A criação de filhos e o excesso de mimimi

A criação de filhos e o excesso de mimimi


21 de Maio de 2015

Ando pensando muito ultimamente sobre uma coisa: como estamos vivendo uma fase cheia de mimimi em se tratando de criação de filhos. É um tal de isso não pode, aquilo faz mal, tal coisa é proibida, se fizer cria trauma, se não fizer também e por aí vai.

Parece que de todos os lados vem cobrança, por acertarmos sempre, não deixarmos nada de lado, não esquecermos nem um mínimo detalhe da tal maternidade perfeita, que anda se criando por aí.

maternidade imperfeita
Photo Credit: matheuslotero via Compfight cc

Sim, se prestarmos bem atenção, vamos perceber que, em se tratando de maternidade e criação de filhos, alguns comportamentos e padrões passaram a ser exigidos ultimamente e quem não se enquadra neles passa a sofrer ferrenhas críticas.

Ou seja, não basta você se cuidar a gravidez todinha para ter uma gestação saudável, precisa parir de forma natural, sem anestesia e se possível através de um parto humanizado. Também não basta você amamentar até mais de 1 ano, quiçá 2, você também não pode nunca, jamais, em hipótese alguma dar uma papinha industrializada para seu filho.

E olha que quem vos fala isso é uma pessoa que teve um parto natural e nunca deu uma papinha industrializada, mas também é alguém que não cobra isso dos outros, que entende que cada mãe tem sua forma de maternar e entende quem opta por caminhos diferentes do dela.

Ou seja, o que mais vejo crescer por aí são mães prontas para exigirem de outras mães os seus próprios “padrões de qualidade” em maternidade. E se não os encontra, também prontas para apontar o dedo na cara e dar a entender que por tal fato elas são “menasmãe” ou “menasmain”, duas expressões que vulgarmente querem dizer mães menos qualificadas que as demais.

Gente, onde é que está escrito que há um modelo perfeito de maternidade e que quem não o cumpre é menos, ou “menas”? Onde está escrito que a mãe que fez uma cesárea vai ser uma mãe pior do que aquela que teve o filho de parto normal? Ou que aquela que amamentou só por 3 meses não é uma mão tão boa quanto aquela que deu o peito para o seu filho até 2 ou 3 anos?

Claro que aqui não quero dizer que a gente tem que sair por aí fazendo tudo de qualquer jeito, deixando de buscar o que é o melhor para nossos filhos (ou pelo menos o que nós julgamos se o melhor). Óbvio que não é isso. O que quero dizer é que se a gente escorregar de vez em quando em uma ou outra coisa, isso não matará nossos filhos e nem vai fazer da gente uma péssima mãe.

Pode ser que você não tenha tido seu filho de parto normal, mas a emoção e o amor quando ele veio ao mundo foram os mesmos de quem pariu da forma mais natural do mundo. Pode ser que você não amamentou por meses e meses, mas sempre ofereceu a mamadeira transbordando de amor e atenção. Pode ser que você não tenha condições de largar seu trabalho para viver ao lado do seu filho 24h por dia, mas, com certeza, os minutos que você está ao lado dele são os mais importantes do seu dia.

Gente, só quero dizer com esse post que cansei de tanto mimimi. Cansei de tanto “tem que ser assim, tem que fazer assado, se não você é menas”. Eu não sou menos coisa nenhuma. E nenhuma mãe é. Posso ter minhas falhas, vocês podem ter as suas, mas só estamos tentando dar e fazer o nosso melhor.

Quem muito aponta o dedo, quem muito “caga regra” (com o perdão da palavra) deveria ter mais empatia, que é a capacidade de se colocar no lugar do outro, vestir as suas sandálias, e aí sim perceber que cada história é uma história e nenhuma é melhor que a outra.

E para finalizar, o meu abraço apertado e o meu “tamojunto amiga” a todas as mães imperfeitas assim como eu.