Postectomia (cirurgia de fimose) – nossa experiência

Quem nos acompanha nas redes sociais (Snapchat, Instagra e Facebook – todas com o perfil “macetesdemae”, tudo junto e minúsculo), sabe que, há alguns dias, o Leo passou por uma cirurgia de Postectomia, que é a cirurgia que é feita para corrigir um probleminha conhecido como fimose (Explicando rapidinho: fimose é o estreitamento e a aderência do prepúcio à glade.  95% das crianças nascem assim, mas a tendência é que essa pele se despreenda gradualmente. Se isso não acontecer, aí há necessidade de cirurgia).

Assim que souberam da cirurgia, muitas mamães entraram em contato cheias de dúvidas e eu prometi que faria um post detalhado, explicado direitinho, como é que tudo aconteceu.

Então, aqui estou eu, com o prometido post. Espero que essas respostas esclareçam as dúvidas que muitas mamães tem sobre o problema fimose. Caso alguma dúvida não tenha sido respondida ainda, deixe-a nos comentários que eu respondo e atualizo o post.

postectomia

Photo Credit: Lotus Carroll via Compfight cc

Como é que nós soubemos que a cirurgia seria necessária:

Essa era a dúvida de muita gente. Bom, na verdade, eu desconfiava que a cirurgia seria necessária desde que o Leo tinha 2 aninhos, mais ou menos, mas o pediatra dele achou melhor aguardar e ver como o problema evoluiria (por volta de 3 anos, 90% das crianças deixam de ter o problema, por isso que a cirurgia só é indicada após essa idade. E até os 7 anos). O Leo sempre teve o pipi bem fechadinho, mesmo eu fazendo massagem diariamente. Quando eu passava pomada (uma indicada para ajudara abrir o pipi), chegava a abrir mais, mas aí eu parava com a pomada e voltava a fechar. Nos últimos seis meses, o Leo teve dois episódios em que o pipi dele infeccionou (por mais que a gente seja super atenta à higiene e não descuidasse nunca disso), e aí o pediatra chegou à conclusão que não teria jeito, seria necessário fazer a postectomia. Pelo histórico dos últimos meses, as infecções seriam recorrentes, e aí era melhor corrigir o quanto antes, pois tenderia a ficar pior (quanto mais inflamações, mais machucada fica a área e mais difícil de abrir).

Como foi marcada da cirurgia:

O pediatra do Leo indicou um cirurgião da sua confiança, que já tinha experiência nesse tipo de cirurgia, e nós fomos conhecê-lo. Fizemos uma consulta para o cirurgião conhecer o caso e confirmar a necessidade de cirurgia (Segundo ele, o caso do Leo não teria solução sem uma postectomia). Nessa consulta, o médico pediu exames de saúde do Leo (exames básicos de sangue) e explicou como tudo correria.

Como foi a cirurgia:

Como o Leo tinha que estar em jejum para fazer a cirurgia, nós chegamos no hospital às 5h da manhã e ele foi operado às 7h. O tempo total da cirurgia foi de 1h. Uns 40 minutos antes de iniciar a cirurgia o Leo tomou o seu primeiro anestésico, via oral, e ficou meio sonolento. Segundo o médico, esse procedimento é para causar amnésia e evitar traumas (ele não lembraria de nada a partir daquele momento). Depois que ele foi levado para a sala de cirurgia, já bem sonolento, ele tomou mais duas anestesias: uma geral, feita via inalação, e uma local.

Como foi o pós-operatório – primeiro dia (sábado):

No hospital:

Assim que a cirurgia acabou, eu pude encontrar o Leo na sala de pós-operatório. Ele estava dormindo. De lá, fomos levados para o quarto e lá permanecemos até 12h30min, que foi quando o Leo teve alta e viemos para casa. Ele acordou umas 2h após o fim da cirurgia e estava um pouco tonto e ainda cansado. O médico nos alertou que, nas primeiras horas, ele poderia ficar sem apetite, ter náuseas e até vomitar. Leo não reclamou de náuseas, não vomitou mas ficou sim sem apetite por umas 6 horas. Voltou a se alimentar só no final do dia.

Leo deixou o hospital com um curativo local, que foi retirado no dia seguinte, e com a indicação de uso de remédios básicos para dor (dipirona, paracetamol), que deveriam ser dados a cada 3 horas no primeiro dia, a cada 6 horas no segundo dia e interrompidos no terceiro dia (o que fizemos).

Em casa:

Leo chegou em casa já bem, andando, conversando, sem reclamar. Mas assim que foi a primeira vez ao banheiro, para fazer xixi, chorou muito. Ele reclamou de dor local (o médico avisou que, nas primeiras 24h, haveria bastante dor local por conta da urina em contato com o corte) e também assustou com o curativo. Entretanto, alguns minutos após, assim que passava a dor, ele já esquecia o assunto e agia normal: brincava, via TV, conversava. Tudo normal. No fim do dia ele voltou a se alimentar normal também. E a gente ia dando a medicação para dor a cada 3h. Nesse dia, por orientação do médico, ele não tomou banho. Apenas lavamos o cabelo e limpamos o corpo com um pano úmido. Nessa noite, ele acordou uma vez chorando e reclamando de dor. Disse que fez xixi (na fralda) e doeu. Trocamos a fralda e ele voltou a dormir.

Como foi o pós-operatório – segundo dia (domingo):

No segundo dia a medicação para dor passou a ser de 6 em 6h. Nesse dia também retiramos o curativo no consultório do médico. Leo seguia reclamando e chorando para fazer xixi e, por estar exposto o pipi, ele acabou colando na cueca e, quando tivemos que tirá-la, acabou machucando a área. Leo chorou muito e a alternativa foi, nesse dia, colocar fralda nele com filme plástico em volta da fralda para ela não entrar em contato com o pipi e não ter risco de colar (uma leitora também indicou fazer dois furos numa toca de banho nova e vesti-la como se fosse uma cueca. Não cheguei a testar, mas achei boa a ideia). O banho, a partir desse dia, passou a ser de chuveiro (ele toma banho de ofurô, mas o médico pediu para dar de chuveiro, em função da água corrente ser mais higiênica) e para lavar o local eu fazia uma água com sabonete líquido diluído e jogava em cima (não esfregava. Nem tocava na verdade). À noite, ele dormiu de fralda sem o plástico. A partir desse dia, também passei a aplicar uma pomada com corticóide e antiinflamatório no local, duas vezes ao dia.

Como foi o pós-operatório – a partir do terceiro dia em diante:

A partir do terceiro dia Leo já ficou sem medicação para dor (apenas com medicação local – pomada). Ele seguia reclamando para fazer xixi, mas já não chorava mais. Nesse dia, mantivemos ele de fralda, porque ela colava menos no pipi que a cueca, mas já sem o plástico protetor (entretanto, ele fazia xixi na privada, não na fralda. Ou seja, ela foi usada como se fosse uma cueca mesmo, pelo simples fato que o pipi colava menos na fralda que na cueca e assim ele sentia menos dor ao tirar).

A partir do quarto dia Leo parou de reclamar para fazer xixi (mas ainda pedia para termos cuidado ao colocar ou tirar a fralda), a partir do quinto dia ele voltou a usar cueca e, a partir do sexto dia, comecei a lavar a área encostando no local.

Toda a primeira semana, o Leo ficou em casa, sem ir para a escola, por orientação médica (evitar que se machucasse, para termos todos os cuidados de higiene, para podermos aplicar a medicação direitinho). Leo poderá retomar as atividades físicas normais quando fizer um mês de realização da cirurgia (até lá, poderá brincar, mas não poderá praticar exercícios físicos e nem brincadeiras mais perigosas, para evitar algum machucado no local).

Segundo o médico, os pontos deverão sair totalmente em torno de três semanas após a cirurgia.

Minha opinião sobre o problema da fimose e a necessidade de cirurgia:

Nenhuma mãe quer expor seus filho a uma cirurgia desnecessária. Por mais simples que ela seja, como é o caso da postectomia, existe a necessidade de anestesia, e anestesia é sempre um risco. Por isso, avalia a necessidade de cirurgia com um médico de sua confiança e, se possível, escute uma segunda opinião (nós fizemos isso). Em sendo necessário realmente, busque um médico qualificado e de confiança para realizar o procedimento (o médico que operou o Leo foi indicação do pediatra dos meninos. E eu super indico! Passo o contato se alguém quiser).

Sinta-se segura sobre a cirurgia, sobre a real necessidade dela, sobre a equipe médica escolhida para o procedimento. Se necessário, pesquise, converse, pergunte. Tire todas as suas dúvidas, até não restar nada lhe incomodando. Só assim você poderá passar para o seu filho a segurança necessária para ele fazer a cirurgia sem medo (ou com o mínimo de medo possível).

Eu não achei a cirurgia complicada. Na verdade, achei bem simples o pré-operatório e a operação em si (durou só uma hora). Apenas o pós que é um pouco mais chatinho (dor local), mas também só por 2 ou 3 dias.

Assim, meu conselho para os pais que terão que fazer essa cirurgia é: acalmem seus corações que ela não é o fim do mundo. É uma cirurgia simples. E tirem todas suas dúvidas, sintam-se seguros, para assim conseguirem passar confiança para a criança, pois isso é muito importante.

Aqui nesse post há outras dicas para preparar as crianças psicologicamente para procedimentos delicados como cirurgias.

Espero ter ajudado. Quem precisar o contato do médico é só mandar um email para shirley@macetesdemae.com que eu passo o contato.

 

12 comentários

  1. Roberta

    Olá! Meu pequeno fez a cirurgia com 2 anos e 1 mes. Foi Horrível, a médica era uma grossa. A dele foi diferente. Foi com o anel, que cai depois de alguns dias. a Cirurgia em si durou menos 10 min. A minha sorte, foi que pedi a pediatra dele pra acompanhar, porque a médica que operou você não podia ligar pra ela pra tirar as dúvidas. Infelizmente não deu pra fazer com o médico que a Pediatra indicou porque estava em torno de 7 mil a cirurgia.

  2. Roberta

    Meu filho fez a cirurgia com 2 anos e 1 mês, por conta de algumas inflamações. A dele foi diferente, foi aquela do anel, que demora 1 semana pra cair e cai a pelinha tbm. Sorte a sua fazer com um bom médico. A médica que operou o meu filho, não desejo nem pro meu inimigo. Super grossa. Não deu pra fazer com o médico que a pediatra indicou, porque estava caro demais. A sorte nossa, foi que a pedi dele acompanhou a cirurgia. Ela não durou nem 5 min. foi o mesmo procedimento antes, umas gotinhas e ficou sonolento e depois as anestesias de gás e local. um bj

  3. Alissandra Oliveira

    Bom dia. Meu filho TB tem indicação de cirurgia e eu li bastante a respeito do pós operatório que é a parte chata. O médico de vcs chegou a cogitar a cirurgia que coloca o anel? Dizem que o pós operatório é menos complicado.

    1. Shirley Hilgert

      O cirurgião disse que para a idade do Leo o mais indicado era essa sem anel, mas nao cheguei a questionar por que. Boa pergunta, viu!

  4. Mariana

    Olá, Shirley! No início do post você comentou que o pipi do Léo chegou a infeccionar. Esta infecção foi identificada por exames? Ele teve febre? Ou foi uma infecção com secreção visível aos olhos? Obrigada e bom resto de recuperação para ele!

    1. Shirley Hilgert

      Secreção visível aos olhos. E estava inchado e vermelho. Bjs

  5. Lia Gomes

    Que bom que deu tudo certo com o Leo! O meu Xavier está com quase 2 anos e tem um quadro bem parecido. Tenho pesquisado bastante, e gostaria somente de chamar atenção pro fato de que na realidade, após os 3 anos 90% dos meninos realmente deixam de ter aderência entre o prepúcio e a glande, mas a fimose devida ao estreitamento da abertura do prepúcio ainda é muito comum mesmo após essa idade, até a puberdade (http://www.fimose.org/mitos.html), e tende a se resolver naturalmente quando o menino começa a brincar com o próprio membro.
    Outro aspecto bastante controverso é a questão da idade ideal, alguns defendem que entre 3 e 6 anos seria desaconselhado por ser o chamado período fálico. Mas que bom que o Leo tirou de letra essa parada, beijos!!

  6. Winie

    O que é período fálico ?!

    1. Lia Gomes

      http://www.profala.com/artpsico17.htm
      (explica o periodo falico)

      http://www.cirp.org/library/psych/cansever/
      (explica a conexao entre o periodo falico e problemas psicologicos que podem surgir devido a cirurgia de fimose, em ingles)

  7. Júnior

    Quando era mais novo acabei tendo que passar por esta cirurgia de fimose e minha mãe optou por retirar toda a pele que cobria a cabecinha do pênis (postectomia). Entretanto, com o passar do anos o que aconteceu foi que essa pele parece ter voltado a crescer no sentido de cobrir a glande novamente. O mesmo aconteceu com outras pessoas que conheço. Então gostaria de colocar mais essa questão para quem decide operar os filhos ainda muito pequenos.

  8. Debora

    Bom dia vc fez em sao paulo? se sim me envie por email o contato do medico. Desde ja te agradeço

  9. Pedro

    Meu comentário será extenso, mas espero sinceramente que ouça o que tenho a dizer sobre essa cirurgia com a experiência de alguém que passou por ela nas mesmas circunstâncias que seu filho. Gratidão.

    Sinto muito pelo seu filho :/ , a postectomia é comumente ”vendida” como uma cirurgia indolor e segura.
    Inicialmente pode não parecer nenhum grande problema para os pais, mas futuramente pode ser um dano irreparável na vida do seu filho, falo por experiência própria.
    Passei pela postectomia quando tinha menos de um ano de idade (aprox.6 meses), mas só agora com 18 anos isso foi me afetar de maneira mais séria.
    Aconselho a ler o Artigo (Meninos devem ser Circuncisados ?) da revista Superinteressante, segue um trecho:

    ”Pesquisador americano afirma que a circuncisão na infância pode causar danos psicológicos para a vida toda. E defende: as pessoas devem ter poder de escolha para decidir se querem ter um pedaço do corpo cortado

    E é exatamente isso que me deixa indignado até hoje, o prepúcio (parte retirada na postectomia) é a principal zona erógena do corpo masculino por possuir mais de 20.000 terminações nervosas, logo a retirada dele refletirá negativamente na futura vida sexual do seu filho, que terá muito menos sensibilidade na glande do que homens intactos, fora isso existe o fator queratinização da glande, que por estar exposta acaba ficando ressecada e queratinizada, com a pele dura (a glande é uma mucosa e deveria se manter hidratada, assim como as pálpebras e os lábios) o que diminuirá ainda mais a sensibilidade já reduzida do pênis postectomizado.

    Outro trecho do artigo:
    ”Estudos mostram que alguns homens sentem raiva, vergonha, desconfiança e mágoa por terem sido circuncidados. Ansiedades sexuais, redução da expressão emocional, baixa autoestima e depressão também têm sido descritas”

    Sim, é verdade, eu mesmo sinto tudo isso, sinto que uma parte importantíssima do meu corpo foi retirada sem meu consentimento, sinto uma profunda angústia por não poder ter escolhido isso, uma cirurgia sem consentimento do paciente é mutilação.
    Pode parecer bobagem para vocês mulheres, e para homens intactos, mas só um homem circuncidado e com ciência do que lhes foi retirado sabe a frustração de ter passado por uma cirurgia irreversível sem ao menos ter tido poder de escolha, é cruel e desnecessário.

    Com cerca de 6 meses tive infecções do trato urinário, e os médicos recomendaram a postectomia, mas me responda sinceramente: seria preferível ter passado por infecções que atualmente eu nem lembraria ? ou ter a frustração de não sentir o que os outros garotos sentem e carregar uma cicatriz que compromete a estética do meu pênis pro resto da vida ? acho que a resposta é óbvia.

    A postectomia é um dano irreversível, há diversos grupos de ”intactivistas” na internet, e no mundo, vocês assim como meus pais deveriam ter pesquisado os danos e consequências desse tipo de procedimento execrável na vida do paciente.

    É difícil admitir, mas isso me afeta muito, principalmente na auto-estima, recentemente fui rejeitado por uma garota por conta da cicatriz no meu pênis. Procurei ajuda médica para tentar restaurar a cicatriz e tudo que ouvi é que é um procedimento irreversível, e quanto a sensibilidade não há maneira de restaurar as terminações nervosas perdidas.
    Após procurar um psicólogo descobri que apresento um quadro de depressão e isso tem me afetado principalmente nos estudos, não consigo me conformar de não ter escolhido.

    por fim tenho a dizer que lamento pelo seu filho, que assim como eu não teve escolha, recomendo que pesquise mais acerca do tema e talvez publique algo aqui para as mães desavisadas.
    Não existe muito material em português sobre o tema, mas se você falar inglês pode ler diversos artigos, inclusive acadêmicos desencorajando esse procedimento cruel, dê um google em (against circumcision) ou (intactivism) e veja por sí mesma.

    A Circuncisão também tira o direito de escolher! Meu corpo, Minha decisão !

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