Um brincadeira com o Caê me fez recordar um fato da minha infância que mudou minha vida

Há alguns dias eu fiz um post no Instagram, contando uma história que vivi na minha infância. O que me inspirou a falar sobre isso foi uma atividade que fizemos – pais e filhos – na escola do Caê.

E eu achei que o conteúdo desse post estava tão legal que ele não merecia ficar perdido só lá no Insta. Então, resolvi traze-lo para cá, para que ele tenha uma vida útil mais longa e, quem sabe, acabe por inspirar outros pais e mães….

A brincadeira que levou a esse post

Quando eu era criança, meus pais não tinham dinheiro para comprar os brinquedos, livros e gibis que eu queria. E eu acho que isso foi responsável por muito do que eu sou hoje.

Lembro claramente de uma vez que a minha avó foi lá em casa e me levou de presente uma revistinha de atividades. Dessas que a gente ligava os pontos, pintava os desenhos, procurar a saída do labirinto. Eu amei aquilo! Aquilo para mim foi o máximo. Quando eu esgotei totalmente a revista, pedi outra para a minha mãe. Lembro que na época ela me disse que não dava, que infelizmente não sobrava dinheiro para isso. E foi aí que tudo mudou.

É daí que eu tenho uma das lembranças mais antigas e legais da minha infância. Quando eu soube que meus pais não poderiam comprar a tal revistinha, eu resolvi que faria a minha própria. E assim, toda vez que a minha mãe chegava em casa do mercado, eu guardava o papel que vinha em volta do pão (na época o pão viram enrolado num papel fininho, branco). Se o papel estivesse muito amassado eu pedia para ela passar com o ferro quente. E eu guardava todas essas folhas. Um tempo depois, passei a recortar as folhas, todas do mesmo tamanho, e a criar nelas atividades. Todos aqueles exercícios, jogos e brincadeiras que eu vi na revista que a minha avó me deu, eu reproduzi nas folhas de papel de pão que chegavam do mercado. E criei novas. Criei novos desafios, exercícios, brincadeiras.

Quando eu terminei a minha primeira revista e fui então resolver o que tinha lá, a solução tinha ficado sem graça. A graça tinha estado mesmo no criar, no fazer aquilo, no produzir. No desafio. Acho que esse episódio, que me recordo com uma clareza impressionante, me transformou.

De verdade. Acho que hoje sou uma pessoa mais criativa, mais mão na massa, mais “vamos fazer acontecer” por conta disso. Mas e por que eu estou contando tudo isso agora? E na legenda dessa foto? Porque eu hoje lembrei disso, num momento de atividade na escola do Caê. A atividade envolvia papel, giz de cera, cola e fios de lã. Cada um podia fazer o que bem entendesse com aquilo. Eu vi todo mundo desenhando e colando pedacinhos de papel ou de lã e pensei que a gente não precisava ficar nisso. Já que dava para fazer o que bem entendêssemos, que tal criar um túnel, e um lago para o túnel passar sobre ele, e uma pista de carrinho que se liga ao túnel? Enfim, o céu é o limite.

Quando temos coisas simples ou complexas na nossa frente, a gente pode escolher o que fazer com elas. Isso depende de nós. E é isso que eu sempre tento ensinar aos meus filhos. Tento de verdade. Juro para vocês. Não sei se estou conseguindo. Mas eu estou realmente tentando. (Desculpe o textão. Mas eu queria guardar isso).

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