Eu superei um câncer e encarei 7 FIVs (fertilizações em vitro) para ser mãe

Há alguns dias, recebi um e-mail de uma seguidora e, quando li a sua história, eu só pensava: Ela precisa contar isso no blog! As pessoas precisam ouvir esse exemplo de persistência e superação.

E aqui está, a história de uma mulher que superou um câncer e encarou sete FIVs (fertilizações em vitro) para se tornar mãe.

Photo Credit: Keleene Flickr via Compfight cc

Eu superei um câncer e encarei 7 FIVs (fertilizações em vitro) para ser mãe

Por Andréa Ruschman, Mãe da Isabel e da Laura

Por onde começar? 10, 20, 30 anos atrás? Ou por essa noite que passou, em claro, cuidando da Isabel que estava com tosse e da Laura que chorava por piedade da irmã ? Sim, elas sentem piedade uma pela outra, o tempo todo. Afinal, dividiram o mesmo espaço durante 9 meses, nasceram com apenas alguns minutos de diferença. Um nascimento muito esperado, muito desejado e resultado de uma longa trajetória.

Aos 35 anos, eu já era Diretora Financeira de uma grande multinacional de energia, havia enfrentado o “perfect storm” do racionamento, desvalorização cambial, crises e mais crises. Foram alguns anos trabalhando de segunda a segunda, sem distinguir o dia da noite, viagens constantes, sem descanso e sem nenhum tempo para cuidar do corpo e da mente.

Mas, em 2005, parecia que tudo havia melhorado. Comecei a ter um pouco de tempo para mim e comecei a questionar se não seria hora de pensar na maternidade. Mas, antes, tinha que curar uma febrinha inexplicada que insistia em aparecer ao final do dia e também investigar um gânglio que havia aparecido no pescoço. Ate que uma noite tive uma dor de ouvido fortíssima que me levou ao otorrino. Ele me pediu raio-x do pulmão, o que achei estranho, já que minha dor era no ouvido. Mas ele foi certeiro, um verdadeiro enviado de Deus. Diagnosticou linfonodos em meu pulmão, e lá fui eu, começar a peregrinação da batalha contra o câncer.

Foram 12 sessões de quimioterapia, mais algumas de radioterapia, com todos os seus efeitos. Muito enjoo, inchaço, fraqueza, queda de cabelo. Mas, felizmente, tive excelentes médicos, um apoio indescritível da minha família, e tudo passou. Mais 5 anos de acompanhamento e, teoricamente, eu estava liberada para tentar engravidar.

Sabia que não seria fácil. Meu oncologista tinha me alertado para o prejuízo que o tratamento traria para a minha fertilidade. Além disso, já não era mais uma garotinha, tinha 40 anos de historias para contar. Começou então a segunda batalha, agora para engravidar. Foram 4 anos de tentativas. A cada nova FIV (“fertilização in vitro”), uma chama de esperança se acendia, mas a cada resultado negativo, me sentia mais desanimada do que quando fazia as sessões de quimioterapia. Era uma tristeza profunda, uma sensação de impotência, e questionamentos em relação a continuar tentando ou não.

Apos a sexta tentativa, desisti. Foquei em seguir em frente, me dediquei a levar uma vida saudável, emagrecer (os tratamentos deixam o corpo muito inchado), viajar, me interessar pelo meu trabalho de novo e buscar alegria em outras coisas da vida. Foi um ano longe de exames, injeções, consultas medicas, repouso.

Ate que, um dia, uma amiga muito querida me disse: Não desista. Faca a 7a tentativa. Como o número 7 sempre me agradou, resolvi tentar. Estava mais confiante, menos ansiosa, mais madura e, de verdade, parti para o tudo ou nada!!!

E veio o “tudo” !!! Tudo de mais lindo, querido e especial em minha vida. Dois anjinhos, que hoje são o maior amor da minha vida. Confesso que, apesar da minha maturidade, da minha dedicação e da minha força, a maternidade tem mostrado desafios que nem imaginava existirem. Mas o amor pela Isabela e pela Lara compensa todas as dificuldades do dia a dia e aquelas que passei para que elas pudessem estar comigo agora.

Por isso, para quem quer ser mãe, não existem barreiras. E deixo aqui o meu conselho para quem está tentando: Não desista nunca!!!

Por Andréa Ruschman, Mãe da Isabel e da Laura

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