A maternidade e a terapia        

A maternidade e a terapia


16 de setembro de 2014

Nem contei para vocês ainda, mas voltei a fazer terapia. Eu fiz há alguns anos. Fiz por tempo ao e aí interrompi quando fui morar fora do país. Quando retornei, não retomei as sessões e o tempo passou. Quando tive o Leo e não consegui amamentá-lo como gostaria, entrei em estado de choque, e fiquei tão mal que tive certeza de que um dia teria que tratar esse “trauma”.

Mas nada como um dia após o outro. Aquele meu desespero e tristeza por não ter amamentado meu filho como estava nos planos se dissipou e a necessidade de tratar esse “problema” foi embora.

a maternidade no diva
Photo Credit: ! / dino olivieri / www.onyrix.com via Compfight cc

Mas, de uns meses para cá, comecei a me sentir muito inquieta. Inquieta, irritada, estressada e impaciente. Muitas vezes bem mal humorada. E aí percebi que havia algo errado. Poxa, sou do tipo de pessoa que não tem por que reclamar da vida. E reclamo. Tenho uma família linda e saudável, um marido bacana, uma casa que eu adoro e o trabalho dos meus sonhos (fora amigos especiais, várias realizações pessoais, entre outros) . Nesse contexto todo, o que mais uma pessoa poderia querer da vida? Por que tanta irritação e, muitas vezes, frustração? O que poderia haver de errado?

Resolvi ouvir o conselho de uma amiga e levar a cabo aquilo que eu já vinha pensando há meses: resolvi retornar à terapia.

Voltei à minha antiga psicóloga, que já conhecia todo meu histórico e havia, na minha opinião, conseguido grandes feitos no período de um ano em que me tratou, e assim comecei a minha segunda fase de “tratamento”.

Quando lá cheguei, coloquei a realidade dos fatos. Falei que, na verdade, não havia um problema específico que havia me levado até lá e que o que mais andava me incomodando era o fato de eu ter praticamente tudo que esperava da vida e, mesmo assim, em muitos momentos, me sentir insatisfeita, como se alguma coisa estivesse faltando.

Além disse, falei que queria começar a colocar as coisas no lugar. Eu tinha tido um filho há dois anos, tinha passado pela experiência mais transformadora da minha vida e sentia que, algumas coisas precisavam sim serem colocadas no seu lugar. Sentia que a chegada do Leo, de alguma forma, havia me afastado um pouco de mim mesma (tanta dedicação ao filho, tão pouca a mim), tinha interferido em questões que sempre foram muito importantes para mim (como a questão da liberdade, por exemplo), e, em alguns momentos, tinha botado a minha vida de pernas para o ar e eu não sabia exatamente como organizá-la de novo.

Ah, e além disso, comentei que estava pensando em engravidar novamente e que queria me preparar melhor, psicologicamente, para a chegada desse segundo filho. Que, da primeira vez, passei a gravidez toda trabalhando a parte prática de ser mãe (lendo centenas de livros com milhares de dicas), mas muito pouco para a parte emocional dessa intensa aventura. Disse que, para mim, era muito importante discutir profundamente as mudanças e interferências da maternidade na minha vida, para entender melhor o que estou vivendo e me tornar a melhor mãe que posso ser para os meus filhos.

Enfim, foi mais ou menos isso que falei para a minha terapeuta no nosso primeiro encontro e, já no segundo, uma semana depois, dei a notícia de que estava grávida.

Acho que minha intuição, já mais exacerbada por estar grávida, me fez voltar ao consultório da minha antiga terapeuta. Me fez ter vontade de colocar algumas coisas no lugar antes de eu me tornar mãe pela segunda vez. E agora, aqui estou eu, fazendo terapia para, principalmente, discutir as mudanças que a maternidade trouxe à minha vida e tentar entender de onde vem essa minha tendência tão profunda à insatisfação, a achar que sempre está faltando algo e a não conseguir desacelerar, parar, reduzir o ritmo (dentre outras coisas).

Com certeza, trarei muitos aprendizados dessas sessões para cá, para o blog, e compartilharei com vocês ricos insights. Na verdade, já estou com uma listinha de posts na cabeça, com muitos assuntos prontinhos para sairem do forno e acho que vocês vão curtir.

E aí, quem de vocês também faz terapia, faz análise, tenta se conhecer e se tender um pouco melhor? E isso ajudou-as a se tornarem mães melhores também? Compartilhem as suas experiências que eu e outras leitoras agradecemos de coração a colaboração.