Como brincar com o seu filho mesmo sem ter criatividade

No post de hoje, a Ale Palazzin e a Graziela Faelli, fisioterapeutas e autoras do blog Tempo Mágico (blog que compartilha informações relevantes sobre desenvolvimento infantil) dão dicas de como os pais podem brincar com os seus filhos mesmo quando estão sem muita criatividade.

Super indico ler os demais textos delas já publicados aqui no blog porque eles são interessantíssimos. Eu mesma, mudei minha visão sobre brincadeiras e passei a fazê-las com muito mais frequência e prazer depois seguir alguns ensinamentos da Ale e da Grazi.

Confiram que vale a pena!

Photo Credit: marcoverch Flickr via Compfight cc

Como brincar com o seu filho mesmo sem ter criatividade

Por Ale Palazzin e Graziela Faelli, fisioterapeutas e autoras do blog Tempo Mágico

Uma queixa que ouvimos frequentemente de muitas mães dentro do Tempo Magico é a falta de criatividade quando estão brincando com seus filhos. Ou porque conseguem um tempinho para brincar só no final de um dia de trabalho (e o cansaço fala mais alto), ou porque trabalham em casa e estão constantemente com seus filhos (fisicamente falando) mas com a cabeça cheia com todas as tarefas para resolver…

Em ambas as situações a primeira coisa a fazer é respirar fundo e tentar focar por alguns minutos naquele momento entre vocês e na brincadeira que está prestes a acontecer (embora saibamos que nem sempre é  fácil virar essa chavinha, né?). Mas mesmo assim, mesmo estando “focadas”, muitas vezes as ideias simplesmente não vêm  à cabeça, não é mesmo? E nessas horas algumas coisas podem acontecer: você achar que “não sabe brincar” ou que “não tem jeito para brincar”, ou, simplesmente, não saber qual brincadeira sugerir naquele momento ou como continuar uma brincadeira que seu filho propôs.

Vamos começar pela última situação.

Como já comentamos em outro post nosso aqui no Macetes, é muito frequente acharmos que porque NÓS vamos sentar com nossos filhos para brincar, que precisamos entrar no mundo DELES, ou oferecer algo PARA ELES… (na verdade esse deve ser um momento prazeroso para ambos, com atividades que os dois gostem, certo?). O que de fato eles mais esperam de nós é que estejamos presentes e atentos e isso já é combustível suficiente para que a criatividade deles funcionarem pelos dois, nos cabendo apenas um papel de “provocador”, incentivador, para que esse processo continue…

Vou dar um exemplo:

Lá em casa a gente sempre constrói coisas com almofadas do sofá (naves espaciais, trens, etc),  mas outro dia meu filho queria fazer um BATMÓVEL!! Na hora pensei : “Meu Deus! como vamos fazer isso?” pois o que me pegou foram as rodas. Era um daqueles dias em que eu estava funcionando totalmente no racional, pensando apenas em resoluções praticas e concretas (e a criatividade passando beeem longe, sabe?). Pois bem, cismei com as rodas:  como iríamos posiciona-las? como fazer se as almofadas eram quadradas??? (como se eu tivesse praticamente que construir um carro, kkkk). Dá para imaginar que eu não fiquei muito empolgada com a brincadeira inicialmente, né? rsrs…  Foi aí que resolvi jogar o “problema” para ele. Fui apenas provocando: “onde vai ficar a cabine? e as portas? e ele foi colocando de acordo com o que ele conseguia visualizar (e que para mim ainda estava abstrato demais rsrs). Quando chegou nas rodas, ele pensou um tempo e decidiu: as rodas a gente faz de conta ;-). Problema resolvido muito mais facilmente do que eu imaginava …

Moral da história: eles dão um banho em nós quando o assunto é criatividade. Então se você não estiver muito inspirada naquele dia, “provoque mais e conduza menos”…

Outra coisa que talvez esteja atrapalhando na hora de ter ideias é  justamente “querer tê-las”, ou seja, pensar demais. É engraçado como em muitos momentos a gente quer planejar, preparar uma brincadeira e no final o que torna algo uma brincadeira é justamente improvisar, ou seja, “criar ou fazer algo adaptando o que se tem à disposição”, e não necessariamente inventando a roda.

Você já notou que muitas vezes basta fazer algo diferente do habitual para que a situação se torne uma brincadeira? Quer um exemplo?  Todo mundo come todos os dias, né? Mas fazer um lanchinho no meio sala ,sentado no chão já vira piquenique, uma diversão! .  E quando a gente faz isso, quando mudamos apenas uma parte do cenário da nossa rotina, temos a possibilidade de vivenciar novos padrões de pensamento, novos sentimentos, de interagir com o mundo de forma diferente… e de nos divertir!  E são essas novas situações que nos permitem nos conectarmos muito mais com as pessoas ao nosso redor, com os nossos filhos, que é o que existe de mais precioso quando brincamos junto com eles…

Então, não é preciso criar nada do outro mundo… talvez apenas olhar para o mundo que você já está acostumada e pensar em apenas 1 coisa que você poderia fazer de diferente…

Por fim não existe um “jeito certo de brincar” ou pessoas que tenham ou não habilidade para isso. Na verdade, Stuart Brown, um estudioso sobre o brincar do qual nós do Tempo Magico gostamos muito, fala que quando realmente brincamos deixamos de focar nos nossos pensamentos, especialmente no que a gente pensa sobre nós mesmos ou nas opiniões dos outros sobre nós. A única regra aqui então é se soltar, se experimentar. Escolha um momento que estiverem só você e seu filho e tente falar de um jeito diferente (mudar a voz, falar mais rápido, mais devagar), andar de outra forma… brinque com você mesma! muitas pessoas tem um lado divertido que fica escondidinho, não tem chance de aparecer. E só isso já vai ser uma brincadeira para vocês dois!

Temos certeza de que vc e seu filho vão se divertir bastante!

Alessandra Palazzin é fisioterapeuta, especializada em neuropediatra, mestre em aprendizado motor e mãe do Pedro. Graziela Faelli também é fisioterapeuta, especializada em neurologia pela USP, mestre em neurociências (UNICID) e mãe do Rafael. As duas são autoras do blog Tempo Mágico, que trata sobre desenvolvimento infantil. Siga o blog Tempo Mágico nas suas redes sociais e fique por dentro de informações interessantes e úteis sobre desenvolvimento infantil: Facebook e Instagram.

 

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