As boas surpresas da vida

As boas surpresas da vida


4 de agosto de 2014

Há algumas semanas, eu e o Leo adoecemos juntos. Foi um período bem difícil, eu cansada, acabada, e ainda tendo que cuidar do pequeno. Quando me convenci que não ia dar conta do tranco sem me tratar, procurei um pronto socorro. E como quando vou ao pronto socorro sempre fazem radiografia da cabeça (quase sempre é sinusite) e me entopem de remédios, resolvi fazer um exame de gravidez para descartar qualquer risco (minha menstruação não estava atrasada nem nada, mas o seguro morreu de velho. Naquele mês eu não havia me cuidado como deveria, então, a pulga estava atrás da orelha).

as boas surpresas da vida 3
Photo Credit: The hills are alive* via Compfight cc

Exame feito, resultado negativo, lá fui eu para o hospital e, claro, de lá saí com o meu tradicional diagnóstico de sinusite (nem foi necessário raio X) e vários remédios para tomar. Por fim, passados mais alguns dias, como já era de se esperar, a minha menstruação desceu. Ainda naquela semana confusa, corrida e super cansativa  (minha exaustão era tanta que, durante esses dias, eu bati o carro na garagem duas vezes, colocava o Leo para dormir e pegava no sono antes dele, esquecia compromissos marcados e um tanto de outras coisas).

 

Assim que as coisas acalmaram e que nós dois melhoramos, o que ocorreu na semana seguinte, eu comecei a ficar encafifada. Eu costumo menstruar por 7 ou 8 dias, e dessa vez o período tinha sido de apenas dois, e o sangramento bem fraquinho (mas só fui me tocar disso dias depois, quando a loucura toda tinha passado), além disso, eu já tinha melhorado do meu problema de saúde mas seguia muuuuuuiiiito cansada, com um sono inexplicável. Para completar, estava desligada, estabanada, ultra sensível e com uns rompantes de choro e histeria (OK, isso não é tão raro assim).

Num belo dia, fui com a minha sogra no shopping e lá comentei com ela: “ou o resto da minha menstruação virá, ou estou grávida”. E claro que ela perguntou: “mas tem chance?” E eu respondi: “sim, tem. Esse mês (SÓ ESSE) a gente não se cuidou, mas eu fiz o exame de gravidez antes de ir ao pronto socorro e deu negativo, por isso, acho que é coisa da minha cabeça.”

Mais dois dia depois, recebi uma mensagem super especial de uma amiga muito próxima e querida, na qual ela mandava a fotinho do seu exame de ultrassom, mostrando lá um lindo baby de pouquíssimas semanas. Comemorações e parabéns dados, comentei que a mensagem dela havia me convencido a fazer outro exame de gravidez, naquela tarde, mas como ninguém entendeu muito bem a história (essas mensagens foram trocadas num grupo de amigas), não houve grandes questionamentos e comentários, e lá fui eu pegar o Leo, colocar no carrinho e ir andando até a farmácia comprar um exame de gravidez.

Ao chegar lá, lembro de ter escolhido o mais barato, afinal, era só para confirmar o que eu já sabia: eu não estava grávida. Chegando em casa, fui até o banheiro, fiz o xixi como manda as instruções e saí do recinto. Dois minutos depois, voltei e quase caí dura no chão frio. A tal famosa segunda listrinha rosa que eu nunca tinha tido o prazer de ver ao vivo e a cores estava lá, surgindo rápida e forte para me deixar branca, sem ar, sem reação e completamente apavorada (confesso que, na hora, foi isso que eu senti. Até parecia que era o primeiro filho de uma mãe solteira adolescente).

Eu estava grávida. Eu estava grávida. Eu estava grávida. Descobri isso numa quarta feira à tarde, dia 11 de julho, com o Leo no colo e quase sendo derrubado no chão devido ao meu susto. Na hora, não sabia se ligava para meu marido para dar a notícia ou se ligava para o obstetra, para dizer que não estava tomando o ácido fólico e que, no lugar, estava tomando corticóide e antibiótico, pois nem sonhava que havia um baby a caminho.

Na dúvida, fiz as duas coisas. E para quase infartar pela segunda vez, nenhum dos dois me atendeu. Aí o jeito, como eu precisava desabafar, foi dar a notícia para a minha faxineira e para o grupo de amigas com quem eu tinha falado há pouco mais de uma hora. Claro que as amigas acharam que era brincadeira, que eu estava só tirando sarro e só se convenceram quando eu mandei uma foto do exame com o banheiro da minha casa ao fundo para comprovar que era real.

Depois de dada a notícia para a faxineira e amigas, segui tentando falar com meu marido, mas nada! Aí, então, liguei para a minha mãe. Ela, na hora, sentiu que algo estranho havia acontecido. Era metade da tarde e eu falava com uma voz esquisita, afobada, tentando fingir normalidade. Quando percebi que não ia conseguir dar a notícia sem ser vomitada, soltei: estou grávida. Mais chocada que eu, acho que só ela. kkk! Que ficou muda no telefone (minha mãe, tadinha, sempre reage assim quando dou a notícia que estou grávida. Não sei se é emoção ou medo, afinal, ela é mãe e sabe o que está por vir. kkk!).

Bom, resumo da ópera: consegui falar com o obstetra antes de falar com o marido e esse me tranquilizou que não haveria riscos para o bebê por conta dos medicamentos que eu estava tomando. Solicitou uma consulta dentro de alguns dias, deu parabéns e me mandou curtir a gravidez. Meu marido só consegui falar à noite, depois dele já ter falado com faxineira e dela já quase ter dado a notícia para ele no meu lugar (eu explico: quando meu marido viu as minhas 2 mil chamadas não atendidas, me retornou. Mas eu, mais nervosa que sei eu lá o que, não vi, não atendi, não retornei porque não havia visto. Aí ele, assustado, ligou para seus pais, que até hoje não sei porque não viram as chamadas e não atenderam. No desespero, ele ligou para a faxineira, que naquele dia estava aqui em casa e ele sabia. Na hora, ele perguntou se estava tudo bem, pois eu estava tentando falar com ele incessantemente, e ela confirmou que sim, que eu queria falar com ele mas era para contar algo bom. Aí ele, matou a charada e, por isso, quando conseguimos nos falar e eu dei a notícia ele não desmaiou do outro lado da linha. Ficou feliz, comemorou e eu relaxei.

Contando tudo isso dessa forma para vocês pode parecer que eu não fiquei feliz com a notícia. Eu fiquei sim, e muito, mas confesso que não esperava por essa gravidez tão rápido. Eu já não tomava anticoncepcional há meses, porque depois que o Leo nasceu não me adaptei mais a eles, mas me cuidava religiosamente, todos os meses. E aí, no primeiro mês que a gente pensou “deixa para lá, vamos liberar, vai demorar mesmo, talvez meio ano ou um ano” o negócio aconteceu, de cara, rápido, e inesperado por mais que a gente soubesse que havia chance de acontecer.

E por que todo esse choque? Também me fiz esse questionamento e encontrei duas respostas para ele. Primeiro o fato de ter sido muito rápido. Jamais imaginei que engravidaria no primeiro mês que deixasse de me cuidar. Do Leo engravidei rápido, mas foram quatro ou cinco meses de tentativas e também um super cuidado e preparação para que tudo saísse certinho (ácido fólico há meses, todos os exames feitos, eu já cuidando da alimentação). Dessa vez, tudo diferente. Eu estava sem tomar o ácido fólico (até tinha começado, mas acho que tomei uns cinco dias e desencanei), não tinha feito nenhum exame, minha alimentação estava um lixo e, para completar, até um pilequinho eu havia tomado nas últimas semanas, provavelmente já grávida, sem saber.

Bom, o outro motivo do choque é que agora a maternidade não é algo desconhecido para mim. Ah, mas se NÃO é desconhecido então não deveria gerar choques. Que nada! Da primeira vez, eu desconhecia a força, a intensidade e o poder da maternidade. No sentido positivo e negativo também (ou alguém aí acha que são só rosas 24h por dia 7 dias por semana?). E por desconhecer, eu imaginava tudo lindo, edílico, tranquilo, belo e sob controle. Coisa que hoje eu sei que está bem longe da realidade.

Enfim, levei umas 12h para assimilar a notícia. E depois desse choque inicial, a notícia começou a ser curtida de verdade e cada vez mais e mais e mais e mais.

Aos poucos, vou contando aqui o que rolou desde a descoberta até hoje. Que descobertas já fiz nesse período, que diferenças tenho notado da primeira gravidez (são muitas), como foi dar a notícia para o Leo e como está sendo apresentar a nova realidade para ele, que mudanças já estamos implantando em nossas vidas para dar conta dessa grandiosa novidade e por aí vai.

Mas, para não deixá-las tão curiosas assim, vou adiantar algumas informações. Estou grávida de três meses. Mais precisamente, de 12 semanas e 4 dias. Na sexta passada, dia 01/08, fiz o ultrassom morfológico e estava tudo lindo e o bebê super bem. E aqui confesso uma coisa muito bacana e que me pegou de surpresa, também: tanto eu quanto o meu marido nos emocionamos mais na ultrasonografia desse segundo bebê do que na do Leo. Ou seja, essa história de que com o segundo filho as emoções são muito menores, porque a gente já viveu tudo, é balela. As emoções são fortes sim, só são diferentes. Assim como são diferentes muitas e muitas e muitas outras situações.

Não vejo a hora de contar aqui outras coisas que essa segunda gestação está me fazendo ver, perceber, sentir, aprender. Com certeza, pelos próximos seis meses, ainda cresceremos muito juntos. E compartilharei essa experiência incrível e forte aqui vocês.

E agora, um pouquinho do nosso novo baby para vocês já irem se conhecendo. :-)

ultra baby

 

Essa figurinha já tem 5,79cm da cabeça ao bumbum e 8cm da cabeça aos pés. Pesa 55g, é ativo, adora se mexer e me pareceu muito simpático. Ahahahaha! Ao que tudo indica, será do signo de aquário. Data do nascimento prevista: 12 de fevereiro de 2015. Guenta coração!