Viajar sem filhos – Dicas para as coisas correrem bem

Depois de cinco anos só fazendo viagens com um ou dois filhos a tira-colo, chegou a vez da gente viajar sem filhos por aqui. E eu fui logo fazendo duas viagens de uma vez. Primeiro, em abril, fui para a Itália com amigas e agora, em maio, viajei sozinha com o marido para a França. As duas experiências foram incríveis, ótimas, maravilhosas. Com bastante saudade, não vou negar, mas sem sofrimento.

E como as coisas correram bem por aqui, achei que seria legal compartilhar com vocês as dicas do que funcionou para mim/para nós. Ou seja, contar para vocês o que é que eu fiz que ajudou para termos uma experiência tranquila na hora de viajar sem filhos (tranquila e prazerosa para ambos os lados).

Viajar sem filhos

Viajar sem filhos – dicas que ajudam todo mundo a curtir essa experiência

Bom, então, vamos às dicas para quem quer viajar sem filhos (e não sofrer e nem causar sofrimento):

  1. Só viaje quando realmente estiver segura dessa decisão e tiver certeza de que as crianças ficarão bem. Não adianta você sair em viagem com o coração na mão. Se você está insegura, acha que vai morrer de saudade, está cheia de medo que os filhos sofram na sua ausência, nem vá. Antes de viajar, trabalhe isso em você. Pense nos prós da viagem para você e para as crianças, certifique-se de que deixou tudo organizado e, principalmente, trabalhe a sua mente para não sentir culpa. Isso é importante.
  2. Se estiver um pouco insegura ainda, faça uma viagem mais curta de teste. Se você está com medo de viajar e deixar seus filhos por 5, 7, 10 dias, então faça uma viagem mais curta sem eles. De um final de semana. Dessa forma, você poderá testar a reação deles, a sua e também testar se o arranjo que você fez para deixá-los dá certo mesmo.
  3. Tenha pessoas com quem contar e confie nelas. Acho isso importantíssimo! Se você vai viajar sem os filhos tem que ir certa de que eles ficarão bem, de que estarão em boas mãos, de que também vão curtir a experiência. O ideal é sempre eles ficarem com alguém que eles tenham intimidade, que gostem e que também tenha disponibilidade para ficar com eles e cuidar deles de forma que a rotina não fique prejudicada. Por aqui, optei por deixar os meninos na casa dos avós junto com a moça que me ajuda aqui em casa. Assim, mesmo eles saindo da nossa casa, mantiveram na casa dos avós a rotina de sempre. Isso ajudou.
  4. Converse antes com as crianças e explique sobre a viagem. E sempre fale de forma positiva sobre a experiência. Antes de viajar, conte para as crianças que você passará um tempo longe, mas que logo estará de volta. E que nesse tempo eles ficarão em tal lugar com tais pessoas e que essa experiência será incrível, divertida, memorável (e acredite nisso! Pois eles sentem). Não fale com seus filhos sobre a viagem já dizendo que vai morrer de saudade, que vai sentir falta ou expondo qualquer sentimento negativo ou de insegurança. Fale de forma que eles sintam isso como algo legal e que eles mesmos passem a esperar por isso. Por aqui fiz isso e super funcionou. Leo e Caê adoram passar alguns dias na casa dos avós enquanto a gente viaja.
  5. Mantenha o contato mesmo à distância. Se possível, ligue todos os dias, de preferência via vídeo. Eu fiz isso em ambas as viagens. Todos os dias, sempre no mesmo horário, eu ligava via Whatsapp e conversava com eles usando câmera. Assim, eles me viam e eu os via. E eu gosto de manter sempre o mesmo horário para fazer as ligações porque aí diminui a ansiedade da criança. Se ela não sabe que horas você vai ligar, pode passar o dia esperando. Sabendo que será nessa ou naquela hora ela fica mais segura.
  6. Durante a viagem, fotografe coisas que te fizeram lembrar dos filhos e mande para alguém mostrar para eles. Eles saberão que você está pensando neles mesmo à distância. Eu faço muito isso. Quando vejo algo que lembro dos meninos eu fotografo e mando para o meu sogro ou minha sogra, via Whatsapp, e peço para eles mostrarem para as crianças e explicarem porque aquilo me fez lembrar deles. Muitas vezes não precisa nem explicar – no caso do Leo. Só de olhar ele já entende o que eu quero dizer.
  7. Peça a ajuda de outras pessoas queridas. Se seus filhos adoram um tio, uma tia, um padrinho, uma madrinha, peça que eles levem as crianças para algum programa legal na sua ausência. Isso, claro, se essas pessoas tiverem disponibilidade.
  8. Deixe tudo organizado, planejado e por escrito antes de sair de viagem. Acho muito, muito, muito importante você pensar em tudo com antecedência. E já deixar tudo organizado e as principais orientações anotadas para os cuidadores saberem como proceder. Se você tiver que ficar resolvendo coisas à distância, irá ficar tensa, insegura e não irá curtir a viagem. O ideal é já deixar tudo organizado antes. E algumas dicas para o “tudo organizado antes” são:
    1. Levar as crianças no pediatra antes da sua viagem para garantir que está tudo ok com a saúde delas (e você viajar tranquila).
    2. Deixar com os cuidadores o RG e as carteirinhas de saúde das crianças.
    3. Deixar anotado os medicamentos de uso diário (doses e horários) e o que dar em caso de uma emergência (por exemplo, se tiver febre).
    4. Decidir de antemão quem leva as crianças para a escola e para as demais atividades.
    5. Se as crianças ficarem em outro lugar que não a sua casa, deixar as malas prontinhas com todos os tipos de peças de roupa que poderão ser utilizadas e em quantidade suficiente (ou até a mais. Melhor pecar pelo excesso).
    6. Avisar na escola e nas demais atividades (clube, inglês, natação) que você estará ausente e passar o contato de quem deverá ser contatado no caso de uma emergência.
    7. Deixar a rotina diária da criança anotada, para ninguém esquecer de nada.
  9. Programe algo bacana para a volta da sua viagem. Pense em algo bem bacana para fazer junto com as crianças, para todos se divertirem e matarem a saudade. Saber que na volta da viagem vocês vão passar bastante tempo grudadinhos, fazendo algo que gostam, ajuda a amenizar qualquer sentimento negativo para ambos os lados (Exemplo: na volta da nossa viagem à França eu e o Otávio fomos com as crianças para Paraty por 4 dias. Foi delicioso! Mas se não der para fazer algo tão complexo, planeje algo simples, como um piquenique no parque, uma ida ao cinema ou algum outro tipo de passeio especial que as crianças curtam).
  10. Por fim, a última dica (mas não menos importante) é: curta o momento. Não adianta você estar lá longe e ficar com a cabeça nos filhos ou sofrendo pensando que eles estão sentindo a sua falta. Você sofrer, morrer de saudade não irá fazer seus filhos se materializarem na sua frente. Nesse caso, é melhor pegar o carro ou um avião e voltar. Já que você está longe, já que teve o privilégio de curtir uma experiência como essa (quantas gostariam e não podem), aproveite! E lembre-se sempre de que você deixou tudo organizado, que dificilmente algo sairá fora do planejado (e se sair você será avisada), que os filhos sobrevivem e, principalmente, que eles devem, inclusive, estar curtindo tanto ou até mais que você essa experiência.

Me ajuda muito pensar que esse tipo de experiência, de viajar sem filhos, é positiva, muito positiva para eles também. Ficar longe dos pais por um breve período é saudável, já que eles aprendem a ter mais autoconfiança, aprendem a lidar com sentimentos nem sempre positivos, aprendem sobre a individualidade dos pais e aprendem a confiar e contar também com outras pessoas. Ou seja, é uma forma de já ir treinando nossos filhos para o mundo. O que, impreterivelmente, uma hora ou outra terá que acontecer. E se pudermos fazer esse “treinamento”  dentro de um ambiente controlado e seguro, como é o caso de uma viagem, quando eles ficam aos cuidados de outras pessoas de confiança, melhor ainda!

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1 comentário

  1. Adorei as dicas! Eu passei pela dúvida de poder e querer viajar sem filho e descobri que sim, eu posso e quero! Vamos viajar mês que vem!
    Escrevi minhas reflexões sobre o assunto aqui: http://somelhora.com.br/2017/06/20/viajar-sem-filho/

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