Alimentação infantil – O que não dizer e fazer durante as refeições

A alimentação infantil não é assunto fácil quando se trata de criar filhos. Tem dia que a gente acorda inspirada e prepara aquele prato bem bonito e colorido para eles. E o que acontece? Eles não querem comer nada ou só dão uma “fuçada” na comida.

Infelizmente, sei que essa realidade não é exclusiva aqui de casa e que muitas mães passam pelo mesmo perrengue (Leo come e sempre comeu bem, mas com Caê, na maior parte das vezes, o caldo engrossa. Sim, ele dá muito trabalho para comer!). O resultado é que, na ansiedade de convencer as crianças a comer, muitas vezes, acabamos dizendo frases “de efeito” ou fazendo coisas (naquele velho e bom “se vira nos 30”) que até funcionam naquele momento, mas que, no longo prazo, podem causar problemas e, inclusive, criar traumas alimentares (parece forte, não é mesmo? Mas é verdade).

Alimentação infantil – Photo Credit: donnierayjones Flickr via Compfight cc

Então, hoje, separei uma listinha de frases que você já disse ou coisas que você já fez (por que eu também fiz isso aqui sem perceber) que, idealmente, devem ser evitadas a partir de agora.

Então vamos lá…

Quando se trata de alimentação infantil, algo muito comum é impor situações ou exigências: Por exemplo: “você só vai brincar se comer tudo”, “você só vai comer a sobremesa se comer a verdura”. Existem também situações de comparação: “o seu irmão está comendo, você deveria fazer igual a ele” (faço o mea culpa: essa última frase já rolou por aqui).

Essas frases de “incentivo” criam na cabeça na criança uma relação ruim dela com a comida. Ela associa a refeição com um momento de pressão, que pode ser lembrado por longos anos, já que é normal encontramos adolescentes ou até adultos que não gostem de certos alimentos porque lembram que eram obrigados a comê-lo na infância. Outro problema na comparação, especialmente entre irmãos, é criar o sentimento de inferioridade no seu filho.

Então, o certo é explicar que ele deve comer o legume ou a verdura por que faz bem. E essa explicação sempre deve ser associada às coisas do dia a dia da criança, por exemplo: se você comer alface a barriga não vai doer na hora de ir ao banheiro (lembre-se: se a associação for benéfica tudo bem usá-la!), se você comer, pelo menos um pouquinho de cada alimento você vai crescer forte, e por aí vai…

Caso mesmo assim a criança rejeite, experimente fazer o legume de outra forma e oferecer outro dia novamente. Até que você consiga vencer esta batalha.

Deixar a crianças de castigo por ela não querer comer também é algo super reprovável. Isso não deve acontecer jamais. Fazendo esse tipo de ameaça a criança acaba desenvolvendo um temor, um trauma, um bloqueio com a comida. A comida não deve ser associada a algo ruim (eu não como, eu fico de castigo). A associação deve ser sempre positiva (eu como, eu fico forte e tenho energia para crescer, brincar, etc…).

Mais um fato comum e reprovado é querer que a criança coma tudo que está no prato. Por um lado nos sentimos aliviadas quando isso acontece, mas você já parou para pensar que a quantidade que está no prato pode não ser compatível com o apetite do seu filho? Além do que, não é por que ele comeu tudo isso ontem que hoje ele vai ter a mesma fome (ainda mais se acabou comendo alguma coisa um pouco antes do horário da refeição). A dica aqui é confiar na criança e deixá-la comer o quanto quiser para não interferir na saciedade dela (só ficando de olho para ver se ela não está comendo muito pouco frequentemente, aí é necessário ver alternativas saudáveis para ela comer mais).

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Oferecer guloseimas ou coisas que a criança costuma aceitar mais fácil após a refeição, simplesmente para ela não ficar sem comer também não é indicado. Se você fizer isso, ela irá entender que não comendo o que você quer que ela coma (alimentos saudáveis) ela poderá depois comer o que bem entender (o que nem sempre é bom para ela. Na verdade, quase nunca é). O ideal é, se a criança não quis fazer uma refeição, deixá-la sem comer até a próxima refeição. Parece maldade, mas é o melhor a se fazer e é para o bem dela.

A observação final é sobre distrações na hora da refeição. Brincadeiras como do tipo “olha o aviãozinho” ou incentivos para comer assistindo a um programa “pode comer na sala, vendo televisão”, fazem com que a criança deixe de prestar atenção no alimento, ou seja, no gosto, na cor e na textura, e aí, ela acaba comendo, só por comer, resultando em consequências como obesidade ou anorexia. O certo é a criança saber que a refeição, por si só, pode ser prazerosa. Por isso, o ideal é que a família sempre se reúna para comer e que fique longe de qualquer eletroeletrônico ligado (mas é claro que não vou ser hipócrita e negar que, de vez em quando, todo mundo recorre a isso para dar conta do recado. Não é o ideal, não é o certo, mas como eu sempre digo, no se vira nos 30 a gente faz o que dá e aí, se for a exceção, também não é o fim do mundo).

Apesar de o momento da refeição não ser uma tarefa fácil nos primeiros anos de vida, aos poucos, nosso trabalho vai tendo efeitos benéficos e a gente ela vai colhendo os resultado (assim a gente espera!).

 

 

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