Reação do Leo à chegada do Caê

A reação do Leo à chegada do Caê


26 de Março de 2015

Muita gente me escreve pedindo para contar como está o Leo depois da chegada do irmão por isso, hoje, estou aqui para falar sobre isso.

Bom, como vocês sabem, aqui em casa tentamos “preaparar o terreno” para a chegada do Caê, para que as coisas não fossem tão complicadas e “estranhas” para o Leo quando o irmãozinho nascesse (aqui no blog dei algumas dicas do que estava fazendo nesse sentido. Veja esse e esse post). Entretanto, por mais que a gente tivesse se antevisto ao “estranhamento” do pequeno, é claro que na prática a teoria foi outra.

reacao do leo
Imagem de arquivo pessoal. Todos os direitos reservados. Sua reprodução não está autorizada.

 

A verdade é que o Leo ficou com bastante ciúmes do irmão nos primeiros dias. Lembro que no primeiro encontro deles na maternidade (veja o post sobre isso aqui), de início, o Leo foi super carinhoso com o irmão, mas depois teve uma crise de ciúmes. No dia seguinte, algo bem parecido. Ao mesmo tempo que ele pedia para ver o irmão, que estava tomando banho de luz no berçário, e pegá-lo no colo, ele gritava, chorava e pedia para ir embora dali. Ou seja, sentimentos paradoxais.

Depois que chegamos em casa, seguiu o baile. Leo queria sempre beijar e fazer carinho no irmão, mas quando a gente via, estava puxando ou apertando o pé dele, fazendo carinhos “exagerados” na cabeça, ou tentando abrir o olho do irmão enquanto este dormia.

Leo é uma criança intensa, assim, toda vez que ele se aproximava do Caê, a gente ficava por perto, com medo que no afã de fazer carinho no pequeno ele exagerasse um pouco e o machucasse. Como tinhamos esse receio, acabamos não incentivando muito o contato dos dois, algo que é super indicado para diminuir o ciúmes entre os irmãos.

Por um bom tempo – chegou a quase um mês – as coisas foram bem complicadas por aqui. Leo ficava “surtado” quando estava em casa, tinha crises de birra, de chutar e gritar dizendo que eu não podia amamentar, queria fazer carinho e pegar no colo o irmão, mas acabava, muitas vezes, quase machucando-o sem querer ou até conscientemente. Enfim, foi complicado.

Uma coisa que achamos que iria acontecer, no fim, não aconteceu por aqui. Falo do medo que eu tinha que por conta do ciúmes da minha relação com o Caê, ou da relação do pai com o Caê, Leo começasse a nos “desprezar” e tratar mal, o que é bem comum. Isso não houve. Pelo contrário, Leo está querendo bastante a minha companhia e do pai e nos pede isso. E a gente se desdobra em mil para dar atenção, pois sabemos que é um momento delicado.

As professoras também relataram que lá ele tem demonstrado que está sentindo a chegada do irmão. Uma das coisas que elas falaram que ele faz é reunir todos os brinquedos no meio das pernas na hora de brincar e ficar protegendo-os para nenhuma outra criança brincar. Não sei exatamente o que isso significa, porque acabei não entrando em detalhes na nossa conversa para entender melhor, mas segundo a professora, é algo positivo, pois ele está colocando para fora as suas inseguranças e sentimentos.

Quando o Caê completou um mês, as coisas acalmaram um pouco. Leo ainda tem ciúmes do irmão, claro, mas sua reação está mais amena, mais “leve”, menos escandalosa. Quando ele me vê amamentando ele não tem mais crises de birra (ou raramente acontece), não grita e chuta as coisas. Agora ele olha, diz que quer fazer carinho, faz um pouco e logo sai.

A impressão que dá é que ele está perdendo aquele “interesse” absurdo que tinha pelo irmão até pouco tempo, como se o Caê estivesse perdendo a graça e assumindo a importância e o espaço que realmente tem dentro da casa (e nao aquela coisa enorme que o Leo via). Agora ele está mais sereno, querendo claro a nossa atenção sempre que dá, mas aceitando melhor quando não é possível.

E o que eu tirei de tudo isso:

1. Não é fácil. Por mais que a gente se prepare, vai rolar ciúmes. E se a criança é ciumenta e “intensa”, como é o Leo, as coisas tendem as ser mais complicadas ainda.

2. Mas essas demonstrações públicas de ciúmes do mais velho são positivas. Ele colocar para fora o sentimento é bom, mesmo que seja cansativo para nós, pais. Ouvi isso da professora e também de uma psicóloga.

3. Temo, por mais que tente, não conseguir dar para o Leo a atenção que ele precisa nesse momento. E mais do que isso, temo estar sendo dura demais com ele. Como estou cansada, tendo que dar conta de dois e como ele está bem birrento, a minha paciência está mais curta e, muitas vezes, acho que estou sendo bem dura com o Leo, para tentar colocá-lo na linha (falta tempo, falta paciência, aí já viu né, a gente pede uma vez e se não rola não tem paciência para negociar muito).

4. Diálogo é o caminho que tenho seguido. Sempre que o caldo engrossa por aqui, eu explico para o Leo o que estamos vivendo e como aquela situação é necessária naquele momento. Pergunto se ele entendeu, peço para ele falar também e aí percebo que as coisas vão se acalmando e entrando nos eixos. E se ele não acalmar, não insisto muito no assunto. Deixo-o chorar até passar a raiva. Pois se eu fico falando e falando e falando, parece que só piora.

5. Percebi que ter um pouco de rotina (se isso é possível com um recém nascido) ajuda e muito. No final do dia temos mais rotina que no início da manhã (no resto do tempo Leo está na escola) e percebo que essa rotina ajuda o Leo a ficar mais calmo, a saber o que esperar, a aceitar que naquele momento não vou estar com ele porque estou fazendo outra coisa.

Bom, exercer a maternidade não é viver num comercial de margarina. Bom se as famílias na vida real fossem como essas que a gente vê nos comerciais, mas é claro que não é. Então, assim, a gente vai levando como dá. Tendo uns rompantes de falta de paciência mas, também, por outro lado, dando muito amor e fazendo uso do diálogo na maior parte das vezes.

Assim, uma hora, tudo entra nos eixos. Creio eu.