APLV (Alergia à Proteína do Leite de Vaca) - um problema nem sempre fácil de ser identificado | Macetes de Mãe

APLV (Alergia à Proteína do Leite de Vaca) – um problema nem sempre fácil de ser identificado


21 de agosto de 2012
aplvOlá! Quanto tempo, hein! Não sei se vocês perceberam, mas não escrevo há mais de um mês. Nem quando o Léo nasceu eu fiz um intervalo tão grande. Claro que isso me deixou triste, mas não tive outra alternativa.Mas o meu sumiço tem nome, e ele se chama APLV – alergia à proteína do leite de vaca. Essa coisinha infame apareceu nas nossas vidas ao poucos, mas num determinado momento tomou conta de tudo.
O Léo, meu pequeninho, foi diagnosticado com APLV no dia 1 de agosto, mas a mamãe aqui já estava desconfiada desde que ele tinha, mais ou menos, um mês.Bom, vamos lá que vou contar toda a história para vocês, quem sabe assim, isso não abre os olhos de outras mães e ajuda a melhorar a vida de muita gente.Desde que o Léo nasceu amamentá-lo foi um desafio. Já contei aqui que o meu bichinho costumava dormir enquanto mamava e o negócio não evoluia muito bem. Acabamos dando complemento para ele e ele ficou por um bom tempo tomando LM e LA. Pois quanto o pequerrucho resolveu começar a mamar melhor, dormir menos no meu peito, ele deu para chorar durante as mamadas. O negócio começou aos poucos. Primeiro ele só chorava quando mamava e soltava puns, mas depois foi piorando.

Como ele só tinha crises de choro e soltava meu peito quando tinha algum pum envolvido, minha pediatra disse que era cólica. E só isso. Aceitei e fui rezando a cada dia, cada hora, cada minuto para que os terríveis três primeiros meses e suas horrendas cólicas passassem logo.

Mas o negócio foi evoluindo e afirmo que não foi para o bem. Os choros nas mamadas e a sua frequência foram aumentando. E o choro que costumava ser só quando ele mamava no peito evoluiu para as mamadas de mamadeira também. O negócio chegou no seu auge no dia 20 de julho, dia que o Léo não conseguiu sequer mamar, de tanto que chorava e se contorcia. E para completar teve diarréia, coisa que em se tratando dele, bebezinho com intestino super preso, não era nada normal.

Nesse dia eu, que há muito tempo já desconfiava de APLV e vinha lendo tudo a respeito, fiquei com as orelhas e os cabelos ainda mais de pé. Infelizmente minha pediatra estava de férias e eu teria que aguardar sua volta para poder tirar minha dúvida. Ela retornou no dia 1 de agosto e lá fomos nós levando em mãos o nosso bebezuco.

Assim que fui narrando o que estava se passando com o Léo e afirmando que não sairiam do consultório com outro atestado de “apenas cólica e isso passa em três meses” a pediatra foi tendo mais certeza do que se tratava: refluxo oculto, com possibilidade de APLV.

No início ela achou que fosse só refluxo oculto porque ele apresentava alguns sintomas muito claros: chorava toda vez que costumava mamar, arqueava as costinhas para trás, algumas vezes mamava bastante, mas em outras quase nada, não tinha uma rotina para nada (nunca consegui organizar uma rotina no dia dele) e quando engolia fazia um barulhinho estranho, como se algo estivesse caindo num vazio. Entretanto, como eu havia comentado que ele estava tendo diarréia há alguns dias, a possibilidade de APLV não estava descartada.

Mas assim que a pediatra tirou a roupinha do Léo para pesá-lo ela não teve mais dúvidas: o refluxo que ele apresentava era, na verdade, um dos sintomas da APLV. Ele estava com a pele cheia de manchas vermelhas (não muito fortes) e também bem seca. Outro sintoma bem característico desse problema.
Bom, com o diagnóstico em mãos fui orientada a fazer uma dieta com restrição absoluta de leite e seus derivados e a dar para o Léo um leite chamado Neocate.

Apesar de saber que meu filhote tinha um problema que não era tão simples assim, fiquei aliviada. Até que enfim sabia o que ele tinha e poderia tratá-lo adequadamente (e tive certeza que minha intuição de mãe realmente não falhara). Por outro lado, teria que encarar dois probleminhas: a dieta que eu teria que fazer para continuar dando LM para ele era um horror. Eu teria não só que cortar leite e derivados, mas também cuidar para não consumir nada que tivesse qualquer traço de leite (a famosa contaminação cruzada). E isso incluia, por exemplo, não usar mais cosméticos que tivessem leite na sua composição, não comer qualquer produto que tivesse sido preparado em um local que antes tivesse contato com leite (como um presunto que foi cortado numa máquina onde foi cortado queijo) e por aí afora. Além disso, o tal maravilhoso Neocate, único leite em pó que, com 100% de certeza, não causaria alergia nele, por conter aminoácidos em vez de proteínas, custa uma pequena fortuna: R$ 160 a lata de 400g.

Nada fácil né! Em conversa com meu marido decidi alimentar o Léo só com leite em pó para evitar qualquer contaminação e consequentemente qualquer crise no Léo. No início, isso foi bem difícil para mim. Eu estava abandonando de vez a amamentação, algo que apesar de todos os perrengues eu tentei muuuuuiito levar adiante. Fiquei triste, mas não desisti da decisão.

Agora o desafio seria conseguir o leite em pó para alimentá-lo. Como tive duas amigas que passaram pelo mesmo problema com seus filhotes eu sabia que era possível conseguir esse leite via SUS, entretanto, isso levaria um tempinho, já que eu teria que reunir vários documentos e dar entrada no processo. Por sorte, uma grande amiga, que já tinha encarado e superado esse perrengue com sua filhota, me cedeu algumas latas e salvou a minha vida (Lili!!! Super obrigada! Serei agradecida para sempre por isso!).

Iniciamos o “tratamento” do Léo no mesmo dia (o tratamento consistia em substituir o leite em pó normal pelo Neocate e dar diariamente para ele Losec Mups e Mylanta Plus). A pediatra havia me avisado que o ele poderia ter alguma dificuldade para aceitar o leite, porque ele tinha um gosto péssimo, mas contrariando a sua afirmação, ele simplesmente AMOU o tal leite. Nunca tinha visto ele tomar uma mamadeira com tando gosto. Mais um indício de que ele tinha mesmo a tal alergia.

Dormi essa noite feliz e realizada. Meu pequerrucho estaria curado em breve, pelo menos era isso que minhas amigas haviam afirmado.

Entretanto, as coisas não correram bem assim. Os dias foram passando e o Léo foi mantendo todos os sintomas: choro nas mamadas, cocô aguinha, alergia, etc… Só o que havia melhorado, e muito, era a quantidade de puns que ele soltava por dia (coisa que ele sempre fez muito!).

Resolvemos procurar um gastropediatra e tirar a limpo a história. Uma semana depois do diagnóstico feito pela minha pediatra procuramos o dr. Ricardo Toma, um conhecido gastropediatra aqui de São Paulo. Assim que chegamos lá e narramos toda a história ele manteve o diagnóstico: APLV. Dificilmente poderia ser outra coisa, já que além de todos os sintomas claríssimos, ainda havia alguns outros detalhes que indicavam se tratar mesmo disso: o Léo havia tido contato com a proteína do leite de vaca, via leite em pó, muito cedo (com 4 dias, já que tive que dar LA para ele porque meu leite demorou muito para descer), eu e meu marido temos alergias (eu rinite alérgica e bronquite, ele alergia cutânea desencadeada por stress) e temos outros casos de crianças com APLV na família (cinco primos do meu marido tiveram esse problema quando bebês).

Mais claro impossível, mas porque meu bebê não havia melhorado mesmo não tendo mais nenhum contato com a proteína do leite de vaca? Isso porque os sintomas podem levar até 8 semanas para desaparecem totalmente. Isso porque meu bebezuco estava todo machucadinho por dentro (esofagite e colite) e até curar 100% levaria um tempo. Ai Jesus!!! Dai me forças! Foi só o que eu pensei quando ouvi isso.
Bom, saí de lá munida de muita paciência e calma e pronta para encarar mais dois meses de possíveis difícieis momentos. Como o dr. afirmou, ele teria dias de altos e baixo e isso fazia parte do processo de cura.

Hoje faz quase três semanas que ele começou a tomar o Neocate e quase duas semanas que conversamos com o gastropediatra. Hoje foi o dia mais tranquilo que o Léo já teve desde que nasceu. Ele esteve ótimo, quase não chorou para mamar (em apenas uma mamada ele teve refluxo) e dormiu super bem, tanto à noite quanto de dia.

Sei que ele não ficará tão bem assim pelas próximas semanas, que terá os tais dias difíceis que o pediatra avisou que haveria, mas agora tenho certeza que as coisas estão MESMO melhorando.

Hoje olho para trás e tenho cada vez mais certeza que para termos o diagnóstico do problema relativamente cedo (tem crianças que são diagnosticadas com 7 ou 8 meses, e até lá vão sofrendo) foi foi imprescindível o meu questionamento ao diagnóstico inicial da pediatra (cólica) e a minha curiosidade em ler tudo a respeito desse problema. Sabendo muito sobre todos os sintomas que essa doença causa eu cheguei no consultório dos dois pediatras munida de informações e pude passar para eles um quadro claro e detalhado, tanto dos sintomas do Léo quando do histórico da família com relação ao problema e isso ajudou MUITO!

Meu conselho para as mães que tem um bebê “chatinho” em casa, que tem dificuldade para mamar ou dormir, é desconfiar de refluxo oculto ou de APLV e começar a ler tudo a respeito, para ajudar seus pediatras a diagnosticarem o quanto antes o verdadeiro problema que acomete seus filhotes.

Infelizmente, ainda não há um exame que confirme com 100 % de certeza a existência APLV em bebês. Na verdade, os exames até existem (um deles é sangue oculto nas fezes), mas muitos dão como resultado falso negativo (caso do Léo).

Se seu filhote apresenta alguns ou vários dos sintomas abaixo, fique de olhos bem abertos. O quanto antes você diagnosticar o problema, nenos sofrimento para seu bebê, para você e para toda a família. Além disso, quanto antes se encontrar o diagnóstico certo, antes o bebê poderá estar curado (muitos deles estão curados quando completam 1 ano de idade, tantos outros ao chegarem aos 3 anos, e apenas alguns vão levar o problema até a vida adulta).

Sintomas que estão ligados à APLV:

:: Sistema Gastrointestinal: cólica, vômito, diarréia, sangue nas fezes, constipação, gases, colite e náusea.
:: Sistema Respiratório: nariz escorrendo, espirros, tosse, asma, congestão, bronquite, coceira no nariz, sintomas de gripe, respiração pela boca e respiração difícil.

:: Olhos: olhos lacrimejantes, vermelhos, círculos escuros, coceira e
conjuntivite.

:: Sistema Nervoso Central: irritabilidade, perda de sono, tontura prolongada e cansaço.

:: Pele: eczema, dermatite, urticária, vermelhidão, vermelhidão no reto, coceira, inchamento dos lábios, boca, língua e garganta.

:: Outros sintomas: infecção no ouvido, perda de peso, suar em excesso, baixo rendimento escolar, dificuldade de convivência, depressão e choque anafilático.
PS: meu filhote teve apenas os sintimas gastrointestinais e de pele, que são os mais comuns, mas a alergia também pode atacar o sistema respiratório e nesse caso costuma ser ainda mais perigosa.

Se você quiser saber mais a respeito desse problema, super indico os seguintes blogs. São excelentes:

http://alergiaaoleitedevaca.com.br
Leia outros posts, aqui no blog, sobre esse assunto: