Você é uma mãe helicóptero?

Você já ouviu falar dessa expressão: “mãe helicóptero”? A primeira vez que li a respeito, pensei “Ai meu deus, será que sou dessas?”. E confesso que me deu um desespero em pensar que poderia ser (li isso pela primeira vez quando o Leo ainda bem pequeno).

Bom, mas afinal, o que é essa tal de mãe helicóptero?

Mãe helicóptero é aquela mãe que vive em volta dos filhos, “sobrevoando”, observando e controlando tudo que eles fazem. Eles não conseguem dar um passo sem que a mãe esteja em cima, dizendo o que eles tem que fazer, como fazer, dizendo que tem que tomar cuidado. Na verdade, são mães extremamente zelosas (podem ser pais também, é claro), preocupadas com seus filhos, que só querem o bem deles. Mas será que esse excesso de zelo, preocupação e proteção é bom para a criança?

mae helicoptero

Photo Credit: allmikesphotos via Compfight cc

Diversos estudos mostram que crianças cujos pais controlam em excesso os passos dos filhos acabam se tornando mais inseguras, ansiosas e com dificuldade de socialização. Os pais acham que estão simplesmente cuidando dos filhos, zelando pelo bem estar e segurança deles, mas as crianças os vêem como controladores e até opressivos. Ou seja, superprotegendo os filhos os pais acabam atrapalhando o desenvolvimento da criança e tirando a sua autonomia.

Sei que é difícil a gente encontrar o equilíbrio entre cuidar/zelar e superproteger. Sei que as mães e pais helicóptero são assim com a melhor das boas intenções, mas é importante ficarmos atentas para não praticarmos excessos.

Eu percebo claramente que fui muito mais controladora e superprotetora com o Leo do que sou com o Caê. Infinitamente mais. Claro, Leo era meu primeiro filho, eu queria fazer tudo certo e achava que estava acertando quando eu o protegia, mas até que ponto isso foi bom para ele? Leo é uma criança bem mais dependente que o Caê. Ele é daqueles que quando estamos num lugar diferente, com pessoas diferentes, fica grudado em mim ou no pai dele, não tem facilidade de “se soltar”, é mais tímido e um pouco mais inseguro (na verdade, prefiro dizer prudente). Já Caê, que cresceu com uma mãe bem menos controladora, é uma criança bem mais dada, solta, que vai com todo mundo e que se arrisca bastante (vive caindo por aí).

Enfim, não acredito que essas características tão opostas dos meus filhos são somente resultado da criação que eles tiveram. Acho que muito disso tem a ver com a personalidade deles, ou seja, é algo que já nasceu com eles (Leo é bastante parecido comigo em muitos sentidos), mas ficarmos atentas às nossas atitudes, a fim de ajudarmos nossos filhos a crescerem e se desenvolverem de forma saudável, é sempre importante.

Por isso, minha sugestão é: fiquem de olho no seu próprio comportamento com relação a seus filhos e observem se não estão estão exagerando um pouco na superproteção (algo bem comum, afinal, filhos são a coisa mais valiosa da nossa vida e com o mundo do jeito que está hoje é natural a gente ter medo). E se isso acontecer, tentem relaxar mais, como eu aprendi a fazer com a chegada do Caê. Estar próxima aos filhos, para protegê-los quando é necessário, é diferente de super proteger e “sufocar”. Temos que ficar de olhos abertos para não ultrapassarmos o limite e, em nome de um excesso de amor e zelo, não acabarmos prejudicando nossos pequenos.

Nossos filhos vão cair, vão se machucar,  vão sofrer decepções, vão sofrer com brincadeiras de mau gosto, vão sentir medo, vão chorar. Isso faz parte. Isso os faz crescer e desenvolverem-se. Não dá para a gente querer protegê-los de tudo, querer encurtar caminhos para eles. Eles precisam aprender a descobrir, tentar, errar, fazer de novo. Até acertar. Precisam ser desafiados, precisam ver que o mundo, mesmo que seja o mundo pequeno e protegido das suas casas, também tem desafios e eles podem superá-los se não desistirem na primeira dificuldade.

Se não passarem por isso, por desafios e por pequenas frustrações, quando eles tiverem que enfrentar a vida de verdade será bem mais difícil.

E é nas pequenas coisas que a gente pode e deve deixá-los tentar, descobrir e aprender. É na hora de descascarem uma banana, de comerem sozinhos, de colocarem o próprio tênis, de guardarem os brinquedos, de tirarem a própria louça da mesa, de carregarem a sua mochila. Coisas simples, mas com um significado tão grande.

Eu decidi ser menos helicóptero. Na verdade, com o Caê eu percebo que já sou muito menos que fui com o Leo e percebo o quanto isso tem sido bom para o meu pequeno.

Pense sobre isso, avalie as suas atitudes e veja se você também não está pecando por querer fazer tudo certo sempre. Percebo claramente que essa tendência a ser uma mãe helicóptero é de mães perfeccionistas, que amam em excesso e querem fazer tudo certo e evita que seus filhos sintam qualquer dor ou decepção. Mas querendo agir sempre “certo” podemos, na verdade, estar fazendo muito errado. Vale a pena pensar sobre isso.

1 comentário

  1. Boa reflexão! Já conhecia o termo, mas é sempre bom parar para pensar se não estamos exagerando mesmo.

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