Carreira x Maternidade: qual é a hora certa de voltar ao trabalho? | Macetes de Mãe

Carreira x Maternidade: qual é a hora certa de voltar ao trabalho?


23 de Janeiro de 2013

Tem hora certa para voltar a trabalhar depois que se tem um filho? Alguns especialistas (psicólogos, pediatras, etc…) costumam dizer que é super importante a mãe se dedicar integralmente ao bebê até ele ter, pelo menos, um ano. Já outros, afirmam que o ideal é esse prazo ser estendido até dois. Entretanto, todas nós, meras mortais, sabemos que nem sempre isso é possível.

Muitas mães se vêem obrigadas a voltar a trabalhar porque a licença maternidade acabou, outras, porque as economias estão chegando ao fim e o só salário do marido não banca as despesas da casa e, ainda, há aquelas que sentem que chegou a hora de retomarem uma parte importante de suas vidas que foi deixada de lado com o nascimento do serzinho mais importante do planeta.

Eu me encaixo nesse terceiro grupo. Estou entre as mulheres que sentiram que é o momento de cortar um pedacinho do cordão umbilical que as prende tão fortemente aos seus pequenos para tentar encontrar de novo o equilíbrio entre o EU, a FAMÍLIA e a PROFISSÃO.

Para mim, essa decisão aconteceu mais ou menos da seguinte forma: o Léo nasceu, e com ele aquele amor imenso, indescritível, interminável, e junto com os dois, Léo e Amor, aquela dedicação também imensa, indescritível, interminável. Pouco a pouco, fui percebendo que me entreguei tanto que comecei a sentir falta de mim (tema também já tratado aqui no blog) e que tentar recuperar uma parte da minha vida que foi deixada para trás seria importante, ou mais do que isso, necessário.

Assim, decidi voltar a trabalhar. Esperei o Léo completar oito meses (feitos ontem) e agora me sinto mais segura para deixá-lo a cargo de outras pessoas durante metade do dia. Na outra metade, continuare me dedicando de corpo e alma a ele, como tenho feito desde o seu nascimento.

Para mim, essa dinâmica, de cuidar do Léo metade do dia e voltar a exercer a minha profissão na outra metade, é a ideal nesse momento. Sei que, dessa forma, vou recarregar as minhas energias para quando estiver com ele poder dar o que há de melhor em mim.

Essa coisa de recarregar as energias é algo vital quando se exerce a maternidade. Somente quem é mãe sabe a rotina estafante que é cuidar de uma criança. É uma dedicação viceral, que consome não somente o nosso tempo como também o nosso fôlego. Corremos tanto, de um lado para outro, por horas a fio, que quando vemos, o dia acabou e não fizemos simplesmente nada que não tenha sido cuidar do(s) nosso(s) pequeno(s).

Enfim, EU senti que essa era a MINHA hora de voltar ao trabalho, e senti que esse modelo, de 50% mãe e 50% profissional, é um modelo que serve super bem para MIM. Entretando, acredito que cada mãe sabe qual é a SUA hora de fazer essa separação ou se essa hora tem que realmente chegar um dia.

Há muitas mães que optam por não voltar a trabalhar jamais e decidem se dedicar integralmente aos filhos. E quer saber? Eu tiro o chapéu para essas mulheres. Eu realmente admiro quem toma essa decisão, pois ser mãe é uma tarefa recompesadora, mas também extremamente árdua (e aqui eu presto a minha singela homenagem a minha mãe, que sempre exerceu a sua função de mãe em tempo integral com extrema maestria).

Enfim, encontrei no modelo mãe E profissional o meu modelo ideal. Ainda irei experimentá-lo na prática, a partir do próximo mês, mas acredito que é dessa forma que irá funcionar para mim.

Estou com o coração em paz, também, porque tenho certeza que o Léo ficará em boas mãos no tempo que não estiver comigo. Decidir quem cuidaria do meu pequeno no período que eu nao estivesse com ele também não foi uma tarefa fácil, mas essa experiência eu conto para vocês em outro post.

Hoje, sinto, cada vez mais, que É ME DIVIDINDO QUE ME FAÇO INTEIRA. Preciso me separar em duas (ou mais) para me sentir completa. Essa sou eu!

Encerro esse post com o sensível e muito sensato depoimento de uma grande amiga. Ela é integrante do grupo de discussão Macetes de Mãe e essas foram as suas palavras para outra mãe que questionou se, no grupo, havia alguma mamãe que havia abandonado a carreira para se dedicar integralmente aos filhos. Várias mamães, responderam que sim, e falaram da sua realizaçãom essa decisão, entretanto a Camila, assim como eu, decidiu seguir outro caminho. Faço minhas as palavras da Camila:’

“Não fazer da maternidade um estilo de vida” um dos melhores conselhos que recebi. Sei que é difícil, na verdade, dificílimo, mas necessário, pelo menos pra mim. Sou professora e tenho certa flexibilidade de horários, só preciso estar na faculdade três dias por semana, o resto do trabalho posso fazer em casa, mas mesmo se fosse diferente acho que não abriria mão da minha carreira. Essa questão é muito pessoal, mas pelo menos pra mim, o que eu faço também me define, me renova, me faz melhor e, consequentemente, uma pessoa mais realizada e uma mãe melhor. Ao mesmo tempo acho que a maternidade também me transformou como profissional, estou mais paciente, principalmente comigo mesma, e hierarquizo melhor as questões que realmente tem relevância e merecem minha energia. Claro que também abri mão de algumas coisas. O doutorado, por exemplo, está adiado até que consiga voltar a ler sem me sentir tentada a dançar com a minha filha no meio dia. Mas cedo as essas tentações sem culpa, sei que um dia conseguirei voltar ao meu antigo ritmo de estudo e espero por ele com calma, sem ansiedade, afinal, a grande lição dos últimos 15 meses é que as coisas acontecem quando tem que acontecer.
Camila Morales, professora, de Porto Alegre

No fim, queridas amigas, todas nós, voltando mais cedo, mais tarde, ou nunca voltando a trabalhar, estamos apenas sendo a melhor mãe que podemos ser. E é isso que importa!