A minha experiência (frustrante) com a amamentação

A minha experiência (frustrante) com a amamentação


13 de Fevereiro de 2014

amamentacaoQuando eu estava grávida do Léo, tive uma conversa com uma amiga querida e suas palavras me marcaram muito. Ela me contou detalhes sobre a sua experiência com a amamentação e eu nunca mais esqueci o que ela me disse. Primeiro, ela me preparou para o fato de que amamentar não é fácil. Ela falou sobre todas as dificuldades iniciais que teve. Contou que seu peito ficou tão, mas tão machucado que, certa vez, seu filho vomitou leite com sangue. Desesperada por achar que era alguma coisa séria, ela o levou correndo ao pediatra, que pediu para ver o bico do seio dela e deu o veredito: “Esse sangue é seu. Seu peito está tão machucado que, quando o Lucas mama, ele ingere sangue junto e depois vomita.”.

Mas esse foi só o lado B da história. Logo em seguida, ela veio com o lado A: “Mas, Shi, vale à pena. Vale à pena toda a dor, todo o sofrimento, todo o choro (sim, ela amamentava chorando), pois depois que as primeiras semanas passam, tudo é muito diferente. O que fica é aquele prazer enorme de ver a cria no seu  peito, vocês dois trocando olhares, a carinha dele de saciedade, um amor que não cabe em si”. E ela ainda disse: “O Léo vai tocar o seu peito com aquela mãozinha fofa e quentinha, você vai sentir o cheirinho dele e quando terminar de amamentar, você vai sentir como se tivesse tido um orgasmo. É um prazer sem explicação”.

E é claro que eu gravei muito mais o segundo relato que o primeiro. É claro que só queria sabe da parte boa, mas, no meu caso, o que houve é que nem a primeira nem a segunda parte da história aconteceram. O que quero dizer é que eu não tive os peitos machucados nem toda essa dor horrenda que a minha amiga contou. Mas eu também não senti todo aquele prazer de amamentar. Desde o início, amamentar o Léo foi um desafio. Primeiro, porque meu leite demorou bastante para descer (quatro dias), depois, porque quando ele desceu, não sei se porque era pouco ou o que, mas o Léo começava a mamar e dormia. Sim, ele dava duas sugadinhas pegava no sono e não tinha cristo que o fizesse acordar.

No desespero para o Léo mamar, chegamos a recorrer a uma consultora de amamentação, que veio até a nossa casa ver o que estava acontecendo e nos orientar, mas mesmo assim as coisas não se resolveram 100%. Vendo que ele ia para o meu peito e dormia segundos depois, ela sugeriu que eu usasse uma sonda para amamenta-lo e lá fui eu. Vasculhei meia São Paulo atrás da tal sonda e encontrei. Assim que a sonda entrou na nossa rotina, as coisas melhoraram um pouco (ele mamava sem dormir), mas eu tinha que usar dia e noite, diversas vezes ao dia (todas as vezes que amamentava) e com a ajuda da minha mãe e do meu marido (eu segurava o Léo, o Otávio segurava o caninho da sonda, minha mãe as mãozinha do pequeno para ele não puxar a parafernália toda e termos que começar tudo do zero).

E assim foi. Por mais de um mês, eu usei a tal da sonda. E usei também bombinha de sucção e fiz tudo que me mandavam para ter mais leite. Nesse tempo todo, me cobrei, me culpei, me questionei e simplesmente não entendia por que as coisas estavam sendo assim. Por que eu não tinha leite suficiente. Por que por mais que eu fizesse, ainda continuava sendo complicado.

Mas aí, pouco a pouco, as coisas foram melhorando. O meu leite foi aumentando e eu achei que a fase difícil tinha passado. Ledo engano. Aumentou meu leite, começou o refluxo oculto do Léo (causado pela sua APLV). Nesse momento, eu tinha leite, sabia que tinha, via que tinha, confiava que podia amamentar o Léo, mas aí era ele que não conseguia mamar. Toda vez que ele vinha mamar, ele abocanhava meu peito, sugava um pouco e começava o berreiro. Léo gritava como se a gente estivesse batendo nele e jogava o corpinho para trás. Como ele não regurgitava, demorou um pouco para identificarmos o refluxo e aí, cada vez que eu dava o peito, era aquele desespero.

Minha vontade era de chorar. Na verdade, eu chorei várias vezes. Como é que podia uma criança sofrer tanto enquanto mamava? Não devia ser uma hora de prazer máximo para nós dois? Mas não foi. Se foi dolorido para o Léo mamar (o refluxo deixou-o com esofagite), para mim foi dilacerante vê-lo sofrendo enquanto estava no meu peito. Algo digno de eu achar que precisaria de terapia para superar o trauma.

E assim foi, aos trancos e barrancos, até o Léo ter quase três meses, período que ele parou de mamar no meu peito definitivamente. E quem pensa que a partir daí as coisas ficaram mais fáceis, afinal, dar mamadeira é algo “simples”, está totalmente enganado. Para mim foi horrível dar mamadeira para o Léo, pois eu queria, muito, muito, muito amamentar. E, até ele completar seis meses, eu só dava de mamar longe dos olhares recriminadores de quem não sabia toda a nossa história (nunca dei mamadeira em público para ele até ele ter seis meses!!! Isso mesmo que vocês leram!). E completando esse quadro, tinha o fato do refluxo oculto do Léo ter demorado para passar e ele continuar chorando para mamar por meses, e meses, e meses.

Enfim, essa é a minha história. Que já foi abordada aqui algumas vezes. Mas hoje senti que era hora de tocar no assunto de novo. Primeiro porque hoje já consigo falar sobre o assunto sem grandes traumas e depois porque vejo muitas mães em frangalhos porque estão vivendo algo bem parecido. E então, estou usando esse post para dizer:  VOCÊ NÃO É A ÚNICA. Você, eu e um tantão de mães não tem a experiência da amamentação como nos seus sonhos e é assim mesmo. O que importa é que a gente fez ou faz a nossa parte, que a gente tentou ou segue tentando o nosso melhor e aí, se não deu, não deu e pronto. Bola pra frente e vamos ser felizes,  curtir nossos filhotes lindos e fofos que é isso que eles precisam. E sem peso na consciência e dor na alma, porque, vamos ser sinceras, ninguém merece. Nem nós, nem eles!

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