Como criar o quarto do bebê (e saiba mais sobre a tendência “design com afeto”)

No post de hoje, a Priscila Guerreiro , designer de interiores, mãe da Lorena e criadora do blog Toca Lola – Design com Afeto irá falar um pouco sobre a criação do quarto do bebê. Sobre a ansiedade que cerca esse momento, sobre as questões práticas e funcionais que devem ser levadas em conta e, principalmente, sobre a importância da valorização da parte emocional nessa hora.

No texto a Priscila também fala um pouco sobre “Design com Afeto”, que é uma tendência muito forte da decoração, principalmente de ambientes familiares e infantis.

Confira! O texto é maravilhoso, pois extrapola as questões práticas que são normalmente abordadas.

Como criar o quarto do bebê (e saiba mais sobre a tendência “design com afeto”)

Por Priscila Guerreiro , designer de interiores, mãe da Lorena e criadora do blog Toca Lola – Design com Afeto

Como “designer de interiores”, aprendi a missão de sempre buscar a melhor interação entre as pessoas e seus espaços, criando as soluções funcionalmente eficientes e esteticamente agradáveis; requisitos indispensáveis a um bom projeto.

Apesar da funcionalidade ser a questão central a ser resolvida por um designer ao criar um espaço, de modo geral, a decoração é a primeira preocupação das futuras mães ao começar a pensar no quarto do bebê.

E para amenizar a ansiedade materna na busca por encontrar o estilo ideal para o quarto do seu pequeno, costumo orientar que a regrinha básica para começar a criar a decoração desse espaço é que, de um modo geral, ele reflete a personalidade e o estilo dos futuros pais, não da criança.

Ainda que isso pareça distante, acredite: os bebês crescem com uma velocidade impressionante! Dessa forma, ambiente e decoração devem ser flexíveis, uma vez que, à medida em que o seu filho for crescendo e as necessidades forem mudando, o ambiente deverá ir se transformando juntamente com a criança.

Assim, não é preciso ter pressa pois, em pouco tempo, já conhecendo os gostos e as necessidades do seu pequeno, naturalmente, você conseguirá deixar o espaço com o jeitinho dele.

Por isso, nessa primeira fase de criação do quarto do bebê, sugiro que tente deixar de lado a ansiedade da busca pela decoração ser desvendada como algo externo e passe a olhar para dentro, de modo a se concentrar nas características da sua família.

Como vocês são? Quais valores e sentimentos gostariam de passar para o bebê? São mais alegres e extrovertidos ou mais calmos e concentrados? São mais tradicionais ou mais modernos? Pensando assim, certamente ficará mais fácil encontrar o caminho a seguir para a decoração do quarto do pequeno.

Outra dica valiosa que costuma funcionar bem como ponto de partida para começar a pensar nesse espaço especial que é o quarto do bebê é eleger uma peça carregada de memória afetiva, que ajude a contar histórias de família e traga uma dose extra de afeto e personalidade ao ambiente.

Pode ser uma peça de família ou inspirada em alguma lembrança importante para o casal; o importante é que ela emocione. Para o quarto da minha filha, por exemplo, a peça escolhida foi uma cadeira de balanço muito semelhante à que existia na casa da minha avó e que me acompanhou por toda a infância. O fato é que, ao resgatar essa minha lembrança, essa cadeira passou a fazer parte das lembranças da minha família de uma forma tão especial, que foi utilizada, inclusive, na comemoração do primeiro aniversário da minha filha.

 

Assim, resolvida a ansiedade pela escolha do estilo de decoração do quarto do bebê, as mães, naturalmente, passam a pensar na funcionalidade do espaço.

Em 2008, vivi essa experiência pela primeira vez, ao receber o desafio de ajudar a criar o quarto da minha futura afilhada. Eu não conhecia absolutamente nada sobre o universo infantil e foi assim que iniciei as pesquisas relacionadas ao design para crianças.

Após entender as necessidades relacionadas às funções básicas do ambiente, tais como alimentação, descanso, higiene e troca do bebê, os estudos passaram a se concentrar em entender como os pequenos se relacionam com o ambiente em cada fase da infância e como o design poderia contribuir para o pleno desenvolvimento do potencial cognitivo das crianças.

O primeiro passo foi assimilar o que a ciência já havia comprovado: os bebês não são uma folha em branco como muitos pensam, e sim, verdadeiros cientistas, dotados de grande curiosidade e de um enorme potencial para explorar o espaço onde se encontram.

Esse desejo natural de compreender tudo o que ocorre à sua volta, faz com que um bebê, deitado no berço, acompanhe atentamente o móbile que se mexe, perceba o som que vem da rua e reconheça o cheiro da mãe. Sim, enquanto as capacidades motoras dos bebês são, inicialmente, muito limitadas, os sentidos apresentam, desde cedo, com maturidade considerável. Desde que nasce, o bebê já é capaz de explorar os cinco sentidos, que vão se desenvolver plenamente ao longo dos primeiros meses de vida.

Assim, desde o início, a capacidade de percepção e do bebê atuam em consonância com o espaço em que ele está inserido. O ambiente, portanto, possui o grande desafio de estimulá-lo para novas e ricas experiências ou atuar de forma limitante.

Nesse sentido, é importante notar que, o início, como o bebê se encontra a maior parte do tempo deitado, a decoração da cama deve proporcionar esse estímulo. À medida que vai crescendo, o movimento passa a ser realizado de forma cada vez mais objetiva e consciente e a exploração vai se estendendo a outros espaços.

Aos 4 meses, a criança já consegue aproximar a mão dos objetos próximos, conseguindo controlar de forma razoavelmente eficaz os seus movimentos. No segundo semestre de vida, o bebê descobre os dedos, uma nova e maravilhosa ferramenta de exploração do mundo. Assim, aos poucos, a criança vai superando suas restrições motoras e aumentando as suas possibilidades de exploração do espaço.

Apesar das pesquisas iniciais se concentrarem na relação do bebê com o design do espaço, anos mais tarde, em 2014, quando me tornei mãe da Lorena, a vivência prática me mostrou uma outra dimensão no estudo do design infantil: a importância do afeto.

Vivenciando o mais intenso, desafiador e encantador estágio prático da vida, logo compreendi que no processo de desenvolvimento infantil, nesse território, onde a educação se encontra com a diversão, a participação da família é insubstituível e o afeto é a mola mestra que potencializa toda aprendizagem.

Dessa forma, entendi que nem o melhor projeto seria capaz de exercer todo o estímulo necessário ao pleno desenvolvimento infantil. Sem contato, empatia e cumplicidade, nada funcionaria de forma plena.

Essa minha percepção prática foi comprovada pela ciência, que já afirma que “a forma como o estímulo é oferecido” é muito mais importante que o “tipo de estímulo em si”. O carinho e a demonstração de afeto devem vir junto com as brincadeiras e a descoberta do espaço pela criança.

Hoje, aliando as pesquisas à vivência prática, tenho a convicção de que design e afeto são essencialmente complementares quando se fala em desenvolvimento infantil e, consequentemente, em seu maior objetivo: desenvolver um adulto autoconfiante e feliz.

E foi assim que surgiu a ideia do blog Toca Lola – Design com Afeto. Com o lema: inspirando famílias a inspirarem seus pequenos, o blog busca reunir informação e inspiração para estimular os pais a criarem espaço criativos e cheios de potencial para o desenvolvimento dos seus pequenos.

E vai além: na Toca, mais do que simplesmente criar, ao estimular a troca de experiências criativas, busca-se incentivar que as famílias curtam e explorem de forma plena os espaços internos e externos com seus pequenos.

Design com muito afeto!

Priscila Guerreiro , designer de interiores, mãe da Lorena e criadora do blog Toca Lola – Design com Afeto.

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