TDAH – entenda o problema

TDAH -Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade – é um assunto que eu venho querendo abordar há tempo aqui no blog. Entretanto, por se tratar de um tema complexo, não me sentia segura para escrever sobre ele.

Assim, decidi conversar com um médico psiquiatra, o Dr. Mario Louzã, e fazer algumas perguntas que acredito que sejam dúvidas da maioria dos pais que tem interesse no tema.

O Dr. Mario  Louzã é médico psiquiatra, doutor em Medicina pela Universidade de Würzburg, Alemanha, e Membro Filiado do Instituto de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.

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Photo Credit: francescopratese via Compfight cc

O que é TDAH exatamente?

R.:TDAH é um transtorno mental, que começa na infância e pode não persistir na idade adulta, cujas características são a falta de atenção e dificuldade de concentração

Quais são os sintomas que caracterizam a doença e aos quais os pais devem ficar atentos? 

R.: Pensando numa criança, vamos dizer que ela tenha seus 7 ou 8 anos, quando ela começa a ir para à escola e nesta fase ela começa a fazer lições de casa e passar por aprendizado em sala de aula. O pais devem ficar atentos ao aprendizado da criança, pois quando há um aprendizado “ruim” tanto os pais quanto os professores notam as dificuldades de aprendizagem. Outra situação que se nota qua quando os pais fazem a lição de casa com junto com a criança e notam a distração, pois parece que a criança está no “mundo da Lua”, ou quando a criança se distrai no meio da lição. Isso demonstra um sintoma da TDAH.

Ainda,  o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – DSM), lista dezoito sintomas que nos indicam o diagnóstico:

  • Frequentemente, não presta atenção em detalhes ou comete erros por descuido em tarefas escolares, no trabalho ou durante outras atividades
  • Frequentemente, tem dificuldade de manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas, como conversas ou leituras prolongadas
  • Frequentemente, parece não escutar quando alguém lhe dirige a palavra diretamente, parece estar com a cabeça longe, mesmo na ausência de qualquer distração óbvia
  • Frequentemente, não segue instruções até o fim e não consegue terminar trabalhos escolares, tarefas ou deveres no local de trabalho. Costuma começar as tarefas, mas rapidamente perde o foco e o rumo
  • Frequentemente, tem dificuldade para gerenciar tarefas sequenciais; dificuldade em manter materiais e objetos pessoais em ordem; trabalho desorganizado e desleixado; mau gerenciamento do tempo; dificuldade em cumprir prazos
  • Frequentemente, evita, não gosta ou reluta em se envolver em tarefas que exijam esforço mental prolongado, como trabalhos escolares ou lições de casa. Em caso de adolescentes mais velhos e adultos, a dificuldade está no preparo de relatórios, preenchimento de formulários ou revisão de trabalhos longos
  • Frequentemente, perde coisas necessárias para tarefas ou atividades, como materiais escolares, lápis, livros, instrumentos, carteiras, chaves, documentos, óculos ou celular
  • Com frequência, é facilmente distraído por estímulos externos (para adolescentes mais velhos e adultos, pode incluir pensamentos não relacionados)
  • Com frequência, é esquecido em relação a atividades cotidianas, como realizar tarefas e obrigações. No caso de adolescentes e adultos, o desafio está em retornar ligações, pagar contas ou manter horários agendados

No caso da hiperatividade e impulsividade, seis (ou mais) dos seguintes sintomas devem persistem por, pelo menos, seis meses e em um grau que é inconsistente com o nível do desenvolvimento e têm impacto negativo diretamente nas atividades do paciente:

  • Frequentemente, remexe ou batuca as mãos ou os pés ou se contorce na cadeira.
  • Frequentemente, levanta da cadeira em situações em que se espera que permaneça sentado
  • Frequentemente, corre ou sobe nas coisas em situações em que isso é inapropriado. (Em adolescentes ou adultos, pode se limitar a sensações de inquietude)
  • Com frequência, é incapaz de brincar ou se envolver em atividades de lazer calmamente
  • Com frequência, “não para”, agindo como se estivesse “com o motor ligado”. A pessoa não consegue ou se sente desconfortável em ficar parado por muito tempo, como em restaurantes ou reuniões
  • Frequentemente, fala demais
  • Frequentemente, deixa escapar uma resposta antes que a pergunta tenha sido concluída
  • Frequentemente, tem dificuldade para esperar a sua vez
  • Frequentemente, interrompe ou se intromete nas conversas, em jogos ou em atividades. A pessoa pode começar a usar as coisas de outras sem pedir ou receber permissão. Com adolescentes e adultos, pode intrometer-se em ou assumir o controle sobre o que outros estão fazendo.

TDAH costuma ser confundida com outros problemas? Quais?  Como identificar a diferença?

Não, o médico deve fazer um diagnóstico e tem como objetivo fazer a distinção entre as doenças. Existem casos onde a criança não tem um bom desempenho escolar por falta de óculos.  A hiperatividade, ou seja, a agitação motora, que não e normal para a faixa etária e impulsividade cuja característica básica é “um achista em pensar”, fazer alguma coisa sem antes avaliar se aquilo está adequado ou não. Outra característica que se pode notar é ao avaliar as provas que são cometidos erros recorrentes por falta de atenção e que se questionado o aluno muitas vezes sabe a resposta mas, na prova coloca uma resposta que não tem a ver com a questão. E provas de matemática pode-se evidenciar isso ao se esquecer de fazer pequenos e simples passos da matéria, por exemplo ao se esquecer de pequenos passos. Essas são características do déficit de atenção. No que tange a hiperatividade, uma criança de 6 anos já consegue ficar sentada sem precisar levantar da cadeira por um tempo razoável, por isso ela já consegue assistir aula, já uma criança hiperativa, irá ficar sentada na cadeira com esforço e vai ficar se mexendo na cadeira, ou balançando a pernas, seja na sala de aula ou num jantar. O terceiro sintoma seria a impulsividade, que é quando a criança se intromete numa conversa, ou interrompo a fala de um adulto antes dele terminar de falar, faz coisas que ele saber que não poderia fazer mas seu ímpeto é de agir sem pensar.

O TDAH costuma acometer quem principalmente (meninos ou meninas, de qual idade, etc…)?

O TDAH é mais frequente em meninos, numa proporção aproximada de 3/1. Ela começa precocemente, com aproximadamente 5 anos de idade já se pode diagnosticar Hiperatividade e o déficit de atenção já se mostram aparentes. Por definição o TDAH deve se manifestar até os 12 anos de idade.

O número de crianças diagnosticadas com TDAH vem crescendo significativamente nos últimos anos? Ao que se deve isso? 

Este é uma impressão que a pessoas têm, mas o diagnostico se deve ao fato de que as pessoas estão mais cientes da existência da doença. Há dez, quinze anos, falava-se muito pouco sobre a doença e os sintomas passavam despercebidos pelos pais e professores, A partir do momento em que se deu notoriedade a doença na mídia e internet, fez com que houvesse o aumento do diagnóstico de TDAH. A doença se manifesta em cerca de 5% da população mundial e não se restringe ao nosso país..

Será que muitas crianças não são diagnosticadas erroneamente?

Dificilmente, pois o diagnóstico segue uma serie de critérios. Não basta avaliar as características da criança. Os critérios devem se apresentar constantemente em diversas situações e em todos os lugares. Ao se diagnosticar seque-se uma metodologia que deve ser investigada minuciosamente minimizando as chances de erro ao diagnosticar um paciente.

Existe tratamento? Ele consiste no quê? E a cura existe ou é um tratamento para a vida toda? Existe tratamento sem medicação?

Sim, existem duas linhas de tratamento: Os medicamentosos ou não medicamentosos. Um vez feito o diagnóstico é avaliada a gravidade do TDAH e definido o tipo de tratamento. Em casos mais graves é recomendável a iniciar o tratamento com medicamento e acompanhamento psicoterápicos.

TDAH é uma doença do neurodesenvolvimento, que seria um atraso no desenvolvimento de algumas áreas do cérebro no que diz respeito ao controle motor e atenção. Cerca de 50% das crianças saram da TDAH quando chegam a idade adulta. Neste caso os sintomas vão desaparecendo gradativamente e desaparecem na idade adulta. A outra metade tende a diminuir os sintomas, mas alguns sintomas continuam na vida adulta. A partir dos 25 anos os sintomas que ficaram, vão ficar pela vida toda.

Quais os prejuízos para uma criança que tem TDAH?  

Ele é uma criança que vai passar a vida com TDAH, e terá dificuldade de aprendizagem, possivelmente será reprovada. Em muitos casos há dificuldade de socialização já que os amigos percebem que ela não acompanha as matérias em sala de aula ou mesmo tem dificuldade de entender as regras de um jogo coletivo. Isso pode causar uma baixa autoestima já que ela se esforça muito e não consegue acompanhar ou chegar ao rendimento adequado ao seu esforço. Outro ponto que complicador que ao passar o de ano as falhas de aprendizagem se somam.

Os pais e as pessoas mais próximas devem agir de forma diferente com uma criança com TDAH? Se sim, como?

Não, as crianças devem ser tratadas normalmente até para não criar preconceito ou prejuízo a auto estima do paciente.

Dr. Mario  Louzã é médico psiquiatra, doutor em Medicina pela Universidade de Würzburg, Alemanha, e Membro Filiado do Instituto de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.

4 comentários

  1. Trícia Ferreira

    Importantíssimo seu post, para esclarecer que nem tudo é hiperatividade, o diagnóstico de TDAH deve ser feito com seriedade e tratado de forma integrada com psicoterapia e tratamento medicamentoso (apesar de que tenho um pouco de receio com o uso de remédios como a Ritalina, por exemplo – principalmente por crianças).

    Acredito que poderias complementar e fazer outro post com um psicólogo falando sobre o mesmo assunto.

    Parabéns pelo esclarecimento!

  2. Alexandra Barros

    Melhor matéria /entrevista sobre TDAHI que já li!
    Parabéns e muito obrigada!!!

    1. Shirley Hilgert

      Obriada!!!! Alexandra! :-)

  3. Lia de Paula Moraes

    Sugiro para as crianças hiperativas o livro JOÃO AGITADÃO da Ed. Caravansarai que aborda de forma leve e divertida as principais características das crianças hiperativas.

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