Febre amarela – tudo que você precisa saber

Quem costuma acompanhar telejornais e sites de notícias deve ter visto, nas últimas semanas,  uma série de matérias noticiando o aumento de casos de febre amarela no estado de São Paulo. A doença foi identificada em macacos da raça Bugiu, em alguns parques ecológicos da cidade de São Paulo e o risco de transmissão da doença para humanos levou, inclusive, ao fechamento desses locais.

Como muito tem se falado sobre o assunto, e como ainda há muitas dúvidas e medo de que a doença se espalhe e vire uma epidemia, achei interessante compartilhar esse texto esclarecedor sobre a doença, que recebi da assessoria de imprensa da Dra. Priscila Zanotti Stagliorio, médica pediatra.

O perigo da Febre Amarela

Por Dra. Priscila Zanotti Stagliorio, pediatra e autora do blog Pediatra Online – Dicas de pediatra e mãe.

Um novo possível surto de Febre Amarela em São Paulo tomou lugar nos noticiários da TV na última semana. Só em São Paulo já foram confirmadas diversas mortes de macacos da raça Bugio pelo vírus e a preocupação das autoridades de saúde está na proliferação da doença por meio dos mosquitos silvestres Haemagogus e Sabethes, transmissores naturais.

Devido à gravidade e eminência de surto, as Secretarias de Saúde e Meio Ambiente anunciaram uma campanha de vacinação que atingirá mais de um milhão de pessoas em bairros próximos aos locais que tiveram os animais infectados. Entre alguns estão: as unidades Básicas de Saúde dos bairros Hortolândia, Vila Rami, Novo Horizonte e Caxambu, das 9h às 16h. E as unidades de Hortolândia, Tamoio, Caxambu, Vila Rami, Fazenda Grande e Agapeama, que atendem em horário estendido até as 20h. Nas próximas semanas também chegará nos bairros de Tremembé, Casa Verde e Vila Nova Cachoerinha, que são vizinhos ao Horto.

Tendo explicado o que está acontecendo e o por que da preocupação das autoridades de saúde, vou agora falar um pouco sobre a doença e esclarecer boa parte das dúvidas que costumam surgir quando o assunto é febre amarela.

Quais são os tipos de febre amarela?

Na verdade, há dois tipos diferentes de febre amarela:

  • Febre amarela urbana – transmite o vírus flavivírus e é caracterizada pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite dengue, Chicungunha e Zika Vírus. Desde 1942 não há registro deste tipo de doença no Brasil.
  • Febre amarela Silvestre – também transmite o vírus flavivírus, mas o mosquito se contamina originalmente com a primeira picada em primatas não-humanos (macacos) que vivem em florestas tropicais. Os vetores são as fêmeas dos mosquitos Haemagogus e o Sabethes, que vivem nas matas e na beira dos rios.

Como costuma se dar a transmissão da doença?

Vale ressaltar que a transmissão da febre amarela não ocorre de pessoa para pessoa e sim quando um mosquito pica uma pessoa e ou um primata (macaco) infectado e depois pica outra pessoa saudável.  

Existe vacina?

A vacina é a maneira mais segura de evitar o contágio do vírus da família dos Flavivírus, que atinge humanos e outros vertebrados, e é constituída da cepa 17D, com vírus vivos atenuados, que imunizam e protegem. Sua ação tem poder proteção após dez dias de sua aplicação e está disponível na rede pública e particular para crianças a partir de seis meses de vida (Importante: o recomendado, até pouco tempo, era que se reaplicasse a dose da vacina a cada 10 anos. Entretanto, desde abril deste ano, o Ministério da Saúde adotou a dose única válida para a vida toda, seguindo a recomendação da Organização Mundial de Saúde).  Vale lembrar que não é recomendada para gestantes, mulheres amamentando, crianças antes dos 6 meses, pessoas imunodeprimidas, como pacientes com câncer, e maiores de 60 anos.

Quais são os sintomas e como acontece a evolução da doença?

Os sintomas e a evolução da doença, ocorre entre três a seis dias após a picada do mosquito infectado. Por se tratar de uma doença viral aguda, as pessoas infectadas, em geral, além dos sintomas clássicos como febre, mal-estar, vômito, diarreia e calafrios, podem apresentar icterícia (pele amarelada), perda de apetite, náuseas, dores de cabeça e dores musculares, principalmente nas costas, hemorragias, anúria (comprometimento dos rins), hepatite, coma hepático e problemas cardíacos que podem levar ao óbito.

Como se faz o diagnóstico e qual é o tratamento?

Como a doença apresenta sintomas similares ao de outras, é ideal que seja feito um exame laboratorial para o diagnóstico correto. Em regiões com surtos, é importante recorrer ao posto médico ou hospital logo que os primeiros sintomas aparecerem para evitar epidemias ainda maiores. O tratamento requer atenção médica e suporte em hospital para que o quadro não evolua com gravidade. Embora não existam remédios específicos para aliviar e tratar os sintomas, nos casos graves é realizado diálise e transfusão de sangue. Vale dizer que é importante manter a hidratação e evitar o uso de antitérmicos com ácido acetilsalicílico.

Recomendações:

  • Aos menores sintomas da doença, procure um posto de saúde e relate ao médico os sintomas manifestantes.
  • O uso de repelentes é indicado, desde que atenda a faixa etária e recomendações do médico – para crianças, fale sempre com o pediatra antes de aplicar (para evitar alergias).
  • Mantenha a caderneta de vacinação em dia e vá ao posto de saúde se prevenir se você mora nas regiões indicadas.
  • A utilização de roupas com magas e pernas compridas ajudam a evitar picadas.
  • Evitar os locais com suspeita de mosquitos transmissores é importante para a própria saúde e de outras pessoas.
  • Mantenha os locais propícios ao acumulo de água sempre limpos, livres de lixo, entulho e água.

 

Sobre Dra. Priscila Zanotti Stagliorio

Priscila é médica pediatra há mais de dez anos e autora do blog Pediatra Online – Dicas de pediatra e mãe.

 

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