Pré-eclâmpsia

No post de hoje vou falar de um problema que deixa muitas mulheres bastante apreensivas na gravidez, a pré-eclâmpsia É porque quando a gente engravida e começa a ler e pesquisar sobre cuidados na gestação e tudo o que pode acontecer for a do previsto, sempre acabamos encontrando algo sobre a pré-eclâmpsia e sabendo que é uma situação que precisa de muito controle para não se agravar.

O nome do problema mais comum e falado é pré-eclâmpsia, mas é como o termo diz: ela é uma condição que antecede uma outra, a eclâmpsia, essa ainda mais grave e perigosa do que a “pré”. É que a eclâmpsia é uma espécie de convulsão que pode ocorrer quando a pressão arterial da mulher sobe muito em algum momento da gravidez e ela pode deixar a mulher em coma, causar edema cerebral ou até levar à morte.

pre eclampsia

Photo Credit: ** Tania ** via Compfight cc

Só de ler assim já assusta muito. Mas quando o pré-natal é feito com cuidado, os riscos dessa situação ocorrer diminuem muito, pois são descobertos os sinais dele, é quando se diz que a gestante tem pré-eclâmpsia, que também precisa ser bem controlado.

Falando bem simplificadamente, a pré-eclâmpsia é a pressão alta durante a gravidez, mas em termos mais técnicos ela é chamada de toxemia ou doença hipertensiva específica da gravidez (DHEG).  No segundo trimestre, por volta da 20a  semana, é quando so sintomas se manifestam: mal-estar por conta da pressão elevada, inchaço em partes do corpo diversas, como o rosto, mãos e pés, dores abdominais, incômodo visial ou visão borrada, sangramento vaginal e dor de cabeça dão a pista de que algo não está como esperado. Nos exames de urina, nota-se um percentual elevado de proteínas, que às vezes provocam um pouco de espuma no xixi. Outras alterações que merecem atenção, nos exames de sangue, são a no nível de plaquetas e nas enzimas hepáticas

Quando fora de controle, ela pode prejudicar o desenvolvimento do bebê, por restrição de crescimento causado pelos efeitos da pressão alta no funcionamento correto da placenta. Também pode, em casos graves, haver um descolamento de placenta. Aí, essas situações extremas também podem pedir um parto emergencial e prematuro para que se preserve a vida do bebê e da mãe.

Um dos grandes riscos é a mãe não perceber nenhum sintoma e aumentar os riscos de um parto emergencial ou mesmo de entrar em eclâmpsia proproamente dita. Muitos médicos alertam para que se preste atenção nos valores da pressão arterial no primeiro trimestre de gravidez, quando ela geralmente deve ficar mais baixa do que o normal. Se isso não acontecer, é sinal de alerta. Não precisa nem subir, mas se não cair já dá para ficar mais cuidadosa com esse fator.

No acompanhamento médico, ele definirá se o caso é apenas de controle com repouso, diminuição da ingestão de sal e sódio e medicamentos ou se é o caso de ficar em supervisão constante com internação. Tudo pode varias ao longo da gestação, conforme os valores da pressão ficarem ou não estáveis.

Existem alguns fatores de risco para o problema que são: primeira gestação, gravidez gemelar, fetos grandes, histórico de pré-eclâmpsia em gestações anteriores ou casos na família, pressão alta mesmo antes da gravidez, sobrepeso e idade superior a 35 anos.

Uma boa notícia, que li no site da revista Crescer, é que desde meados do ano passado já existe no Brasil um novo exame para que se faça um diagnóstico precoce dos riscos de eclâmpsia e pré-eclâmpsia. O nome do exame é PLGF (Placental Grown Factor, o termo em inglês para “fator de crescimento placentário). Ele pode ser feito entre a 9a e 14a semana, com preferência para a 10a , com uma amostra de sangue que analisa  os níveis do PLGF e combina com outros fatores de risco e informações da gestante. Assim, dependendo do resultado, a gestante pode iniciar um tratamento com um baixa dose de medicamentos que ajudam a prevenir  o agravamento da situação. Passado o parto, a pressão arterial da mãe e os inchaços podem demorar um pouco para regredir, levando até algumas semanas para entrar na normalidade.

Com um pré-natal cuidadoso e seguindo as orientações médicas, a pré-eclâmpsia pode ser contornada e bebê e mãe ficarem felizes e saudáveis.

 

 

3 comentários

  1. Alessandra

    Ótima matéria! Passei por isso há 11 anos atrás, meu filho nasceu natimorto com 37 semanas, não tive nenhum sintomas. Hj tenho 2 filhos lindos de 10 anos e 2 anos fiz acompanhamento da pressão e foi tudo bem!
    Apenas o médico q fez o pré natal nem sequer foi ao hospital! Deveria ter processado mas Deus sabe o q faz!

  2. @thayse_cs

    Só quem passa por isso entende a dor, sentir-se alguém inferior, incompleta, pois todas as grávidas que vc conhece chegaram até o fim e hoje estão com seus bebês nos braços, mas você, não.

    Em maio/2015 eu engravidei. Eu havia descoberto ser hipertensa um ano antes e já tomava remédios para controle da pressão alta. Meu cardiologista mandou suspender no primeiro trimestre.

    E assim correram os primeiros três meses, tudo maravilhosamente bem, sem um único enjoo, bem disposta. O segundo trimestre chegou, a pressão estava normal, continuei sem remédio e me sentindo bem, descobrimos que o Leonardo estava a caminho.

    Até que na 19ª semana, em uma consulta de rotina no ginecologista, a pressão estava 16×11. Corremos para o pronto socorro da maternidade. Como não havia proteína na urina, me dispensaram após baixarem a pressão com medicamentos. Passei a tomar remédios três vezes ao dia. Uma semana depois, nova subida, mais um retorno ao pronto socorro, aumenta-se a dosagem dos remédios.

    A 20ª e 21ª semana passam, tudo parecia bem, o Leonardo já se mexia bastante, todas as noites o papai falava pertinho, e ele parecia reconhecer, se agitando ainda mais. Mesmo eu percebendo que a pressão estava oscilando, não sentia nada, pelo contrario, estava super bem disposta, fazia pilates duas vezes por semana, estava empolgada escolhendo o tema do chá de bebê, fazendo orçamento com fotógrafos. De vez em quando media a pressão, via que estava alta mas pensava, “me sinto tão bem, não deve ser nada grave”. Fizemos o ultrassom morfológico do 2º trimestre, tudo ia bem com o Léozinho, como já era chamado pela família.

    Até que no meio da 22ª semana comecei a ter uma dor abaixo da costela, comentei com meu marido “acho que o bebê está pressionando meu diafragma”. E se passou o primeiro e o segundo dia, comecei a estranhar cada vez mais aquela dor, que não era intensa, mas era contínua, não passava. Até que na véspera de entrar na 23ª semana uma sensação de apreensão tomou conta de mim, sentia que algo não ia bem, uma falta de ar, ansiedade. Naquela noite pedi para o papai conversar com o Leózinho, estava o achando muito quieto, precisava sentí-lo.

    No dia seguinte, uma quarta feira, a tal dor insistia, comecei a procurar na internet algo parecido, e cheguei na tal “dor epigástrica”, pelos sintomas concluí que estava com dor no fígado derivada de pressão alta. Fui imediatamente ao ambulatório do meu trabalho. Chegando lá minha pressão estava 16×11, mandaram chamar meu esposo para me levar para a maternidade imediatamente.

    Atravessamos a cidade apressados, chegando à maternidade minha pressão já estava em 20×12. Após exames e medicação decidiram por me internar. Até então estava tranquila, achava que no dia seguinte estaria em casa, tínhamos uma viagem programada para o final de semana, só queria não atrasar pra fazer minha mala. Mas no dia seguinte pela manhã o médico veio dar a notícia que abalou nossas vidas. Minha situação era gravíssima, pressão incontrolável, “vamos ter que tirar o bebê para salvar a vida dela”. “Mas doutor, o bebê teria chance de sobreviver?”, perguntei. “Pouquíssimas”, foi a resposta. “Você está com síndrome Hellp”. Eu já tinha lido alguma coisa sobre essa síndrome, a forma grave da pré-eclâmpsia, mas pensava, “imagina, eu nunca vou ter isso”. É aquela nossa mania de achar que coisa ruins só acontecem com os outros”.

    A ficha demorou um tempo pra cair, eu e meu marido ficamos uns instantes anestesiados. Avisaram-se que iriam me transferir para uma sala de pré-parto. Lá eu ficaria de prontidão para sair para cesárea. Só não fariam o parto imediatamente pois ainda tentariam ganhar tempo para ao bebê crescer mais um pouco.

    Pedi para meu marido ligar para os meus pais, queria eles perto de mim. Quando minha mãe chegou finalmente eu desabei, não aceitava que tirassem meu bebê, ele não iria suportar, eu estava disposta a ficar internada por todos os meses que restavam, jurei que faria de tudo para que ele vivesse. Depois soube que nessa hora meu marido também estava chorando desesperado do lado de fora.

    Permaneci três dias sendo monitorada, medicada, a pressão parecia estar cedendo, me enchi de esperanças, recebi dezenas de mensagens de apoio, uma grande rede de orações se formou. Até que numa tarde de domingo, dia 04 de outubro de 2015 a pressão voltou a subir, tentei repousar, meu marido saiu para ir em casa, fiquei com minha mãe. A enfermeira da tarde veio ouvir o coração do bebê, como faziam três vezes ao dia, mas não conseguiu, chamou outra enfermeira, tentaram de todas as formas, a expressão delas não era boa mas não falaram nada, disseram que iam chamar o médico.

    Mas eu tinha certeza que o Léozinho se mexia ainda, eu podia sentir, pedi para minha mãe orar por nós, ela acariciava minha barriga pedindo a Deus pelo bem dele.

    O médico demorou muito, meu marido chegou, eu disse que estávamos esperando o médico vir pois alguma coisa estava errada com o bebê, meu marido na hora entendeu, ele havia sido avisado de que isso poderia acontecer, toda vez que vinham ouvir o coração do bebê ele ficava apreensivo, e aquela hora tinha chegado. O médico também não conseguiu ouvir nada, me encaminharam para o ultrassom, então eu parei de me iludir, Léozinho já não estava mais ali.

    Durante o ultrassom eu não quis olhar para o monitor, não queria ver dessa vez ele parado, sem o som do seu coração, tão diferente das outras vezes. Confirmaram que já não havia líquido, nem batimentos, finalmente nos disseram que já não havia vida.

    Voltei para o quarto, me comunicaram sobre o procedimento de indução. Toda minha família foi para o hospital naquele domingo já tarde da noite. Pouco puderam fazer, só puderam me abraçar e logo foram embora, só minha mãe e meu marido ficaram, e naquela mesma noite foi inserida primeira medicação.

    Eu estava apreensiva em quantos dias levaria para tudo terminar, poderia levar toda a semana, me desesperei. Cada inserção do remédio via vaginal era uma tortura, eu não conseguia relaxar.
    Até que na tarde do segundo dia as contrações começaram a chegar. Intensas, constantes, doídas, me contorcendo eu pedia a Deus para que tudo terminasse. Só precisei fazer forças duas vezes, e senti ele sair. Imediatamente a dor cessou, e Léozinho nasceu em silêncio. Rapidamente as enfermeiras o levaram, não o vi, não pedi para ver. Em pouco tempo também fui levada para sala de curetagem e só acordei no quarto de volta.

    No dia seguinte, ainda meio entorpecida, eu me sentia de certa forma aliviada, só queria sair daquele hospital, uma ansiedade terrível, sentia-me sufocada, a pressão ainda estava alta, eu sentia que ela só cederia quando eu saísse daquele lugar. Soubemos que teríamos que sepultar o Léozinho, e que eu teria direito a licença maternidade. Meu esposo sugeriu que o cremássemos, eu concordei.

    Só no dia seguinte tive alta, 8 dias depois de ter chegado ao hospital. Ao chegar em minha casa entrei em desespero, me dei conta de que uma semana atrás na última vez em que saí dali para trabalhar minha vida era outra, eu voltei outra pessoa, saí cheia de sonhos e planos e voltei vazia, destruída. Foi o primeiro dos meus vários momentos de choro e desespero. Meu marido saiu para cuidar dos detalhes do corpo do bebê, eu fiquei com minha mãe. Naquele mesmo dia ao tomar banho senti meus seios endurecidos e doloridos, entendi na hora do que se tratava. No dia seguinte eles começaram a vazar e tive que voltar para o hospital, pisar ali tão cedo foi uma tortura. Me receitaram um remédio que não achamos em farmácia alguma, decidi não tomar nada e apenas fazer compressas.

    Dois dias depois meu marido foi à cremação, preferi não ir, mas nossos anjos em forma de cunhados e primos o acompanharam.

    O leite parou de vazar no dia seguinte. Meu marido voltou a trabalhar. Minha mãe permaneceu comigo me apoiando, secando minhas lágrimas constantes. E assim se passou o primeiro mês.

    No segundo mês decidi ocupar meu tempo indo à academia e voltando para terapia. Comecei a me sentir melhor. Minha querida psicóloga me fez entender que eu precisava melhorar para tentar de novo, que meu desespero não ia passar só depois que tivesse um novo bebê, precisava ser antes. Decidi me dar esse tempo de luto e descanso, não pensar em mais nada.

    2016 chegou e me senti forte o suficiente para buscar minhas respostas. Comecei a vasculhar o assunto na internet, marcar médicos. O primeiro não foi muito animador, nos lembrou da gravidade do meu problema, e das chances de acontecer de novo, deixou a decisão nas nossas mãos.

    O segundo médico foi mais didático, e nos deixou a par dos e tratamentos, e relacionou o meu problema à trombofilia, algo que eu já tinha lido a respeito. Ele pediu todos os exames de investigação. Quando resultado positivo saiu eu fiquei de certa forma aliviada, finalmente descobri a causa do meu problema, é muito melhor do que imaginar que tudo foi obra do acaso, e sendo assim só o acaso poderia dizer se pode acontecer de novo. Agora sei que tenho um tratamento.

    Conheci outras trombofílicas no Facebook, vi que não estou sozinha, muitas gestantes passaram pelo que passei, vi muitas histórias de vitória.

    E agora estou prestes a encarar o novo maior desafio da minha vida, tentar de novo. O médico pediu para eu repetir os exames, e aguardar a liberação do meu cardiologista quanto à adaptação a medicação de controle da pressão, que dessa vez não vou interromper. Sinto que no próximo mês estaremos liberados para as tentativas, e dessa vez tudo dará certo, com a graça de Deus!

    1. Macetes de Mãe

      Olá, Thayse!
      Obrigada por compartilhar sua história.
      Vai dar tudo certo!!
      Bjss

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