Amamentação: como enfrentar as maiores dificuldades

Amamentação: como enfrentar as maiores dificuldades


16 de Janeiro de 2015

No post de hoje, a Gabriela Giacheta, consultora em amamentação que escreve a coluna Aleitamento Materno aqui do blog MdM, irá abordar um tema bastante importante: as maiores dificuldades que mães e bebês enfrentam no processo de amamentação. Ou seja, os problemas mais comuns e que costumam interferir nessa experiência que deveria ser tão tranquila e natural entre mãe e filho.

Caê está para chegar, estou me preparando física e emocionalmente para amamentar, e estou adorando as dicas da Gabi. Boa leitura!

dificuldades para amamentar 1
Photo Credit: twentysixcats via Compfight cc

Amamentação – Maiores dificuldades. Você imagina quais são???

Por Gabriela Giacheta

Olá mamães, como estão???

Hoje estou aqui para falar do pós-parto, de quando chegamos em casa e a ficha de que temos em mãos uma vida para ser cuidada começa a cair. E agora? Por onde começar? O que fazer? E as visitas?

Bom, vamos por partes. Acho que fica mais fácil colocar as situações em itens. Preparados para começar? Vamos lá!

>>> Confira, nesse vídeo, 10 dicas para aumentar a produção de leite:

  • Mamadas. Ahhhh esse é um item importantíssimo. Infelizmente escutamos muitas orientações erradas, como deixar o bebê mamar 15 minutos em cada lado, mamar a cada três horas (nem antes, nem depois), enfim. Como todos sabem, sou a favor da livre demanda. Se o bebê está desenvolvendo-se adequadamente, esqueça o relógio. Existem bebês mais preguiçosos e que apresentam dificuldade em realizar a pega e mamar adequadamente. Nesses casos, costumo orientar que, quanto mais ele ficar no peito, melhor vai ser porque ele precisa descobrir que é do seio que vêm o alimento, ou seja, ele precisa ser mais estimulado. Nesses casos, de bebês que precisam de estímulos, oriento não deixar mais que quatro horas sem oferecer o seio e isso geralmente se regulariza nas primeiras semanas de vida. Depois disso, manter a livre demanda, ou seja, quando mãe ou bebê sentir necessidade. Lembrando que cada bebê cresce e desenvolve-se em um ritmo. Assim, não fique comparando seu filho com o sobrinho, filho da amiga ou da vizinha.
  • Bicos Machucados. Qual mulher não teme isso??? As fissuras ocorrem na maior parte dos casos devido à pega errada. Às vezes, uma mamada com a pega incorreta pode ocasionar fissuras e esse “acerto” ou “desacerto” da pega geralmente acontece ainda na maternidade. Mães de bebês que pegam corretamente e são posicionados da maneira certa para mamar raramente apresentam fissuras. Então, não esqueça da importância de preparar-se, ler e informar-se sobre a pega correta (fique atenta na maternidade e solicite ajuda sempre que for preciso). E lembrem-se também que fissuras podem acontecer quando as mamas estão ingurgitadas. Nessas situações, a aréola fica inchada, o bico retraído e o bebê apresenta maior dificuldade para fazer a pega correta, o que pode causar ferimentos.
  • Massageando as Mamas. Meninas, as mamas devem ser massageadas antes de todas as mamadas, inclusive a aréola, que com a apojadura pode ficar mais inchada. Sem preparar as mamas, o bebê apresenta mais dificuldade para extrair o leite, se cansa rapidamente e dorme. Logo em seguida acorda chorando e solicita o peito novamente, as mamas continuam cheias (já que o bebê não consegue mamar adequadamente) e pode ocorrer um ingurgitamento mamário. Então, massageie as mamas antes de todas as mamadas e, após sair gotinhas de leite, ofereça ao bebê.
  • Mamadas Noturnas. Importantíssimas, já que o pico de prolactina (hormônio responsável pela produção de leite) acontece à noite e é isso que garante o leitinho do dia seguinte. Não evite mamadas noturnas, muito menos dê mamadeira à noite. O bebê e você precisam das mamadas noturnas, pense nisso.
  • Mamoplastias. As cirurgias plásticas (tanto redução quanto aumento das mamas) geram insegurança para a gestante. Elas, na maioria das vezes, pensam e são induzidas a pensar (leia aqui informações e afirmações incorretas) que não vão conseguir amamentar. De cara, logo na maternidade, já são desencorajadas a oferecer o seio, o bebê recebe um complemento e nem há tentativas de translactação. A recém mãe frustra-se, se enche de tristeza e sentimento de impotência. Para você que já fez mamoplastia, procure ajuda especializada ainda na gestação.

>>> Leia mais: Amamentação e silicone – é possível?

  • Conchas e Absorventes. Jamais permaneça com os absorventes que são fonte de proliferação de bactérias devido ao calor. Coloque apenas quando for sair e por pouco tempo. As conchas são uma boa opção, no entanto, jamais pode-se deitar, cochilar ou dormir com elas. Esse ato pode machucar os seios internamente e causar sérios danos. Se você estiver com as mamas ingurgitadas muita cautela porque elas podem comprimir a região areolar, nesses casos, é melhor não usar.

>>> Veja mais sobre ingurgitamento mamário

  • Sutiã. Compramos vários na gestação e depois descobrimos que, na verdade, um sutiã inadequado pode ser um problema. Evite aqueles sutiãs que formam um “triângulo” na mama, esses podem comprimir as mamas na fase da apojadura e, em casos de ingurgitamento, obstruir o fluxo de leite o que causa dor. Opte por sutiãs que ofereçam sustentação, mas que deixem as mamas “livres”. Eu usava muito top e, quando ia amamentar, tirava tudo. Deixava o sutiã para quando íamos sair.
  • Intermediário (ou bico de silicone, como também é conhecido). Você conhece esse “acessório” que muitas maternidades atualmente já orientam a usar logo no primeiro dia de vida do bebê? Pois bem, é um bico de silicone que você coloca no seio e ele fica entre o bebê e a mama. Muitas dizem que é para o bebê “aprender a mamar”, “previne as fissuras”, enfim. Esse intermediário é super desfavorável para a amamentação. Ele gera no bebê uma confusão de bicos e, na maioria dos casos, o bebê passa a rejeitar a mamar sem ele. Acontece que ao mamar pelo intermediário o bebê não consegue extrair todo o leite necessário, se cansa e não fica saciado (apenas a sucção direta no seio é que deixa o bebê saciado), solicitando mamar logo em seguida. Esse acessório também prejudica a produção de leite em até 20%. É algo indicado em casos extremos e sob orientação profissional.
  • Sucção. Você provavelmente já viu mães que relatam que o bebê fica pendurado no seio 24 horas por dia. Não é raro. Aliás, raros são os bebês que mamam regularmente e dormem nos intervalos. O bebê realiza a sucção para satisfazer sua necessidade nutricional e sua necessidade emocional que é tão importante quanto. Eles só sabem sugar e precisam disso. Claro que nós, seres mortais, nos cansamos. Muitas vezes informo para as mães que amamentam exclusivamente que o peito pode ser oferecido na cama, com ambos deitados. Elas acham o máximo porque de cara pensam: vou descansar enquanto amamento. Faça sem medo e lembre-se: mamadeira apenas com bebê sentado e peito, até de ponta cabeça, rsrsrs. Paciência, persistência e amor. Os primeiros três meses passam rápido e as coisas, inclusive a intensa necessidade de sugar, vai melhorando gradualmente (importante: ao amamentar deitada, fique atenta a duas coisas: 1) a cabeça do bebê deve ficar mais elevada que o tronco para evitar que o leite chegue até os ouvidos e cause otites. 2) cuidado para não adormecer e acabar deitando sobre o bebê).

>> Veja também: Pega correta do bebê na amamentação

  • Colo. Gente, ultimamente isso não esta sendo tão aceitável né?! É só carregar o bebê que os palpites logo chegam: “vai acostumar ma”, “quero só ver depois”, “colo estraga”. Caras, o que estraga é deixar chorando para “ensinar”, violência física e verbal e deixar de dar colo para o bebê ser mais independente. Seu filho vai ter tempo para adquirir independência e quanto mais colo e apego você oferecer agora, mais seguro ele será. Acredite nisso, acredite nos seus instintos. O bebê não nasce porque esta pronto, ele nasce porque, com doze meses, não passaria pelo canal vaginal. Dessa forma, os três primeiros meses de vida do bebê é quando você, mãe, está terminando de gestar. Pense assim e então irá conseguir entender melhor  porque se deve deixar sugar livremente e o porque não se deve negar colo. O final da sua gravidez acontece com o bebê fora do útero. Para ajudar nessa fase, temos os carregadores de bebê (eu particularmente amo o wrap sling) que fazem o papel de “barriga de transição” e são excelentes quando usados corretamente.
  • Visitas. Causa problemas e discórdia muitas vezes (risos!). Gosto de visitas, desde que poucas e por pouco tempo. Graças a Deus, recebi poucas e verdadeiras visitas e com pouco tempo de duração. Geralmente, o marido adora receber os amigos e a mulher, recém-parida, quer sumir. Acho que as visitas devem ser rigorosamente limitadas no primeiro mês, que é quando a adaptação esta mais complicada. Se é uma mãe que esta com dificuldades na amamentação, uma visita pode ser um desastre. Imagina a situação de você estar insistindo na amamentação, fazendo uma translactação por exemplo. A visita chega e o bebê pede para mamar. Você faz todo o esquema para amamentá-lo e, como qualquer bebê, ele chora. De cara a visita fofa já solta: “Nossa, tadinho. Porque você esta fazendo isso com ele? Ele deve esta sentindo fome. Por isso que esta tão pequeno. Você tem certeza que precisa fazer isso?” Pronto. Acabou. A mãe fica totalmente desestruturada, o bebê sente a insegurança da mãe e também fica mais irritado e o ambiente fica alterado por horas. Às vezes, um trabalho de dias vai por água abaixo em questão de minutos. Sem contar os outros milhares de palpites que muitas vezes vêm com falas do tipo: “Nossa, pra mim isso deu muito certo”, “Acho melhor você fazer isso”, enfim. Dessa forma, penso que é melhor liberar as visitas apenas quando você estiver se sentindo mais segura. Claro que há visitas que são impossíveis de não receber (leia-se aqui pais, sogros, tios). Nesses casos, prepare-se psicologicamente e faça o exercício de “entrar por um ouvido e sair pelo outro”.

>>> Veja também: Visitar recém nascido – regras de etiqueta para as visitas 

A maternidade é descoberta, dia após dia, é aprendizado e doação. Bebês choram (alguns mais outros menos, no entanto, vale lembrar que um bebê saudável chora de 2 a 3 horas por dia), bebês mamam (alguns em intervalos maiores que outros), bebês precisam de colo (alguns mais e outros menos), enfim. Bebês requerem cuidados e não, sua vida não será como antes. Se vai ser melhor? Na minha opinião, sim, mas há dias que nos questionamos, que sentimos falta de um tempo só pra nós, que algumas horas sozinhas e fazendo algo em prol de si mesma é como um dia de spa. Isso é normal, afinal somos humanas. Só penso que, atualmente, falta um preparo ainda na gestação de que um bebê requer (e muito) de nós mães. Muitas de nós pensamos que ele irá mamar e dormir três horas seguidas e na prática isso não ocorre.

Durante a gestação o bebê é fantasiado, projetado e, ao nascer, nos deparamos com “outro” bebê e já podemos sentir logo nos primeiros dias algum tipo de frustração.

Calma, respira, aceite e entregue-se. Lembre-se que cada bebê é um, cada mãe é uma e sim, somos capazes.

Veja também: Recém Nascido – 10 dicas incríveis para mães que acabaram de ter um filho

Colunistas MdM - enfermeira Gabriela