 30/01/16, novo sangramento. USG realizada em 01/02/16: o coração do meu bebe já não batia mais, logo chegou o resultado da biópsia: era uma menina, com trissomia com cromossomo 10 (incompatível com a vida).
    Nesse exato momento, estou no quarto da maternidade, esperando a indução para a curetagem e chocada: ao lado da minha cama, tem um berço…
    Esses 34 dias foram de uma angustia sem fim, mas também de exercício da fé: me senti amparada por meus familiares e amigos mais próximos (afinal, nem todos entendem a dor da perda de “um feto”). Estou também estarrecida com a atitude de alguns colegas médicos: não sentaram para conversar comigo e meu marido: “afinal, vcs sabem como são essas coisas”, ninguém nos acolheu (exceto a enfermeira q me atende nesse momento:um doce).
    Ainda estou assustada, sei q minha pequena sairá de mim sem vida, nesse quarto, ao lado de um berço.. Mas tento não pensar sobre isso: penso no amor q sinto por ela, na sua luta, sem esquecer q sou amada por meu marido e filha.
    Sempre faltará parte de mim, mas sempre que olhar para o céu, sentirei o brilho e o calor da minha caçulinha: Clarice!

    1. Shirley Hilgert

      Myllena, que história triste. :-( Realmente, poucas pessoas estão preparadas para lidar com os pais que sofrem esse tipo de perda. Beijos. Que você fique bem logo.

    2. Juliene

      Boa noite tenho tbem 40 anos e qdo estaba com 38 fiquei gravida e com 6 semanas nao tinha batimento cardiaco, isso foi em 09 de 2014 e ocasionou aborto retido e fiz curetagem.Em 12 de 2014 engravidei novamente e com 6 semanas perdi novamente mas nao ficou retido saiu espontaneamente sem colicas. Durante 2015 minha menstruaçao diminuiu bastante e qdo foi em 01 de 2016 engravidei novamente e com seis semanas perdi. Medicos dizem que é ma qualidade de ovulo por ter 40 anos. No seu caso, ja que tem a mesma idade minha , o que falam os especialistas. Sera que é caso de se partir para ovodoaçao?

  3. Nagela Cardoso

    Que dor ler estes textos, que dor ler cada palavra que compoem este post. Posso imaginar a dor que cada mãe sentiu a perder um filho, Parabens a você shirley pela entrevista com estas mães guerreiras. Gostaria de sugerir para o blog, relatos de adoção, processo de adoção. Eu tenho filho biologico, mas me encanto com este tema.

    Bjos nos meninões!!!

  4. Laís

    Não tem como não chorar ao ler esses relatos tão sofridos…só quem já passou sabe o tamanho da dor. Nunca vou me esquecer do meu anjinho que se foi com 6 semanas e meia…saudades eterna

  5. Karina Genovese

    Chorei lendo cada depoimento desses mães, pois só quem passou por esse dor, sabe dizer o que é… no mesmo dia em que confirmei com o exame de sangue minha gravidez, perdi meu “anjinho”, uma dor que jamais esquecerei, carrego comigo, dentro do meu coração para sempre! Mas hoje tenho minha PRincesa, que Deus mandou depois de 1 ano desse sofrimento horrível!

  6. Selma Alves Nogueira

    Fiquei mt emocionada e feliz por saber que depois da tempestade que estas maezinhas viveram veio o tão sonhado e esperado arco íris,.A dois meses passei por uma experiência parecida,a perda do meu filho Fellipe com 30 semanas,é uma dor indescritível,mas Deus nos conforta e consola e nos enche de esperança!
    Aguardo com esperança de em breve ter um final feliz como esses.

  7. Patricia

    Oi, Shirley
    Acompanho o macetes de mãe e adoro seus posts. Esse especificamente me emocionou muito pq meu filho Felipe, que nasceu em abril de 2014 com 23 semanas de gestação, morreu aos 9 dias de vida. Há muita desinformação a respeito da perda gestacional e neonatal e as pessoas tendem a minimizar a nossa dor. Por isso é tão importante falar sobre o assunto. Parabéns pela iniciativa. Ah, hoje além de ser mãe do Felipe, eu tb sou mãe da Bia.
    Um beijo,
    Patricia

  8. Patricia

    Oi, Shirley
    Acompanho o Macetes de mãe e adoro seus posts. Esse especificamente me emocionou muito pq em abril de 2014 nasceu meu filho Felipe, com 23 semanas de gestação. Ele morreu qd tinha 9 dias. Há muito desprezado e desinformação em relação à perda gestacional e neonatal, por isso é tão importante falarmos sobre o assunto. Parabéns pela iniciativa. Ah, agora além de mãe do Felipe eu tb sou mãe da Bia.
    Um beijão pra vc

  9. Juliana Lucia Dias Gustzaki

    Faz cinco dias que perdi meu bebê. Eu estava gravida de 10 semanas e nunca imaginei que fosse passar por isso. Mesmo com uma gravidez tão curta eu sofri e ainda estou sofrendo com essa perda pois já amávamos muito essa criança e sonhávamos com ela em nossos braços. Senti muitas dores (na minha primeira gravidez não senti nada, fiz cesárea), perdi muito sangue…Mas a dor emocional é horrível, realmente é um sentimento de fracasso, tristeza, angústia…Agora estou de repouso em casa, de atestado me recuperando e espero em breve engravidar novamente.

  10. Alessandra

    Infelizmente tive uma perda… foi há quase 4 anos atrás. Estava grávida de 39 semanas, encantada com a nova vidinha que em menos de uma semana estaria em meus abraços. Nossa! Que decepção! Meu filho o Calebe morreu na minha barriga, deu um nó verdadeiro de cordão …Foi o pior pesadelo que vivi nos últimos tempos, fiquei muito mal…tive que ser acompanhada por psicólogo e psiquiatra. O que eu passei não desejo nem para meus inimigos…É terrível, é algo que a gente nunca esquece e pior querendo ou não a gente fica com sequelas, é inevitável. Hoje tenho um príncipe de 1 ano e 10 meses que é uma BÊNÇÃO, graças a Deus.

  11. Simone

    Tbem passei por perda. Em 2013 o Davi nasceu com 27 semanas e não resistiu. Foi o pior ano da minha vida, mas em meio de tanta tristeza conheci um grupo de amigas guerreiras que estavam passando pelo mesmo que eu. Foi em uma comunidade do Baby Center Brasil. Todas tentando por um milagre da vida novamente e para glória de Deus muitas conseguiram, inclusive eu. Hj após quase 3 anos ainda somos amigas e compartilhamos nossas dúvidas e alegrias de mães! Àquelas que ainda não conseguiram o sonhado positivo torcemos com todas as forças p/ que isso aconteça!
    Ao Davi meu eterno amor…
    Ao Samuel minha alegria de cAda dia e às minhas amigas do BCB minha gratidão por me apoiarem e ajudarem a passar pelo momento mais difícil da minha vida!

  12. Flávia

    Eu tive 2 abortos também, ambos antes de minha terceira gestação vingar. Hoje meu Mateus tem quase 3 anos, mas só quem passa por isso sabe realmente como é. No meu caso, foram 2 anos com o medo de nunca poder ser mãe (eu ficava quase com ódio quando descobria que uma amiga engravidava) mas o tempo traz as respostas de tudo. E ainda assim há muitas histórias complexas. Parabéns pelo post, espero que muitas tenham forças pra continuar lendo relatos assim!

  13. Rafaela M. Mendes

    Eu esqueci de comentar em meu relato o nome do médico : Tarcísio Mota Coelho. Tem coisas na vida que não dá pra explicar, mesmo sendo uma situação muito difícil para mim, no meio disso tudo, eu ganhei uma amizade, hoje Tarcísio é meu amigo, parece um pai. Quantas vezes não paguei consulta, me atendia no hospital universitário, na clínica dele, onde fosse melhor pra mim, sem falar na religiosidade que me ajudou bastante. Cuidou da segunda gestacao com todo zelo. Então, indico para gravidez de risco em São Luís, Dr. Tarcisio Mota Coelho. Além de médico, ser humano incrível. Obrigada Shirley, o teu blog é um canal muito importante para as mães brasileiras. Um grande abraço, fica com Deus.

  14. Thayse

    Me identifiquei totalmente com o depoimento da Isabela. Também tive pré-eclâmpsia e meu Leonardo se foi na 23ª semana de gestação em outubro de 2015. A diferença é que ele morreu dentro de mim, enquanto tentavam controlar a minha pressão para que ele crescesse um pouco mais, mas não foi possível. O parto normal foi induzido, e ao sentí-lo sair de mim, não pude ouvir o seu choro. Não quis vê-lo, preferi imaginar para sempre como seria meu anjinho.
    De fato a dor é imensa, como jamais imaginei, não pensava que já estava tão ligada à ele. Eu estava imensamente feliz, empinava minha barriga para que todos vissem minha alegria, mas a alegria virou tristeza após três dias internada em um hospital. A frustração de tudo se acabar de repente é mortal. Chorei muito, precisei de terapia pra conseguir voltar à viver.
    Meu Leózinho teria nascido no final de janeiro de 2016, a dor virou esperança, mas ontem mesmo eu voltei a chorar, pois imaginava que era pra ele estar nos meus braços naquela hora.
    Em poucos dias tenho consulta com um médico especialista em gestação de alto risco, onde vou saber sobre os procedimentos para engravidar novamente. Confesso que tenho muito medo de ter o mesmo problema novamente, sei que existe essa possibilidade, mas tenho tentado converter o medo em fé, de que em breve estarei ostentando minha barriga novamente, mas que desta vez minha gestação seguirá até o fim, e terei meu bebê nos braços, como a Isabela, saber que ela conseguiu aumentou minha fé e esperança na vitória completa!

  15. Lais Cadavieco

    Lindo e especial cada depoimento, passei por um aborto em abril de 2011, depois disso eu e meu esposo ficamos com muito medo de engravidar novamente, estava passando por um tratamento e quando veio o susto um dia após o natal dia 26-12-15 vinha a notícia estava grávida mais apenas 11 semanas depois veio a triste notícia estou novamente com um aborto e dessa vez muito pior meu útero está fechado e o meu Bebezinho está aqui comido refiz o exame hj e ele continua aqui comigo amanhã vou saber o que meu médico vai decidir sobre o fazer é uma dor indescritivel só que passa é que sabe o quanto é doloroso, sei que esse momento vai passar e assim como cada mamãe dos depoimentos eu tbm vou ter a felicidade de ter um dia meu filho em meus braços… Parabéns pela matéria

    1. Cinthia

      Foi exatamente o que aconteceu comigo, descobrir depois de 3 semanas que sofri aborto retido e não tinha sinais de expelir. Optei pela sucção, mas é uma dor sem fim. Medo de tentar, medo de sofrer outra vez, medo não conseguir, medo de tudo. Fomos contempladas com essas perda, mas por que? Não entendo como aconteceu comigo, com você ou com qq outra mãe. Difícil e para piorar estou com corrimento (borra de café) constante há 15 dias e esse sofrimento não acaba. Quando optei pela sucção era para virar a página e não sofrer, mas continuo aqui, o médico disse que posso ficar até 30 dias assim

  16. Lais Cadavieco

    Lindo, especial, único e emocionante cada depoimenro, só quem já passou ou está passando por um momento desses sabe o quanto é difícil, estou infelizmente passando pelo meu segundo aborto só Deus sabe como está sendo difícil passar mais uma vez por isso perder o segundo filho aceitar mais uma vez que não vou telo em meus braços…. Parabéns pela matéria…

  17. Juliana Teles

    Cada depoimento foi super importante. Me emocionei muito. Em julho do ano, eu tive um aborto espontâneo com 17 semanas, não foi identificado nenhuma causa. Agora estou grávida novamente, com 15 semanas e rezando muito para que tudo corra bem. A acupuntura vem me ajudando muito a lidar com cada emoção (tristeza, alegria e medo). Desejo muita luz, amor e fé a cada família que um dia já passou por essa dor. Bjs

  18. Damaris

    Sim, é uma dor que dói na alma. Tive um sangramento com 10 semanas e em uma ultrassom foi constatado o óbito do bebê. ….Não é fácil e triste demais. Esperei expelir naturalmente, mas não aconteceu e essa semana vou fazer a curetagem.

  19. Érica

    Ler esses comentários foi reviver…reviver a perda do meu filho,mas hoje revivo toda minha história de maneira diferente, com a certeza que Deus sempre está no comando de tudo!!!!
    Em junho de 2013 descobri que estava grávida do meu segundo filho. Foi uma imensa alegria para todos nós: eu, o pai e principalmente para o irmão. Sentia-me como na primeira gravidez, super bem e sem enjôos. Meu médico pediu um ultrassom para ver se estava tudo bem para então começar o prénatal. Agendei e fomos ao exame alegres e cheios de sonhos eu e meu marido. Quando o médico iniciou o exame percebi que tinha algo errado,pois ele mudava o tipo do US e foi no momento em que eu disse: tem algo errado? Ele me respondeu com toda sensibilidade do mundo que sim, que meu filho estava morto. Eu estava com 8 semanas de gravidez e não senti nenhum sintoma como perda de sangue, dor , enfim não senti nada e tinha certeza que estava tudo bem. Naquele momento meu mundo acabou…veio abaixo,mas em nenhum momento me revoltei com Deus e nem procurava fazer nenhum tipo de questionamento. Chorei 72 horas sem parar, não conseguia falar com ninguém. Recebi apoio primeiramente de Deus e do meu marido que não me deixou sozinha nem por 1 segundo. Fomos para a maternidade e a médica não indicava a curetagem,mas eu não tinha condições psicológicas para dar conta de continuar com o meu filho morto na minha barriga. Fui encaminhada ao bloco cirúrgico, onde fiquei por 3 horas para esperar o remédio fazer efeito. Durante todo esse tempo presenciei muitos nascimentos,casais extremamente felizes com o nascimento dos filhos e eu ali esperando para tirarem o meu morto. O procedimento foi realizado e graças a Deus não tive nenhum tipo de complicação. Não sentia nenhuma dor física,mas minha dor emocional era imensa…
    A previsão do parto era 21 de março de 2014, foi nesse mesmo mês que engravidei novamente e hoje Guilherme Henrique está com 1 ano e 2 meses. Ele veio abrilhantar ainda mais minha vida juntamente com sei irmão de 5 anos. Como li em um dos depoimentos, tenho 2 filhos nos braços e 1 anjinho no céu, que mesmo não tendo a oportunidade de conhecê-lo o amo com todas as forças e tenho a certeza que ele teve essa passagem breve pelas nossas vidas para nosso crescimento.

  20. Ludiane

    Me chamo Ludiane, tenho 20 anos e faz um mês que perdi um anjinho …. Estava de 8 semanas.. Era nosso sonho ter um filho pois estávamos juntos há quase 6 anos e estamos casados há 5 meses … Em dezembro de 2015 descobri que estava grávida! Nossa foi uma surpresa contei para meu marido e contamos para nossos pais e amigos! A felicidade estava estampada em nossos rostos… Como aquilo tinha feito bem para nós dois ! O tempo passou … Fui ao médico para começar meu pre Natal ! Vários exames foram pedidos e por fim um transvaginal foi marcado … Lembro-me que no dia do trans estava ansiosa e muito chorona… Meu marido foi comigo mais não o deixaram entrar … A médica que por sinal super grossa e fria começou o exame … Já me perguntando se tinha tomado alguma coisa que não podia ou tinha tido alguma dor eu já preocupada disse que não ! Ela disse q não tinha mais sinal de gestação ativa e que não estava conseguindo ouvir o coração … Simplesmente me entregou o protocolo do exame e disse “pode se limpar, se vestir e a hora que você. Sair feche a porta” … Naquele momento meu chão se abriu … Fiquei sem saber ao certo O que fazer … Sai da sala e falei pro meu marido “vamos embora ” sai da clínica chorando e não conseguia contar Oq estava acontecendo só consegui dizer que tinha perdido nosso filho … Viemos pra casa eu só sabia chorar eu sentia uma dor por dentro uma dor na alma ! Logo chegou nossos familiares e amigos … Mais à noite fomos ao hospital ouvir uma segunda opinião … É a médica disse para esperar o resultado do exame sair e voltarmos lá … Na quarta feira acordei disposta a levantar da cama pois na terça fiquei lá o dia todo … Sai fui na minha sogra e voltei pra casa com uma vontade imensa de fazer xixi … Sentei no vaso e quando levantei perdi a força das minhas pernas uma dor muito forte no pé da barriga e olhei no vaso tinha sangue … Me levaram pro hospital cheguei lá desmaiada! Fiquei tomando medicamento até as 16 horas que foi a hora q marcaram outro trans … Realmente o resultado foi aquele mesmo já não tinha sinal de gestação ativa ! Perdi meu filho … Hoje estou melhor … Passando por um Momento de reflexão…. Meu casamento se fortaleceu mais … É Vamo tentar outro daqui dois meses ! Se Deus quiser conseguirei levar até o fim a gestação … !!!!

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