Capacetinho para bebê – por que ele é usado?

Há algum tempo, vi, num evento do qual participei, um bebê usando um acessório que me chamou atenção. Tratava-se de um capacetinho, na verdade bem fofo, mas que não é comum a gente ver em bebês ou crianças, então, não passou despercebido.

Mas, na verdade, resolvi mesmo falar sobre este assunto por que uma leitora do blog compartilhou comigo que o filho dela mais novo, de seis meses, foi diagnosticado com braquicefalia posicional, que é uma dessas mudanças na estrutura e formato do crânio em que o capacetinho pode ser usado (quero aproveitar para agradecer o carinho da leitora em ter me enviado esta sugestão e assim podermos orientar outras mães).

capacetinho-para-bebe

Fonte da imagem: http://www.clinicaheads.com.br/

Mas enfim, por que o capacetinho é usado? Para vocês entenderem direitinho isso, preciso dar algumas explicações antes. Um pouco complexas, mas necessárias. Vamos lá…

O capacetinho é usado para corrigir alterações no formato do crânio. Basicamente, podemos ter duas origens para estas alterações: alterações de origem posicional e cranioestenoses. As alterações de origem posicional acontecem devido a alguns fatores: posição que o bebê fica dentro do útero na mãe, por complicações durante o parto, em casos de gestação múltipla ou por hábito de serem colocados sempre na mesma posição para dormir ou na hora de mamar. Dentro das alterações de origem posicional temos a plagiocefalia posicional posterior (mais comum) e a braquicefalia posicional (bem mais rara e que, quando acontece, é normalmente a braquicefalia posicional posterior).

Já as cranioestenoses são causadas pela fusão prematura de uma ou mais suturas cranianas e dentre os tipos diferentes de cranioestenoses temos a braquicefalia anterior, a escafocefalia, a plagiocefalia anterior e a plagiocefalia posterior (sendo que, de todas essas, a mais comum é a escafocefalia). Este um problema que não se corrige com o uso de capacete ou com a simples alteração da posição com que a criança é colocada no berço, bebê conforto, etc… Por isso que a realização do diagnóstico precoce é é tão importante, pois alguns casos necessitam de tratamento cirúrgico, que deve ser realizado preferencialmente até o sexto mês de vida. Se nos casos indicados (cranioestenoses complexas, com mais de uma sutura craniana cometida) não for realizada a cirurgia, pode haver comprometimento do crescimento e desenvolvimento cerebral, além do comprometimento estético. (informações do site do Hospital Sabará).

O diagnóstico da cranioestenose se dá através de exames que irão constatar a existência de sutura fechada e possíveis alterações nos ossos faciais e/ou no parênquima nervoso. O principal exame utilizado para este diagnóstico é a tomografia computadorizada do crânio com reconstrução óssea tridimensional.

>>> Para entender melhor esse assunto complexo que é a cranioestenose acesse esse post da neurocirurgiã pediátrica Raquel Zorzi. Ele está muito claro e explicativo.

O mais comum em se tratando de alterações no formato do crânio é a criança apresentar uma assimetria craniana posicional, sendo entre elas a mais comum a plagiocefalia posicional posterior, que costuma acontecer, em quase 100% dos casos, durante a gestação (pela posição que ela se encontra dentro do útero) ou nos primeiros 6 meses de vida (também pela posição que ela costuma ser colocada para dormir, descansar, etc…). Nesse caso, a mudança da posição em que o bebê costuma ser colocado ou então o uso de capacete é indicado e pode corrigir o problema (mas, muito importante, essa correção só acontece se o tratamento for iniciado cedo, antes de ocorrer o total desenvolvimento dos ossos do crânio, que costuma ocorrer até 2 anos de vida).

 

O uso do capacetinho

Como já citei acima, o uso de órteses cranianas – ou o conhecido capacetinho – para corrigir problemas de assimetria craniana só funciona quando se trata de assimetrias cranianas posicionais (sendo a mais comum a plagiocefalia posterior posicional). Entretanto, alguns neurocirurgiões indicam o  uso do acessório após cirurgias de cranioestenose, a fim de ajudar a moldar o formato da cabeça do bebê.

A partir das medidas obtidas nos exames, é feito o capacete personalizado que vai conter o crescimento de certas áreas e deixar as achatadas livres para se desenvolverem.

O bebê deve usar a órtese desde bem pequeno, com 3 meses de vida, ressaltando que o tratamento só surte efeito se realizado até os 18 meses. Depois disso, não é mais possível induzir o crescimento do crânio, porque por volta dos 2 anos de idade o formato da cabeça está quase que igual será durante a vida adulta.

Sobre o capacete, os médicos garantem que as crianças não sentem nenhuma dor, só um desconforto nos primeiros dias, claro.

O que chama a atenção é que a órtese deve ser usada 23 horas por dia, isso mesmo, o bebê só pode ficar sem o capacete por uma hora por dia, período esse em que o item deve ser higienizado. Essa rotina vai ser mantida por cerca de três a quatro meses, conforme cada quadro.

Calma que dá para prevenir as alterações no caso das assimetrias cranianas posicionais. Confira algumas dicas:

– a melhor forma de prevenir as alterações no crânio é alternar o apoio na cabeça da criança na hora de dormir, ao amamentar, trocar fraldas, tomar banho ou mesmo brincar. Mas se você já notou alguma proeminência vigie a criança para que ela utilize como apoio a área da cabeça que está mais desenvolvida, deixando a outra livre. Para isso use travesseiros, almofadas ou rolinhos para dormir ou brincar, evitando que a criança vire para o lado que já está acostumada;

– preste atenção na posição do berço, ele deve ficar em um local onde a criança consiga receber estímulos de vários lugares, não só em um sentido (tipo o lado direito). Caso não dê para mudar o local do berço coloque, às vezes, a criança deitada nos pés da cama, assim o apoio da cabeça será de um lado diferente;

– limite o tempo de a criança ficar no bebê conforto ou na cadeirinha. Esses acessórios são ótimos, mas restringem a movimentação da cabeça;

– fique de olho na posição da cabeça da criança até na hora de brincar. Quando estiver por perto coloque o bebê de barriga para baixo, assim ele não apoia a cabeça e até fortalece a musculatura.

Importante: esse texto sofreu atualizações e correções depois de publicado. Por esse motivo, as informações que você encontra aqui hoje são diferentes das publicadas originalmente. Ainda, agradeço imensamente as pessoas e profissionais que me contataram para esclarecer alguns pontos que não estavam 100% claros no texto, principalmente a neurocirurgiã pediátrica Raquel Zorzi (www.raquelzorzi.com.br).

 

1 comentário

  1. Isabel ribeiro

    Ola, Mto importante o seu post sobre o uso da ortese. Poucas pessoas conhecem o tratamento.
    Porem vc deveria mencionar que o tratamento nao eh somente estetico. As deformidades no cranio podem causar alteracoes na visao, audiçao e mastigaçao.
    Obrigada bj

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