O que eu quero dizer para vocês no dia de hoje

Sabe aquela frase bem clichê “O dia da mulher deveria ser todo dia” que todo ano surge exatamente no dia de hoje, 08 de março, Dia Internacional da Mulher? Pois bem, hoje achei que fazia sentido recorrer a ela para falar de uma coisa que eu ando vivendo em minha vida e que acho importante compartilhar com vocês (e que tem tudo a ver com a data sim).

Quem acompanha o Macetes de Mãe, seja aqui, no Insta, no Face ou no Youtube é porque é mãe ou é tentante. Ou seja, tem interesse no tema. Então, acho que faz todo sentido levantar uma discussão importante aqui.

Quando a gente vira mãe, a gente esquece que é mulher. Essa é a verdade. A gente passa a viver tão voltada para o filho, tão envolvida com ele, tão entregue a ele que, muitas vezes, levamos anos para voltar a nos enxergar, a nos cuidar e até a nos respeitar.

Imagem de arquivo pessoal. Sua reprodução não está autorizada.

Sei porque eu passei por isso. Posso dizer para vocês que levei em torno de quatro anos para perceber que, além de mãe, eu ainda era mulher e não tinha nada de errado de querer ser essa mulher que sempre existiu antes da mãe chegar.

Percebo que, muitas de nós, tão envolvidas com essa experiência arrebatadora que é a maternidade acabam esquecendo completamente do lado mulher. E é um lado que, hoje, percebo claramente que não pode, de forma alguma ser deixado de lado.

E quando falo do nosso lado mulher não quero dizer simplesmente o lado “vaidoso” da nossa essência, mas um lado muito maior e mais importante que engloba tudo aquilo que diz respeito às coisas que fogem ao filhos (ou seja, ao lado mãe). Nosso lado mulher é o nosso lado EU, na minha opinião. Tudo aquilo que a gente gosta, curte, admira, acha importante, defende e, muitas vezes, sente falta. Uma enorme falta.

Eu, antes de ter filhos, gostava de ler, de correr, de sair com minhas amigas, de namorar o maridão, de viajar a dois, de dormir tarde, de acordar tarde, de ir ao cinema, de ficar horas vendo uma série na TV, de ficar em silêncio admirando a natureza, de escrever, de comer em lugares gostosos, de provar novos sabores e mais um tantão de coisas. Mas aí, os filhos chegaram, e por um tempo eu tive a impressão de que essa vida foi tirada, foi roubada de mim.

Fiquei com a impressão de que tive filhos e que a minha vida mudou. Ponto. Que não sobrava mais tempo para mim, para as coisas que eu gostava, para nada. Aí, no meu segundo filho tive uma depressão pós-parto chata, fui atrás de ajuda, comecei a me tratar, comecei a me reeencontrar e aí percebi que as coisas não precisam ser assim.

Ter filhos não significa que a gente anulou a pessoa que existia antes da mãe nascer (pelo menos não devia e não precisa ser assim). Ter filhos não significa que a mulher desapareceu. Ela ficou sim em segundo plano, por um tempo (que para algumas mães é um tempo de semanas, meses ou até anos), mas chega uma hora que ela tem o direito e até o dever de voltar à tona, de brotar de novo e de voltar a existir.

Hoje, com tranquilidade, digo que encontrei um equilíbrio em minha vida. Hoje, percebo que o meu lado mãe e o meu lado mulher estão em harmonia e caminham juntos. E quando falo do lado mulher eu falo do lado eu, da Shirley profissional, amiga, esposa, viajante. Aquele que não necessariamente envolve os filhos.

E querem saber? Demorou, mas hoje eu valorizo, prezo e respeito esse lado EU sem sentir aquele peso da culpa. Hoje entendo e devendo que não precisamos pensar nos filhos 100% do tempo. Que eles são importantes, extremamente importantes, mas que nós também somos, o marido também é, nossa profissão, amigos, sonhos, hobbies também são.

Por isso, no dia de hoje, resolvi trazer uma reflexão sobre esse assunto. Sobre nosso papel de mãe e papel de mulher. Sobre a importância de não deixarmos os filhos serem a única coisa importante em nossas vidas. Deles serem a parte de um todo que nos completa e não o todo por si só.

Assim, se você está lendo esse texto, por favor, prometa uma coisa a si mesma: você irá olhar mais para você. Para seus desejos, seus anseios, suas vontades, suas necessidades. Você vai seguir amando, cuidando, respeitando e zelando por seus filhos. Mas você também fará o mesmo para você de agora em diante.

Feliz Dia da Mulher, amigas!

2 comentários

  1. Pamela

    Adorei o texto! Adecuado a minha realidade 😊 Feliz dia para você também!

  2. Emanuelle Campos

    ótima mensagem: motivadora, saudável e porquê não, instrutiva! Ainda estou no comecinho desse caminho (grávida de 6 meses), mas refleti muito sobre o seu texto.
    beijos

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