Sempre, sempre, sempre escute o seu coração

Para começar esse post eu posso contar uma centena de histórias. Histórias que eu vivi, histórias vividas por amigas, histórias que leitoras me contaram. Em todas elas, aquele famoso sentimento, conhecido por “intuição de mãe”, de uma forma ou de outra, estava presente.

Para mim, essa coisa de ouvir o próprio coração ou seguir a nossa intuição de mãe começou lá nos primeiros dias de vida do Leo. Quando o Leo era um bebezuco de nada, ele apresentou problemas para mamar. Ele mamava pouco, chorava muito para mamar, se mostrava realmente desconfortável. Quando eu falava para as pessoas que tinha algo errado, pois era isso que o meu coração me dizia, todo mundo contra argumentava falando que era assim mesmo, era cólica, com três meses iria passar e por aí ia.

Ouvi isso de amigas mais experientes, da minha mãe, da minha sogra e até da pediatra do Leo. Com ela, inclusive, eu quase briguei, porque queria que ela acreditasse em mim, precisava que ela acreditasse em mim, afinal, alguém tinha que fazer alguma coisa para ajudar o meu pequeno.

Enfim, desde muito cedo a minha intuição dizia que o choro e desconforto do Leo para mamar não eram normal. Por mais que eu fosse uma mãe de primeira viagem e não entendesse bulhufas de crianças, eu SENTIA que algo estava errado.

Eu dizia para a pediatra que sabia que o Leo tinha algum problema e que achava que esse problema era APLV (Alergia à Proteínda do Leite de Vaca). Ela era da turma que dizia que não, que era cólica e com três meses iria passar. Mas eu não sosseguei e segui insistindo, até que um belo dia, ela resolveu me ouvir. Depois de ouvir DE VERDADE o que eu já vinha dizendo há meses, ela concordou que o Leo tinha algum problema e nos encaminhou para um especialista.

Lá, ele foi diagnosticado com APLV e eu chorei quando o médico confirmou o que eu já sabia. E, posso dizer? Eu não chorei por tristeza, pois, na verdade, eu sempre soube. Eu chorei foi de alívio, porque, até que enfim, alguém acreditava em mim, alguém dava ouvidos ao que o meu coração tentava dizer há muito tempo.

Desde esse dia, eu nunca mais deixei de ouvir o meu coração. Eu já fazia muito isso na minha vida antes de ser mãe (e sempre que não fazia me ferrava), mas depois que tive filhos parece que essa intuição, essa verdade que vem de dentro da gente, se tornou mais forte.

Há alguns dias, uma amiga estava vivendo um impasse. Ela havia tirado o seu filho da antiga escola porque achava que havia muitos alunos por sala e o colocado numa nova. Só que ele não estava se adaptando à nova escola e queria voltar para a antiga. Minha amiga, cheia de dúvidas, dividiu sua angústia num grupo que temos no Whatsapp e todo mundo palpitou. Algumas falaram de cara para ela colocar o filho de volta na antiga escola e acabar com o sofrimento de uma vez, outras falavam para ela insistir na nova que uma hora ele acostumaria, e até uma amiga psicóloga opinou, cheia de teorias e conceitos, tentando ajudar na decisão.

Eu, depois de ouvir tudo, simplesmente disse: escute o seu coração. Ele já sabe o que você deve fazer e irá te conduzir à decisão certa.

E aqui, não quero dizer que temos que desconsiderar todos os argumentos racionais e só seguir o instinto. Nada disso. Isso nem funcionaria com uma pessoa prática como eu. Mas com “seguir o coração” eu quero dizer ver a situação sob todos os pontos de vista, analisar todos os prós e contras, pensar a respeito e aí tentar encontrar, lá dentro de você mesma, aquela resposta que parece que você já tem, só que ainda segue escondidinha, pois você está insegura sobre aquilo tudo.

Certa vez, li em algum lugar, acho que num livro, que intuição não existe. Que a intuição ou sexto sentido são, pura e simplesmente, o nosso cérebro fazendo uma análise inconsciente de todos os fatores envolvidos  e nos dando a resposta certa, o caminho a seguir. E quer saber, eu acredito nisso.

Enfim, com esse texto quero pedir para vocês sempre, sempre, sempre, seguirem seu coração. Pararem para ouvir o que ele diz. Acho que isso é válido para tudo na vida, mas principalmente para a maternidade, que é algo tão baseado na emoção, sentimentos e mil fatores subjetivos.

Como diz o pediatra dos meninos (o atual, porque aquela antiga eu troquei): “Gosto sempre de ouvir o que a intuição da mãe diz, porque ninguém conhece melhor a criança que ela”.

Concordo 100%.

 

11 comentários

  1. Aline Luiz

    Concordo com tudo que nesse texto.
    Quando alguma amiga engravida, um dos “conselhos” que eu sempre repito é: siga sua intuição, mãe sabe, mãe sente, se você acha que algo não está legal, verifique, porque mãe sabe.
    Quando meu filho nasceu, escolhemos um pediatra, por indicação, parecia ótimo, mas tudo que eu falava ele dizia que era normal, e meu marido, que já tinha uma filha de 13 anos, se achando com toda experiência do mundo, fazia me parecer tola.
    Mas, no fim das contas, não era tudo normal, ele tinha APLV, com dermatite atópica crônica, bronquite que por não ser tratada evoluiu para pneumonia.
    Mas por fim, encontrei uma profissional maravilhosa, que confio nela de olhos fechados e indico sempre, temos uma nova pediatra, que e excelente, e dei uma bronca no marido, dizendo MÃE SABE! PODE DEIXAR QUE MÃE SABE.

    1. Shirley Hilgert

      Aline, parece o que eu vivi aqui. Te entendo totalmente! Beijos! Felicidades para a sua família.

  2. Vanessa

    Nossa Shirley leio sempre seus posts e adoro! Me identifico muito! E este absolutamente mexeu comigo.. Eu também já briguei muito com todos por causa dessa intuição de mãe que não falha… e no caso do meu filho por causa do refluxo oculto que o pediatra teimava em dizer que não existia que era coisa da minha cabeça. Até que a 2 meses atrás resolvi leva-lo num especialista e descobri que estava certa.. sim ele tem refluxo oculto e com um simples remedinho nossas vidas ficaram bem mais fáceis. Obrigada por compartilhar conosco sua experiência como mãe.

  3. Isabela

    Lindo incentivo, Shirley!

    Você intuiu quando APLV do Leo estava curada? Vc tinha esse sentimento de que as coisas estavam em outro nível?

  4. Lydice

    Eu me identifiquei muito com o seu post. O pai da minha filha não mora mais conosco e sempre que falo alguma coisa que eu sinto no meu coração que nao esta certa, ele me chama de neurotica!
    Na maioria das vezes estou certa, numas outras eu sei que exagero mas que mae de primeira viagem nao se apavora com tudo. Muito obrigada pelo post. Tocou meu coração.

  5. Priscila

    Só uma palavra:PERFEITO!

  6. Lígia

    Shirley, essa foto que vc usou é da minha cunhada e da minha afilhada! Fiquei muito feliz ao ver a foto pois adoro seu blog. Mais ainda porque Meu filho, que é afilhado da moça da foto, teve aplv e na época eu comecei a desconfiar através do seu depoimento no blog. Inclusive escrevi pra você algumas vezes e vc sempre me ajudou nas suas respostas! Hoje ele está com 1 ano e 1 mês e a aplv acabou! Bjss e parabéns pelo blog

    1. Nina

      Ligia, conte-os sintomas do seu filho, como desconfiou q era aplv…?

      1. Lígia

        Nina, quando meu filho fez 2 meses, ele começou a chorar na hora de mamar. Pegava o seio com vontade e largava pouco tempo depois aos berros! Coincidentemente, comecei com complemento porque ele estava bem abaixo do peso. Com isso os episódios de choro foram aumentando e ele vomitava quase todo o complemento. Chegou num auge quando eu comi leite condensado na véspera e ele chorou por quase 2 horas seguidas. Troquei o complemento por um leite com proteína extensamente hidrolisada e comecei a dieta restritiva, além da medicação. Tive sorte porque o médico desconfiou na hora!mesmo assim, não foi nada fácil!

  7. Elizângela

    Lindo texto! Sempre sigo meu coração, principalmente quando relacionado ao meu filho. Certa vez, quando ele tinha 6 meses, teve uma febre muito alta durante a noite, no PA o médico diagnosticou como sendo uma infecção na garganta e receitou antibióticos. Apesar de ter comprado, não dei nenhum a ele, meu coração dizia que não era uma simples dor de garganta e, claro, todos ficaram horrorizados porque eu estava “privando” meu filho de tratamento médico. No outro dia pela manhã, voltei com ele ao PA e encontrei um anjo em forma de pediatra que diagnosticou, mesmo antes de obter os resultados dos exames que havia solicitado, e o diagnóstico foi preciso, era H1N1. 7 anos se passaram e eu me arrepio só de lembrar ou de pensar o que poderia ter acontecido se eu não tivesse seguido meu coração.

  8. Faço coro com as meninas acima. Texto perfeito! Concordo plenamente com esse conceito de intuição. Ah! E o pediatra do filhote também me pergunta: “o que tu achas?” – um dos motivos por que o adoramos! :)

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