Até a ciência comprova: segurar o seu filho no colo não irá “estragá-lo” (muito pelo contrário)

Que mãe nunca recebeu olhares estranhos ou ouviu fuxicos por perto só por que pegou o filho no colo quando ele começou a chorar? Sem contar é claro, aqueles comentários diretos, da família ou de amigos que garantem que a criança será muito dependente por ser criada assim. É, ser mãe não é fácil.

Mas esses dias, descobri um texto super legal que fala exatamente sobre esta questão. Ele é do Scary Mommy (o site que adoro) e na verdade trata-se mais de um desabafo de uma mãe que passou por essa situação quando os dois filhos eram pequenos. Agora, com mais tempo, ela resolveu pesquisar sobre o assunto e descobriu vários estudos que falam totalmente o contrário – o colo não “estraga” a criança, muito pelo contrário! (inclusive até já falei sobre isso aqui no blog) .

Por isso hoje, trago a tradução dele pra vocês! Deem uma olhadinha, vale a pena! Principalmente se você é daquelas que ainda fica com um pesinho na consciência por dar muito colo ao bebê.

Photo Credit: Güven Gül Flickr via Compfight cc[ /caption]

Até mesmo a ciência concorda, você literalmente não vai “estragar” o seu filho por dar muito colo a ele

Livre tradução de um texto de Wendy Wisner para o site Scary Mommy

“Não posso fazer o bebê dormir no colo?”

“Assim faço mal a ele?”

“Comece a ensiná-lo a se acalmar agora, antes que seja tarde demais.”

Sim, realmente ouvi essas coisas quando meu bebê era um recém-nascido e não tinha nem alguns meses de idade. Ele era tão pequeno, praticamente recém-saído do útero, e eu recebia críticas de familiares – e até mesmo dos médicos – que comentavam que eu poderia  “estragar” meu bebê por segurá-lo o tempo todo no colo.

Olhando para trás, sei o quão absurdas eram essas declarações. Meus meninos estão hoje com 4 e 9 anos, são totalmente independentes e sou eu que tenho que implorar para eles se sentarem no meu colo ou me abraçarem como eles faziam alguns anos atrás. Porém, naquela época, eu não sabia ao certo se meus filhos seriam totalmente independentes, então as críticas pesavam.

Mas uma coisa é certa, ficar com meus bebês no colo quase 24 horas por dia, como fiz naqueles meses, não era exatamente uma escolha. Era uma necessidade. Se eu os colocassem no berço eles levantavam a cabeça e choravam.

Talvez eu devesse ter deixado eles lá, e talvez eles tivessem aprendido a se acalmar sozinhos de alguma forma, mas meu instinto dizia que se o bebê estivesse chorando eu precisava vê-lo e pegá-lo. E eu seguia os meus instintos, apesar do fato de, às vezes, receber olhares tortos e muitos julgamentos.

Acontece que meus instintos estavam absolutamente corretos. Os bebês precisam se sentir seguros quando estão agitados – e não apenas porque eles são doces e fofos e o cabelo cheira como o céu. Acontece que existem toneladas de pesquisas lá fora que garantem que você literalmente não vai “estragar” o seu bebê por dar colo a ele. Na verdade, segurar o bebê é realmente vital para a saúde e o desenvolvimento dele.

Algum tempo atrás, um estudo publicado na revista americana Pediatrics analisou os efeitos do contato pele a pele em prematuros. Eles fizeram um estudo de longo prazo, olhando não apenas os efeitos imediatos de segurar o prematuro contra a pele nas primeiras semanas, mas como isso também afetava as crianças 20 anos depois.

Os prematuros que experimentaram esse contato pele a pele tiveram QIs mais elevados, com mais áreas cinzentas no cérebro, e tinham salários maiores no trabalho do que aqueles que não tiveram essa experiência de contato.

A relação pele a pele também sinalizou uma menor propensão à hiperatividade, agressão e até faltas escolares.

Claro, este estudo analisou especificamente os bebês prematuros, que são mais vulneráveis e têm mais necessidade de cuidados. Mas, no geral, outros estudos com bebês que nasceram no tempo normal de gestação também têm resultado semelhante.

Um estudo de 2012 do Cochrane Pregnancy and Childbirth Group  (uma organização internacional) apontou que bebês que tiveram o contato pele a pele nos primeiros dias de vida tiveram uma estabilidade cardiorrespiratória melhor, maiores taxas de amamentação e choraram menos.

E os benefícios do contato depois do nascimento não são só momentâneos. O simples ato de segurar o seu filho tem efeitos positivos por muitas semanas. Um estudo mais antigo, mas também relevante da Pediatrics mostra que quando os bebês ficam aconchegados isso resulta em um enorme impacto sobre o contentamento e até sobre a alimentação. Mas não é só isso, carregar o bebê no colo durante um período significativo do dia reduz a irritação e os sintomas de cólica, que tem seu pico nas seis semanas de vida (levante a mão quem já teve um bebê com cólica e faria qualquer coisa para que ele parasse de chorar!).

Quer mais? Segurar seu bebê durante um procedimento médico doloroso, como ao tomar vacina ou fazer uma punção de calcanhar irá reduzir a experiência de dor, de acordo com uma pesquisa sobre o assunto. O contato pele a pele também tem efeitos importantes na amamentação, independente do método de alimentação, segurar o bebê nessa hora cria um vínculo mais duradouro e profundo entre a criança e os pais.

Se você é um pouco nerd e quer mergulhar de cabeça no assunto, confira um artigo incrível publicado no jornal Recém-nascido e lactantes, escrito pelo Raylene Phillips, MD, e consultor de amamentação. Nele, o Dr Phillips explica que o cérebro infantil passa por um período crítico de desenvolvimento nos primeiros meses, ou seja, ele não está realmente formado, e então o tipo de experiência que o bebê recebe nessa fase é crucial em termos de desenvolvimento ideal do cérebro.

“A amígdala cerebral passa por um período crítico de maturação nos primeiros dois meses após o nascimento”, escreve o Dr. Phillips. “A amígdala fica localizada no centro do cérebro e faz parte do sistema límbico envolvido no aprendizado emocional, na modulação da memória e na ativação do sistema nervoso simpático. O contato pele a pele ativa a amígdala através da via pré-frontal-orbitária e assim contribui para a maturação dessa estrutura vital do cérebro”.

Ufa! Bastante coisa, não é? E eu poderia continuar, por que existe basicamente um tesouro científico de dados que provam que não há absolutamente nenhuma maneira de “estragar” o seu filho. Nenhuma. Zero.

Na verdade, quase todas as pesquisas apontam que a falta de contato pode ter consequências negativas nas questões de saúde e desenvolvimento.

Eu por pouco não desejei voltar no tempo e mostrar todos esses dados para as pessoas que me criticaram por segurar meus filhos 24 horas por dia, 7 dias da semana. Mas para ser honesta, tenho certeza que eu era como toda mãe de primeira viagem – exausta e com o cérebro cheio de coisas, sem tempo para muita discussão ou pesquisa.

Felizmente, a maioria das mães têm instintos fortes o suficiente e não precisam de pesquisa para segurar seus filhos nos braços, e a ideia de “estragar” o bebê é um monte de besteira. Mas se você precisar de dados científicos para provar isso, confie em mim, eles existem e com o tempo serão mais divulgados.

Ou você pode ser uma dessas pessimistas e pegar o bebê só rapidinho. Isso também funciona.

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