Parto normal: as novas (nem tão novas assim) diretrizes do Ministério da Saúde

Hoje, trago notícia antiga aqui no blog. Mas como é notícia importante, vale ser divulgada mesmo que com atraso. Principalmente porque se trata de um assunto de máximo interesse de muitas gestantes: o parto normal.

No mês de março (e lá se vão quase 5 meses dessa novidade) o Ministério da Saúde divulgou as novas diretrizes  do parto normal do Brasil. E o que isso quer dizer?  Isso significa que o que antes era apenas orientações agora são direitos das gestantes. A intenção dessas mudanças é, justamente, o que toda grávida quer: ter mais independência de escolha na hora do parto, reduzir o número de cesáreas desnecessárias e tornar esse momento, tão importante, o mais humanizado possível.

Então, a partir de agora, devemos ficar atentas aos direitos das grávidas, que devem ser cumpridos em todos os lugares do país. (Confira aqui as diretrizes na íntegra)

E eles funcionam da seguinte forma: toda mulher tem o direito de ter um plano de parto (e ele é, inclusive, muito indicado). O plano é feito durante o pré-natal e é o momento no qual o médico, junto com a grávida, conversam sobre qual o parto mais indicada para ela, considerando a saúde dela e do bebê e também decidem qual hospital a criança deve nascer. O bom dessa conversa antecipada é que a grávida pode se informar melhor sobre o seu tipo de parto e ainda conhecer a maternidade, caso queira.

Também se tornou direito da mulher que ela, durante o trabalho de parto, fique na posição que achar mais confortável. Se ainda for da escolha da gestante poderão ser usados métodos alternativos para aliviar a dor, como massagens, banhos quentes e imersão na água.

Para as mulheres que se sentirem mais confiantes ou quiserem, podem ter a presença de uma doula ou de um acompanhante (sabemos que toda grávida, já tinha por lei o direito do acompanhamento, mas eles reforçaram isso na diretriz).

Sobre a alimentação no trabalho de parto, o jejum obrigatório não existe mais, porém, neste caso, vale falar com o médico para saber quais são os alimentos mais indicados, que sempre devem ser leves, mas podem variar conforme a saúde geral de cada paciente.

A mulher pode ainda ter direito à anestesia e a reaplicação dela, se necessário. Já logo depois do nascimento, sempre falamos aqui no blog da importância do contato da mãe com o recém-nascido, entretanto não eram todas as maternidades que proporcionavam esse momento, mas agora ele está garantido. Ainda é de responsabilidade do hospital estimular e orientar sobre o aleitamento exclusivo materno.

Nessas diretrizes também tem orientações a serem evitadas por parte dos profissionais de saúde. A episiotomia, que é o corte no períneo realizado no parto normal, sempre foi muito polêmico e considerado por alguns médicos como uma intervenção desnecessária, agora ele ganhou ainda mais destaque, sendo super contraindicado.

O uso de hormônio ocitocina, que acelera a saída do bebê também não deve ser usado. Estão ainda na lista do que não é para fazer: a aspiração do nariz e da faringe do recém-nascido, a “manobra de Kristeller” que pressiona o útero para ajudar a criança a nascer, o uso do fórceps, a lavagem intestinal antes do parto, a raspagem dos pelos pubianos, o rompimento da bolsa e o corte precoce do cordão umbilical. Neste último item, os médicos devem esperar entre 1 a 5 minutos para cortar o cordão ou o tempo necessário para cessar a pulsação.

Quanto aos locais onde a grávida pode ganhar o seu bebê, os Centros de Parto Normal passaram a ser reconhecidos como seguros e de baixo risco e o parto ainda pode ser feito por uma enfermeira obstétrica ou obstetriz (parteira).

O último detalhe desses direitos diz respeito à ampliação do acesso ao DIU (Dispositivo Intrauterino de Cobra) depois do parto ou pós-abortamento. Só que para ele as maternidades terão até 180 dias para se preparem.

Como mãe espero que realmente todos esses itens sejam respeitados para que as mulheres tenham acesso a uma experiência incrível que é a maternidade.

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Mãe e filho devem ficar em alojamento conjunto após o parto.

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