O mais completo guia sobre meningite e vacinas (num formato simples que você irá entender)

Hoje é o Dia Mundial da Meningite, e aproveito a ocasião para abordar, mais uma vez, esse assunto tão importante e para o qual nós, pais, devemos estar sempre atentos.

Meningite é uma doença séria e grave. Daquelas que, se não diagnosticadas rapidamente, podem deixar sequelas severas ou até matar. Por isso, o mais importante é a prevenção e, para prevenção, nada mais importante que informação.

vacina meningite

Photo Credit: ufcinforma via Compfight cc

Por isso, está aqui mais um post sobre meningite, no qual eu faço um apanhado geral de todas as principais e mais importantes informações sobre a doença que eu já publiquei e, também, trago informações novas.

Leia, informe-se e proteja seus filhos.

O que é:

A meninge é uma membrana que protege o nosso cérebro e a medula espinhal e serve para evitar que qualquer infecção que a gente tenha possa prejudicar o cérebro. Meningite é o processo de inflamação dessa “capa” que protege o sistema nervoso central.

Causas:

Ela pode ser causada por vírus ou por bactérias (as causas mais comuns), mas também por fungos ou outras doenças que não são infecciosas.

As meningites mais graves são as bacterianas, sendo as mais frequentes a meningocócica e a pneumocócica. Nesse caso, é necessário tratamento imediato,  com internação, e o paciente recebe antibiótico na veia. Os casos mais graves podem deixar sequelas. Por isso a preocupação em proteger as crianças o máximo possível. As meningites por vírus, em geral, tendem a ser menos graves que as meningites bacterianas e apenas os sintomas são tratados. Muitas vezes a criança nem precisa ficar internada.  Ainda, as do tipo viral são mais comuns no verão e as bacterianas mais frequentes no inverno. (informações mais detalhadas sobre as causas no último item desse post, que tratará sobre vacinas).

Contágio:

A meningite se “pega” da mesma forma que gripes e resfriados, ou seja, pelas vias respiratórias (contato com secreções como saliva e coriza de pessoas infectadas). Mais comumente isso acontece ao ficar em ambientes fechados com pessoas que têm o vírus ou a bactéria, compartilhando objetos de uso pessoal (não só pratos, copos e talheres, que vão à boca, mas também objetos como celulares). E importante: o contágio e o quanto a doença se tornará mais séria ou não também depende muito do quanto o organismo da pessoa está debilitado. Por isso, cuidar da alimentação e da saúde das crianças, como um todo, é muito importante para evitar o contágio ou um maior “estrago” causado pela meningite.

Sintomas:

Os principais sintomas são febre, cansaço, dores no corpo, vômito, sensação de rigidez na nuca, manchas vermelhas ou arroxeadas na pele e até convulsões. Como nem todos os sintomas aparecem em todas as pessoas doentes e nem com uma ordem definida, é preciso ficar muito atento para não confundir a meningite com uma gripe comum. Além disso, as crianças e bebês que ainda não sabem falar não vão conseguir dizer que sentem dores na nuca, nas articulações ou descrever alguns desses sintomas mais característicos da meningite. O que vai acontecer é que os pequenos vão ficar extremamente irritados, com aquele choro que não passa, bem chatinhos mesmo. Se isso acontecer, melhor suspeitar e, na dúvida, é sempre melhor consultar um médico, pronto-socorro ou posto de saúde. O período de incubação da doença pode variar de 2 a 10 dias, sendo a média de 3 a 4 dias. Importante: depois de infectado, o quadro clínico da pessoa pode se deteriorar podendo levar ao óbito de 24 a 48 horas após os primeiros sinais da doença.

Riscos:

No caso da meningite bacteriana, que é a mais grave se não tratada a tempo ela pode levar até à morte. Ou deixar problemas como surdez, dificuldade de aprendizagem, lesões cerebrais que comprometam funções ou o desenvolvimento da criança ou do adulto e, ainda, amputação de membros, como o caso do Andrey, cuja história é contada no vídeo abaixo (sugiro fortemente que você assista. É emocionante! Me coloquei no lugar da mãe dele e não pude controlar as lágrimas).

Tratamento:

Para saber se é meningite mesmo, os médicos fazem um exame que avalia um líquido que temos na espinha, o chamado líquor. Isso é feito por meio de uma punção, com a ajuda de uma agulha que retirada de um pouco de líquor para análise. Depois de confirmar se é meningite ou não e de que tipo – viral ou bacteriana – é que os médicos definem o tratamento. Para as virais, repouso. Para as bacterianas, além de repouso, antibióticos que precisam começar a ser tomados o mais rápido possível para que a infecção não evolua e os riscos de sequelas não aumente.

Prevenção:

E agora, vamos falar do mais importante: a prevenção. Com os cuidados adequados é possível evitar que seu filho tenha meningite, ou pelo menos, aumentar significativamente as chances de proteção (para que tratar se a gente pode evitar, né?).

Para isso, fique de olho nesses cuidados simples e fáceis de se colocar em prática:

  • Tenha bons hábitos de higiene, como lavar as mãos com frequência, evitar compartilhar comida, pratos e talheres.
  • Evita mandar seu filho com febre para escola, pois ele estando infectado poderá passar para outras crianças e espalhar a doença.
  • Garanta que seu filho está se alimentando adequadamente. Ofereça para ele alimentos saudáveis, de todos os grupos alimentares. Uma boa alimentação melhora o sistema imunológico da criança e diminui as chances da criança ser infectada.
  • E, principalmente, vacine seu filho.

Vou deixar aqui um pequeno guia sobre vacinas conta a Meningite, para você entender direitinho quais são as vacinas disponíveis, para que cada uma delas serve e qual a idade certa de aplicá-las.

GUIA: Tudo que você precisa saber sobre vacinas contra a Meningite

Há sim vacinas que protegem contra a meningite, entretanto, infelizmente, não há vacinas que protegem contra todos os vírus e bactérias causadores dessa doença.

Meningite viral

Você sabia que qualquer vírus pode causar meningite? Os enterovírus são os mais comuns e para eles não tem vacinas específicas. Outros vírus, como o da caxumba e da catapora também podem causar meningite. Nesses dois últimos casos, manter a carteira de vacinação sempre atualizada já é uma forma de prevenir a meningite.

Meningite bacteriana

Agora o assunto torna-se um pouco mais complexo. E para vocês entenderem direitinho, vou falar sobre os tipos de meningite bacteriana que existem e quais as vacinas adequadas a eles)

Meningites bacterianas são causadas principalmente pelo meningococo, pneumococo e hemófilo (Haemophilus influenzae do sorotipo b). As outras bactérias também podem causar meningite, mas são menos frequentes.

A vacina contra o hemófilo já está no calendário nacional de vacinação há muito tempo e, por isso, diminuíram muito os casos de meningite por essa bactéria. E para quem não lembra, ela está na vacina bacteriana tetravalente (junto com a vacina contra o tétano).

O pneumococo causa infecções nos pulmões e no ouvido, mas também pode causar meningite. Existem 92 sorotipos de pneumococo, e tem vacina contra os tipos mais frequentes. No calendário nacional existe a vacina contra o pneumoco, a pneumocócica 10, que protege contra 10 tipos, é dada com 2 e 4 meses e um reforço aos 12 meses, segundo a última atualização do calendário esse ano.

Na rede particular é dada a pneucocócica 13, que protege contra 13 tipos. Para as crianças acima de 2 anos, existe outra vacina que é a pneumocócica 23, que protege contra 23 tipos, e o pediatra pode recomendar em casos específicos.

Os principais sorogrupos de meningococo são A, B, C, W135 e Y, sendo o sorogrupo C atualmente o mais frequente em todas as faixas etárias conjuntas no Brasil. E, por isso, há poucos anos colocaram a vacina contra o Meningococo C também no SUS. A vacina é tomada com 3 e 5 meses e reforço aos 12 meses.

Ainda, há na rede privada outras 2 vacinas contra outros tipos de meningococo, que ainda não têm previsão de serem distribuídas pelo SUS, mas que é bom os pais saberem que elas existem e conversar com o pediatra sobre elas:

Vacina Mengocócica ACWY – que além de proteger contra o tipo C (que é a do SUS), protege contra o tipo A, W e Y. Ela pode ser tomada a partir de 1 ano de idade.

Vacina Meningocócica B – chegou no Brasil em 2015, mas estava em falta recentemente. Os bebês tomam a vacina com 3, 5 e 7 meses e depois um reforço com 12 meses. Quem já está com mais de 1 ano, toma apenas 2 doses da vacina.

E agora, o mais importante: o calendário de vacinação contra a meningite, para você garantir que seu filho estará protegido. Confira!

CRIANÇAS

  • 3 Meses – Men C (rede pública e privada) e Men B (somente rede privada)
  • 5 Meses – Men C (rede pública e privada) e Men B (somente rede privada)
  • 7 Meses – Men B (somente rede privada)
  • 12 a 15 meses – Men ACWY e Men B (ambas somente na rede privada)
  • 5 e 6 anos – Men ACWY (somente rede privada)
  • 11 anos – Men ACWY (somente rede privada)

ADOLESCENTES:

  • ACWY – 2 doses com 5 anos de intervalo
  • Men B – 2 doses com, no mínimo, 1 mês de intervalo

Converse com seu pediatra sobre as vacinas que você pode dar no seu filho e pergunte a opinião dele em relação às vacinas que estão disponíveis só na rede privada.

Bom, espero que esse post sirva como alerta para nós, pais, não desconsiderarmos os riscos da meningite e para buscarmos proteger nossos filhos dessa perigosa doença.

Saiba mais sobre a meningite no site Casa de Vacinas da GSK.

Confira mais informações nas redes sociais através da hashtag #VençaAMeningite.

Assista também ao vídeo que conta a história do Filippe, que ficou cego em função de uma meningite meningocócica:

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