Voltar ou não ao trabalho após a licença: nem sempre a escolha é da mãe

Hoje, trago aqui no blog o relato de uma leitora que me contatou para contar a sua história de “volta” ao trabalho depois do nascimento do seu bebê. Ela tirou a sua licença maternidade (no caso dela de 4 meses), tirou mais um mês de férias, depois desse período organizou toda a rotina do bebê para voltar ao trabalho e, quando chegou o dia, veio a surpresa.

Com certeza, uma situação que deve ter sido enfrentada por diversas outras mães, por isso, achei importante compartilhar o relato para podermos refletir sobre a questão.

Voltar ou não ao trabalho após a licença: nem sempre a escolha é da mãe

Por Adriana Oechsler, mãe do Henrique, de 1 ano

Trabalho fora desde os 14 anos e, em 20 anos de atuação, havia ficado apenas 30 dias sem emprego. Os piores 30 dias da minha vida! E se antes a minha renda era importante para as despesas da casa, com a chegada de um bebê ela seria essencial. Então, foi meio que natural decidirmos por eu voltar ao trabalho após a licença maternidade.

Photo Credit: Simon Laroche_8 Flickr via Compfight cc

Tive os 4 meses da licença mais 30 dias de férias. Escolhemos uma boa escola para meio período; contratamos uma pessoa de confiança para o restante do dia e passei a estocar leite materno, pois o objetivo era manter o aleitamento exclusivo até os 6 meses. Começamos a adaptação duas semanas antes, quando meu bebê tinha 4 meses e meio. Não foi fácil, mas estávamos confiantes de que ia dar tudo certo, mesmo com bastante aperto no peito.

Meu trabalho ficava há 50km de casa. Estive lá três ou quatro vezes durante a licença para ver a todos, exibir o pequeno e entender como as coisas estavam na minha ausência. Tudo estava bem! Chegou o dia de voltar e… surpresa! Demissão. Tempos de crise, empresa de estrutura enxuta, salário de supervisor e, assim como milhares de brasileiros, entrei para o rol dos desempregados. Acredito que as empresas precisam mesmo se adequar às situações de mercado, afinal, é negócio e precisa lucrar para continuar empregando. Mas o meu pensamento imediatamente foi: precisava esperar eu mudar completamente a vida de um bebezinho tão pequeno?

E então voltei para casa com minha bomba tira-leite, frascos esterilizados e caixa de isopor. Um contrato com uma escola boa, cara e agora desnecessária, além da infeliz tarefa de demitir a babá que havia trabalhado apenas dois dias.

Nossa legislação permite isso. Na verdade, ela não dá muitas saídas nem para empregadas, nem para empregadores. Cabe a nós, mães, esperar pelo bom senso e empatia por parte das empresas. E às empresas, confiar em suas funcionárias ao ponto de antecipar informação tão importante. Mas bom mesmo seria se todos pudessem zelar pelo bem estar e saúde de bebês tão pequeninos e delicados!

Já se passou um ano e posso dizer que foi o melhor e mais difícil ano das nossas vidas. Acompanhar o desenvolvimento de um filho, de perto, não tem preço. Fui eu quem viu sua careta ao provar mamão pela primeira vez. Meu marido e eu vibramos juntos ao vê-lo engatinhar e bater palminhas em comemoração. Ele ainda mama, raramente fica doente e é um bebê tranquilo e feliz. Vivemos uma vida mais simples e mais completa, com menos renda e mais tempo compartilhado. Nessas horas, penso como foi bom perder o emprego na volta da licença. Gostaria apenas que tivesse sido de outra forma, sem separações e gastos desnecessários, sem traumas e com mais tranquilidade. Quem sabe em uma próxima vez!

Adriana Oechsler

Mãe do Henrique – 1 ano

6 comentários

  1. Loraine

    Que decisão difícil! Quando estava grávida, aguardava ansiosa a aprovação de um projeto de lei que regulamentaria a jornada de 30h semanais para psicólogos. Assim como minhas colegas assistentes sociais, eu poderia entrar às 08h e sair às 14h e ter mais tempo para curtir minha filha. Porém, durante minha licença maternidade o tal projeto não foi sancionado e nesse dia meu mundo caiu. Tive 6 meses de licença maternidade, mais um mês de férias e quase não voltei ao trabalho, devido a minha frustração em deixar minha filha e tendo que manter a rotina da mesma forma. Assim como no relato, também trabalhava longe de casa (mais de 50km), lidando com situações bastante desgastante… a rotina era puxada.. Mas acabei voltando ao trabalho e minha bebê ficou com a minha mãe. Foi duro… tão duro que meses depois entrei novamente de férias e voltar das férias foi como voltar da licença. A partir de então meu marido e eu avaliamos a nossa situação e decidi parar de trabalhar. Deu medo de abrir mão do trabalho (eu era concursada, estável e com um salário bom), mas foi a melhor decisão que tomei na vida. Faz 1 ano que parei e estar com a minha pequena e ver ela se desenvolver é uma alegria que não tem preço!

  2. Elenice

    Estou passando por esta mesmissima situação! Obrigada por compartilhar! Isso me da forças para continuar!

  3. marci martins

    Eu fiquei 4meses da licença e ia pegar,mais 30 dias de ferias e fui pega de surpresa que não mais ia pegar a tão esperada férias.entrei em desespero não sabia oque fazer não conhecia ninguém para deixar minha pequena fui avisada 1semana antes de completar a licença,não foi fácil voltar a rotina e deixa-la com outra pessoa eu chorava muito no trabalho e não podia sair dele pra ser bem sincera hoje me arrependo de perder aquela fase maravilhosa do bebê se 1 dentinho seus primeiros passos se eu pudesse voltar faria tudo diferente…hoje ela tem 4anos e quero poder estar mais envolvida do que nunca em seu dia dia.

  4. Edinéia

    É confortante ler estes depoimentos. Pois meu tempo de licença maternidade se encerrará no mês que vem. Tenho dois filhos um de 17 é um de 13. Deus maravilhoso Deus me deu uma minininha. Sempre quis. E agora vou abandona-la. Não. Eu preciso do dinheiro mas nós nos precisamos mais ainda.

  5. Edinéia

    É confortante ler estes depoimentos. Pois meu tempo de licença maternidade se encerrará no mês que vem. Tenho dois meninos. Um de 17 é um de 13. Deus maravilhoso Deus me deu uma minininha. Sempre quis..e agora vou abandona-la? Não. Preciso do dinheiro mas nós nos precisamos mais ainda.

  6. Thais

    Passei por situação parecida.
    Fiquei 4 meses de licença, a pediatra me deu um atestado de 15 dias pra amamentação (fora aqueles 15 por direito) e mais 30 de férias.
    Após 02 dias após minha volta, meu patrão vem com a bomba da demissão.
    Pior de tudo foi a justificativa… Pra eu poder cuidar da minha filha sossegada em casa por mais 6 meses – (seguro desemprego) e pior ainda, a mentira de que após esses 6 meses me recontrataria, mas que era pra eu pensar na minha filha.
    Trabalho há 11 anos na empresa. Nunca fui de faltar sem motivo forte, se tenho medico ou outro compromisso procuro marcar sempre que possível depois do horário de trabalho. Faço coisas além de minha função, as vezes trabalho aos sábados e pasmem, não ganho hora extra – justificativa – cargo de confiança na empresa.
    Pois bem, só não fui mandada embora porque a colega que ficou no meu lugar na licença pediu demissão. Trabalho porque preciso e não posso me dar ao luxo de não trabalhar, ainda mais agora. Minha cidade é um ovo de tão pequena e emprego é difícil. E a ultima barbaridade que ouvi foi que ele me manteria aqui com quanto que eu não engravidasse novamente tão já, visto que não tem quem colocar no meu lugar.

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